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Questão de Português — Questões Variadas de Verbo — FUNDATEC 2025

PortuguêsQuestões Variadas de Verbo
Código
qa671411
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Porto Mauá
Ano
2025
Cargo
Eng (Porto Mauá)

Reaprender a ouvir estrelas

 

Por Helô Bacichette

 

Quando eu era criança, meu pai me levava ao terraço de um prédio no centro de Caxias, na rua Pinheiro Machado, onde funcionava um hotel. O dono, um homem curioso e apaixonado pelos mistérios do céu, mantinha ali um grande telescópio. Lembro das noites em que subíamos juntos, meu pai e eu, em silêncio, para procurar Saturno, as Três Marias, observar a lua ou ver alguma estrela cadente. Foi assim que o universo entrou no meu imaginário: como facínio, mistério, poesia e contemplação.

 

E eu continuo achando isso lindo. Ainda acredito que pode haver vida além da Terra. Mas essa vida — se existe — não é nossa. O que me incomoda é essa mania que o ser humano tem de agir como se tudo no universo lhe pertencesse, como se o brilho das estrelas fosse um convite ao domínio.

 

Não é contra a curiosidade que eu falo. É contra a ganância. Contra esse impulso de querer o que é inalcançável. Há algo profundamente inconsciente — quase predatório — em querer possuir o cosmos sem antes aprender a amar o chão que nos sustenta.

 

Olhar para o céu, decifrar os sinais dos astros, seguir as fases da lua — tudo isso antecede a própria ideia de ciência. Antes da comprovação, havia a intuição. Ezra Pound dizia que os poetas são antenas da raça: sentem antes de entender. Foi Olavo Bilac, o poeta das estrelas, quem escreveu os versos de Via Láctea. Neles, sugeriu que bastaria sensibilidade para ouvir as estrelas. Hoje, sabe-se que as estrelas vibram, emitem sons — sons que os instrumentos captam, apenas para confirmar o que, desde sempre, alguém já pressentia.

 

Contudo, em vez de escutar as estrelas, muitos preferem silenciá-las — abafam o mistério com cálculos, trocam o assombro pela pressa de partir. Há quem sonhe com Marte como se fosse uma alternativa, caso a Terra falhe. Mas o que vejo é uma lógica da tecnologia a serviço da fuga. Talvez, para além da medida, reste algo que só o espanto alcança.

 

Apesar dos desafios da Terra, meu desejo não é viver em outro canto do universo. É aqui onde desejo permanecer. Sim, há fome, guerras, injustiças. Talvez por isso mesmo, nenhum impulso de fuga me comova diante das viagens rumo ao espaço. Porque cuidar da Terra exige mais coragem do que abandoná-la.

 

Ficar, reparar. Replantar. Reaprender a ouvir as estrelas — não para conquistá-las, mas para simplesmente contemplá-las.

 

Talvez o verdadeiro futuro esteja aqui mesmo, no gesto de olhar o céu ao lado de quem amamos. E lembrar que a Terra é o melhor lugar para se viver.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2025/08/reaprender-a-

ouvir-estrelas-cme39dcd50121012xflmy2iw5.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto a seguir para responder à questão abaixo.

   

Assinale a alternativa que apresenta a correta reescrita do trecho a seguir, retirado do texto-base, no futuro do presente do modo indicativo:

 

“Sim, há fome, guerras, injustiças”.


  1. ASim, haverão fome, guerras, injustiças.
  2. BSim, haveriam fome, guerras, injustiças.
  3. CSim, haviam fome, guerras, injustiças.
  4. DSim, haveria fome, guerras, injustiças.
  5. ESim, haverá fome, guerras, injustiças.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Sim, haverá fome, guerras, injustiças.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita no futuro do presente — Gabarito: letra E.

A alternativa E é a correta porque o verbo haver, empregado com sentido de existir (como no trecho “há fome, guerras, injustiças”), é impessoal e permanece sempre na 3ª pessoa do singular, em qualquer tempo. No futuro do presente do indicativo, a forma correta é haverá, mantendo a concordância no singular: “Sim, haverá fome, guerras, injustiças”. As demais alternativas ou flexionam o verbo no plural (A, C) ou empregam outro tempo verbal (B, D), o que as torna incorretas.

