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Questão de Português — Substantivo — FUNDATEC 2025

PortuguêsSubstantivo
Código
qa671506
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Porto Mauá
Ano
2025
Cargo
Op Maq ( )

Onde você morreu é a sua naturalidade

 

Por Fabrício Carpinejar

 

Nossa maior escritora de todos os tempos é ucraniana:(a) Clarice Lispector. Um tapa na cara da xenofobia.

 

A autora dos mistérios mais profundos nasceu numa família judaica russa(b) que perdeu suas rendas com a Guerra Civil e se viu forçada a emigrar diante do antissemitismo — que, à época, já resultava em extermínios em massa. Ela dizia jamais ter pisado na Ucrânia: foi carregada no colo.

 

Assim como o mais influente cantor francês é filho de imigrantes armênios(c) que se refugiaram em Paris das perseguições turcas:(d) Charles Aznavour. Fruto do exílio, ele uniu um país estrangeiro inteiro. Repatriou um povo descrevendo como ninguém os hábitos e as esquinas parisienses.

 

O Frank Sinatra da França se apresentou até morrer, aos 94 anos. Compôs cerca de 850 canções em diferentes línguas. Vendeu mais de 200 milhões de discos. Transformou sua rouquidão improvável em potência vocal. Girou o mundo encantando multidões — e fez um show em Porto Alegre,(e) no Araújo Vianna, aos 89 anos, em maio de 2013. Tanto Clarice quanto Charles inventaram seus nomes. Ela é Chaya. Ele é Shahnour.

 

E tudo isso me leva a crer: a naturalidade deveria vir depois na certidão. Não como um carimbo eterno do local do nascimento, mas como uma homenagem ao lugar onde você escolheu morar.

 

Às vezes, o berço coincide com o porto predileto, porém não é regra. Pode ser apenas um endereço de passagem, o ponto de partida para as experiências que se consolidaram em outro destino.

 

A verdadeira origem talvez esteja no lugar onde você gostaria de se despedir. Mais no aceno final do que no que está escrito no cartório. Seu berço é onde a sua ausência é mais sentida. É onde nossas manias são compreendidas. Onde nossos silêncios são lidos.

 

Quem nunca mudou de cidade e sentiu, enfim, que estava retornando para casa, mesmo sem jamais ter estado ali? Quem nunca se reencontrou numa rua desconhecida, como se alguém tivesse alfaiatado a cidade sob medida para o seu corpo?

 

O pertencimento não é um carimbo. É uma sensação. O mais importante não é o marco zero, e sim o paradeiro em que você se nota confortável, confiante, espontâneo, respeitado. É o grão de areia no universo em que você amou, constituiu família e foi feliz. É a paragem onde você decide morrer, deixar memória, seguir vivendo na saudade dos mais próximos.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2025/08/onde-voce-morreu-e-

a-sua-naturalidade-cmebyhv5p00k9015p2nlsctgf.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto a seguir para responder à questão.

   

Assinale a alternativa que apresenta um substantivo que NÃO indica nacionalidade.

  1. A“ucraniana”.
  2. B“russa”.
  3. C“armênios”.
  4. D“turcas”.
  5. E“Porto Alegre”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “Porto Alegre”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substantivo que indica nacionalidade — Gabarito: letra E.

Gabarito: letra E. A questão pede o substantivo que NÃO indica nacionalidade. As alternativas A a D são adjetivos pátrios (indicam naturalidade/nacionalidade), enquanto “Porto Alegre” é um substantivo próprio — nome de cidade, não de nacionalidade. A passagem do texto que ancora a resposta é: “fez um show em Porto Alegre, no Araújo Vianna” — ali, “Porto Alegre” nomeia um lugar, não uma origem.

O comando é de compreensão lexical: identificar a classe e o sentido de cada palavra no contexto. Não se trata de inferência nem de gramática normativa isolada — é morfologia aplicada ao texto. A banca quer que você distinga adjetivo pátrio (que indica nacionalidade) de substantivo próprio (que nomeia um ente específico, como uma cidade).

No texto, os termos aparecem assim:

“Nossa maior escritora de todos os tempos é ucraniana” — adjetivo pátrio (natural da Ucrânia). “nasceu numa família judaica russa” — adjetivo pátrio (natural da Rússia). “filho de imigrantes armênios” — adjetivo pátrio (naturais da Armênia). “das perseguições turcas” — adjetivo pátrio (da Turquia). “fez um show em Porto Alegre” — substantivo próprio (nome de cidade).

A técnica decisiva: adjetivo pátrio é aquele que indica naturalidade/nacionalidade (ex.: brasileiro, gaúcho, ucraniano). Substantivo próprio é o nome de um ser, lugar ou entidade (ex.: Porto Alegre, Brasil, Maria). “Porto Alegre” não responde à pergunta “de que nacionalidade?” — responde a “onde?”. É um topônimo, não um gentílico.

A pegadinha da banca está em trocar o conceito: as alternativas A a D são adjetivos pátrios, mas a questão pede o substantivo que não indica nacionalidade. Quem não domina a diferença entre adjetivo pátrio e substantivo próprio marca uma das primeiras opções.

1Ucraniana
2Russa
3Armênios
4Turcas
5Substantivo próprio (topônimo)
Porto Alegre
Nacionalidade (adjetivo pátrio)
LEVELsoulevel.com.br
Nacionalidade (adjetivo pátrio): Ucraniana; Russa; Armênios; Turcas; Substantivo próprio (topônimo) (Porto Alegre)

Alternativa A — ❌ Incorreta

ucraniana” é adjetivo pátrio — indica naturalidade (da Ucrânia). No texto: “Nossa maior escritora de todos os tempos é ucraniana”. Portanto, indica nacionalidade — não é a resposta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

russa” é adjetivo pátrio — indica naturalidade (da Rússia). No texto: “nasceu numa família judaica russa”. Portanto, indica nacionalidade — não é a resposta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

armênios” é adjetivo pátrio — indica naturalidade (da Armênia). No texto: “filho de imigrantes armênios”. Portanto, indica nacionalidade — não é a resposta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

turcas” é adjetivo pátrio — indica naturalidade (da Turquia). No texto: “das perseguições turcas”. Portanto, indica nacionalidade — não é a resposta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Porto Alegre” é substantivo próprio — nome de cidade, não de nacionalidade. No texto: “fez um show em Porto Alegre, no Araújo Vianna”. Não responde a “de que nacionalidade?”, mas a “onde?”. É um topônimo, não um gentílico. Portanto, não indica nacionalidade — é a resposta pedida.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre adjetivo pátrio (indica nacionalidade) e substantivo próprio (nome de lugar). Quem não domina a diferença marca uma das primeiras opções.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver “nacionalidade”, pense em adjetivo pátrio (brasileiro, gaúcho, ucraniano). Ao ver nome de cidade, país ou estado, pense em substantivo próprio (topônimo). Pergunte: “isso responde a ‘de onde?’ ou a ‘qual nacionalidade?’”.

Gabarito: letra E — a única que não indica nacionalidade, pois é substantivo próprio (nome de cidade), enquanto as demais são adjetivos pátrios.

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