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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa671530
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
CBM PR
Ano
2025
Cargo
Cad ( )

A Biblioteca de Alexandria não foi destruída pelo fogo, mas pelo esquecimento

 

Por Bruno Vaiano

 

"Há crimes piores do que queimar livros. Não lê-los é um deles." – Ray Bradbury.

 

Três séculos antes de Cristo, Alexandre, o Grande, conquistou o Egito e mandou erguer, do zero, uma metrópole no litoral norte do país. Alexandria, batizada em homenagem a seu patrono desumilde, seria a nova capital da região. A estética faraônica clichê, dourada e azul, prevaleceu por lá (bem como o hábito egípcio de os nobres se casarem entre irmãos, à moda Cersei em Game of Thrones). Mas esse novo Egito Antigo, assim como o próprio Alexandre, tinha uma pinta grega inegável.

 

O sucessor de Alexandre, o Grande, por aquelas bandas, nomeado Ptolomeu I, ordenou a construção de um centro de ensino e pesquisa em Alexandria para atrair a elite intelectual da época. Tipo uma versão helênica e antiquíssima do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde monstros sagrados das exatas como Einstein, Gödel e Neumann trabalharam juntos na década de 1950.

 

O nome dessa instituição era Mouseion. Em português, “Museu”. O significado original da palavra é “templo dedicado às musas” — as deusas do panteão grego que, na tradição helênica, inspiravam as artes, a literatura e a ciência. Essa também é a origem etimológica de “música”, diga-se. Compôs uma bela canção? Legal, mas não foi bem você. Tudo que é belo emana dessas divas – artistas são só os meros mortais que, volta e meia, têm o privilégio de receber um download de versos do Olimpo.

 

A Biblioteca de Alexandria acabou se tornando o mais famoso dos prédios desse complexo. Bibliotecas não eram novidade. Já existiam na Suméria; são quase tão antigas quanto a escrita em si. Mas essa almejava um passo além: Ptolomeu queria uma cópia de cada obra já escrita na Terra. Por isso, os tripulantes de toda embarcação que aportava em Alexandria eram forçados, por decreto, a fornecer ao Museu os pergaminhos que tivessem a bordo – que então eram copiados por escribas e armazenados na coleção. Deu certo.

 

Essa Harvard ptolomaica prosperou por séculos, e não acabou por causa de um incêndio – nem qualquer outro ato pontual de vandalismo. Júlio César danificou parte da coleção quando sitiou Alexandria e ateou fogo ao porto, em 48 a.C. Mas, nessa época, o Museu já havia perdido prestígio e os acadêmicos preferiam trabalhar em outros lugares.

 

Em 297 d.C., quando Diocleciano incendiou a cidade novamente para conter uma rebelião, é provável que o prédio original da Biblioteca já não existisse mais: as últimas evidências inequívocas da contratação de funcionários datam de 260 d.C.

 

Não era fácil sustentar um exército de bibliotecários e escribas copistas para manter a coleção atualizada, higiênica e catalogada. Bastava um fiapo de desinteresse coletivo para a coisa degringolar. O território egípcio mudou de mãos e crenças muitas vezes ao longo da História – os califados árabes vieram por último e estabeleceram sua capital intelectual em Bagdá, relegando Alexandria à periferia do avanço científico-tecnológico durante a Idade Média.

 

O fato é que você não precisa atear fogo a um livro para queimá-lo. O conhecimento não desaparece da noite para o dia só porque seu suporte material foi destruído.

 

Hoje, qualquer sebo parrudo contém mais conhecimento do que a Biblioteca de Alexandria. Mesmo assim, 73% dos estudantes brasileiros estão abaixo do nível de conhecimento sobre Matemática que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) considera mínimo para que se possa exercer a cidadania satisfatoriamente.

 

Na avaliação de Leitura, são 50%. Em Ciências, 55%. Mais da metade da população em idade escolar do País, nas palavras dos organizadores do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), tem algum prejuízo na hora de “participar plenamente da vida social, econômica e cívica em um mundo globalizado”.

 

Pode soar o alarme: nossa biblioteca está (metaforicamente) em chamas.

 

Adaptado de: https://super.abril.com.br/historia/a-biblioteca-de-alexandria-nao-foi-destruida-pelo-fogo-mas-pelo-esquecimento/. Acesso em: 28 mai. 2025.

De acordo com a leitura do texto, é correto afirmar que
  1. Aa Biblioteca de Alexandria não foi destruída pelo fogo, mas os danos causados pelo incêndio em 48 a.C. foram decisivos para o seu desaparecimento, visto que destruíram grande parte do acervo bibliográfico.
  2. Bmais da metade da população em idade escolar do país tem prejuízo no momento de participar da vida cívica, pois não há interesse na leitura, apesar de existirem diversos sebos no Brasil.
  3. Ca Biblioteca de Alexandria perdeu prestígio, acadêmicos e trabalhadores, pois estes preferiam trabalhar em locais que não estivessem deteriorados, tendo em vista os vandalismos que ocorreram com o centro de ensino.
  4. Do autor utiliza uma linguagem metafórica para expressar que não apenas incêndios queimam livros, mas que a ausência de interesse e de busca pelo conhecimento também os fazem desaparecer.
  5. Ena avaliação de leitura, 50% dos brasileiros atingiram o nível mínimo de conhecimento para que se possa exercer a cidadania satisfatoriamente, de acordo com os padrões da OCDE, fato que pode ser atribuído justamente à maior frequência em sebos e bibliotecas do país.
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GabaritoD — o autor utiliza uma linguagem metafórica para expressar que não apenas incêndios queimam livros, mas que a ausência de interesse e de busca pelo conhecimento também os fazem desaparecer.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A metáfora da biblioteca em chamas: o esquecimento como destruição

Gabarito: letra D. A alternativa correta é a que reconhece a linguagem metafórica do autor para defender que o conhecimento se perde não só pelo fogo, mas pela ausência de interesse e de busca pelo saber. Essa tese está ancorada em passagens centrais do texto, como o trecho em que o autor afirma que "o conhecimento não desaparece da noite para o dia só porque seu suporte material foi destruído" e a conclusão metafórica: "nossa biblioteca está (metaforicamente) em chamas".

