Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Conjunção — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsConjunção
Código
qa671527
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
CBM PR
Ano
2025
Cargo
Cad ( )

A Biblioteca de Alexandria não foi destruída pelo fogo, mas pelo esquecimento

 

Por Bruno Vaiano

 

"Há crimes piores do que queimar livros. Não lê-los é um deles." – Ray Bradbury.

 

Três séculos antes de Cristo, Alexandre, o Grande, conquistou o Egito e mandou erguer, do zero, uma metrópole no litoral norte do país. Alexandria, batizada em homenagem a seu patrono desumilde, seria a nova capital da região. A estética faraônica clichê, dourada e azul, prevaleceu por lá (bem como o hábito egípcio de os nobres se casarem entre irmãos, à moda Cersei em Game of Thrones). Mas esse novo Egito Antigo, assim como o próprio Alexandre, tinha uma pinta grega inegável.

 

O sucessor de Alexandre, o Grande, por aquelas bandas, nomeado Ptolomeu I, ordenou a construção de um centro de ensino e pesquisa em Alexandria para atrair a elite intelectual da época. Tipo uma versão helênica e antiquíssima do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde monstros sagrados das exatas como Einstein, Gödel e Neumann trabalharam juntos na década de 1950.

 

O nome dessa instituição era Mouseion. Em português, “Museu”. O significado original da palavra é “templo dedicado às musas” — as deusas do panteão grego que, na tradição helênica, inspiravam as artes, a literatura e a ciência. Essa também é a origem etimológica de “música”, diga-se. Compôs uma bela canção? Legal, mas não foi bem você. Tudo que é belo emana dessas divas – artistas são só os meros mortais que, volta e meia, têm o privilégio de receber um download de versos do Olimpo.

 

A Biblioteca de Alexandria acabou se tornando o mais famoso dos prédios desse complexo. Bibliotecas não eram novidade. Já existiam na Suméria; são quase tão antigas quanto a escrita em si. Mas essa almejava um passo além: Ptolomeu queria uma cópia de cada obra já escrita na Terra. Por isso, os tripulantes de toda embarcação que aportava em Alexandria eram forçados, por decreto, a fornecer ao Museu os pergaminhos que tivessem a bordo – que então eram copiados por escribas e armazenados na coleção. Deu certo.

 

Essa Harvard ptolomaica prosperou por séculos, e não acabou por causa de um incêndio – nem qualquer outro ato pontual de vandalismo. Júlio César danificou parte da coleção quando sitiou Alexandria e ateou fogo ao porto, em 48 a.C. Mas, nessa época, o Museu já havia perdido prestígio e os acadêmicos preferiam trabalhar em outros lugares.

 

Em 297 d.C., quando Diocleciano incendiou a cidade novamente para conter uma rebelião, é provável que o prédio original da Biblioteca já não existisse mais: as últimas evidências inequívocas da contratação de funcionários datam de 260 d.C.

 

Não era fácil sustentar um exército de bibliotecários e escribas copistas para manter a coleção atualizada, higiênica e catalogada. Bastava um fiapo de desinteresse coletivo para a coisa degringolar. O território egípcio mudou de mãos e crenças muitas vezes ao longo da História – os califados árabes vieram por último e estabeleceram sua capital intelectual em Bagdá, relegando Alexandria à periferia do avanço científico-tecnológico durante a Idade Média.

 

O fato é que você não precisa atear fogo a um livro para queimá-lo. O conhecimento não desaparece da noite para o dia só porque seu suporte material foi destruído.

 

Hoje, qualquer sebo parrudo contém mais conhecimento do que a Biblioteca de Alexandria. Mesmo assim, 73% dos estudantes brasileiros estão abaixo do nível de conhecimento sobre Matemática que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) considera mínimo para que se possa exercer a cidadania satisfatoriamente.

 

Na avaliação de Leitura, são 50%. Em Ciências, 55%. Mais da metade da população em idade escolar do País, nas palavras dos organizadores do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), tem algum prejuízo na hora de “participar plenamente da vida social, econômica e cívica em um mundo globalizado”.

 

Pode soar o alarme: nossa biblioteca está (metaforicamente) em chamas.

 

Adaptado de: https://super.abril.com.br/historia/a-biblioteca-de-alexandria-nao-foi-destruida-pelo-fogo-mas-pelo-esquecimento/. Acesso em: 28 mai. 2025.

