Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Função Sintática dos Pronomes Pessoais Átonos — FUNDATEC 2025

PortuguêsFunção Sintática dos Pronomes Pessoais Átonos
Código
qa671408
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Porto Mauá
Ano
2025
Cargo
Eng (Porto Mauá)

Reaprender a ouvir estrelas

 

Por Helô Bacichette

 

Quando eu era criança, meu pai me levava ao terraço de um prédio no centro de Caxias, na rua Pinheiro Machado, onde funcionava um hotel. O dono, um homem curioso e apaixonado pelos mistérios do céu, mantinha ali um grande telescópio. Lembro das noites em que subíamos juntos, meu pai e eu, em silêncio, para procurar Saturno, as Três Marias, observar a lua ou ver alguma estrela cadente. Foi assim que o universo entrou no meu imaginário: como facínio, mistério, poesia e contemplação.

 

E eu continuo achando isso lindo. Ainda acredito que pode haver vida além da Terra. Mas essa vida — se existe — não é nossa. O que me incomoda é essa mania que o ser humano tem de agir como se tudo no universo lhe pertencesse,(I) como se o brilho das estrelas fosse um convite ao domínio.

 

Não é contra a curiosidade que eu falo. É contra a ganância. Contra esse impulso de querer o que é inalcançável. Há algo profundamente inconsciente — quase predatório — em querer possuir o cosmos sem antes aprender a amar o chão que nos sustenta.(II)

 

Olhar para o céu, decifrar os sinais dos astros, seguir as fases da lua — tudo isso antecede a própria ideia de ciência. Antes da comprovação, havia a intuição. Ezra Pound dizia que os poetas são antenas da raça: sentem antes de entender. Foi Olavo Bilac, o poeta das estrelas, quem escreveu os versos de Via Láctea. Neles, sugeriu que bastaria sensibilidade para ouvir as estrelas. Hoje, sabe-se que as estrelas vibram, emitem sons — sons que os instrumentos captam, apenas para confirmar o que, desde sempre, alguém já pressentia.

 

Contudo, em vez de escutar as estrelas, muitos preferem silenciá-las — abafam o mistério com cálculos, trocam o assombro pela pressa de partir. Há quem sonhe com Marte como se fosse uma alternativa, caso a Terra falhe. Mas o que vejo é uma lógica da tecnologia a serviço da fuga. Talvez, para além da medida, reste algo que só o espanto alcança.

 

Apesar dos desafios da Terra, meu desejo não é viver em outro canto do universo. É aqui onde desejo permanecer. Sim, há fome, guerras, injustiças. Talvez por isso mesmo, nenhum impulso de fuga me comova diante das viagens rumo ao espaço. Porque cuidar da Terra exige mais coragem do que abandoná-la.

 

Ficar, reparar. Replantar. Reaprender a ouvir as estrelas — não para conquistá-las, mas para simplesmente contemplá-las.(III)

 

Talvez o verdadeiro futuro esteja aqui mesmo, no gesto de olhar o céu ao lado de quem amamos. E lembrar que a Terra é o melhor lugar para se viver.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2025/08/reaprender-a-

ouvir-estrelas-cme39dcd50121012xflmy2iw5.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.

   

Considerando as funções sintáticas dos pronomes oblíquos, analise as assertivas a seguir:

 

I. Em “como se tudo no universo lhe pertencesse”, o pronome oblíquo tem a função sintática de objeto indireto da forma verbal “pertencesse”.

 

II. No trecho “aprender a amar o chão que nos sustenta”, o pronome oblíquo é um objeto direto da forma verbal “sustentar”.

 

III. Em “para simplesmente contemplá-las”, o pronome oblíquo é um objeto indireto da forma verbal “contemplar”.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas I e II.
  3. CApenas I e III.
  4. DApenas II e III.
  5. EIII e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática dos pronomes oblíquos: objeto direto × objeto indireto

Gabarito: letra B (apenas I e II). A assertiva I está correta porque o pronome "lhe" em "como se tudo no universo lhe pertencesse" exerce função de objeto indireto do verbo "pertencer" (quem pertence, pertence a alguém — o pronome "lhe" equivale a "a ele"). A assertiva II também está correta: em "o chão que nos sustenta", o pronome "nos" é objeto direto do verbo "sustentar" (quem sustenta, sustenta alguém — sem preposição). A assertiva III está incorreta: em "para simplesmente contemplá-las", o pronome "-las" (forma do pronome "as") é objeto direto do verbo "contemplar", e não objeto indireto. A banca trocou a função do pronome "as" para testar se o candidato sabe que "o, a, os, as" (e variações) só exercem função de objeto direto.

