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Questão de Português — Questões Mescladas sobre Pronomes — FURB 2025

PortuguêsQuestões Mescladas sobre Pronomes
Código
qa671416
Banca
FURB
Órgão
FURB
Ano
2025
Cargo
Ass ( )

Familiar e universal

 

Vencedora do Prêmio Camões 2024, a poeta mineira Adélia Prado tem obra reeditada em celebração aos 50 anos de sua estreia, com "Bagagem"

 

Laura Machado

 

Aos 89 anos de idade, a poeta mineira Adélia Prado recebeu dois dos mais importantes prêmios da literatura de língua portuguesa, quase ao mesmo tempo. Em junho do ano passado recebeu o Prêmio Machado de Assis e o Camões. Às vésperas de completar meio século de estreia, com Bagagem, ela tem sua obra reeditada pela Record.

 

Foi em outubro de 1975 que o poeta (também mineiro) Carlos Drummond de Andrade recebeu uma coletânea original de poemas escritos por uma mulher de 40 anos, mãe de cinco filhos, chamada Adélia Luzia Prado de Freitas. Sem conhecer aquela estreante, ele escreveu no Jornal do Brasil: "Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo. (...) Adélia já viu a Poesia, ou Deus, flertando com ela. Adélia é fogo: fogo de Deus em Divinópolis". Drummond repassou o manuscrito para o editor Pedro Paulo de Sena Madureira, que o publicou pela editora Imago. No evento de lançamento, além de Drummond, estavam presentes autores como Clarice Lispector, Nélida Piñon, Antônio Houaiss e Affonso Romano de Sant'Anna, a quem Adélia havia enviado seus poemas antes de submetê-los a Drummond.

 

Sua obra de estreia trazia já algumas das características que persistem. A religiosidade, as vivências femininas, as experiências no interior de Minas Gerais e os pensamentos que emolduram o envelhecer. [...]

 

Ler Bagagem é como se ajoelhar em posição de oração na igreja aos domingos, tomar um café com bolo caseiro na sala de estar da avó, ser criança e caçar borboletas no jardim de casa.

 

Dividido em cinco blocos, Bagagem reúne poemas germinados desde os 20 anos e que, por cerca de duas décadas, dormiram na gaveta. No poema "Explicação de poesia sem ninguém pedir", Adélia escreve: "Um trem é uma coisa mecânica,/ mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,/ atravessou a minha vida,/ virou só sentimento." [...]

 

A presença da figura feminina é uma constante na literatura da escritora mineira, e, entre religiosidade e sexualidade, seus versos são como brasa ao retratar e misturar seus conceitos. Bagagem é uma obra sobre a grandeza na pequenez, uma ode requintada sobre as fases da vida e os sentimentos que prenunciam a maturidade.

 

Além de Bagagem, obras da poeta também foram editadas e relançadas pela Record quase simultaneamente: os livros de poesia Terra de Santa Cruz e O pelicano e o romance O homem da mão seca, [...].

 

Terra de Santa Cruz foi originalmente o terceiro livro lançado por Adélia Prado, cinco anos depois de sua estreia com Bagagem e três anos após sua consolidação como autora, através da publicação de O coração disparado. Assim, lançado em 1981, esta obra fecha a "santíssima trindade" do modo poético de Adélia Prado, como foi dito pelo crítico de literatura, jornalista e professor Augusto Massi.

 

Nela, as particularidades da linguagem de Adélia se tornam ainda mais profundas. Os seus pensamentos e reflexões acerca da morte ganham lugar de destaque. Utilizando-se da religiosidade e, até mesmo, de pequenos toques de escatologia, desmembra a familiaridade daquilo que é universal.

 

(Disponível em: https://www.pernambucorevista.com.br/secoes/resenha/familiar-e-unive rsal. Acesso em 26 jun. 2026. Adaptado.)

O texto seguinte servirá de base para responder a questão seguinte.

 

Leia e analise as assertivas que seguem:

 

I.Em "Ler I é como se ajoelhar em posição de oração na igreja aos domingos, tomar um café com bolo caseiro na sala de estar da avó, ser criança e caçar borboletas no jardim de casa", a autora usou uma figura de linguagem para expressar o que ela considera ser a leitura dessa obra de Adélia Prado, a saber, a metáfora.

 

II.Em "Utilizando-se da religiosidade", a colocação pronominal está adequada porque ocorre no início da oração. Mesmo que a língua portuguesa, no Brasil, aceite o uso do pronome átono iniciando oração em contextos informais, ele ainda não é aceito em contextos formais da escrita.

 

III.Em "Nela, as particularidades da linguagem de Adélia se tornam ainda mais profundas", Nela faz referência ao termo cunhado por um crítico de literatura ao conjunto de três obras de poesia de Adélia Prado, a saber, a "santíssima trindade". Temos nesse contexto uma relação anafórica, uma vez que o pronome "ela" aponta para algo já mencionado no texto.

 

É correto o que se afirma em:

  1. AI e II, apenas.
  2. BI, II e III.
  3. CII e III, apenas.
  4. DI, apenas.
  5. EIII, apenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — II e III, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal, Coesão Referencial e Figuras de Linguagem

Gabarito: letra C (II e III, apenas). A questão mistura três tópicos: colocação pronominal (item II), coesão referencial (item III) e figura de linguagem (item I). O item I está errado porque o trecho citado é uma comparação (com o conectivo "como"), não uma metáfora. O item II está certo: em "Utilizando-se da religiosidade", o pronome "se" está em ênclise (depois do verbo), posição correta em início de oração na norma culta. O item III está certo: "Nela" retoma, por anáfora, a expressão "santíssima trindade", mencionada anteriormente. Vamos analisar cada item com calma.