O comando pede uma compreensão global do texto: "De acordo com a leitura do texto, é correto afirmar que". Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma ideia defendida pelo autor, sem acréscimos de informação externa. Não se trata de inferir algo além do texto, mas de reconhecer a tese central que o autor desenvolve ao longo do artigo.

O texto parte da história da Biblioteca de Alexandria para construir uma analogia com o presente. O autor mostra que a biblioteca não foi destruída por um incêndio, mas pelo esquecimento — pela perda de interesse e de investimento. Essa ideia é explicitada no trecho:

"Não era fácil sustentar um exército de bibliotecários e escribas copistas para manter a coleção atualizada, higiênica e catalogada. Bastava um fiapo de desinteresse coletivo para a coisa degringolar."

E, logo em seguida, o autor generaliza a tese para qualquer forma de conhecimento:

"O fato é que você não precisa atear fogo a um livro para queimá-lo. O conhecimento não desaparece da noite para o dia só porque seu suporte material foi destruído."

A alternativa D captura exatamente essa ideia: o autor usa a metáfora do fogo para falar do desinteresse como forma de destruição do conhecimento. A palavra "metaforicamente" no texto é a chave que autoriza a leitura metafórica.

A técnica para resolver esta questão é testar cada alternativa contra o texto, perguntando: "o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora?". A alternativa correta é a única que se sustenta inteiramente no que está escrito, sem extrapolações.

Compreensão de texto
  • 1Tese central
    • Conhecimento se perde pelo desinteresse
    • Metáfora do fogo
  • 2Erros típicos das alternativas
    • Inverter relação de causa
    • Criar causa inexistente
    • Inverter o dado
    • Extrapolar informação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os danos do incêndio de 48 a.C. foram "decisivos para o seu desaparecimento, visto que destruíram grande parte do acervo bibliográfico". O texto contradiz essa ideia. O autor afirma que, embora Júlio César tenha danificado parte da coleção, "nessa época, o Museu já havia perdido prestígio e os acadêmicos preferiam trabalhar em outros lugares". Ou seja, o incêndio não foi decisivo; a decadência já estava em curso. A alternativa inverte a relação de causa e consequência apresentada no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "mais da metade da população em idade escolar do país tem prejuízo no momento de participar da vida cívica, pois não há interesse na leitura, apesar de existirem diversos sebos no Brasil". O texto menciona os dados do Pisa, mas não estabelece a relação de causa proposta. O texto diz que "mais da metade da população em idade escolar do País... tem algum prejuízo na hora de 'participar plenamente da vida social, econômica e cívica'", mas não afirma que a causa seja a falta de interesse na leitura, nem menciona os sebos como fator relevante. A alternativa extrapola ao criar uma relação causal que não está no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a biblioteca perdeu prestígio porque os acadêmicos preferiam trabalhar em locais que "não estivessem deteriorados, tendo em vista os vandalismos". O texto diz que "o Museu já havia perdido prestígio e os acadêmicos preferiam trabalhar em outros lugares", mas não apresenta a causa dessa preferência. O texto não menciona deterioração nem vandalismo como motivo. A alternativa acrescenta uma explicação que não está no texto, configurando uma extrapolação.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que "o autor utiliza uma linguagem metafórica para expressar que não apenas incêndios queimam livros, mas que a ausência de interesse e de busca pelo conhecimento também os fazem desaparecer". Isso é exatamente o que o texto defende. O autor escreve:

"O fato é que você não precisa atear fogo a um livro para queimá-lo. O conhecimento não desaparece da noite para o dia só porque seu suporte material foi destruído."

E conclui com a metáfora:

"Pode soar o alarme: nossa biblioteca está (metaforicamente) em chamas."

A palavra "metaforicamente" autoriza a leitura de que o fogo representa o desinteresse. A alternativa é uma paráfrase fiel da tese central do texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "50% dos brasileiros atingiram o nível mínimo de conhecimento para que se possa exercer a cidadania satisfatoriamente". O texto diz o contrário: "Na avaliação de Leitura, são 50%" — ou seja, 50% estão abaixo do nível mínimo. A alternativa inverte o sentido do dado apresentado. Além disso, atribui o fato à "maior frequência em sebos e bibliotecas", o que não tem nenhuma base no texto. A alternativa contradiz o texto e ainda extrapola com uma causa inexistente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter o dado (trocar "abaixo do nível" por "atingiram o nível") e criar relações de causa que não existem no texto. Fique atento a palavras como "decisivos", "pois", "tendo em vista" — elas sinalizam uma relação de causa que precisa estar explicitamente no texto.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de compreensão, grife as palavras que indicam relação de causa ("pois", "visto que", "tendo em vista") e verifique se o texto realmente estabelece essa relação. Se a alternativa criar uma causa que o texto não menciona, ela está errada.

Gabarito: letra D. A questão testa a capacidade de identificar a tese central do texto e reconhecer a linguagem figurada como recurso argumentativo. A alternativa correta é a única que não acrescenta, não inverte e não restringe o que o autor disse.

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