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Questão de Português — Vocábulo "Que" — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
qa670435
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
PM PR
Ano
2025
Cargo
Cad ( )

PASSOS ANTIDEPRESSIVOS

Drauzio Varella

 

Desde que comecei a correr adquiri a convicção de que a atividade física é antidepressiva. Quando discutia o assunto com meus colegas, eles argumentavam, entretanto, que faltavam evidências científicas para justificar essa afirmação. Naqueles anos 1990, eles tinham toda razão.

 

Hoje, é correto afirmar que a depressão é um dos transtornos mentais mais prevalentes no mundo, pode acometer crianças, adolescentes e pessoas com 90 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela será a principal causa de absenteísmo no trabalho no decorrer do século 21, contanto que o estilo de vida contemporâneo seja mantido.

 

Essa alta prevalência motivou diversos estudiosos a avaliar o impacto da vida moderna na gênese do transtorno e de possíveis mudanças comportamentais, a fim de que se evite o estabelecimento do transtorno.

 

Nas últimas décadas do século passado, uma enxurrada de publicações havia demonstrado o papel da atividade física na prevenção das doenças cardiovasculares, respiratórias, câncer, diabetes, obesidade e uma infinidade de outras. Os benefícios são de tal ordem que o exercício se tornou a panaceia dos dias atuais.

 

Em 2020 foi publicada uma metanálise que procurou relacionar os níveis de atividade física com a emergência de quadros depressivos. Os resultados mostraram uma relação direta entre a realização de atividade física e a redução nos casos de depressão.

 

Em dezembro de 2024, o Journal of the American Medical Association (JAMA), publicou uma metanálise de um grupo espanhol que se propôs a quantificar essa relação, comparando o número de passos dados por dia com o risco de apresentar sintomas depressivos.

 

Pedômetros e acelerômetros disponíveis em relógios de pulso e celulares permitiram que os dados fossem colhidos com muito mais precisão do que no passado, quando se baseavam em estimativas subjetivas.

 

A partir da análise de mais de 10 mil estudos sobre o tema, os autores selecionaram 33 publicados no período de 2004 a 2023, em que os autores trabalharam com critérios científicos mais consistentes.

 

No total, foram cerca de 96 mil mulheres e homens (55% mulheres) de 18 a 91 anos de idade, de 13 países diferentes, que não tinham nem apresentado sintomas de depressão nem recebido esse diagnóstico.

 

De acordo com a faixa etária eles foram divididos em três subgrupos: 18 a 35 anos, 36 a 64 anos e 65 ou mais. De acordo com o número de passos diários, a divisão foi feita em quatro subgrupos: abaixo de 5 mil/dia; entre 5 mil e 7,5 mil; de 7,5 mil a 10 mil; e acima de 10 mil/dia.

 

Este foi o resultado: a redução dos quadros depressivos foi inversamente proporcional aos passos dados. Isto é, quanto mais passos menor o risco de depressão. Esse resultado ficou evidente em todas as faixas etárias, dos 18 aos 91 anos.

 

As principais conclusões foram: 1) os que deram mais de 7.500 passos/dia reduziram o risco em 42%, 2) para cada mil passos a mais acima dos 7 mil diários, o risco diminui 9%, 3) acima de 10 mil passos/dia não há benefício adicional, 4) o efeito protetor se mantém, mesmo que se pratique atividade física em níveis considerados modestos.

 

Qual o tipo de atividade física ideal? Embora a metanálise citada não faça referência a esse dado, evidências anteriores demonstraram que as vantagens de fazer exercícios se repetem, não importa qual seja a atividade aeróbica – andar, correr, dançar, subir escada, levantar peso, tai chi e ioga, entre outras.

 

No passado, a medicina e a assim chamada “sabedoria popular” aconselhavam aos mais velhos: “não se esforce, faça repouso”. Partiam do princípio de que quanto menos energia fosse dispendida com ossos e músculos, mais sobraria para o funcionamento dos órgãos internos.

 

As consequências desse paradigma equivocado foram graves: hipertensão arterial, diabetes, tromboses, ataques cardíacos e derrames cerebrais levavam precocemente aqueles que sobreviviam às doenças infecto-parasitárias, que devastavam a infância, e ousavam chegar aos 50 anos.

