O elemento da comunicação predominante no Texto 1 é
Ao emissor, isto é, a autora do texto, uma vez que ela constrói o poema com uma voz lírica única e singular, voltada ao “eu” subjetivo, expondo, assim, seus sentimentos e visões intimistas.
Bo receptor, visto que o texto se centraliza na possibilidade de o leitor se envolver e/ou se conectar, de modo subjetivo, com o conteúdo denso e reflexivo apresentado.
Ca mensagem do poema, isto é, o conteúdo — repleto de imagens poéticas e simbolismos — transmitido pelo texto e que evoca temas como a fragilidade da existência.
Do código, ou seja, a língua portuguesa, já que exalta seu uso — feito de modo literário, sensível e poético — no trato de temas como a condição humana e sua relação com o mundo.
Eo contexto, pois confere destaque à ambientação criada pela autora: espaços naturais, como a floresta, o igarapé, e espaços existenciais, como as reflexões sobre corpo e memória.
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GabaritoC — a mensagem do poema, isto é, o conteúdo — repleto de imagens poéticas e simbolismos — transmitido pelo texto e que evoca temas como a fragilidade da existência.
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Função da linguagem predominante no poema "Alter do Chão"
Gabarito: letra C. O elemento da comunicação predominante no Texto 1 é a mensagem, pois o poema se constrói sobre o conteúdo — as imagens poéticas e os simbolismos — e não sobre o emissor, o receptor, o código ou o contexto. A função da linguagem que corresponde a esse destaque é a função poética, que põe em relevo a própria mensagem, sua construção e seus efeitos de sentido. Como se lê no poema, a autora cria um universo de imagens — "É tudo vidro, areia / pedra primeira da manhã / breu branco" — em que o que importa é o que se diz e como se diz, não quem fala nem para quem.
A questão pede que se identifique o elemento da comunicação predominante no texto. Isso é diferente de perguntar "o que o texto diz" ou "qual a intenção do autor": exige reconhecer qual polo do processo comunicativo recebe o relevo na construção do poema. Para cada elemento há uma função da linguagem correspondente (emotiva → emissor; conativa → receptor; poética → mensagem; metalinguística → código; referencial → contexto; fática → canal). A tarefa, portanto, é observar para onde o texto aponta o holofote.
O poema de Ana Martins Marques é um texto literário e lírico, mas isso não basta para dizer que a função é emotiva. A voz lírica existe, mas o "eu" não é o centro: o poema não expõe sentimentos diretos da autora, e sim constrói imagens — "formiga de cheiro / coração oco da floresta", "as árvores muito altas / e muito velhas / que um dia o cipó matará num abraço", "o silêncio dentro d'água". O relevo está na mensagem em si, na elaboração estética, na escolha das palavras e das metáforas. É isso que caracteriza a função poética: a mensagem é posta em destaque pela forma como é construída, criativa e inusitadamente.
A armadilha central da questão é confundir lirismo com função emotiva. Todo poema lírico tem uma voz que fala, mas a função predominante só é emotiva se o foco estiver no "eu" e em seus sentimentos — o que não ocorre aqui. O texto fala do corpo, da mata, do igarapé, da fragilidade da existência, mas sempre por meio de imagens e simbolismos, ou seja, pela mensagem. A alternativa C é a única que nomeia exatamente esse elemento: "a mensagem do poema, isto é, o conteúdo — repleto de imagens poéticas e simbolismos — transmitido pelo texto e que evoca temas como a fragilidade da existência".
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "texto lírico" e "função emotiva". O poema tem voz lírica, mas o foco não é o "eu" — é a construção da mensagem. Desconfie de alternativas que citam "sentimentos" e "intimismo" sem que o texto os exponha diretamente.
A alternativa afirma que o elemento predominante é o emissor, pois a autora "constrói o poema com uma voz lírica única e singular, voltada ao 'eu' subjetivo, expondo, assim, seus sentimentos e visões intimistas". O erro está em extrapolar: o poema tem voz lírica, mas não expõe sentimentos diretos da autora. Não há marcas de 1ª pessoa do discurso ("eu sinto", "eu penso"), nem confissões íntimas. O que há são imagens objetivas — "É tudo vidro, areia", "só há o corpo" — que constroem um cenário e uma reflexão, sem que o "eu" seja o centro. A função emotiva exige que o emissor seja o foco; aqui, o foco é a mensagem.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o elemento predominante é o receptor, pois o texto "se centraliza na possibilidade de o leitor se envolver e/ou se conectar". Isso é uma extrapolação: o poema não se dirige ao leitor, não usa verbos no imperativo, não busca persuadir ou convencer. A função conativa (centrada no receptor) é típica de propagandas e textos apelativos. O poema não convoca ninguém a agir; ele simplesmente apresenta imagens e reflexões. O leitor pode se envolver, mas isso é efeito da leitura, não o foco do texto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta identifica a mensagem como elemento predominante. O poema é construído sobre o conteúdo — as imagens poéticas e os simbolismos — e é isso que recebe o relevo. Veja os versos:
"É tudo vidro, areia / pedra primeira da manhã / breu branco / formiga de cheiro / coração oco da floresta"
Aqui, o que importa é a construção da imagem, a escolha das palavras, o efeito de sentido. Não há um "eu" que se confessa, nem um leitor a quem se apela: há uma mensagem elaborada esteticamente, que evoca temas como a fragilidade da existência ("só há o corpo / e se cansa logo / e se desgasta no atrito com as coisas"). Isso é a função poética, centrada na mensagem.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o elemento predominante é o código, ou seja, a língua portuguesa, "já que exalta seu uso — feito de modo literário, sensível e poético". O erro está em confundir o uso do código com o foco no código. Todo texto usa a língua, mas a função metalinguística só ocorre quando o texto fala sobre o próprio código (ex.: um poema que explica o que é um poema, um texto que discute a língua). O poema de Ana Martins Marques não fala sobre a língua portuguesa; ele a usa para construir imagens. O foco está na mensagem, não no código.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o elemento predominante é o contexto, pois o texto "confere destaque à ambientação criada pela autora: espaços naturais, como a floresta, o igarapé, e espaços existenciais, como as reflexões sobre corpo e memória". O erro está em tangenciar o tema: o poema menciona a floresta e o igarapé, mas não é isso que recebe o relevo. A função referencial (centrada no contexto) é típica de textos informativos, que buscam transmitir dados objetivos sobre a realidade. O poema não informa nada sobre a floresta ou o igarapé; ele os transforma em imagens poéticas. O foco está na mensagem, não no contexto.
Conclusão: a questão testa a capacidade de distinguir os elementos da comunicação e as funções da linguagem. A regra de ouro: pergunte-se "para onde o texto aponta o holofote?". Se o foco está na construção estética, na escolha das palavras, nas imagens — a função é poética e o elemento é a mensagem. As demais alternativas ou extrapolam (A, B), ou confundem uso do código com foco no código (D), ou tangenciam o tema (E).