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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa671002
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IGP RS
Ano
2025
Cargo
Papis ( )

Quase 11 milhões de brasileiros apostam de

modo a pôr em risco a saúde e as finanças

 

Estimativa resulta de levantamento que entrevistou

4.860 pessoas com mais de 14 anos em 349

municípios

 

Mariana Ceci

 

Apostar em jogos de azar de modo a pôr em risco a saúde física, mental e financeira é hoje uma questão de saúde pública relevante no Brasil e, segundo alguns especialistas, quase tão grave quanto a dependência do álcool e do tabaco. Atualmente, 10,9 milhões de brasileiros com mais de 14 anos, o correspondente a 6,8% da população nessa faixa etária, jogam de forma a criar para si próprios problemas emocionais, familiares, econômicos ou com o trabalho e são classificados como jogadores de risco. O mais preocupante é que cerca de um em cada oito desses jogadores – o que equivale a 1,4 milhão de pessoas ou 0,8% da população acima dos 14 anos – apresenta um padrão de apostas mais comprometedor, compatível com o diagnóstico do transtorno do jogo, uma enfermidade caracterizada pelo desejo incontrolável de jogar mesmo diante de prejuízos. [...]

 

A equipe da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Unifesp chegou à estimativa atual de quantas pessoas apostam no Brasil e da proporção que o faz de maneira nociva por meio dos dados obtidos na terceira e mais recente edição do Levantamento Nacional sobre Álcool e Drogas (Lenad), realizado entre 2023 e 2024. [...] Um módulo específico do Lenad III avaliou a frequência e o impacto dos jogos de apostas no país. Nele, 4.860 pessoas – sendo 876 adolescentes com idades entre 14 e 18 anos, de ambos os sexos, e 3.984 homens e mulheres adultos – responderam nove perguntas do Índice de Gravidade do Jogo Problemático (PGSI, na sigla em inglês), um instrumento que avalia os prejuízos pessoais, sociais e financeiros relacionados ao comportamento de apostar e identifica o nível de risco de desenvolver o chamado transtorno do jogo.

 

Divulgados agora, os dados sobre jogo estão detalhados em um documento de 60 páginas – o Caderno temático – Jogos de aposta na população brasileira – e sugerem que o risco associado ao hábito de apostar do brasileiro se intensificou em relação ao observado no primeiro levantamento, embora os indicadores que investigam jogos de apostas não sejam diretamente comparáveis entre as duas edições, por terem usado instrumentos de aferição diferentes. [...]

 

No levantamento atual, feito ainda no início da recente febre das bets e das plataformas on-line de aposta, a proporção de pessoas que não jogam foi de 82,6% – esse número é quase seis pontos percentuais inferior ao observado no Lenad I. Os 17,4% restantes, número que corresponde a quase 28 milhões de brasileiros, se distribuem da seguinte forma: 10,6% jogam de modo esporádico, sem enfrentar problemas; 3,4% são jogadores com baixo risco de se tornarem dependentes; 2,6% com risco moderado; e 0,8% jogador problemático. [...]

 

“Há indícios preocupantes de aumento de comportamentos problemáticos relacionados às apostas”, comenta o psiquiatra Hermano Tavares, da Universidade de São Paulo (USP), que detalhou os resultados do Lenad I na Psychiatry Research e não participou da versão atual do levantamento. “Esses sinais começaram a se intensificar durante a pandemia, período que impulsionou as apostas on-line, e ainda não perderam força. Atualmente, a dependência do jogo é a terceira mais comum entre os brasileiros. Supera a da cocaína e do crack e fica atrás apenas da do álcool e do tabaco. A rede pública de saúde não está preparada para lidar com isso”, afirma.

 

“Esse transtorno se manifesta quando a pessoa perde o controle sobre o hábito de apostar, que passa a ocupar um papel central em sua vida e traz prejuízos significativos”, explica o psiquiatra Daniel Spritzer, que faz pós-doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e é colaborador do Lenad III. “Isso inclui apostar mais do que se deveria ou poderia, perder dinheiro e voltar a apostar para tentar recuperá-lo ou precisar aumentar cada vez mais os valores para sentir o mesmo prazer inicial”, detalha. Os sinais de alerta incluem ansiedade e angústia quando não se consegue apostar, além de comportamentos como pedir dinheiro emprestado ou vender bens para continuar jogando.

