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Questão de Português — Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc) — FUNDATEC 2025

PortuguêsFatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc)
Código
qa671497
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFCSPA
Ano
2025
Cargo
Adm ( )

Um punhado de passado

 

Por Pedro Guerra

 

A vida tem dessas de promover alguns encontros quando a gente nem sabe se tá querendo ser encontrado. Eu estava no meio do nada. — ok, sem tanto extremismo: eu estava em uma conveniência de beira de estrada, daquelas em que o sinal do celular é meio capenga e os salgados são superfaturados. O passeio era despretensioso, coisa rápida pra esvaziar a bexiga e seguir caminho. Para pagar o uso do banheiro, comprei uma água (também superfaturada), e logo ali no caixa veio a surpresa: encontrei uma bala que não via ..... no mínimo uns 20 anos.

 

Foi como um soco no estômago, desses que desmancham certezas e despertam lembranças. A bala em questão era um quadradinho envolto em papel prateado, daqueles que grudam e muitas vezes a gente acaba mastigando com um pouco de embalagem mesmo. A viagem, antes prevista para determinada cidade, de súbito pareceu deslocar-se para um tempo bem antigo, no qual eu ainda era criança e conhecia aquela bala pela primeira vez. Lembro como se pudesse tocar ..... memória com os dedos: a professora de espanhol sempre entregava de presente um daqueles doces quando acertávamos alguma atividade.

 

O engraçado é que durante anos eu procurei por aquela bala, e todas as minhas tentativas foram ..... . Acontece que certas coisas só nos encontram no momento certo — e nunca sabemos quando ele vai chegar. Ali, parado, imóvel em frente ao caixa, tratei logo de pegar um punhado daquele pedaço de nostalgia, como se buscasse segurança em um passado idealizado que jamais vai voltar. Rodeados de um presente líquido e instável, levei no bolso um pedaço de mim que pensei que nunca reencontraria. Foi barato, foi inesperado, foi necessário.

 

Confesso que ainda não comi todas as 8 balas que comprei. Guardei algumas para algum momento em que a realidade pareça tão difícil e desconexa que a certeza do ontem irá de alguma forma parecer cafuné. Também fiz isso porque não sei quando é que vou encontrá-las por aí de novo — certo, eu até sei o local, mas ele fica longe e, sabe como é, mesmo que o passado pareça reconfortante, a gente tem uma pressa de futuro que muitas vezes é tudo, menos doce.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2025/08/um-punhado-

de-passado-cmellq2lm01o0014zmjtwyvkr.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando a ortografia das palavras em diferentes situações de emprego, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas das linhas.
  1. Ahá – a – em vão
  2. Bhá – à – em vão
  3. Ca – à – envão
  4. Da – a – envão
  5. Ea – a – em vão
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — há – a – em vão

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ortografia: emprego de “há” e “a” e a grafia de “em vão”

Gabarito: letra A. A alternativa A preenche corretamente as lacunas com há – a – em vão. A primeira lacuna exige o verbo haver com sentido de tempo decorrido (“não via uns 20 anos”); a segunda exige a preposição a regida pelo verbo “tocar” (“tocar a memória”); a terceira é a locução adverbial em vão, sempre grafada separada e sem hífen. A banca testa exatamente a distinção entre “há” (verbo) e “a” (preposição) e a grafia correta da locução.

O comando

A questão pede que você preencha as lacunas com a forma ortográfica correta, considerando o contexto. Isso é uma questão de ortografia e emprego de palavras homônimas — não de interpretação. O foco está em reconhecer quando usar “há” (do verbo haver) e quando usar “a” (preposição), além de saber a grafia da locução “em vão”.

O texto e as lacunas

No primeiro parágrafo, o autor diz: “encontrei uma bala que não via ..... no mínimo uns 20 anos”. Aqui, a lacuna indica tempo decorrido — “não via há vinte anos”. O verbo haver é impessoal e indica tempo passado, equivalendo a “faz”. Já no segundo parágrafo: “Lembro como se pudesse tocar ..... memória com os dedos”. O verbo tocar, nesse sentido, rege a preposição a — “tocar a memória” (tocar em algo, alcançar algo). Não há crase, pois “memória” está em sentido genérico, sem artigo definido. Por fim, no terceiro parágrafo: “todas as minhas tentativas foram ..... .” A expressão correta é em vão, que significa “inutilmente”, e é sempre escrita separada, sem hífen.

A regra que decide

  • (com H) é a forma do verbo haver quando indica tempo passado ou existência. Ex.: “Há dez anos não fumo.” / “Há pessoas que gostam de café.”

  • A (sem H) é a preposição usada para indicar distância, futuro, ou para reger verbos que pedem “a”. Ex.: “O cinema fica a 2 km daqui.” / “Chegaremos daqui a 15 minutos.” / “Ele se referiu a mim.”

  • Em vão é uma locução adverbial de modo, sinônima de “inutilmente”. A grafia correta é em vão, separada e sem hífen. A forma “envão” não existe na norma culta.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar “há” de “a”, substitua mentalmente por “faz” (tempo) ou “existe” (existência). Se couber, use “há”; caso contrário, use “a”. E lembre: “em vão” é sempre separado, como “em casa”, “em cima”.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Preenche corretamente: há – a – em vão. “Há” indica tempo decorrido; “a” é preposição exigida por “tocar”; “em vão” é a locução correta. Nada a corrigir.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra na segunda lacuna ao usar à (com crase). Não há crase porque “memória” está em sentido genérico, sem artigo definido. A crase só ocorreria se houvesse a fusão da preposição “a” com o artigo “a” (ex.: “tocar à memória” não faz sentido aqui). O texto não autoriza crase.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra na primeira lacuna ao usar a (preposição) em vez de (verbo). “Não via a uns 20 anos” não indica tempo decorrido; o correto é “não via há uns 20 anos”. Além disso, grafa envão incorretamente — o correto é “em vão”.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra na primeira lacuna (usa “a” em vez de “há”) e na terceira (grafa “envão”). A segunda lacuna está correta (a), mas isso não salva a alternativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra apenas na primeira lacuna: usa a em vez de . A segunda e a terceira estão corretas, mas a primeira invalida a alternativa.

Conclusão

A única alternativa que preenche todas as lacunas corretamente é a A. A pegadinha está em confundir “há” com “a” e em grafar “envão” como uma palavra só. Sempre teste a substituição por “faz” para confirmar o uso de “há”, e lembre que locuções adverbiais como “em vão” são escritas separadamente.

Gabarito: letra A

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