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Questão de Português — Fonética (Fonemas, Dígrafos, Encontros Consonantais, Vocálicos). Separação Silábica — FUNDATEC 2025

PortuguêsFonética (Fonemas, Dígrafos, Encontros Consonantais, Vocálicos). Separação Silábica
Código
qa669396
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFFAR
Ano
2025
Cargo
BDoc ( )

Largue o celular

Por Mário Corso

 

Se você é como São Tomé, que precisa ver para crer, já existem imagens dos danos cerebrais causados pelo uso abusivo de telas. Foi publicado um estudo de meta análise, para sintetizar e comparar vários estudos de neuroimagem que tratavam do tema. A redução do volume da massa cinzenta se dá nas áreas de controle dos impulsos, tomada de decisões e processamento de recompensas. Os danos são semelhantes aos de dependentes de álcool, metanfetaminas e maconha.

 

Recentemente, a palavra do ano de língua inglesa foi brainrot (podridão cerebral), para designar a mudança cognitiva em quem abusa de games e redes sociais. Especialmente para quem fica rolando de um conteúdo aleatório para outro, sendo metralhado por múltiplos estímulos de conteúdo de baixa qualidade. Não é que a metáfora podridão ganhou um lastro real no cérebro?

 

Para quem diz: — eu não consigo tirar o celular do meu filho. Seria de espantar se fosse fácil, afinal, ele age como um viciado, não consegue se imaginar sem sua substância. Para quem faz uso abusivo, privá-lo do celular é como tirar a droga de alguém. Gera abstinência, que gera revolta, irritação, ansiedade e agressividade. Os apps são desenhados para nos manter presos na tela pelo maior tempo possível. Eles são intrinsecamente viciantes.

 

É válida a preocupação com o que os pequenos consomem, se o produto é orgânico, se tem agrotóxicos, se é ultraprocessado. É essencial dar-se conta de que o cérebro também é alimentado para crescer. O conteúdo viciante danifica os mecanismos de atenção sustentada que as crianças precisam na escola. Não adianta investir na educação se o jovem fica exposto aos algoritmos de mantê-lo preso à internet. Todo o esforço para conseguir um bom colégio é consumido pela podridão cerebral.

 

A escola é mais do que aquisição de tal o qual conteúdo, é o treino sistemático para enfrentar assuntos cada vez mais complexos e abstratos. Este progresso pode ser inviabilizado, pois as redes sociais treinam o cérebro no sentido inverso da capacidade de concentração, ou seja, busca por novidades e assuntos alarmantes. Jovens e adultos estão mentalmente subnutridos e seus cérebros intoxicados com conteúdos de fast-food.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/mario-corso – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando os vocábulos “cognitiva” e “abstinência”, analise as assertivas a seguir:

 

I. Ambos os vocábulos possuem uma vogal pronunciada na oralidade entre os encontros consonantais -gn e -bs, respectivamente.

 

II. Um sinônimo adequado para os vocábulos são, respectivamente, “perceptiva” e “abstenção”.

 

III. De acordo com a ocorrência no texto, são palavras que pertencem a classes gramaticais diferentes.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas I e III.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas I e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise fonética e morfológica de "cognitiva" e "abstinência" — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. As assertivas corretas são I e III. A assertiva I está correta porque, em "cognitiva", o encontro consonantal -gn- é pronunciado com uma vogal de apoio (como em "cog-nit-va"), e em "abstinência", o encontro -bs- também é pronunciado com uma vogal de apoio (como em "ab-sti-nên-cia"). A assertiva III está correta porque "cognitiva" é um adjetivo e "abstinência" é um substantivo, classes gramaticais diferentes. A assertiva II está incorreta porque "perceptiva" não é sinônimo de "cognitiva" e "abstenção" não é sinônimo de "abstinência".

O comando pede uma análise fonética (assertiva I) e morfológica/semântica (assertivas II e III) de duas palavras retiradas do texto. É uma questão de conceito e memorização de regras, não de interpretação textual. O texto-base serve apenas como contexto para a ocorrência das palavras, mas a resolução depende do conhecimento das regras de pronúncia, separação silábica e classes de palavras.

