Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Figuras de Linguagem — Avança SP 2025

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
qa670546
Banca
Avança SP
Órgão
CM Caçapava
Ano
2025
Cargo
Cont ( )

Do fogo à inteligência artificial: uma crônica sobre a evolução humana

 

Era uma vez, há milhares de anos, um grupo de humanos primitivos sentado ao redor de uma fogueira recém-descoberta. Para eles, o fogo não era apenas calor; era um milagre. Iluminava a escuridão, afastava os predadores e permitia que a carne fosse cozida, facilitando a digestão. Naquele momento, talvez sem saber, esses nossos ancestrais haviam dado um passo crucial no que chamamos de “progresso”. Agora, feche os olhos por um instante e imagine. Troque a fogueira por uma tela brilhante de um smartphone. Substitua as cavernas por apartamentos e as pinturas rupestres por posts nas redes sociais. Mais de 10 mil anos se passaram, mas será que realmente mudamos tanto assim?

 

Na pré-história, as ferramentas eram simples: uma pedra lascada, uma lança, o domínio do fogo. Hoje, nossas ferramentas são algoritmos, redes de alta velocidade e inteligências artificiais. O paradoxo está em como continuamos sendo movidos pela mesma essência humana: a curiosidade de entender, criar e sobreviver.

 

O filósofo Martin Heidegger dizia que a técnica é muito mais do que ferramentas; é um modo de revelar o mundo. Quando o homem primitivo lascava uma pedra, ele revelava sua capacidade de transformar a natureza a seu favor. Quando usamos a tecnologia hoje, revelamos nosso desejo de superar limites. Mas Heidegger também nos alerta: será que não estamos nos tornando escravos de nossas próprias criações? Naquele tempo, o fogo era uma conquista compartilhada. Todos se reuniam ao seu redor, unidos por um objetivo comum. Hoje, nossas tecnologias, embora conectem o mundo, muitas vezes nos isolam em bolhas individuais. Quantos de nós, mesmo sentados à mesma mesa, olhamos para as telas ao invés de olhar nos olhos uns dos outros? É curioso pensar que, ao mesmo tempo em que avançamos tanto, ainda carregamos os mesmos dilemas. Na pré-história, lutávamos contra a natureza para sobreviver; hoje, lutamos contra o excesso de informações para encontrar significado. Naquela época, nossas ferramentas eram uma extensão de nosso corpo; hoje, parecem uma extensão de nossa mente.

 

Então, aqui estamos nós, filhos do fogo e pais da inteligência artificial. Talvez a maior lição que possamos tirar da pré-história seja esta: é a forma como usamos nossas ferramentas – e não elas mesmas – que define quem somos. Se o fogo foi capaz de unir nossos ancestrais, que a tecnologia possa nos lembrar que, acima de tudo, somos humanos. E aí (...) que tipo de legado queremos deixar para aqueles que olharão para nossas ferramentas no futuro?

 

FARIAS, Gilberto. Do fogo à inteligência artificial: uma crônica sobre a evolução humana. 15 dez. 2024.

Disponível em <https://historiacomgilbertofarias.blogspot.com/2024/12/do-fogo-inteligencia-artificial-uma.html>.

Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.   Assinale a alternativa em que a palavra destacada no trecho transcrito do texto está sendo empregada em sentido figurado.
  1. A“Era uma vez (...) um grupo de humanos primitivos sentado ao redor de uma fogueira recém-descoberta.”
  2. B“Na pré-história, as ferramentas eram simples: uma pedra lascada, uma lança, o domínio do fogo.”
  3. C“Quantos de nós, mesmo sentados à mesma mesa, olhamos para as telas ao invés de olhar nos olhos uns dos outros?”
  4. D“nossas tecnologias, embora conectem o mundo, muitas vezes nos isolam em bolhas individuais.”
  5. E“Naquela época, nossas ferramentas eram uma extensão de nosso corpo
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “nossas tecnologias, embora conectem o mundo, muitas vezes nos isolam em bolhas individuais.”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido Figurado: "Bolhas Individuais"

Gabarito: letra D. A palavra "bolhas" está empregada em sentido figurado (conotativo) no trecho "nossas tecnologias, embora conectem o mundo, muitas vezes nos isolam em bolhas individuais". No texto, "bolhas" não designa uma esfera física de ar ou sabão, mas sim a ideia de isolamento digital — cada pessoa fechada em seu próprio universo de telas e interesses, sem contato real com os outros. Essa leitura é autorizada pelo próprio parágrafo, que contrapõe a conexão tecnológica ao isolamento: "Hoje, nossas tecnologias, embora conectem o mundo, muitas vezes nos isolam em bolhas individuais. Quantos de nós, mesmo sentados à mesma mesa, olhamos para as telas ao invés de olhar nos olhos uns dos outros?".

