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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — FUNDATEC 2025

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
qa671583
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFCSPA
Ano
2025
Cargo
Tec ( )

E se...

 

Por Adriana Antunes

 

E se eu não tivesse brigado, discutido, me entregue? E se eu tivesse feito diferente, dito de outra forma, me retirado em silêncio? E se eu não tivesse aceitado o conselho, tivesse tomado uma decisão por mim mesmo ou ainda, se tivesse escutado o que me diziam, talvez hoje fosse diferente? Talvez eu não estaria aqui escrevendo(1) e você não estivesse aí lendo. Não nos damos conta de que se não tivéssemos feito o que fizemos, dentro do possível que éramos na época, não teríamos chegado até aqui do jeito que chegamos. O “e se” é suspenso. O agitamos feito um papel-manteiga que se dobra diante do vento. Tentar prever algo, saber de antemão é congelar a vida.

 

Construímos tensões ao longo do tempo. Ficamos tristes, desapontados, frustrados.

 

Somos uma espécie de taças sendo preenchidas e esvaziadas constante e silenciosamente.

 

Talvez pudéssemos pensar que o “e se” funciona como ruínas que carregamos dentro de nós.

 

Somos tão cheios de impossibilidades(2) e nos demoramos nelas feito crianças birrentas que insistem em algo que já passou. Pensar no que poderia ter acontecido se tivéssemos feito de outro modo é ficar velando ossos. O tempo revira a vida todos os dias. Precisamos aprender a passar por nossas ruínas internas sabendo por onde pisamos, aceitando o que se perdeu. Temos tanto medo de morrer, entretanto nem nos damos conta de que ao ficarmos fixados no “e se”, flertamos com o que já não tem mais vida(3) alguma e nos assombra feito fantasmas. Alimentamos fantasmas pela escuridão que projetamos.

 

Estar vivo é errar. Vamos inventando aos poucos. Acertando aqui, nos queimando logo ali. Pisando em falso numa memória, tropeçando numa escolha equivocada, correndo atrás dos sonhos. Se conseguirmos olhar para o que passou e pensar que hoje faríamos de outro jeito, eis a constatação de que estamos nos movimentando. Mesmo que estejamos andando em círculos, repetindo, repetindo. Até que um dia nos damos conta de que já passamos por esta mesma paisagem muitas vezes. Agora podemos reconhecer por onde andam os buracos que nos machucam.

 

Invocar o “e se” é permanecer voltado para trás. É ficar olhando para lápides e estátuas trincadas cobertas de musgo. Talvez pudéssemos nos permitir a perguntar: “e agora?” Todos carregamos coisas mal resolvidas dentro de nós, mas para quê? Nossos cacos da infância, restos de histórias interrompidas compõem nosso chão, é fato, mas mais do que sermos metamorfoses ambulantes, somos trajetórias e trajetos que se fazem e desfazem e se refazem o tempo todo.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2025/08/

e-se-cmergkio500bq0149wrai06p6.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando os advérbios sublinhados às ideias por eles expressas.

 

Coluna 1

 

1. “Talvez eu não estaria aqui escrevendo”.

 

2. “Somos tão cheios de impossibilidades”.

 

3. “flertamos com o que não tem mais vida”.

 

Coluna 2

 

(  ) Tempo.

 

(  ) Intensidade.

 

(  ) Dúvida.

 

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

  1. A3 – 1 – 2.
  2. B3 – 2 – 1.
  3. C2 – 1 – 3.
  4. D1 – 2 – 3.
  5. E1 – 3 – 2.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — 3 – 2 – 1.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Advérbios: dúvida, intensidade e tempo no texto

Gabarito: letra B. A ordem correta é 3 – 2 – 1: em (3) o advérbio "mais" expressa tempo ("não tem mais vida" = não tem ainda vida, ideia de tempo decorrido); em (2) o advérbio "tão" expressa intensidade ("tão cheios" = muito cheios); em (1) o advérbio "talvez" expressa dúvida ("Talvez eu não estaria aqui"). A banca cobra a classificação semântica dos advérbios, e a resposta se prova pela função de cada um no trecho.

O comando

A questão pede para relacionar advérbios sublinhados às ideias que expressam — uma tarefa de semântica do advérbio, não de interpretação global do texto. O comando "associando os advérbios sublinhados às ideias por eles expressas" indica que devemos identificar o valor semântico de cada advérbio no contexto em que aparece. Não é preciso inferir nada além do que a própria palavra e a frase mostram.

O texto e os advérbios

O texto é uma crônica reflexiva sobre o "e se" — as especulações sobre o passado. Os advérbios sublinhados aparecem em frases curtas, e cada um tem um valor bem definido:

  • "Talvez eu não estaria aqui escrevendo" — "talvez" é o advérbio de dúvida por excelência. Indica incerteza, possibilidade. No texto, o autor especula: "Talvez eu não estaria aqui" — ou seja, não há certeza, há hipótese.

  • "Somos tão cheios de impossibilidades" — "tão" intensifica o adjetivo "cheios". É advérbio de intensidade, equivalente a "muito", "bastante".

  • "flertamos com o que já não tem mais vida" — "mais" aqui tem valor de tempo: indica que algo deixou de existir, que não há ainda vida. É o mesmo "mais" de "não quero mais", "não moro mais aqui" — sempre com sentido temporal.

A técnica que decide

Para acertar, basta conhecer as classes semânticas dos advérbios:

Advérbio

Ideia que expressa

Exemplo no texto

talvez

Dúvida

"Talvez eu não estaria aqui"

tão

Intensidade

"tão cheios"

mais

Tempo

"não tem mais vida"

A pegadinha está em confundir "mais" com advérbio de intensidade (como em "mais bonito"). Mas no texto, "não tem mais vida" não significa "não tem muita vida" — significa que a vida já se foi, que não há ainda vida. O sentido é temporal.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ordem 3 – 1 – 2 troca os valores de (1) e (2): coloca "talvez" como intensidade e "tão" como dúvida. Isso contradiz a função de cada um: "talvez" é dúvida, "tão" é intensidade. A banca inverte os dois para testar se o candidato sabe diferenciá-los.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ordem 3 – 2 – 1 é a única que associa corretamente: (3) "mais" = tempo; (2) "tão" = intensidade; (1) "talvez" = dúvida. Cada advérbio está no seu devido lugar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ordem 2 – 1 – 3 começa com "tão" como tempo, o que é um erro: "tão" não indica tempo, indica intensidade. Além disso, coloca "talvez" como intensidade e "mais" como dúvida — tudo invertido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ordem 1 – 2 – 3 coloca "talvez" como tempo, "tão" como dúvida e "mais" como intensidade. Nenhum dos três está correto: "talvez" é dúvida, "tão" é intensidade, "mais" é tempo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A ordem 1 – 3 – 2 coloca "talvez" como tempo e "mais" como intensidade. O erro está em tratar "mais" como intensidade — no texto, "não tem mais vida" tem valor temporal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "mais" (tempo) e "mais" (intensidade). No texto, "não tem mais vida" = "não tem ainda vida" — sentido temporal. Se você pensou em "mais" como intensidade, caiu na armadilha.

PEGA ESSA DICA!

Para classificar um advérbio, pergunte: qual ideia ele acrescenta à frase? "Talvez" = incerteza; "tão" = grau; "mais" (com negação) = tempo decorrido. Teste substituir: "não tem mais vida" → "não tem ainda vida" (tempo); "tão cheios" → "muito cheios" (intensidade).

Gabarito: letra B.

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