 

Demorou para entendermos que o corpo humano é uma máquina desenhada, pela seleção natural, para o movimento. Ao contrário de outras construídas com o mesmo objetivo, como o automóvel ou o avião, que se desgastam à medida que se movem, nosso corpo se aprimora: a musculatura fica mais forte, os ossos mais firmes, a rede de vasos sanguíneos mais eficiente e o oxigênio chega com mais facilidade ao cérebro e demais órgãos internos.

 

Adaptado de: https://drauziovarella.uol.com.br/artigo-do-drauzio-varella/passos-antidepressivos/. Acesso em: 05 maio 2025.

Considere o seguinte texto para responder a questão seguinte

 

Observe o termo destacado na frase transcrita a seguir e a função que ele exerce:

 

“Pedômetros e acelerômetros disponíveis em relógios de pulso e celulares permitiram que os dados fossem colhidos com muito mais precisão do que no passado [...]”.

 

Assinale a alternativa cujo termo destacado desempenha a mesma função.

  1. A“Em 2020 foi publicada uma metanálise que procurou relacionar os níveis de atividade física com a emergência de quadros depressivos.”.
  2. B“[...] o efeito protetor se mantém, mesmo que se pratique atividade física em níveis considerados modestos.”.
  3. C“[...] como o automóvel ou o avião, que se desgastam à medida que se movem [...]”.
  4. D“[...] as vantagens de fazer exercícios se repetem, não importa qual seja a atividade aeróbica [...]”.
  5. E“Quando discutia o assunto com meus colegas, eles argumentavam, entretanto, que faltavam evidências científicas [...]”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “Quando discutia o assunto com meus colegas, eles argumentavam, entretanto, que faltavam evidências científicas [...]”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função do vocábulo "que": conjunção integrante × pronome relativo

Gabarito: letra E. O "que" destacado na frase-base é conjunção integrante, pois introduz uma oração que exerce função de objeto direto do verbo "argumentavam" — e a alternativa E repete exatamente essa função: "eles argumentavam, entretanto, que faltavam evidências científicas". A prova clássica: substituir a oração iniciada por "que" por ISSO — "eles argumentavam isso" — mantém o sentido. Nenhuma outra alternativa apresenta o "que" como conjunção integrante: nas demais, ele é pronome relativo (retoma um antecedente) ou parte de locução conjuntiva.

O comando

A questão pede que você identifique a função sintática do vocábulo "que" na frase-base e assinale a alternativa em que ele exerce a mesma função. Isso é uma questão de análise sintática do período composto, não de interpretação de texto: o que importa é classificar corretamente o "que" em cada ocorrência. O comando "mesma função" exige que você compare a classificação da frase-base com a de cada alternativa — uma a uma, sem pular etapas.

O texto e a frase-base

Na frase-base, temos:

"Pedômetros e acelerômetros disponíveis em relógios de pulso e celulares permitiram que os dados fossem colhidos com muito mais precisão do que no passado."

Aqui, o "que" introduz a oração "os dados fossem colhidos", que funciona como objeto direto do verbo "permitiram" (quem permite, permite algo — esse algo é a oração inteira). O "que" é, portanto, conjunção integrante, pois liga o verbo à sua oração subordinada substantiva objetiva direta. O teste do "ISSO" funciona perfeitamente: "permitiram isso".

A técnica que decide: o teste do "ISSO" × o teste do "o qual"

A distinção central é entre conjunção integrante e pronome relativo:

Critério

Conjunção integrante

Pronome relativo

Função

Introduz oração subordinada substantiva (sujeito, objeto, predicativo etc.)

Retoma um termo antecedente e inicia oração adjetiva

Substituição

Troca-se a oração por ISSO

Troca-se por o qual / a qual / os quais / as quais

Exemplo

"Disse que viria" → "Disse isso"

"O livro que li" → "O livro o qual li"

Aplicando à frase-base: "permitiram que os dados fossem colhidos" → "permitiram isso". Não há antecedente sendo retomado; o "que" apenas conecta o verbo à sua oração objetiva. Logo, conjunção integrante.

