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Questão de Português — Orações Subordinadas Substantivas — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsOrações Subordinadas Substantivas
Código
qa671521
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
CBM PR
Ano
2025
Cargo
Cad ( )

A Biblioteca de Alexandria não foi destruída pelo fogo, mas pelo esquecimento

 

Por Bruno Vaiano

 

"Há crimes piores do que queimar livros. Não lê-los é um deles." – Ray Bradbury.

 

Três séculos antes de Cristo, Alexandre, o Grande, conquistou o Egito e mandou erguer, do zero, uma metrópole no litoral norte do país. Alexandria, batizada em homenagem a seu patrono desumilde, seria a nova capital da região. A estética faraônica clichê, dourada e azul, prevaleceu por lá (bem como o hábito egípcio de os nobres se casarem entre irmãos, à moda Cersei em Game of Thrones). Mas esse novo Egito Antigo, assim como o próprio Alexandre, tinha uma pinta grega inegável.

 

O sucessor de Alexandre, o Grande, por aquelas bandas, nomeado Ptolomeu I, ordenou a construção de um centro de ensino e pesquisa em Alexandria para atrair a elite intelectual da época. Tipo uma versão helênica e antiquíssima do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde monstros sagrados das exatas como Einstein, Gödel e Neumann trabalharam juntos na década de 1950.

 

O nome dessa instituição era Mouseion. Em português, “Museu”. O significado original da palavra é “templo dedicado às musas” — as deusas do panteão grego que, na tradição helênica, inspiravam as artes, a literatura e a ciência. Essa também é a origem etimológica de “música”, diga-se. Compôs uma bela canção? Legal, mas não foi bem você. Tudo que é belo emana dessas divas – artistas são só os meros mortais que, volta e meia, têm o privilégio de receber um download de versos do Olimpo.

 

A Biblioteca de Alexandria acabou se tornando o mais famoso dos prédios desse complexo. Bibliotecas não eram novidade. Já existiam na Suméria; são quase tão antigas quanto a escrita em si. Mas essa almejava um passo além: Ptolomeu queria uma cópia de cada obra já escrita na Terra. Por isso, os tripulantes de toda embarcação que aportava em Alexandria eram forçados, por decreto, a fornecer ao Museu os pergaminhos que tivessem a bordo – que então eram copiados por escribas e armazenados na coleção. Deu certo.

 

Essa Harvard ptolomaica prosperou por séculos, e não acabou por causa de um incêndio – nem qualquer outro ato pontual de vandalismo. Júlio César danificou parte da coleção quando sitiou Alexandria e ateou fogo ao porto, em 48 a.C. Mas, nessa época, o Museu já havia perdido prestígio e os acadêmicos preferiam trabalhar em outros lugares.

 

Em 297 d.C., quando Diocleciano incendiou a cidade novamente para conter uma rebelião, é provável que o prédio original da Biblioteca já não existisse mais: as últimas evidências inequívocas da contratação de funcionários datam de 260 d.C.

 

Não era fácil sustentar um exército de bibliotecários e escribas copistas para manter a coleção atualizada, higiênica e catalogada. Bastava um fiapo de desinteresse coletivo para a coisa degringolar. O território egípcio mudou de mãos e crenças muitas vezes ao longo da História – os califados árabes vieram por último e estabeleceram sua capital intelectual em Bagdá, relegando Alexandria à periferia do avanço científico-tecnológico durante a Idade Média.

 

O fato é que você não precisa atear fogo a um livro para queimá-lo. O conhecimento não desaparece da noite para o dia só porque seu suporte material foi destruído.

 

Hoje, qualquer sebo parrudo contém mais conhecimento do que a Biblioteca de Alexandria. Mesmo assim, 73% dos estudantes brasileiros estão abaixo do nível de conhecimento sobre Matemática que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) considera mínimo para que se possa exercer a cidadania satisfatoriamente.

 

Na avaliação de Leitura, são 50%. Em Ciências, 55%. Mais da metade da população em idade escolar do País, nas palavras dos organizadores do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), tem algum prejuízo na hora de “participar plenamente da vida social, econômica e cívica em um mundo globalizado”.

 

Pode soar o alarme: nossa biblioteca está (metaforicamente) em chamas.

 

Adaptado de: https://super.abril.com.br/historia/a-biblioteca-de-alexandria-nao-foi-destruida-pelo-fogo-mas-pelo-esquecimento/. Acesso em: 28 mai. 2025.

No trecho “[…] quando Diocleciano incendiou a cidade novamente para conter uma rebelião, é provável que o prédio original da Biblioteca já não existisse mais [...]”, a oração em destaque

  1. Aexerce a função de predicado.
  2. Btem função restritiva.
  3. Cexerce a função de sujeito.
  4. Dexerce a função de aposto.
  5. Eindica finalidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — exerce a função de sujeito.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações Subordinadas Substantivas: a função de sujeito

Gabarito: letra C. A oração destacada "que o prédio original da Biblioteca já não existisse mais" exerce a função de sujeito do verbo de ligação "é" na oração principal "é provável". A prova clássica: substitua a oração por "isso" — "é provável isso" — e "isso" é exatamente o sujeito. A banca cobra a classificação das orações subordinadas substantivas, e a pista decisiva é a estrutura verbo de ligação + predicativo + conjunção integrante.