 

A proporção de jogadores varia de acordo com a região do país. O Sul concentra a maior fração deles (20,4% das pessoas com mais de 14 anos apostam) e o Nordeste, a menor, 16,3%. A relação entre as duas regiões se inverte quando são consideradas as proporções de indivíduos que apostam de forma arriscada: a maior fração de apostadores (52,3%) com algum grau de risco (baixo, médio ou elevado) de desenvolver transtorno do jogo está no Nordeste, enquanto essa proporção é bem menor no Sul (29,8%) e no Sudeste (28%).

 

Há praticamente dois jogadores homens para cada mulher (64,8% ante 35,2%) e, seguindo uma tendência já observada em estudos internacionais, também no Brasil três grupos de apostadores são os que correm mais risco de desenvolver o transtorno do jogo: os adolescentes, as pessoas de mais baixa renda e os adeptos das plataformas de apostas online. “Por estarem altamente disponíveis, com acesso pelo celular, e apresentarem a possibilidade de reforço imediato da sensação de gratificação e recompensa, os mecanismos das apostas on-line aumentam significativamente o número de pessoas com risco para o transtorno”, explica a pesquisadora da Unifesp.

 

O jogo é proibido no Brasil para menores de 18 anos. Mesmo assim, 4% dos apostadores identificados no Lenad III eram adolescentes. A imensa maioria dos jovens que aposta (84,1%) o faz por meio de plataformas on-line e, apesar de ser um grupo pequeno, concentra uma das mais elevadas proporções de pessoas com risco de desenvolver transtorno do jogo: 55,4%, ante 37,7% entre os adultos. “O cérebro dos adolescentes ainda está em desenvolvimento. Por isso, eles são mais influenciáveis pela publicidade, que é ostensiva e voltada ao público jovem. A literatura médica indica que adolescentes correm um risco de 2 a 4 vezes maior do que os adultos de desenvolver problemas com jogos de azar”, conta Spritzer.

 

Madruga reforça que um dos fatores que tornam as plataformas digitais mais perigosas é a ilusão de controle que proporcionam aos apostadores. “No caso das bets, os jogadores acreditam que podem compreender e manipular os resultados de algo que, na realidade, é aleatório”, explica Madruga. Essa racionalização, segundo a pesquisadora, assemelha-se à de usuários de drogas como cocaína e crack, que muitas vezes acreditam ter controle sobre o próprio consumo e não se enxergam como parte do grupo de pessoas com problemas. “O estudo deixa claro que o jogo é uma ferramenta poderosa para gerar transtornos, em uma proporção que já ultrapassou a de quase todas as drogas psicoativas. É fundamental que se implementem regulações mais rígidas para proteger os mais vulneráveis”, enfatiza.

 

[...]

 

Adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/quase-11-milhoes-

de-brasileiros-apostam-de-modo-a-por-em-risco-a-saude-e-as-

financas/. Acesso em: 03 abr. 2025.

De acordo com a leitura do texto, é correto afirmar que

  1. Aas principais consequências do jogo para os brasileiros são a diminuição da arrecadação de impostos por causa dos jogos ilegais e a redução da produtividade no trabalho devido ao tempo gasto em apostas.
  2. Bsegundo Lenad III, o grupo de pessoas que apresenta maior risco de desenvolver transtorno do jogo corresponde a adolescentes que usam jogos on-line e a idosos que jogam em cassinos físicos.
  3. Cas apostas on-line são consideradas especialmente perigosas porque não há fiscalização governamental acerca delas.
  4. Da região Sul do Brasil é a que tem a maior proporção de apostadores com algum grau de risco de desenvolver transtorno do jogo.
  5. Esão sinais de alerta para o transtorno do jogo: ansiedade ao não apostar e pedir dinheiro emprestado ou vender bens a fim de obter recursos e manter, assim, a jogatina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — são sinais de alerta para o transtorno do jogo: ansiedade ao não apostar e pedir dinheiro emprestado ou vender bens a fim de obter recursos e manter, assim, a jogatina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sinais de alerta do transtorno do jogo: compreensão de informação explícita

Gabarito: letra E. A alternativa E é a correta porque reproduz, por paráfrase fiel, o que o texto afirma explicitamente sobre os sinais de alerta do transtorno do jogo. No sexto parágrafo, lê-se: “Os sinais de alerta incluem ansiedade e angústia quando não se consegue apostar, além de comportamentos como pedir dinheiro emprestado ou vender bens para continuar jogando.” A alternativa E diz exatamente isso: ansiedade ao não apostar e pedir dinheiro emprestado ou vender bens para manter a jogatina. Não há acréscimo, supressão ou inversão — é uma reescritura com sinônimos.