O comando pede que se identifique a palavra em sentido figurado — ou seja, aquela que foge do significado literal/dicionarizado e ganha novo valor no contexto. Isso é diferente de pedir "o que o texto afirma": aqui, a tarefa é reconhecer o uso conotativo da linguagem, recurso típico das figuras de palavra (metáfora, metonímia, catacrese). A técnica é testar cada termo destacado: se ele pode ser entendido ao pé da letra, é denotativo; se exige uma transferência de sentido para ser compreendido, é conotativo.

O texto é uma crônica que compara a pré-história (fogo, ferramentas simples) à era digital (algoritmos, IA), sustentando a tese de que "é a forma como usamos nossas ferramentas – e não elas mesmas – que define quem somos". No 3º parágrafo, o autor desenvolve a ideia de que a tecnologia, apesar de conectar, isola: é exatamente aí que mora a resposta. A palavra "bolhas" não pode ser lida literalmente — ninguém está dentro de uma bolha de sabão —, mas metaforicamente, como círculo fechado de convivência virtual.

A armadilha central da questão é a troca de vocábulo: a banca oferece trechos em que as palavras destacadas têm sentido próprio (fogueira, pedra, telas, corpo) e apenas uma tem sentido figurado. Quem não domina a diferença entre denotação e conotação tende a escolher a alternativa E ("extensão de nosso corpo"), que parece metafórica, mas no contexto é uma comparação explícita — e não uma metáfora pura. Vamos analisar cada uma.

Sentido figurado (conotativo)
  • 1Metáfora (substituição implícita)
    • "Bolhas" = isolamento digital
  • 2Comparação (símile)
    • "Extensão" = relação explícita
  • 3Sentido literal (denotativo)
    • "Fogueira"
    • "Pedra lascada"
    • "Telas"
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A palavra "fogueira" está em sentido denotativo (literal): designa o fogo real ao redor do qual os humanos primitivos se reuniam. O trecho descreve uma cena concreta: "um grupo de humanos primitivos sentado ao redor de uma fogueira recém-descoberta". Não há transferência de sentido — fogueira é fogueira. A alternativa tangencia o tema ao citar uma palavra do texto, mas sem uso figurado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Pedra lascada" e "lança" são ferramentas reais da pré-história, empregadas em sentido próprio. O trecho "as ferramentas eram simples: uma pedra lascada, uma lança, o domínio do fogo" enumera objetos concretos. Não há conotação. A alternativa contradiz o que se pede: apresenta palavras em sentido literal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Telas" aqui designa as telas de smartphones/computadores — uso denotativo (o objeto físico). O trecho "olhamos para as telas ao invés de olhar nos olhos uns dos outros" contrapõe o contato virtual ao presencial, mas "telas" mantém seu sentido próprio. A alternativa restringe o alcance da questão ao focar em um termo literal.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Bolhas" está em sentido figurado (conotativo). No trecho "nossas tecnologias, embora conectem o mundo, muitas vezes nos isolam em bolhas individuais", a palavra não designa uma esfera física, mas metaforicamente o isolamento digital de cada pessoa em seu próprio universo virtual. A prova está na sequência do texto: "Quantos de nós, mesmo sentados à mesma mesa, olhamos para as telas ao invés de olhar nos olhos uns dos outros?" — ou seja, as "bolhas" são os círculos fechados de interação mediada por telas. É uma metáfora: comparação implícita, sem conectivo, entre o isolamento e uma bolha.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Extensão" no trecho "nossas ferramentas eram uma extensão de nosso corpo" é uma comparação explícita (símile), não uma metáfora pura. O autor afirma que as ferramentas funcionavam como uma extensão do corpo — há uma relação de semelhança declarada, não uma substituição de sentido. Além disso, "extensão" mantém seu sentido de "prolongamento", ainda que em contexto analógico. A alternativa confunde comparação com metáfora: na metáfora, não há conectivo comparativo; aqui, a relação é explicitada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre comparação (símile) e metáfora. A letra E parece figurada, mas é uma comparação explícita; a letra D é a única com metáfora real — "bolhas" substitui o sentido de isolamento sem conectivo comparativo.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar sentido figurado, pergunte: "essa palavra pode ser entendida ao pé da letra neste contexto?" Se sim, é denotativa; se não, é conotativa. "Bolhas" não pode ser literal — ninguém está dentro de uma bolha de sabão.

Conclusão: a única palavra em sentido figurado é "bolhas" (letra D), pois metaforiza o isolamento digital. As demais alternativas usam termos em sentido denotativo ou em comparação explícita, não em metáfora. Gabarito: letra D.

Link permanente: /questoes/qa670546