O comando e o método

A questão pede que você identifique a função sintática da oração subordinada destacada. Isso é análise sintática pura: reconhecer o papel que a oração exerce em relação à oração principal. Não se trata de interpretação de sentido, mas de classificação gramatical — e a técnica é sempre a mesma: substitua a oração por um substantivo ou por "isso/isso" e veja qual termo ela ocupa.

No trecho:

"[...] é provável que o prédio original da Biblioteca já não existisse mais [...]"

A oração principal é "é provável". O verbo "é" é de ligação, e "provável" é o predicativo do sujeito. Quem é provável? O quê é provável? A resposta é exatamente a oração destacada: "que o prédio... não existisse mais". Logo, ela funciona como sujeito — um sujeito oracional.

A técnica que decide

O teste infalível para orações subordinadas substantivas é a substituição por "isso" (ou por um substantivo). Veja:

  • "é provável isso" → "isso" é o sujeito de "é".

  • "quero isso" → "isso" é objeto direto.

  • "tenho certeza disso" → "disso" é complemento nominal.

No nosso caso, a oração destacada ocupa exatamente o lugar de "isso" como sujeito. Além disso, a oração é introduzida pela conjunção integrante "que", marca típica das substantivas. E o verbo da principal está na 3ª pessoa do singular ("é"), o que é característico quando o sujeito é oracional — o verbo concorda com um sujeito que vem depois, em forma de oração.

As alternativas

Orações subordinadas substantivas
  • 1Função sintática
    • Subjetiva (sujeito)
    • Objetiva direta (objeto direto)
    • Objetiva indireta (objeto indireto)
    • Completiva nominal (complemento nominal)
    • Predicativa (predicativo)
    • Apositiva (aposto)
  • 2Teste da substituição
    • Trocar por "isso"
    • Ver a função que "isso" exerce
  • 3Subjetiva
    • Verbo de ligação + predicativo
    • Verbo na 3ª pessoa do singular
    • Voz passiva
    • Conjunção integrante "que"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A oração destacada não exerce função de predicado. O predicado é o que se declara sobre o sujeito; na oração principal, o predicado é "é provável" (verbo de ligação + predicativo). A oração destacada é o sujeito de "é", não o predicado. Quem afirma que é predicado confunde o papel da oração com o do predicativo "provável".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Função restritiva" é característica de orações subordinadas adjetivas restritivas, que modificam um substantivo e são introduzidas por pronome relativo (ex.: "O aluno que estuda passa"). Aqui, a oração é introduzida por conjunção integrante "que" e não modifica substantivo algum — ela é o sujeito de "é provável". Não há relação de restrição a um termo antecedente.

Alternativa C — ✅ Correta

Gabarito. A oração "que o prédio original da Biblioteca já não existisse mais" exerce a função de sujeito do verbo "é" (verbo de ligação) na oração principal "é provável". A substituição por "isso" comprova: "é provável isso". Trata-se de uma oração subordinada substantiva subjetiva. O verbo da principal está na 3ª pessoa do singular, concordando com o sujeito oracional.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. Aposto é um termo que explica ou especifica outro, geralmente separado por vírgula ou dois pontos (ex.: "Só há uma solução: que você estude"). Aqui, a oração não está separada por pontuação e não explica um termo antecedente — ela é o sujeito de "é provável". Não há aposto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Indica finalidade" é função de oração subordinada adverbial final, introduzida por "para que", "a fim de que" (ex.: "Estudo para que passe"). No trecho, a oração destacada não expressa finalidade; ela é o sujeito de "é provável". A confusão pode ocorrer porque há uma oração adverbial final no mesmo período ("para conter uma rebelião"), mas essa não é a destacada.

Conclusão

A questão testa o reconhecimento da oração subordinada substantiva subjetiva. A técnica da substituição por "isso" resolve na hora: se "é provável isso", a oração é sujeito. Lembre-se: oração substantiva subjetiva sempre ocorre com verbo de ligação + predicativo, verbo na 3ª pessoa do singular ou voz passiva — e o verbo da principal fica sem sujeito explícito, porque o sujeito é a própria oração.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece funções sintáticas plausíveis (predicado, restritiva, aposto, finalidade) para confundir quem não aplica o teste da substituição por "isso". A alternativa E é a mais traiçoeira, pois há uma oração adverbial final no mesmo período — mas não é a destacada.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que a oração vier depois de "é provável", "é certo", "é necessário" etc., desconfie: é quase sempre subjetiva (sujeito). Teste com "isso" antes de marcar.

Gabarito: letra C

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