O comando da questão

O enunciado pede que se analisem as funções sintáticas dos pronomes oblíquos em três trechos do texto. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o sentido, mas de identificar a função sintática de cada pronome com base na regência do verbo a que ele se liga. A técnica central é: pergunte ao verbo — quem pratica a ação, pratica-a sobre o quê? Se o complemento vier sem preposição, é objeto direto; se vier com preposição, é objeto indireto.

A regra que decide: pronomes oblíquos átonos e suas funções

Os pronomes oblíquos átonos "o, a, os, as" (e variações "lo, la, los, las") exercem quase sempre função de objeto direto — substituem um complemento verbal sem preposição. Já o pronome "lhe/lhes" exerce função de objeto indireto — substitui um complemento preposicionado (equivale a "a ele/a eles"). Os pronomes "me, te, se, nos, vos" são polivalentes: podem ser objeto direto ou indireto, dependendo da regência do verbo.

No trecho I, o verbo "pertencer" rege a preposição "a": quem pertence, pertence a alguém. O pronome "lhe" substitui exatamente esse complemento preposicionado — logo, é objeto indireto. A assertiva está correta.

No trecho II, o verbo "sustentar" é transitivo direto: quem sustenta, sustenta alguém (sem preposição). O pronome "nos" substitui esse complemento direto — logo, é objeto direto. A assertiva está correta.

No trecho III, o verbo "contemplar" também é transitivo direto: quem contempla, contempla algo/alguém (sem preposição). O pronome "-las" (forma de "as") substitui "as estrelas" — logo, é objeto direto, e não objeto indireto como afirma a assertiva. A assertiva está incorreta.

A pegadinha da banca

A banca explora exatamente a confusão entre objeto direto e objeto indireto quando o pronome é átono. Muitos candidatos, ao verem um pronome oblíquo, acham que ele é sempre objeto indireto — mas isso é falso. A função depende exclusivamente da regência do verbo. A assertiva III é a armadilha: o pronome "-las" é claramente objeto direto, mas a banca o classifica como objeto indireto para testar se o candidato domina a distinção.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a função do pronome "as" (objeto direto) por "objeto indireto" na assertiva III, explorando a confusão comum entre os dois tipos de complemento verbal. A regra é: "o, a, os, as" = objeto direto; "lhe, lhes" = objeto indireto.

Análise das assertivas

Pronome

Verbo

Regência do verbo

Função sintática

Assertiva

"lhe" (I)

pertencer

Transitivo indireto (quem pertence, pertence a alguém)

Objeto indireto

✅ Correta

"nos" (II)

sustentar

Transitivo direto (quem sustenta, sustenta alguém — sem preposição)

Objeto direto

✅ Correta

"-las" (III)

contemplar

Transitivo direto (quem contempla, contempla algo — sem preposição)

Objeto direto (e não indireto)

❌ Incorreta

1"o, a, os, as" (e lo/la/los/las)
Objeto direto
2"lhe, lhes"
Objeto indireto
3"me, te, se, nos, vos"
Polivalentes
Depende da regência do verbo
Pronomes oblíquos átonos
LEVELsoulevel.com.br
Pronomes oblíquos átonos: "o, a, os, as" (e lo/la/los/las) (Objeto direto); "lhe, lhes" (Objeto indireto); "me, te, se, nos, vos" (Polivalentes, Depende da regência do verbo)

Assertiva I — ✅ Correta

"como se tudo no universo lhe pertencesse"

O verbo "pertencer" é transitivo indireto: quem pertence, pertence a alguém. O pronome "lhe" substitui esse complemento preposicionado (equivale a "a ele"). Portanto, exerce função de objeto indireto. A assertiva está correta.

Assertiva II — ✅ Correta

"o chão que nos sustenta"

O verbo "sustentar" é transitivo direto: quem sustenta, sustenta alguém (sem preposição). O pronome "nos" substitui esse complemento direto. Portanto, exerce função de objeto direto. A assertiva está correta.

Assertiva III — ❌ Incorreta

"para simplesmente contemplá-las"

O verbo "contemplar" é transitivo direto: quem contempla, contempla algo/alguém (sem preposição). O pronome "-las" (forma de "as") substitui "as estrelas" — complemento direto. Portanto, exerce função de objeto direto, e não objeto indireto. A assertiva está incorreta — a banca trocou a função do pronome.

Conclusão: estão corretas apenas as assertivas I e II, o que corresponde à letra B. A regra de ouro: para identificar a função de um pronome oblíquo, pergunte ao verbo — se o complemento pede preposição, é objeto indireto; se não pede, é objeto direto. Os pronomes "o, a, os, as" são sempre objeto direto; "lhe, lhes" são sempre objeto indireto.

PEGA ESSA DICA!

Decore a regra: "o, a, os, as" = objeto direto; "lhe, lhes" = objeto indireto. Para "me, te, se, nos, vos", teste a regência do verbo. Isso resolve 90% das questões de função de pronome oblíquo.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qa671408