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Questão de Português — Conjunção — Avança SP 2025

PortuguêsConjunção
Código
qa670557
Banca
Avança SP
Órgão
CM Caçapava
Ano
2025
Cargo
Tec Lg ( )

Domingo

 

O domingo que, há muitos anos, vinha sendo o meu dia sem graça, fez-me redescobrir o seu bom ar e convenceu-me de sua alegria, como na meninice. Vou a pé por uma rua de Ipanema, vou andando sozinho, sentindo a tarde fresca e me interessando pelas pessoas que encontro. O prazer físico de andar e estar só. O conforto de estar vestindo uma camisa muito maior que eu, só a camisa, sobre uma calça grande também e desvincada. A maravilha de não precisar falar.

 

Passa uma mulher bonita, alta, com um pelo de arame pela corrente. Mais adiante, uma outra espera alguém que a levará para uma mesa de biriba, ou que seja para uma cartada mais séria. Depois, um jovem casal de mãos dadas, rindo alto, segurando-se um no outro, para não cair da gargalhada. Um senhor com uma máquina fotográfica, à bandoleira. Aquele antigo ar dos domingos voltando da infância facilitava-me a intimidade que cada homem deve manter consigo mesmo. As crianças são íntimas de si mesmas. Depois, quando vão engrossando a voz e criando buço, começam a fazer-se cerimônia. Às vezes, entre os 30 e os 40 anos, perderam tanto os pontos de referência que a noção dos pés e das mãos é vaga e sem posse. A própria voz é um acontecimento estranho e transfigurado. Passa-se a não dizer, e sim a ouvir as próprias palavras. Pobre de quem se ouve!

 

Entro num barzinho de fregueses muito moços. São pares de namorados e a pessoa mais velha deve ter 18 anos. Esforço-me por ignorá-los, mergulhando no livro que trouxe e bebendo a cerveja que pedi. Eles, porém, me ignoram com a maior facilidade. A vitrola toca uma canção minha, em solo do piano. Seria péssimo se eles reconhecessem o autor e ficassem diferentes por minha causa. Mas não achavam nada demais a vizinhança de um homem que fez uma canção. Entanto, eu acho ainda que é uma grande coisa um homem ter feito uma canção. E ouvi-la, em público, entre os que não a fizeram! Senti-la de todos e sabê-la sua.

 

Que bom não ter agora com quem falar. Foi sempre a palavra que enganou todas as coisas. Enquanto estou calado, podem fazer de mim todas as suposições erradas e absurdas. Mas não fui eu que menti ou enganei. Há pessoas que nos obrigam a mentir. São as que nos pedem aqui e ali um julgamento que lhes seja agradável. Alguém seguro de si não nos pede jamais uma opinião sobre o seu feito. Espera, ou pouco se importa com a ideia que estamos formando a seu respeito. Os homens que não se confiam perguntam-nos constantemente: “Você não acha que agi muito bem? Você, em meu lugar, não faria exatamente a mesma coisa?”. E nunca duas pessoas reagem exatamente da mesma maneira em face do mesmo acontecimento. Porque não existem duas pessoas rigorosamente iguais. Na melhor das hipóteses, um teria a gravata de outra cor.

 

Que bom ser domingo outra vez, depois de 30 anos!

   

Entra uma moça clara, da idade das outras, e senta à mesa em frente à minha. Jovem. Linda. E eu, não.

 

MARIA, A. Domingo. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. Todavia, 2021, p. 167-168. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13379/domingo>.

Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.

 

Analise o seguinte excerto quanto às palavras em destaque:

 

“Esforço-me por ignorá-los [...] Eles, porém, me ignoram com a maior facilidade. A vitrola toca uma canção minha, em solo do piano. Seria péssimo se eles reconhecessem o autor e ficassem diferentes por minha causa. Mas não achavam nada demais a vizinhança de um homem que fez uma canção.”

