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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa670129
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Ag. de Lindóia
Ano
2025
Cargo
CPed ( )

Meu celular, minha vida

 

Há uma nova doença nos anais da medicina: a nomofobia, o medo de ficar sem celular. O termo foi cunhado no Reino Unido, e deriva de “no mobile phobia”.

 

O fato é óbvio: para qualquer lugar que se olhe, as pessoas estão atentas ao celular – rua, restaurante, local de trabalho, ônibus, metrô, escola e até igreja.

 

(...)

 

Uma das anomalias de nossa época pós-moderna é o esgarçamento das relações pessoais e comunitárias. A família tradicional, que se reunia à mesa de refeições ou na sala para conversar, é hoje um bem escasso. As relações matrimoniais mal resistem à primeira crise. Segundo o IBGE, as uniões conjugais duram, em média, cerca de sete anos!

 

Na opinião de Aristóteles, amizades são imprescindíveis à nossa felicidade. No entanto, nesse mundo competitivo, muitas andam contaminadas por inveja, ciúme, cobranças ou prejudicadas pela falta de tempo.

 

Resta então, nesse mar revolto no qual naufragam antigos e saudáveis costumes, a ilha salvadora do celular! O aparelho corresponde muito bem às contradições da pós-modernidade: por ele me comunico, sem conversar; opino, sem me comprometer; me expresso, sem me envolver; troco mensagens e torpedos, sem me doar a ninguém e a nenhuma causa.

 

O fascínio do celular consiste em amenizar minha solidão sem exigir solidarizar-me. Estou na rede, interajo com inúmeras pessoas e, no entanto, fico na minha, olhando o meu umbigo, indiferente ao fato de algumas dessas pessoas estarem sofrendo ou, pelo menos, necessitando de minha presença física consoladora ou incentivadora.

 

O celular faz de mim, Clark Kent, um Super-Homem. Eu, a quem quase ninguém presta atenção, agora gozo de um público multimídia ligado no que expresso. Em contrapartida, o celular me rouba tempo: de leituras, de trabalho, de convivência familiar e com amigos. Com ele ligado no bolso ou ao meu lado, fica cada vez mais difícil a concentração.

 

O celular é um espelho mágico. Repare como as pessoas o fitam. É como se se vissem na tela. Por ser um equipamento eletrônico dotado de múltiplos recursos, ele me traz a sensação de que sou um Pequeno Príncipe capaz de visitar sucessivamente diferentes planetas.

 

(...)

 

Ah, como é saudável estar bem consigo mesmo e manter o celular desligado por um bom tempo, sobretudo à noite! Mas isso exige o que parece cada vez mais raro nos dias atuais: boa autoestima, falta de ansiedade, consistência subjetiva, gosto pelo silêncio e uma vida ancorada em um sentido altruísta.

 

FREI BETTO. Meu celular, minha vida. Correio da cidadania. 06 dez. 2013.

Disponível em <https://www.correiocidadania.com.br/colunistas/freibetto/

9144-06-12-2013-meu-celular-minha-vida>.

Leia o texto a seguir para responder à questão.     Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação que está de acordo com as ideias apresentadas no texto “Meu celular, minha vida”.
  1. AA nomofobia é uma doença que atinge somente pessoas com boa autoestima e falta de ansiedade.
  2. BAtualmente, reunir-se à mesa para refeições ou na sala para conversar é um sinal de nomofobia.
  3. CAs relações entre as pessoas, proporcionadas pelo celular, são superficiais e egoístas.
  4. DNos dias atuais, não existe nenhuma união conjugal que ultrapasse o período de duração de sete anos.
  5. ENo mundo competitivo em que vivemos, os amigos virtuais são os mais confiáveis e imprescindíveis à nossa felicidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — As relações entre as pessoas, proporcionadas pelo celular, são superficiais e egoístas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de Texto — "Meu celular, minha vida"

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que parafraseia fielmente a tese central do texto: as relações mediadas pelo celular são superficiais e egoístas. O autor sustenta isso ao afirmar que o aparelho permite "me comunicar, sem conversar; opinar, sem me comprometer; me expressar, sem me envolver" e que seu fascínio está em "amenizar minha solidão sem exigir solidarizar-me". As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou o contradizem, ou restringem indevidamente o seu alcance.

O comando pede uma afirmação "de acordo com as ideias apresentadas no texto", ou seja, uma questão de compreensão/recorrência: a resposta deve ser uma paráfrase (reescritura fiel) de algo que está explícito ou diretamente sustentado pelo autor. Não se trata de inferir algo novo, mas de reconhecer a ideia que o texto já diz. A técnica é: para cada alternativa, pergunte "onde o texto autoriza isto?" e confronte com a passagem exata.

O texto é um artigo de opinião (dissertativo-argumentativo) em que Frei Betto critica a relação pós-moderna com o celular. A tese não é elogiar a tecnologia, mas mostrar como ela substitui relações reais por interações vazias. O movimento argumentativo central está nos parágrafos 5 e 6, em que o autor define o aparelho como uma "ilha salvadora" que corresponde "muito bem às contradições da pós-modernidade" e cujo fascínio é "amenizar minha solidão sem exigir solidarizar-me". É exatamente essa ideia de superficialidade (comunico-me sem conversar) e egoísmo (fico na minha, indiferente ao sofrimento alheio) que a alternativa C captura.