Assertiva I — Análise fonética: A assertiva afirma que ambos os vocábulos possuem uma vogal pronunciada na oralidade entre os encontros consonantais -gn- e -bs-. Isso está correto. Em "cognitiva", a separação silábica é cog-ni-ti-va. O encontro consonantal gn é separável, e, na pronúncia, há uma vogal de apoio (um "i" breve) entre o "g" e o "n", resultando em algo como "coguinitiva". O mesmo ocorre em "abstinência", cuja separação é abs-ti-nên-cia. O encontro bs é separável, e, na pronúncia, há uma vogal de apoio (um "i" breve) entre o "b" e o "s", resultando em algo como "abistinência". Essa vogal de apoio é um fenômeno fonético comum em português para facilitar a articulação de encontros consonantais considerados difíceis.

Assertiva II — Análise semântica: A assertiva afirma que "perceptiva" é sinônimo de "cognitiva" e "abstenção" é sinônimo de "abstinência". Isso está incorreto. "Cognitiva" refere-se ao processo de conhecimento, cognição, enquanto "perceptiva" refere-se à percepção, que é apenas uma das etapas do processo cognitivo. Não são sinônimos. Da mesma forma, "abstinência" refere-se ao estado de privação de algo, especialmente de uma substância viciante, enquanto "abstenção" refere-se ao ato de se abster, de não participar ou não votar. São palavras com sentidos distintos, embora compartilhem a mesma raiz latina.

Assertiva III — Análise morfológica: A assertiva afirma que as palavras pertencem a classes gramaticais diferentes. Isso está correto. No texto, "cognitiva" é usada como adjetivo, qualificando o substantivo "mudança" ("mudança cognitiva"). Já "abstinência" é usada como substantivo, nomeando o estado de privação ("Gera abstinência"). Portanto, são classes gramaticais distintas.

1Cognitiva
Adjetivo
Encontro -gn- separável
Vogal de apoio na pronúncia
2Abstinência
Substantivo
Encontro -bs- separável
Vogal de apoio na pronúncia
3Sinônimos (pegadinha)
Cognitiva ≠ perceptiva
Abstinência ≠ abstenção
Análise das palavras
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Análise das palavras: Cognitiva (Adjetivo, Encontro -gn- separável, Vogal de apoio na pronúncia); Abstinência (Substantivo, Encontro -bs- separável, Vogal de apoio na pronúncia); Sinônimos (pegadinha) (Cognitiva ≠ perceptiva, Abstinência ≠ abstenção)

Assertiva I — ✅ Correta

A assertiva está correta. A separação silábica de "cognitiva" é cog-ni-ti-va e a de "abstinência" é abs-ti-nên-cia. Em ambos os casos, os encontros consonantais -gn- e -bs- são separáveis, e a pronúncia natural insere uma vogal de apoio (um "i" breve) entre as consoantes, fenômeno conhecido como anaptixe ou vogal epentética. Isso é perceptível na fala: "coguinitiva" e "abistinência". A assertiva descreve exatamente esse fenômeno.

Assertiva II — ❌ Incorreta

A assertiva está incorreta. O erro é de troca de conceito. "Cognitiva" (relativo à cognição, ao conhecimento) não é sinônimo de "perceptiva" (relativo à percepção, aos sentidos). Embora relacionadas, são capacidades distintas. Da mesma forma, "abstinência" (estado de privação de uma substância viciante) não é sinônimo de "abstenção" (ato de se abster, de não participar). A banca explora a falsa ideia de que palavras com a mesma raiz ou com sons semelhantes são sinônimas.

Assertiva III — ✅ Correta

A assertiva está correta. No texto, "cognitiva" é um adjetivo que qualifica o substantivo "mudança" ("mudança cognitiva"). "Abstinência" é um substantivo que nomeia o estado de privação ("Gera abstinência"). Portanto, pertencem a classes gramaticais diferentes: adjetivo e substantivo, respectivamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre palavras com a mesma raiz ou som semelhante (cognitiva/perceptiva; abstinência/abstenção) e a dificuldade de identificar a vogal de apoio na pronúncia de encontros consonantais.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar sinônimos, pergunte-se: "a troca mantém o sentido exato no contexto?". Se houver qualquer nuance de diferença, não é sinônimo. Para fonética, lembre-se de que encontros consonantais como gn, bs, tm, mn são separáveis e frequentemente recebem uma vogal de apoio na pronúncia.

Conclusão: As assertivas I e III estão corretas, e a II está incorreta. Portanto, a alternativa que reúne as corretas é a letra D.

Gabarito: letra D

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