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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — FUNDATEC 2025

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
qa671503
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF Sertão PE
Ano
2025
Cargo
PEBTT ( )

José Arcadio, o mais velho dos meninos, havia completado quatorze anos. Tinha a cabeça quadrada, o cabelo hirsuto e o gênio voluntarioso do pai. Ainda que tivesse o mesmo impulso de crescimento e fortaleza física, já então era evidente que carecia de imaginação. Foi concebido e dado à luz durante a penosa travessia da serra, antes da fundação de Macondo, e seus pais deram graças aos céus ao comprovar que não tinha nenhum órgão de animal.

 

Aureliano, o primeiro ser humano que nasceu em Macondo, ia fazer seis anos em março. Era silencioso e retraído. Tinha chorado no ventre da mãe e nasceu com os olhos abertos.

 

Enquanto lhe cortavam o umbigo movia a cabeça de um lado para o outro, reconhecendo as coisas do quarto, e examinava o rosto das pessoas com uma curiosidade sem assombro.

 

Depois, indiferente aos que vinham conhecê-lo, manteve a atenção concentrada no teto de palmas, que parecia estar quase desabando sob a tremenda pressão da chuva. Úrsula não tornou a se lembrar da intensidade desse olhar até o dia em que o pequeno Aureliano, na idade de três anos, entrou na cozinha no momento em que ela retirava do fogão e punha na mesa uma panela de caldo fervente. O garoto, perplexo na porta,(III) disse: “Vai cair”. A panela estava posta bem no centro da mesa, mas, logo que o menino deu o aviso,(I) iniciou um movimento irrevogável para a borda, como impulsionada por um dinamismo interior, e se espedaçou no chão. Úrsula, alarmada, contou o episódio ao marido,(II) mas este o interpretou como um fenômeno natural. Sempre fora assim, alheio à existência dos filhos,(IV) em parte porque considerava a infância como um período de insuficiência mental, e em parte porque estava sempre absorto por demais nas suas próprias especulações quiméricas.(V)

 

(Disponível em: www.iedamagri.wordpress.com/ – texto adaptado especialmente para essa prova).

Para responder à questão, considere o trecho abaixo, retirado da obra "Cem anos de solidão"(1967), de Gabriel Garcia Márquez:

   

Analise as assertivas abaixo considerando as regras de regência na Língua Portuguesa:

 

I. Em “deu o aviso” , o verbo “dar” exige objeto direto.

 

II. Em “contou o episódio ao marido”, o verbo “contar” rege dois complementos: um objeto direto (o episódio) e um objeto indireto (ao marido), estando, portanto, com regência verbal plenamente adequada.

 

III. Em “perplexo na porta”, o adjetivo “perplexo” exige complemento com a preposição “com” (perplexo com algo), sendo inadequado seu uso isolado, como no trecho.

 

IV. Em “alheio à existência dos filhos”, o termo “alheio” rege corretamente o complemento preposicionado com “a”.

 

V. Em “absorto por demais nas suas próprias especulações quiméricas”, o termo “absorto” está inadequadamente empregado, pois exige complemento iniciado por preposição “com” (absorto com algo).

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I, II e IV.
  2. BApenas I, III e IV.
  3. CApenas II, III e V.
  4. DApenas I, II, IV e V.
  5. EI, II, III, IV e V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Apenas I, II e IV.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal e nominal em "Cem Anos de Solidão" — Gabarito: letra A.

Gabarito: letra A — estão corretas apenas as assertivas I, II e IV. A questão cobra regência verbal e nominal, e a banca arma a pegadinha nas assertivas III e V, que atribuem aos adjetivos "perplexo" e "absorto" uma regência obrigatória que não existe na norma culta. A assertiva IV é a chave: "alheio" rege corretamente a preposição "a", como se vê no trecho "alheio à existência dos filhos".

O comando pede que você analise cada assertiva considerando as regras de regência da Língua Portuguesa — ou seja, não é interpretação de texto, é aplicação de norma gramatical sobre trechos do texto. O verbo "dar" em "deu o aviso" é transitivo direto (objeto direto "o aviso"), o verbo "contar" é bitransitivo (objeto direto "o episódio" + objeto indireto "ao marido"), e o adjetivo "alheio" exige a preposição "a". Já "perplexo" e "absorto" não têm regência fixa obrigatória — podem aparecer sem complemento ou com preposições variadas, o que torna as assertivas III e V incorretas.

A técnica para resolver: identifique a classe da palavra (verbo ou nome) e verifique se a regência é obrigatória ou facultativa. Verbos como "dar" e "contar" têm transitividade definida; nomes como "alheio" têm preposição fixa; mas "perplexo" e "absorto" são adjetivos que não exigem complemento — a preposição, quando aparece, é circunstancial, não regida.

PEGA ESSA DICA!

Desconfie de assertivas que afirmam que um adjetivo "exige" determinada preposição. Muitos adjetivos (como "perplexo", "absorto", "feliz") aceitam complemento com preposições variadas ou dispensam complemento — a regência fixa é exceção, não regra.

Regência
  • 1Verbal
    • Dar (deu o aviso)
      • Transitivo direto
      • Objeto direto: "o aviso"
    • Contar (contou o episódio ao marido)
      • Bitransitivo
      • Objeto direto: "o episódio"
      • Objeto indireto: "ao marido"
  • 2Nominal
    • Alheio (alheio à existência)
      • Rege preposição "a"
    • Perplexo (perplexo na porta)
      • Não exige complemento
      • Uso isolado adequado
    • Absorto (absorto nas especulações)
      • Não exige "com"
      • Rege "em"
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Assertiva I — ✅ Correta

"logo que o menino deu o aviso"

O verbo "dar" é transitivo direto quando significa "avisar, comunicar algo a alguém". Em "deu o aviso", o termo "o aviso" é o objeto direto (complemento sem preposição). A assertiva está correta.

Assertiva II — ✅ Correta

"contou o episódio ao marido"

O verbo "contar" é bitransitivo (transitivo direto e indireto): exige objeto direto ("o episódio") e objeto indireto ("ao marido", com preposição "a"). A regência está plenamente adequada, como afirma a assertiva. Correta.

Assertiva III — ❌ Incorreta

"O garoto, perplexo na porta"

O adjetivo "perplexo" não exige complemento com a preposição "com". Ele pode ser usado isoladamente (como no trecho) ou com preposições variadas ("perplexo com", "perplexo diante de", "perplexo ante"). A assertiva erra ao afirmar que o uso isolado é inadequado — não há regência obrigatória. A banca tenta fazer você acreditar que "perplexo" segue o padrão de "contente com", mas isso é extrapolação.

Assertiva IV — ✅ Correta

"alheio à existência dos filhos"

O adjetivo "alheio" rege a preposição "a" (alheio a algo). No trecho, "à existência" é a contração da preposição "a" com o artigo "a" — regência correta. A assertiva está correta.

Assertiva V — ❌ Incorreta

"absorto por demais nas suas próprias especulações quiméricas"

O adjetivo "absorto" não exige complemento com a preposição "com". Ele pode ser usado com "em" (absorto em pensamentos), "com" (absorto com a notícia) ou sem complemento. A assertiva erra ao afirmar que o emprego é inadequado — a regência com "em" é perfeitamente aceitável. A banca inverte a regência: "absorto" rege "em", não "com".

Conclusão: corretas apenas I, II e IV, o que corresponde à letra A. A pegadinha da banca está em afirmar que "perplexo" e "absorto" têm regência fixa com "com" — na verdade, são adjetivos de regência livre ou com preposição diversa ("absorto em").

Gabarito: letra A

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