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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FUNDATEC 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa671582
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFCSPA
Ano
2025
Cargo
Tec ( )

E se...

 

Por Adriana Antunes

 

E se eu não tivesse brigado, discutido, me entregue? E se eu tivesse feito diferente, dito de outra forma, me retirado em silêncio? E se eu não tivesse aceitado o conselho, tivesse tomado uma decisão por mim mesmo ou ainda, se tivesse escutado o que me diziam, talvez hoje fosse diferente? Talvez eu não estaria aqui escrevendo e você não estivesse aí lendo. Não nos damos conta de que se não tivéssemos feito o que fizemos, dentro do possível que éramos na época, não teríamos chegado até aqui do jeito que chegamos. O “e se” é suspenso. O agitamos feito um papel-manteiga que se dobra diante do vento. Tentar prever algo, saber de antemão é congelar a vida.

 

Construímos tensões ao longo do tempo. Ficamos tristes, desapontados, frustrados.

 

Somos uma espécie de taças sendo preenchidas e esvaziadas constante e silenciosamente.

 

Talvez pudéssemos pensar que o “e se” funciona como ruínas que carregamos dentro de nós.

 

Somos tão cheios de impossibilidades e nos demoramos nelas feito crianças birrentas que insistem em algo que já passou. Pensar no que poderia ter acontecido se tivéssemos feito de outro modo é ficar velando ossos. O tempo revira a vida todos os dias. Precisamos aprender a passar por nossas ruínas internas sabendo por onde pisamos, aceitando o que se perdeu. Temos tanto medo de morrer, entretanto nem nos damos conta de que ao ficarmos fixados no “e se”, flertamos com o que já não tem mais vida alguma e nos assombra feito fantasmas. Alimentamos fantasmas pela escuridão que projetamos.

 

Estar vivo é errar. Vamos inventando aos poucos. Acertando aqui, nos queimando logo ali. Pisando em falso numa memória, tropeçando numa escolha equivocada, correndo atrás dos sonhos. Se conseguirmos olhar para o que passou e pensar que hoje faríamos de outro jeito, eis a constatação de que estamos nos movimentando. Mesmo que estejamos andando em círculos, repetindo, repetindo. Até que um dia nos damos conta de que já passamos por esta mesma paisagem muitas vezes. Agora podemos reconhecer por onde andam os buracos que nos machucam.

 

Invocar o “e se” é permanecer voltado para trás. É ficar olhando para lápides e estátuas trincadas cobertas de musgo. Talvez pudéssemos nos permitir a perguntar: “e agora?” Todos carregamos coisas mal resolvidas dentro de nós, mas para quê? Nossos cacos da infância, restos de histórias interrompidas compõem nosso chão, é fato, mas mais do que sermos metamorfoses ambulantes, somos trajetórias e trajetos que se fazem e desfazem e se refazem o tempo todo.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2025/08/

e-se-cmergkio500bq0149wrai06p6.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Na linha, a conjunção “entretanto” introduz _____ e poderia ser substituída por _____, ________ a necessidade de alterações a fim de que se mantivessem a correção e as relações de sentido do período.   Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
  1. Auma explicação – “por isso” – havendo
  2. Buma explicação – “por isso” – não havendo
  3. Cuma ideia oposta – “por isso” – havendo
  4. Duma ideia oposta – “contudo” – havendo
  5. Euma ideia oposta – “contudo” – não havendo
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — uma ideia oposta – “contudo” – não havendo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunção “entretanto”: valor adversativo e substituição sem alteração de sentido

Gabarito: letra E. A conjunção “entretanto” introduz uma ideia oposta (valor adversativo) e poderia ser substituída por “contudo”, não havendo necessidade de alterações para manter a correção e as relações de sentido do período. A resposta se prova no próprio texto: no trecho “Temos tanto medo de morrer, entretanto nem nos damos conta de que ao ficarmos fixados no ‘e se’, flertamos com o que já não tem mais vida alguma”, a conjunção contrapõe o medo da morte à atitude de “flertar” com o que está morto — relação clássica de oposição, que “contudo” preserva integralmente.

O comando: o que a banca pede

A questão é de reescrita de frases com substituição de palavras, mas o núcleo é semântico: o candidato deve (1) reconhecer o valor da conjunção no contexto, (2) indicar um sinônimo adequado e (3) avaliar se a troca exige ajustes no período. Não se trata de decorar classificação morfológica isolada — trata-se de perceber o efeito de sentido que o conectivo produz na relação entre as orações. O comando “poderia ser substituída por” exige que a substituição preserve o sentido e a correção gramatical.

