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Questão de Português — Conjunção — Avança SP 2025

PortuguêsConjunção
Código
qa670131
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Ag. de Lindóia
Ano
2025
Cargo
CPed ( )

Meu celular, minha vida

 

Há uma nova doença nos anais da medicina: a nomofobia, o medo de ficar sem celular. O termo foi cunhado no Reino Unido, e deriva de “no mobile phobia”.

 

O fato é óbvio: para qualquer lugar que se olhe, as pessoas estão atentas ao celular – rua, restaurante, local de trabalho, ônibus, metrô, escola e até igreja.

 

(...)

 

Uma das anomalias de nossa época pós-moderna é o esgarçamento das relações pessoais e comunitárias. A família tradicional, que se reunia à mesa de refeições ou na sala para conversar, é hoje um bem escasso. As relações matrimoniais mal resistem à primeira crise. Segundo o IBGE, as uniões conjugais duram, em média, cerca de sete anos!

 

Na opinião de Aristóteles, amizades são imprescindíveis à nossa felicidade. No entanto, nesse mundo competitivo, muitas andam contaminadas por inveja, ciúme, cobranças ou prejudicadas pela falta de tempo.

 

Resta então, nesse mar revolto no qual naufragam antigos e saudáveis costumes, a ilha salvadora do celular! O aparelho corresponde muito bem às contradições da pós-modernidade: por ele me comunico, sem conversar; opino, sem me comprometer; me expresso, sem me envolver; troco mensagens e torpedos, sem me doar a ninguém e a nenhuma causa.

 

O fascínio do celular consiste em amenizar minha solidão sem exigir solidarizar-me. Estou na rede, interajo com inúmeras pessoas e, no entanto, fico na minha, olhando o meu umbigo, indiferente ao fato de algumas dessas pessoas estarem sofrendo ou, pelo menos, necessitando de minha presença física consoladora ou incentivadora.

 

O celular faz de mim, Clark Kent, um Super-Homem. Eu, a quem quase ninguém presta atenção, agora gozo de um público multimídia ligado no que expresso. Em contrapartida, o celular me rouba tempo: de leituras, de trabalho, de convivência familiar e com amigos. Com ele ligado no bolso ou ao meu lado, fica cada vez mais difícil a concentração.

 

O celular é um espelho mágico. Repare como as pessoas o fitam. É como se se vissem na tela. Por ser um equipamento eletrônico dotado de múltiplos recursos, ele me traz a sensação de que sou um Pequeno Príncipe capaz de visitar sucessivamente diferentes planetas.

 

(...)

 

Ah, como é saudável estar bem consigo mesmo e manter o celular desligado por um bom tempo, sobretudo à noite! Mas isso exige o que parece cada vez mais raro nos dias atuais: boa autoestima, falta de ansiedade, consistência subjetiva, gosto pelo silêncio e uma vida ancorada em um sentido altruísta.

 

FREI BETTO. Meu celular, minha vida. Correio da cidadania. 06 dez. 2013.

Disponível em <https://www.correiocidadania.com.br/colunistas/freibetto/

9144-06-12-2013-meu-celular-minha-vida>.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

   

“A família tradicional, que se reunia à mesa de refeições ou na sala para conversar, é hoje um bem escasso.”

 

Assinale a alternativa em que os elementos completam corretamente as lacunas do período seguinte, na mesma ordem, em relação à palavra destacada no trecho acima.

 

A palavra “para” pode ser substituída por “____” e possui o sentido de ____.

  1. Apra – causa
  2. Ba fim de – causa
  3. Cafim de – afinidade
  4. Dafim de – finalidade
  5. Ea fim de – finalidade
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — a fim de – finalidade

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A preposição "para" e a locução "a fim de" — valor de finalidade

Gabarito: letra E. No trecho "A família tradicional, que se reunia à mesa de refeições ou na sala para conversar", a palavra "para" introduz a finalidade da ação de reunir-se: a família se reunia com o objetivo de conversar. A substituição correta é por "a fim de" (locução prepositiva de finalidade, escrita separada e sem acento), e o sentido é de finalidade. As demais alternativas ou trocam a grafia ("afim") ou atribuem valor de causa, que não é o caso.

O comando da questão

O enunciado pede duas coisas em sequência: (1) a forma correta que substitui "para" no contexto e (2) o sentido que essa substituição preserva. Isso é uma questão de reescritura sem alteração de sentido — a banca quer que você reconheça o valor semântico da preposição no contexto e escolha a locução equivalente, com a grafia correta. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto: o sentido da preposição depende do contexto em que aparece.

O valor de "para" no trecho

No trecho citado, a oração "para conversar" indica o propósito da ação de reunir-se. A família se reunia com a finalidade de conversar. Esse é o valor clássico de finalidade da preposição "para" quando seguida de verbo no infinitivo. Veja a estrutura:

"A família tradicional, que se reunia à mesa de refeições ou na sala para conversar, é hoje um bem escasso."

A oração "para conversar" é uma oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo — ela equivale a "para que conversassem". A locução "a fim de" é a substituta natural, pois também expressa finalidade e é seguida de infinitivo.

A distinção "a fim de" × "afim"

A pegadinha central da questão está na grafia. Veja a diferença:

Forma

Classe

Sentido

Exemplo

a fim de

locução prepositiva

finalidade, objetivo

"Estudou a fim de passar."

afim

adjetivo

afinidade, semelhança

"São ideias afins."

  • "a fim de" (separado, sem acento) é uma locução que equivale a "para" — indica finalidade.

  • "afim" (junto) é adjetivo que significa "que tem afinidade, semelhante" — não pode substituir "para".

No trecho, "para conversar" pede a locução de finalidade, portanto "a fim de" é a única forma correta. As alternativas que trazem "afim" (C e D) já estão erradas pela grafia.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"pra – causa" — A forma "pra" é uma redução coloquial de "para", mas o sentido atribuído está errado: "para conversar" não indica causa, e sim finalidade. A causa seria algo como "conversar porque...", o que não ocorre. Além disso, a questão pede a forma culta, e "pra" é informal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"a fim de – causa" — A locução "a fim de" está correta, mas o sentido está errado. "A fim de conversar" expressa finalidade, não causa. A banca troca o valor semântico para testar se você percebe a diferença entre finalidade e causa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"afim de – afinidade" — Duplo erro: a grafia "afim" (junto) é adjetivo e não forma locução com "de"; e o sentido de "afinidade" não se aplica ao contexto. "Afim de" não existe na norma culta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"afim de – finalidade" — O sentido de finalidade está correto, mas a grafia "afim" está errada. A forma correta é "a fim de", separada. A banca mistura o acerto semântico com o erro ortográfico para confundir.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"a fim de – finalidade" — Esta é a única que acerta tanto a grafia quanto o sentido. "A fim de" é a locução prepositiva de finalidade, e "para conversar" expressa exatamente isso: o objetivo da reunião familiar. A substituição preserva integralmente o sentido do trecho.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão clássica entre "a fim de" (finalidade) e "afim" (afinidade), além de testar se você percebe que "para" aqui indica finalidade, não causa. A alternativa B é a mais traiçoeira: acerta a locução, mas erra o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir uma preposição, pergunte-se: "qual é a relação lógica entre as ideias?" Se a oração responde à pergunta "para quê?", é finalidade; se responde a "por quê?", é causa. E decore: "a fim de" = finalidade; "afim" = afinidade.

Gabarito: letra E — a única que une a grafia correta ("a fim de") ao valor semântico adequado (finalidade).

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