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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
qa671189
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
TRE TO
Ano
2025
Cargo
AJ

Agricultoras de comunidades tradicionais se unem em defesa do Cerrado

 

Projetos ajudam a conservar o bioma e a empoderar mulheres

 

“O capim-dourado mudou as nossas vidas. É o capim-dourado que coloca pão na mesa, que gera renda para comprar comida, roupa, calçado. Ainda hoje é a principal fonte de renda da comunidade e muda a vida das artesãs, dando qualidade de vida melhor”, conta Railane de Brito da Silva, 27 anos, presidente da Associação da Comunidade Quilombola Mumbuca, na região de Mateiros, no Jalapão (região leste do estado do Tocantins).

 

O capim-dourado (Syngonanthus nitens), na verdade, não é um capim, já que não pertence à família das gramíneas. Trata-se da haste de uma pequena flor branca da família das sempre-vivas (família Eriocaulaceae). O capim-dourado é matéria-prima para a confecção de bolsas, bijuterias e objetos de decoração que geram renda para centenas de artesãos.

 

“Ele nasceu aqui na comunidade de Mumbuca. Há 180 anos, dona Laurinda, mais conhecida como dona Miúda, descobriu o capim-dourado. Ela foi a precursora do capim-dourado no mundo”, conta orgulhosa Railane, que segue à frente da associação, vencendo desafios diários para que as artesãs da região tenham visibilidade. “Tenho orgulho do meu trabalho, que não é fácil, mas tenho força porque já nasci empoderada.”

 

Na associação, ela faz de tudo: está envolvida nas atividades sociais, financeiras, vendas e projetos que ajudam a divulgar o artesanato local, além de dar aulas em uma escola estadual, inclusive de cultura quilombola.

 

“A associação é o coração da comunidade Mumbuca”, conta orgulhosa Railane. “Na associação, é desenvolvido artesanato de capim-dourado. Temos a loja de Capim- Dourado, onde há 200 artesãs e associados que costuram todo dia e vendem lá. A loja organiza a venda das peças e 90% vai para o artesão, 5% fica com o vendedor e 5% vai para o caixa da associação”.

 

“Na comunidade Quilombola Mumbuca, tudo gira em torno da associação, é como se fosse a prefeitura da comunidade. Ainda temos o escritório, a Casa da Cultura, o Barracão de Eventos. A associação é um trabalho social, porque tudo que vem de cesta básica e de doação passa pela associação que distribui para comunidade”.

 

Filha de pais agricultores, Railane tem muito orgulho de suas origens. “Nós quilombolas somos as comunidades que guardam mais do que tudo. Então, desde o passado, a gente sabe conservar a natureza da forma que era. A nossa comunidade é bem preservada. A gente ensina a não jogar lixo nos córregos e na beira dos rios, porque, além do capim-dourado, aqui tem muitos atrativos; tem córrego, cachoeira, rios, praias, então é muito interessante”. [...]

 

Bioma

 

O Cerrado é um dos cinco grandes biomas do Brasil e ocupa cerca de 25% do território nacional, com área aproximada de 1,9 milhão de quilômetros quadrados (km²). Trata-se do segundo maior bioma nacional, atrás apenas da Amazônia. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, é uma das regiões com maior biodiversidade do mundo. Estima-se que tenha mais de 6 mil espécies de árvores e 800 espécies de aves.

 

Apesar da importância, dados mostram que o Cerrado vem sendo devastado. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no acumulado de janeiro a abril de 2023, o desmatamento aumentou no Cerrado e caiu na Amazônia Legal, na comparação com o mesmo período do ano passado.

 

Agricultura familiar

 

“O trabalho que fazemos na Rede Cerrado visa a proteção dos biomas, fauna e flora e dos povos e populações tradicionais”, conta Maria de Lourdes de Souza Nascimento, 59 anos. “Nosso trabalho é focado na agroecologia, garantindo o bem-estar das mulheres e homens do campo”.

 

Não me deixo abater. Defendo as mulheres, a agricultura familiar e o meio ambiente. Não tenho dúvidas de que, sem esses três elementos, não existiria vida no planeta", completa Maria de Lourdes. Por isso, ela entende que ajudar a conservar o Cerrado é tão importante. “O Cerrado é nossa caixa d’água e não é à toa que [...] preservá-lo é continuar a viver”.