Considere o trecho a seguir:

 

“Mas esse novo Egito Antigo, assim como o próprio Alexandre, tinha uma pinta grega inegável.”

 

A expressão em destaque, pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, pelos seguintes conectivos, EXCETO

  1. Atal qual.
  2. Bcomo.
  3. Cda mesma forma que.
  4. Dtanto quanto.
  5. Eprincipalmente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — principalmente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de conectivos: o valor comparativo de "assim como"

Gabarito: letra E. A expressão "assim como" estabelece uma relação de comparação entre o "novo Egito Antigo" e o "próprio Alexandre" — ambos tinham "uma pinta grega inegável". As alternativas A, B, C e D são conectivos comparativos e preservam o sentido; a letra E (principalmente) é um advérbio de inclusão/enumeração, que não compara, apenas destaca um elemento entre outros. Como a banca pediu a substituição EXCETO (ou seja, a que NÃO pode substituir), o gabarito é a letra E.

O comando é claro: "pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, pelos seguintes conectivos, EXCETO". Isso significa que quatro alternativas são sinônimos contextuais válidos e uma quebra a relação semântica. A tarefa é identificar o valor semântico do conectivo no trecho e testar cada substituto.

No trecho, "assim como" liga dois elementos que compartilham uma característica: o Egito Antigo e Alexandre tinham "pinta grega". É uma comparação de igualdade — típica das conjunções comparativas. Veja a passagem:

"Mas esse novo Egito Antigo, assim como o próprio Alexandre, tinha uma pinta grega inegável."

A relação é de semelhança: o Egito Antigo era grego na mesma medida que Alexandre. Os conectivos comparativos que expressam igualdade são: tal qual, como, da mesma forma que, tanto quanto, assim como, bem como (em sentido comparativo). Todos esses podem substituir sem alterar o sentido.

A armadilha da banca está em "principalmente", que é um advérbio de inclusão ou de enumeração — indica que algo é mais importante ou que se destaca entre outros, mas não estabelece comparação de igualdade. Substituir "assim como" por "principalmente" mudaria completamente o sentido: em vez de dizer que ambos eram gregos, diria que o Egito era grego principalmente (como se houvesse outros aspectos, e o grego fosse o mais relevante). Isso não é comparação, é destaque.

Conectivo

Valor semântico

Substitui "assim como"?

Tal qual

Comparação de igualdade

✅ Sim

Como

Comparação de igualdade

✅ Sim

Da mesma forma que

Comparação de igualdade

✅ Sim

Tanto quanto

Comparação de igualdade

✅ Sim

Principalmente

Inclusão/destaque

❌ Não

Alternativa A — ✅ Correta

"Tal qual" é uma locução conjuntiva comparativa clássica, equivalente a "assim como". Ex.: "O Egito Antigo, tal qual Alexandre, tinha pinta grega." Preserva a ideia de igualdade. Correta (pode substituir).

Alternativa B — ✅ Correta

"Como" é a conjunção comparativa mais comum. Ex.: "O Egito Antigo, como Alexandre, tinha pinta grega." Mantém a comparação. Correta (pode substituir).

Alternativa C — ✅ Correta

"Da mesma forma que" é uma locução conjuntiva comparativa de igualdade. Ex.: "O Egito Antigo, da mesma forma que Alexandre, tinha pinta grega." Perfeito. Correta (pode substituir).

Alternativa D — ✅ Correta

"Tanto quanto" também expressa comparação de igualdade (correlação comparativa). Ex.: "O Egito Antigo tinha pinta grega tanto quanto Alexandre." Embora mude levemente a estrutura, o sentido comparativo permanece. Correta (pode substituir).

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

"Principalmente" é um advérbio que indica prioridade, destaque ou inclusão — não compara. Ex.: "O Egito Antigo, principalmente Alexandre, tinha pinta grega" mudaria o sentido: diria que Alexandre era o principal exemplo, não que ambos eram igualmente gregos. Incorreta (NÃO pode substituir). Como a banca pediu a EXCEÇÃO, esta é a resposta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura conectivos comparativos legítimos com um advérbio de inclusão (principalmente), que parece caber mas não estabelece comparação. Desconfie de palavras que indicam destaque/enumeração quando o contexto pede igualdade.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar substituição, pergunte: "a relação entre os termos continua sendo de comparação?" Se o conectivo trouxer outra ideia (causa, condição, inclusão, oposição), está errado.

Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/qa671527