A armadilha central da questão é a extrapolação com dados verdadeiros do texto: as alternativas A, B, D e E pegam palavras e ideias que aparecem no texto (nomofobia, reunião à mesa, sete anos, amizades, Aristóteles) e as distorcem, acrescentando relações de causa, generalizações absolutas ou opiniões que o autor não emitiu. O candidato que lê rápido e reconhece os termos se sente tentado, mas a resposta correta é a que não acrescenta nada ao que o texto diz.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro que o texto não traz. Aqui, ela pega elementos reais do texto (nomofobia, sete anos, amizades) e os distorce com generalizações absolutas ("somente", "nenhuma", "sempre") ou com opiniões que o autor não emitiu ("amigos virtuais são os mais confiáveis"). A correta é a única que não acrescenta nada ao que está escrito.

Estratégia de resolução
  • 1Comando: "de acordo com o texto"
    • Buscar paráfrase fiel
    • Não inferir algo novo
  • 2Armadilha típica
    • Extrapolar com dado real do texto
    • Palavras absolutas (somente, nenhuma, sempre)
  • 3Regra de ouro
    • Correta: autoriza integralmente
    • Errada: extrapola, restringe ou contradiz
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a nomofobia "atinge somente pessoas com boa autoestima e falta de ansiedade". O texto define nomofobia como "o medo de ficar sem celular" e, no último parágrafo, diz que manter o celular desligado exige "boa autoestima, falta de ansiedade, consistência subjetiva, gosto pelo silêncio". A alternativa inverte a relação: o texto diz que ter boa autoestima e falta de ansiedade é o que permite desligar o celular, não que a nomofobia atinge quem tem essas características. Além disso, o advérbio "somente" restringe indevidamente o alcance da afirmação — o texto não diz que a nomofobia atinge apenas esse grupo. Erro: contradiz o texto e restringe com absoluto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "reunir-se à mesa para refeições ou na sala para conversar é um sinal de nomofobia". O texto diz exatamente o oposto: a família que se reunia à mesa é "um bem escasso" e a nomofobia é o medo de ficar sem celular. Reunir-se à mesa é apresentado como um costume saudável que se perdeu, não como um sintoma de doença. A alternativa contradiz o texto ao associar um hábito valorizado pelo autor a um transtorno. Erro: contradiz o texto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que "as relações entre as pessoas, proporcionadas pelo celular, são superficiais e egoístas". Isso é uma paráfrase direta da tese do autor. No 5º parágrafo, ele escreve:

"O aparelho corresponde muito bem às contradições da pós-modernidade: por ele me comunico, sem conversar; opino, sem me comprometer; me expresso, sem me envolver; troco mensagens e torpedos, sem me doar a ninguém e a nenhuma causa."

E no 6º parágrafo, reforça:

"O fascínio do celular consiste em amenizar minha solidão sem exigir solidarizar-me. Estou na rede, interajo com inúmeras pessoas e, no entanto, fico na minha, olhando o meu umbigo, indiferente ao fato de algumas dessas pessoas estarem sofrendo."

"Comunicar sem conversar", "expressar sem envolver", "ficar na minha, olhando o umbigo" são exatamente as ideias de superficialidade e egoísmo. A alternativa não acrescenta nada de fora; ela apenas reescreve com outras palavras o que o autor afirma. Correta: paráfrase fiel.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "não existe nenhuma união conjugal que ultrapasse o período de duração de sete anos". O texto diz: "Segundo o IBGE, as uniões conjugais duram, em média, cerca de sete anos!". A palavra "média" indica que algumas duram mais, outras menos; o número é uma média estatística, não um limite máximo. A alternativa restringe o alcance com o absoluto "nenhuma", transformando uma média em uma regra universal. Erro: restringe com absoluto (generalização indevida).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "os amigos virtuais são os mais confiáveis e imprescindíveis à nossa felicidade". O texto cita Aristóteles para dizer que "amizades são imprescindíveis à nossa felicidade", mas não diz que os amigos virtuais são os mais confiáveis. Pelo contrário, o autor critica as relações virtuais como superficiais e egoístas. A alternativa extrapola ao acrescentar uma opinião ("mais confiáveis") que o texto não emite e, na verdade, contradiz a crítica do autor às relações mediadas pelo celular. Erro: extrapola e contradiz o texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "de acordo com o texto", desconfie de palavras absolutas como "somente", "nenhuma", "sempre", "todos". Elas quase sempre restringem ou generalizam indevidamente o que o texto disse. A correta costuma ser a que parafraseia sem acrescentar nada.

Gabarito: letra C. A regra de ouro: a resposta correta é a única que o texto autoriza integralmente — nem mais, nem menos do que ele diz. As erradas ou extrapolam (E), ou restringem com absolutos (A, D), ou contradizem o texto (B).

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