 

Para Maria de Lourdes, as ações vêm para mudar as adversidades ambientais. “Somos poucos e poucas nessa luta, mas estamos fazendo a diferença no planeta, nas mudanças climáticas. Somos como o beija-flor do incêndio: estamos fazendo nossa parte!”, disse ela, referindo-se à fábula do beija-flor que, diante de um grande incêndio na floresta, colabora levando gotas de água em seu pequeno bico na tentativa de combater as chamas. [...]

 

Adaptado de: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-05/agricultoras-de-comunidades-tradicionais-se-unem-em-defesa-do-cerrado.

Leia o texto a seguir para responder à questão

 

Texto 3

 

Considerando a análise de determinados elementos linguísticos presentes no Texto 83, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.

 

( ) Em “[...] segue à frente da associação [...]”, o acento indicativo de crase foi empregado devido à junção do “a” preposição, que rege o verbo “seguir”, com o “a” artigo definido, o qual acompanha o substantivo feminino “frente”.

 

( ) Em “Temos a loja de Capim Dourado, onde há 200 artesãs e associados [...]”, o pronome destacado poderia ser substituído, sem prejuízo gramatical, por “em que”.

 

(  ) Em “[...] 200 artesãs e associados [...]”, o verbo “haver”, no singular, poderia ser substituído por “existir”, na forma pluralizada: “existem 200 artesãs e associados”, sem prejuízo de sentido e/ou de teor gramatical.

 

( ) No trecho “[...] 90% vai para o artesão, [...]”, o verbo “ir” poderia ser usado — de acordo com a norma-padrão - na forma plural, caso houvesse um determinante, também pluralizado, junto à porcentagem: “90% dos rendimentos vão”.

 

( ) Na frase “Não me deixo abater.”, o pronome destacado poderia ser empregado após o verbo “deixar” (“Não deixo-me abater”), ajustado à norma-padrão, apenas com mudança no nível de formalidade da sentença.


  1. AF-F-V-V-F
  2. BV-V-F-F-V
  3. CV-F-V-F-V
  4. DF-F-F-V-V
  5. EF-V-V-V-F
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — F-V-V-V-F

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise de Elementos Linguísticos — Crase, Pronomes Relativos, Concordância e Colocação Pronominal

Gabarito: letra E (F-V-V-V-F). A questão pede a análise de cinco afirmações sobre elementos linguísticos do texto. A sequência correta é: Falsa, Verdadeira, Verdadeira, Verdadeira, Falsa. A primeira afirmação erra ao explicar a crase (o verbo "seguir" não rege preposição "a" nesse contexto), e a última erra ao afirmar que a ênclise "deixo-me" seria aceitável após negação (a norma exige próclise). As demais afirmações estão corretas, como se prova nos trechos citados abaixo.

O Comando

O enunciado pede para julgar a veracidade (V/F) de cinco afirmações sobre elementos linguísticos presentes no texto. Isso é diferente de uma questão de interpretação: aqui, o foco é a gramática normativa aplicada a trechos específicos. Cada afirmação deve ser testada contra a regra gramatical e contra o trecho citado. Não se trata de "achar" o sentido, mas de verificar a correção gramatical de cada proposição.

O Texto e o Movimento Argumentativo

O texto é uma reportagem sobre agricultoras de comunidades tradicionais que se unem em defesa do Cerrado. O trecho relevante para a questão é o que contém as falas de Railane e Maria de Lourdes, onde aparecem as construções analisadas: "segue à frente da associação", "Temos a loja de Capim Dourado, onde há 200 artesãs", "90% vai para o artesão" e "Não me deixo abater". A questão não pede interpretação do texto, mas análise gramatical de trechos específicos.

A Técnica que Decide

A questão mistura quatro tópicos gramaticais: crase, pronome relativo, concordância verbal e colocação pronominal. Para cada um, é preciso aplicar a regra normativa e verificar se a afirmação está correta. A armadilha central é a troca de conceitos: a banca mistura regras de crase, concordância e colocação pronominal, e o candidato precisa identificar qual regra se aplica a cada caso.

Análise das Afirmações

1ª afirmação — ❌ Falsa

A afirmação diz que a crase em "segue à frente" ocorre pela junção da preposição "a" (regida por "seguir") com o artigo "a" (que acompanha "frente"). Isso está errado. O verbo "seguir" não exige preposição "a" para o complemento "frente". Na verdade, a crase ocorre porque a expressão "à frente de" é uma locução adverbial que exige crase obrigatória, independentemente da regência do verbo. A preposição "a" é exigida pela locução, não pelo verbo.

"[...] segue à frente da associação [...]"