O Comando

A questão pede para julgar três assertivas sobre o texto. Não é uma questão de "de acordo com o texto" pura, mas de análise linguística aplicada a trechos do texto. Você precisa saber: (1) o que é metáfora e o que é comparação; (2) as regras de colocação pronominal na norma culta; (3) como funciona a coesão referencial (anáfora). Cada item é independente, então o método é testar cada um separadamente.

O Texto

O texto fala sobre a poeta Adélia Prado, sua obra "Bagagem" e outros livros. Os trechos citados nos itens são:

  • Item I: "Ler Bagagem é como se ajoelhar em posição de oração na igreja aos domingos, tomar um café com bolo caseiro na sala de estar da avó, ser criança e caçar borboletas no jardim de casa."

  • Item II: "Utilizando-se da religiosidade" (trecho do último parágrafo).

  • Item III: "Nela, as particularidades da linguagem de Adélia se tornam ainda mais profundas" (trecho do último parágrafo).

O movimento argumentativo do texto é apresentar a obra de Adélia Prado, destacando suas características (religiosidade, vivências femininas, interior de Minas) e a recepção crítica. O último parágrafo fala de "Terra de Santa Cruz" e da "santíssima trindade" do modo poético de Adélia, e é aí que mora a chave do item III.

A Técnica que Decide

Item I — Metáfora vs. Comparação: A metáfora é uma comparação implícita, sem conectivo comparativo (ex.: "a vida é um palco"). A comparação (símile) é explícita, com conectivos como "como", "tal qual", "assim como" (ex.: "a vida é como um palco"). No trecho, o conectivo "como" aparece: "Ler Bagagem é como se ajoelhar...". Isso caracteriza comparação, não metáfora. A banca adora trocar um pelo outro.

Item II — Colocação Pronominal: Na norma culta, não se inicia oração com pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos). Por isso, "Utilizando-se" (ênclise) é a forma correta em início de oração. A regra é: em início de oração, usa-se ênclise (pronome depois do verbo), salvo se houver palavra atrativa (advérbio, conjunção subordinativa, pronome relativo, etc.) que force a próclise. Aqui, não há palavra atrativa antes do verbo, então a ênclise é obrigatória na escrita formal.

Item III — Coesão Referencial: O pronome "Nela" é um pronome demonstrativo (forma feminina de "nele") que retoma um termo já mencionado — isso é anáfora. No texto, o termo retomado é "santíssima trindade", expressão cunhada pelo crítico Augusto Massi para se referir ao conjunto de três obras de poesia de Adélia: "Bagagem", "O coração disparado" e "Terra de Santa Cruz". O trecho anterior diz: "esta obra fecha a 'santíssima trindade' do modo poético de Adélia Prado, como foi dito pelo crítico...". Logo, "Nela" (nela = na santíssima trindade) retoma essa expressão, e a relação é anafórica.

Figuras de linguagem
  • 1Metáfora
    • Comparação implícita
    • Sem conectivo
  • 2Comparação (símile)
    • Comparação explícita
    • Com conectivo ("como")
  • 3Colocação pronominal
    • Início de oração
      • Ênclise (norma culta)
      • Próclise (informal, não aceita)
  • 4Coesão referencial
    • Anáfora
      • Retoma termo já mencionado
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Item I — ❌ Incorreta

A assertiva afirma que o trecho é uma metáfora. No entanto, o trecho traz o conectivo "como": "Ler Bagagem é como se ajoelhar...". Isso configura comparação explícita (símile), não metáfora. A metáfora seria algo como "Ler Bagagem é ajoelhar-se em oração" (sem o "como"). Portanto, o item está errado.

Item II — ✅ Correta

A assertiva afirma que a colocação pronominal em "Utilizando-se" está adequada porque ocorre no início da oração, e que, embora o português brasileiro aceite o pronome átono iniciando oração em contextos informais, isso não é aceito na escrita formal. Isso está correto. Na norma culta, não se inicia oração com pronome oblíquo átono; a ênclise é a forma adequada. O texto é uma resenha (gênero formal), então a ênclise é a escolha certa.

Item III — ✅ Correta

A assertiva afirma que "Nela" faz referência à "santíssima trindade" e que há relação anafórica. Isso está correto. O trecho anterior do texto diz: "esta obra fecha a 'santíssima trindade' do modo poético de Adélia Prado, como foi dito pelo crítico de literatura, jornalista e professor Augusto Massi." Logo, "Nela" retoma "santíssima trindade", e a retomada de um termo já mencionado é anáfora.

Conclusão

Portanto, apenas os itens II e III estão corretos. A alternativa que corresponde é a letra C.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar metáfora de comparação, procure conectivos comparativos como "como", "tal qual", "assim como". Se houver, é comparação; se não, é metáfora. E para identificar anáfora, pergunte: "a que termo anterior o pronome se refere?" — se houver um termo explícito antes, é anáfora.

Gabarito: letra C

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