O comando

A questão pede uma reescrita do trecho “Sim, há fome, guerras, injustiças” no futuro do presente do modo indicativo. Isso significa que você deve: (1) identificar o tempo e o modo do verbo original — presente do indicativo — e (2) transportá-lo para o futuro do presente, que expressa um fato certo posterior ao momento da fala (ex.: “haverá”, “fará”, “dirá”). O comando não pede mudança de sentido, apenas de tempo verbal, e exige que a concordância seja preservada.

O texto e a regra que decide

No trecho original, o verbo haver tem sentido de existir: “há fome, guerras, injustiças” = “existem fome, guerras, injustiças”. Nesse uso, o verbo haver é impessoal — não possui sujeito — e, por isso, fica sempre na 3ª pessoa do singular, independentemente do número dos elementos que o seguem. Essa regra vale para todos os tempos: no presente, “há”; no pretérito imperfeito, “havia”; no futuro do presente, “haverá”.

“Sim, fome, guerras, injustiças” — o verbo haver com sentido de existir é impessoal e invariável.

A banca adora explorar essa confusão: como o sujeito aparente é composto (“fome, guerras, injustiças”), o candidato tende a pluralizar o verbo. Mas o verbo haver não concorda com esses termos — ele é impessoal, como os verbos que indicam fenômenos da natureza (chover, nevar) e o verbo fazer indicando tempo decorrido. Em locuções verbais, o verbo haver também faz toda a locução ficar no singular: “deve haver normas” (e não “devem haver normas”).

Análise das alternativas

Verbo "haver" (sentido de existir)
  • 1Impessoal (sem sujeito)
    • Sempre 3ª pessoa do singular
    • Não concorda com os termos seguintes
  • 2Tempos
    • Presente: há
    • Pretérito imperfeito: havia
    • Futuro do presente: haverá
    • Futuro do pretérito: haveria
  • 3Locução verbal
    • Deve haver (nunca "devem haver")
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Alternativa A — ❌ Incorreta

“Sim, haverão fome, guerras, injustiças.”Erro: pluralização indevida. O verbo haver com sentido de existir é impessoal e não pode ir para o plural. A forma “haverão” seria correta apenas se o verbo tivesse sujeito (ex.: “os alunos haverão de estudar”), o que não ocorre aqui. A banca tenta atrair o candidato que concorda o verbo com os termos “fome, guerras, injustiças”.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Sim, haveriam fome, guerras, injustiças.”Erro: tempo verbal errado + pluralização. “Haveriam” está no futuro do pretérito do indicativo (que expressa hipótese ou consequência de condição), não no futuro do presente. Além disso, repete o erro de pluralizar o verbo impessoal. O futuro do pretérito seria “haveria”, mas ainda assim não atenderia ao comando.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Sim, haviam fome, guerras, injustiças.”Erro: tempo verbal errado + pluralização. “Haviam” está no pretérito imperfeito do indicativo (fato passado habitual ou em curso), não no futuro do presente. E, novamente, o verbo impessoal não pode ser pluralizado. A forma correta no pretérito imperfeito seria “havia”.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Sim, haveria fome, guerras, injustiças.”Erro: tempo verbal errado. “Haveria” está no futuro do pretérito do indicativo, que expressa um fato posterior a um fato passado ou uma hipótese (ex.: “haveria mais paz se houvesse justiça”). O comando pede o futuro do presente, que é “haverá”. A concordância está correta (singular), mas o tempo não atende.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Sim, haverá fome, guerras, injustiças.”Correta. O verbo haver no futuro do presente do indicativo, com sentido de existir, fica na 3ª pessoa do singular: haverá. A concordância é preservada, pois o verbo é impessoal e não concorda com os termos que o seguem. A reescrita mantém o sentido original e atende exatamente ao comando.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever frases com o verbo haver (existir), pergunte: “o verbo tem sujeito?”. Se não tiver, ele fica no singular em qualquer tempo. Desconfie de alternativas que pluralizam o verbo quando há uma lista de elementos após ele.

Conclusão: A única alternativa que transporta o verbo para o futuro do presente do indicativo, mantendo a impessoalidade e a concordância no singular, é a letra E. As demais ou pluralizam indevidamente ou usam outro tempo verbal.

Gabarito: letra E

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