O texto: onde mora a resposta

O texto discute a obsessão pelo “e se” — o arrependimento e a ruminação sobre o passado. No parágrafo em questão, a autora afirma que temos medo da morte, mas, ao mesmo tempo, alimentamos aquilo que já não tem vida (os “fantasmas” do passado). A conjunção “entretanto” estabelece exatamente essa contraposição: de um lado, o medo de morrer; de outro, a conduta de “flertar com o que já não tem mais vida”.

“Temos tanto medo de morrer, entretanto nem nos damos conta de que ao ficarmos fixados no ‘e se’, flertamos com o que já não tem mais vida alguma e nos assombra feito fantasmas.”

A relação é de oposição/concessão — não de explicação nem de conclusão. A autora não explica o medo da morte nem tira uma conclusão dele; ela contrapõe esse medo a um comportamento contraditório.

A técnica: valor das conjunções e substituição sem alteração de sentido

“Entretanto” é uma conjunção coordenativa adversativa, assim como “mas”, “porém”, “contudo”, “todavia”, “no entanto”. Todas introduzem ideia de oposição entre orações. A substituição por “contudo” é perfeita: ambas são adversativas, sinônimas e intercambiáveis sem qualquer ajuste sintático.

Já “por isso” é uma conjunção coordenativa conclusiva — introduz consequência/conclusão (“estudou, por isso passou”). Trocar “entretanto” por “por isso” inverteria completamente a relação de sentido: em vez de oposição, teríamos causa e efeito. Por isso, as alternativas A e B estão erradas já na primeira lacuna.

A terceira lacuna exige avaliar se a substituição demanda alterações. Como “entretanto” e “contudo” são equivalentes funcionais (mesma classe, mesmo valor, mesma posição sintática), a troca é direta: não há necessidade de alterações. A forma “havendo” (gerúndio) indicaria que a troca exige ajustes — o que é falso. A forma “não havendo” nega essa necessidade, o que corresponde à realidade.

1Valor semântico
Adversativa (ideia oposta)
Não é explicativa
Não é conclusiva
2Substituição
"Contudo" (sinônimo perfeito)
"Por isso" (conclusiva, altera o sentido)
3Efeito da troca
Não há necessidade de alterações
"Havendo" (exigiria ajustes, incorreto)
Conjunção "entretanto"
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Conjunção "entretanto": Valor semântico (Adversativa (ideia oposta), Não é explicativa, Não é conclusiva); Substituição ("Contudo" (sinônimo perfeito), "Por isso" (conclusiva, altera o sentido)); Efeito da troca (Não há necessidade de alterações, "Havendo" (exigiria ajustes, incorreto))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra na primeira lacuna: “entretanto” não introduz explicação, e sim oposição. Além disso, “por isso” é conclusiva, não explicativa — e a troca alteraria o sentido. O erro é de troca de conceito (confundir valor adversativo com explicativo/conclusivo).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Repete o erro da A na primeira lacuna (“explicação”) e na segunda (“por isso”). A terceira lacuna (“não havendo”) até estaria coerente com a troca por “por isso” — mas como a troca em si é inválida, a alternativa inteira cai. Contradiz o texto, que estabelece oposição, não explicação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Acerta na primeira lacuna (“ideia oposta”), mas erra na segunda: “por isso” é conclusiva, não adversativa. A troca por “por isso” alteraria o sentido do período, transformando a oposição em consequência. O erro é de troca de conceito — confundir conjunção adversativa com conclusiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Acerta nas duas primeiras lacunas (“ideia oposta” e “contudo”), mas erra na terceira: “havendo” indica que a substituição exige alterações, o que é falso. Como “entretanto” e “contudo” são sinônimos perfeitos, a troca é direta, sem necessidade de ajustes. O erro é de afirmação incompleta/incorreta — a substituição não demanda nenhuma alteração.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Preenche corretamente as três lacunas: “entretanto” introduz ideia oposta; pode ser substituída por “contudo”; e não havendo necessidade de alterações. A prova está no texto:

“Temos tanto medo de morrer, entretanto nem nos damos conta…”

A conjunção contrapõe o medo da morte à atitude de alimentar fantasmas do passado. “Contudo” preserva exatamente essa oposição, sem qualquer ajuste sintático ou semântico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca arma na terceira lacuna — o candidato que sabe que “entretanto” é adversativa e que “contudo” é sinônimo pode marcar a D sem perceber que “havendo” inverte a informação. A troca entre sinônimos perfeitos nunca exige alterações.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir conectivos, teste sempre: (1) a classe é a mesma? (2) o valor semântico é o mesmo? (3) a posição sintática é compatível? Se as três respostas forem “sim”, a troca é direta — não há necessidade de alterações.

Gabarito: letra E.

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