Agora, teste cada alternativa com o mesmo critério:

  • A) "uma metanálise que procurou relacionar" → "uma metanálise a qual procurou relacionar" → pronome relativo (retoma "metanálise").

  • B) "mesmo que se pratique" → locução conjuntiva concessiva (equivale a "embora"), não é conjunção integrante.

  • C) "o automóvel ou o avião, que se desgastam" → "o automóvel ou o avião, os quais se desgastam" → pronome relativo (retoma "automóvel ou avião").

  • D) "não importa qual seja" → pronome interrogativo/indefinido, não é o "que" conjunção.

  • E) "argumentavam que faltavam evidências" → "argumentavam isso" → conjunção integrante (oração subordinada substantiva objetiva direta).

Análise das alternativas

1Conjunção integrante
Oração substantiva
Teste: trocar por ISSO
Ex.: "argumentavam que faltavam" (E)
2Pronome relativo
Retoma antecedente
Teste: trocar por o qual
Ex.: "metanálise que procurou" (A)
Ex.: "avião, que se desgastam" (C)
3Locução conjuntiva
Concessiva: "mesmo que" (B)
4Outra palavra
"qual" interrogativo (D)
"Que" (funções)
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"Que" (funções): Conjunção integrante (Oração substantiva, Teste: trocar por ISSO, Ex.: "argumentavam que faltavam" (E)); Pronome relativo (Retoma antecedente, Teste: trocar por o qual, Ex.: "metanálise que procurou" (A), Ex.: "avião, que se desgastam" (C)); Locução conjuntiva (Concessiva: "mesmo que" (B)); Outra palavra ("qual" interrogativo (D))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O "que" em "uma metanálise que procurou relacionar" é pronome relativo: retoma o antecedente "metanálise" e inicia uma oração adjetiva restritiva. A prova é a substituição por "a qual": "uma metanálise a qual procurou relacionar". Não é conjunção integrante, pois não há verbo pedindo um complemento oracional — há um substantivo sendo qualificado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Em "mesmo que se pratique", o "que" integra a locução conjuntiva "mesmo que", que expressa concessão (equivale a "embora"). Não é conjunção integrante nem pronome relativo: é parte de uma conjunção subordinativa adverbial concessiva. O teste do "ISSO" falha completamente: "mesmo isso se pratique" não faz sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O "que" em "o automóvel ou o avião, que se desgastam" é pronome relativo: retoma "o automóvel ou o avião" e inicia uma oração adjetiva explicativa (note a vírgula antes do "que"). A substituição por "os quais" confirma: "o automóvel ou o avião, os quais se desgastam". Mesma classe da alternativa A, mas diferente da frase-base.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Aqui o termo destacado é "qual", não "que". Em "não importa qual seja a atividade aeróbica", o "qual" é um pronome interrogativo/indefinido que introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva. Além de ser outra palavra, a função não corresponde à da frase-base. A alternativa foge ao que foi pedido — o vocábulo destacado nem é o "que".

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Em "eles argumentavam, entretanto, que faltavam evidências científicas", o "que" é conjunção integrante: introduz a oração "faltavam evidências científicas", que exerce função de objeto direto do verbo "argumentavam" (quem argumenta, argumenta algo). O teste do "ISSO" confirma: "eles argumentavam isso". É exatamente a mesma função do "que" na frase-base — conjunção integrante introduzindo oração subordinada substantiva objetiva direta.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar o "que", aplique sempre os dois testes: se couber "ISSO" no lugar da oração, é conjunção integrante; se couber "o qual/a qual", é pronome relativo. Essa dualidade resolve 90% das questões de função do "que" em provas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura ocorrências de "que" com funções diferentes — pronome relativo (A e C), locução conjuntiva concessiva (B) e até outra palavra (D) — para testar se você sabe distinguir a conjunção integrante. A alternativa E é a única que repete a função da frase-base.

Conclusão: a frase-base usa "que" como conjunção integrante (oração subordinada substantiva objetiva direta). A única alternativa com a mesma função é a E, pois "argumentavam que faltavam evidências" também admite a substituição por "argumentavam isso". As demais ou usam "que" como pronome relativo (A, C), ou como parte de locução concessiva (B), ou destacam outra palavra (D).

Gabarito: letra E

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