O comando pede “de acordo com a leitura do texto”, ou seja, compreensão (informação explícita), não inferência. Isso significa que a resposta correta deve estar literalmente sustentada por uma passagem, sem deduções ou complementos externos. A técnica é: para cada alternativa, pergunte “onde o texto diz isso?”. Se não houver passagem que autorize, a alternativa está errada — mesmo que pareça plausível.

O texto é uma reportagem sobre o jogo de apostas no Brasil, com dados do Lenad III. O tema central é o risco do transtorno do jogo e seus sinais. A tese implícita é que o jogo problemático é uma questão de saúde pública que exige atenção e regulação. Os parágrafos trazem números, comparações regionais e explicações de especialistas. Para esta questão, o trecho decisivo é o que lista os sinais de alerta, pois é a única passagem que corresponde integralmente a uma alternativa.

A armadilha central da banca é misturar informação verdadeira com acréscimo indevido (extrapolação). As alternativas A, B, C e D contêm elementos que o texto realmente menciona (jogos ilegais, adolescentes, apostas on-line, região Sul), mas acrescentam ou invertem dados de forma a torná-las falsas. A alternativa E, ao contrário, é uma paráfrase limpa, sem nada de fora.

Sinais de alerta do transtorno do jogo
  • 1Ansiedade e angústia
    • Quando não consegue apostar
  • 2Comportamentos
    • Pedir dinheiro emprestado
    • Vender bens
    • Para continuar jogando
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as principais consequências do jogo são a diminuição da arrecadação de impostos e a redução da produtividade no trabalho. O texto não menciona nenhuma dessas consequências. Ele fala em problemas emocionais, familiares, econômicos e com o trabalho, mas não especifica “diminuição da arrecadação de impostos” nem “redução da produtividade”. Isso é extrapolação: a banca inventa consequências que não estão no texto, usando o tema geral para seduzir o candidato.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que o grupo de maior risco são adolescentes que usam jogos on-line e idosos que jogam em cassinos físicos. O texto menciona adolescentes e apostas on-line como grupos de risco, mas não menciona idosos nem cassinos físicos. Além disso, o texto não afirma que esses são “o grupo” de maior risco — ele diz que adolescentes, pessoas de baixa renda e adeptos de plataformas on-line correm mais risco. A alternativa restringe o alcance (fala em “o grupo”) e acrescenta informação (idosos, cassinos físicos) que não existe. Erro: extrapolação + restrição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as apostas on-line são perigosas porque não há fiscalização governamental. O texto fala em “regulações mais rígidas” como necessidade, mas não diz que não há fiscalização. A periculosidade é atribuída à disponibilidade, ao acesso pelo celular e ao reforço imediato, não à ausência de fiscalização. A alternativa contradiz o texto ao afirmar algo que ele não sustenta e extrapola ao introduzir a ideia de falta de fiscalização. Erro: contradiz_texto (o texto não afirma isso) e fora_do_escopo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a região Sul tem a maior proporção de apostadores com risco. O texto diz o contrário: “a maior fração de apostadores (52,3%) com algum grau de risco [...] está no Nordeste, enquanto essa proporção é bem menor no Sul (29,8%)”. A alternativa inverte a informação: atribui ao Sul o que o texto atribui ao Nordeste. Erro: contradiz_texto (inversão de dados).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E é uma paráfrase fiel do trecho: “Os sinais de alerta incluem ansiedade e angústia quando não se consegue apostar, além de comportamentos como pedir dinheiro emprestado ou vender bens para continuar jogando.” Ela troca “ansiedade e angústia quando não se consegue apostar” por “ansiedade ao não apostar” e “pedir dinheiro emprestado ou vender bens para continuar jogando” por “pedir dinheiro emprestado ou vender bens a fim de obter recursos e manter, assim, a jogatina”. Não há acréscimo, supressão ou inversão. É a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife no texto a passagem que corresponde à alternativa antes de marcar. Se não achar, a alternativa está errada. Desconfie de alternativas que misturam dados verdadeiros com acréscimos — a banca adora fazer isso.

Gabarito: letra E — a única que o texto autoriza por completo, sem nada de fora.

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