A crase aqui é obrigatória porque "à frente" é uma locução adverbial feminina. O verbo "seguir" poderia ser usado sem preposição ("segue a frente" seria errado), mas a locução exige a crase. Portanto, a justificativa apresentada está incorreta.

2ª afirmação — ✅ Verdadeira

A afirmação diz que o pronome "onde" em "Temos a loja de Capim Dourado, onde há 200 artesãs" poderia ser substituído por "em que" sem prejuízo gramatical. Isso está correto. O pronome relativo "onde" é usado para indicar lugar e pode ser substituído por "em que" (preposição "em" + pronome relativo "que") quando o antecedente é um lugar.

"Temos a loja de Capim Dourado, onde há 200 artesãs e associados [...]"

A substituição por "em que" mantém a correção gramatical: "Temos a loja de Capim Dourado, em que há 200 artesãs". A troca é válida porque "onde" e "em que" são equivalentes quando o antecedente é um lugar.

3ª afirmação — ✅ Verdadeira

A afirmação diz que o verbo "haver" em "há 200 artesãs" poderia ser substituído por "existem", sem prejuízo de sentido ou gramática. Isso está correto. O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal e fica no singular, mas o verbo "existir" é pessoal e concorda com o sujeito. A substituição é válida e mantém o sentido.

"[...] há 200 artesãs e associados [...]"

A troca por "existem 200 artesãs e associados" é gramaticalmente correta, pois "existem" concorda com o sujeito plural "200 artesãs e associados". O sentido é preservado.

4ª afirmação — ✅ Verdadeira

A afirmação diz que o verbo "ir" em "90% vai para o artesão" poderia ser usado no plural, caso houvesse um determinante plural junto à porcentagem: "90% dos rendimentos vão". Isso está correto. Quando a porcentagem é seguida de um determinante no plural, o verbo pode concordar com o determinante.

"[...] 90% vai para o artesão, [...]"

No trecho original, "90%" não tem determinante, então o verbo fica no singular. Mas se houvesse "90% dos rendimentos", o verbo poderia ir para o plural: "90% dos rendimentos vão". A concordância com o determinante é facultativa e aceita pela norma-padrão.

5ª afirmação — ❌ Falsa

A afirmação diz que o pronome "me" em "Não me deixo abater" poderia ser empregado após o verbo ("Não deixo-me abater"), ajustado à norma-padrão, apenas com mudança no nível de formalidade. Isso está errado. A norma-padrão exige próclise (pronome antes do verbo) quando há palavra negativa antes do verbo.

"Não me deixo abater."

A presença do advérbio de negação "não" atrai o pronome para antes do verbo (próclise). A forma "Não deixo-me abater" é incorreta segundo a norma-padrão, pois a palavra negativa impede a ênclise. Não se trata de uma questão de formalidade, mas de obrigatoriedade da próclise.

Conclusão

A sequência correta é F-V-V-V-F, correspondente à letra E. A questão testa a capacidade de aplicar regras gramaticais a trechos específicos do texto. A pegadinha está na 1ª e na 5ª afirmações: a primeira confunde a regência do verbo com a locução adverbial, e a segunda ignora a atração do pronome pela palavra negativa.

1Locução adverbial feminina
2Não é regência do verbo "seguir"
3Pronome "onde"
Antecedente = lugar
Substituível por "em que"
4Verbo "haver" (existir)
Impessoal → singular
Substituível por "existem" (pessoal)
5Concordância com porcentagem
Sem determinante → singular
Com determinante plural → [+] plural facultativo
6Colocação pronominal
Palavra negativa atrai próclise
"Não deixo-me" é incorreto
Crase em "à frente"
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Crase em "à frente": Locução adverbial feminina; Não é regência do verbo "seguir"; Pronome "onde" (Antecedente = lugar, Substituível por "em que"); Verbo "haver" (existir) (Impessoal → singular, Substituível por "existem" (pessoal)); Concordância com porcentagem (Sem determinante → singular, Com determinante plural → [+] plural facultativo); Colocação pronominal (Palavra negativa atrai próclise, "Não deixo-me" é incorreto)
NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre regência verbal e locução adverbial (1ª) e entre próclise e ênclise (5ª). Na 1ª, o candidato pode pensar que "seguir" rege "a"; na 5ª, pode achar que a ênclise é apenas uma questão de formalidade.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de crase, verifique se a expressão é uma locução (como "à frente") antes de analisar a regência do verbo. Em questões de colocação pronominal, lembre-se: palavra negativa atrai próclise.

Gabarito: letra E

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