 

Em relação ao valor que exprimem, essas conjunções são classificadas, respectivamente, como:

  1. Aadversativa; integrante; aditiva; adversativa.
  2. Bexplicativa; integrante; aditiva; adversativa.
  3. Cadversativa; condicional; aditiva; adversativa.
  4. Dadversativa; integrante; alternativa; adversativa.
  5. Eadversativa; integrante; aditiva; consecutiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — adversativa; integrante; aditiva; adversativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação das Conjunções no Trecho

Gabarito: letra A. As conjunções destacadas são, respectivamente, adversativa (porém), integrante (se), aditiva (e) e adversativa (mas). A classificação se prova pelo valor semântico que cada uma estabelece no contexto: oposição, completude de sentido, soma e oposição.

O Comando

A questão pede a classificação das conjunções quanto ao valor que exprimem — ou seja, o sentido que cada uma instaura na relação entre as orações. Não se trata de decorar listas, mas de ler o contexto e identificar se a conjunção liga orações independentes (coordenada) ou dependentes (subordinada), e qual relação de sentido cria (oposição, adição, explicação, condição etc.).

O Texto e o Trecho Analisado

No trecho, o cronista narra sua experiência num barzinho frequentado por jovens. Ele tenta ignorá-los, mas eles o ignoram com facilidade. A vitrola toca uma canção sua, e ele reflete sobre o que seria se o reconhecessem. As conjunções destacadas articulam exatamente essas ideias:

“Esforço-me por ignorá-los [...] Eles, porém, me ignoram com a maior facilidade. A vitrola toca uma canção minha, em solo do piano. Seria péssimo se eles reconhecessem o autor e ficassem diferentes por minha causa. Mas não achavam nada demais a vizinhança de um homem que fez uma canção.”

  • porém: contrapõe a atitude do narrador (esforçar-se para ignorar) à dos jovens (ignorá-lo com facilidade) — oposição.

  • se: introduz a oração “eles reconhecessem o autor e ficassem diferentes”, que completa o sentido do verbo “seria” — é uma conjunção subordinativa integrante.

  • e: liga duas ações dos jovens (“reconhecessem” e “ficassem diferentes”) — adição.

  • mas: contrapõe a hipótese temida (ser péssimo se o reconhecessem) à realidade (não achavam nada demais) — oposição.

A Técnica que Decide

Para classificar uma conjunção, pergunte: ela liga orações independentes ou dependentes? Se liga orações independentes, é coordenada; se liga uma oração que exerce função sintática na outra (sujeito, objeto, complemento), é subordinada integrante. Depois, identifique o valor semântico: oposição (mas, porém), adição (e), condição (se), explicação (porque), etc.

No caso do se, a oração “se eles reconhecessem o autor” funciona como objeto direto do verbo “seria” (seria o quê? seria péssimo que eles reconhecessem). Não há ideia de condição real, mas de completude de sentido — por isso é integrante, não condicional.

Análise das Alternativas

Conjunção

Classificação

Valor semântico

porém

Adversativa

Oposição

se

Subordinativa integrante

Completa o sentido do verbo

e

Aditiva

Soma/adição

mas

Adversativa

Oposição

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência adversativa; integrante; aditiva; adversativa está correta. porém e mas são adversativas (oposição); se é integrante (completa o verbo); e é aditiva (soma).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao classificar porém como explicativa. porém nunca é explicativa; é tipicamente adversativa. A banca tenta confundir com o valor de justificativa, mas o contexto mostra oposição clara.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao classificar se como condicional. No trecho, o se não introduz uma condição para algo acontecer, mas sim o conteúdo do que seria péssimo — é integrante. A pegadinha clássica: todo “se” parece condicional, mas quando completa o sentido de um verbo, é integrante.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao classificar e como alternativa. O e liga duas ações que se somam (“reconhecessem” e “ficassem diferentes”), não apresenta escolha ou alternância. Alternativas seriam “ou”, “ora...ora”.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao classificar mas como consecutiva. mas é adversativa; consecutivas são “que” (após tal/tão/tanto), “de modo que”, “de forma que”. O contexto mostra oposição, não consequência.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre integrante × condicional (o “se” que completa o verbo) e entre aditiva × consecutiva (o “e” que soma, não conclui).

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir “se” integrante de condicional, substitua por “isso”: “seria péssimo isso” — se encaixar, é integrante. Para o “e”, veja se as ações se somam (aditiva) ou se uma é consequência da outra (consecutiva).

Gabarito: letra A.

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