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Questão de Português — Termos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva) — FUNDATEC 2025

PortuguêsTermos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva)
Código
qa671586
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFCSPA
Ano
2025
Cargo
Tec ( )

E se...

 

Por Adriana Antunes

 

E se eu não tivesse brigado, discutido, me entregue? E se eu tivesse feito diferente, dito de outra forma, me retirado em silêncio? E se eu não tivesse aceitado o conselho, tivesse tomado uma decisão por mim mesmo ou ainda, se tivesse escutado o que me diziam, talvez hoje fosse diferente? Talvez eu não estaria aqui escrevendo e você não estivesse aí lendo. Não nos damos conta de que se não tivéssemos feito o que fizemos, dentro do possível que éramos na época, não teríamos chegado até aqui do jeito que chegamos. O “e se” é suspenso. O agitamos feito um papel-manteiga que se dobra diante do vento. Tentar prever algo, saber de antemão é congelar a vida.

 

Construímos tensões ao longo do tempo. Ficamos tristes, desapontados, frustrados.

 

Somos uma espécie de taças sendo preenchidas e esvaziadas constante e silenciosamente.

 

Talvez pudéssemos pensar que o “e se” funciona como ruínas que carregamos dentro de nós.

 

Somos tão cheios de impossibilidades e nos demoramos nelas feito crianças birrentas que insistem em algo que já passou. Pensar no que poderia ter acontecido se tivéssemos feito de outro modo é ficar velando ossos. O tempo revira a vida todos os dias. Precisamos aprender a passar por nossas ruínas internas sabendo por onde pisamos, aceitando o que se perdeu. Temos tanto medo de morrer, entretanto nem nos damos conta de que ao ficarmos fixados no “e se”, flertamos com o que já não tem mais vida alguma e nos assombra feito fantasmas. Alimentamos fantasmas pela escuridão que projetamos.

 

Estar vivo é errar. Vamos inventando aos poucos. Acertando aqui, nos queimando logo ali. Pisando em falso numa memória, tropeçando numa escolha equivocada, correndo atrás dos sonhos. Se conseguirmos olhar para o que passou e pensar que hoje faríamos de outro jeito, eis a constatação de que estamos nos movimentando. Mesmo que estejamos andando em círculos, repetindo, repetindo. Até que um dia nos damos conta de que já passamos por esta mesma paisagem muitas vezes. Agora podemos reconhecer por onde andam os buracos que nos machucam.

 

Invocar o “e se” é permanecer voltado para trás. É ficar olhando para lápides e estátuas trincadas cobertas de musgo. Talvez pudéssemos nos permitir a perguntar: “e agora?” Todos carregamos coisas mal resolvidas dentro de nós, mas para quê? Nossos cacos da infância, restos de histórias interrompidas compõem nosso chão, é fato, mas mais do que sermos metamorfoses ambulantes, somos trajetórias e trajetos que se fazem e desfazem e se refazem o tempo todo.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2025/08/

e-se-cmergkio500bq0149wrai06p6.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica a correta transitividade da forma verbal sublinhada no trecho a seguir, considerando a situação de ocorrência:

 

Ficamos tristes, desapontados, frustrados”.


  1. AVerbo transitivo direto.
  2. BVerbo transitivo indireto.
  3. CVerbo transitivo direto e indireto.
  4. DVerbo de ligação.
  5. EVerbo intransitivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Verbo de ligação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transitividade do verbo “ficar” — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. No trecho “Ficamos tristes, desapontados, frustrados”, o verbo “ficar” é um verbo de ligação, pois liga o sujeito (nós, desinencial) ao predicativo do sujeito “tristes, desapontados, frustrados”, atribuindo-lhe um estado. A banca cobra a transitividade verbal considerando a situação de ocorrência, ou seja, a análise deve ser feita no contexto da frase, e não de forma isolada.

O comando da questão

O enunciado pede a transitividade da forma verbal sublinhada no trecho. Isso significa que a resposta depende da função sintática que o verbo exerce naquela oração específica. Não se trata de decorar uma classificação fixa do verbo “ficar”, mas de analisar a estrutura da frase: quem é o sujeito, qual é o verbo e o que vem depois dele.

A estrutura da oração

Na oração “Ficamos tristes, desapontados, frustrados”, temos:

  • Sujeito desinencial: “nós” (marcado pela desinência “-mos” do verbo).

  • Verbo: “ficamos” (forma do verbo “ficar”).

  • Predicativo do sujeito: “tristes, desapontados, frustrados” (adjetivos que caracterizam o sujeito).

O verbo “ficar”, nesse contexto, não indica ação, mas sim estado — o sujeito não pratica nada; ele está triste, desapontado e frustrado. Por isso, é um verbo de ligação, e o predicado é nominal.

“Ficamos tristes, desapontados, frustrados.”

A passagem mostra que “tristes, desapontados, frustrados” atribuem qualidade/estado ao sujeito, função típica do predicativo do sujeito, que só ocorre com verbo de ligação.

A técnica que decide

Para classificar a transitividade, pergunte: o verbo exige complemento?

  • Transitivo direto: exige objeto direto (sem preposição) — “Eu li o livro”.

  • Transitivo indireto: exige objeto indireto (com preposição) — “Eu gosto de música”.

  • Transitivo direto e indireto: exige os dois — “Eu dei um presente a ela”.

  • Intransitivo: não exige complemento — “Ele dormiu”.

  • Verbo de ligação: não exige complemento; liga o sujeito a uma característica (predicativo) — “Ela está feliz”.

No trecho, “ficamos” não pede objeto; ele liga o sujeito a “tristes, desapontados, frustrados”. Logo, é verbo de ligação.

Análise das alternativas

Verbo de ligação
  • 1Liga sujeito ao predicativo
  • 2Indica estado (não ação)
  • 3Teste: trocar por "estar"
  • 4Outras transitividades
    • Transitivo direto
      • Exige objeto direto (sem preposição)
    • Transitivo indireto
      • Exige objeto indireto (com preposição)
    • Transitivo direto e indireto
      • Exige os dois complementos
    • Intransitivo
      • Não exige complemento
      • Indica ação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Verbo transitivo direto — o verbo transitivo direto exige objeto direto (sem preposição), que responde a “o quê?” ou “quem?”. No trecho, não há objeto direto; “tristes, desapontados, frustrados” são predicativos, não objetos. O verbo “ficar” não é transitivo direto aqui.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Verbo transitivo indireto — o verbo transitivo indireto exige objeto indireto (com preposição). No trecho, não há termo preposicionado complementando o verbo. “Tristes, desapontados, frustrados” não são objetos indiretos, pois não vêm regidos por preposição e não completam o sentido do verbo como objeto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Verbo transitivo direto e indireto — exigiria dois complementos: um objeto direto e um objeto indireto. No trecho, não há nenhum objeto. A presença de predicativos não torna o verbo transitivo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Verbo de ligação — o verbo “ficar” liga o sujeito “nós” ao predicativo do sujeito “tristes, desapontados, frustrados”, expressando estado. É exatamente a função do verbo de ligação: servir de elo entre o sujeito e sua característica, sem indicar ação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Verbo intransitivo — o verbo intransitivo tem sentido completo, não exige complemento, mas indica ação (ex.: “dormir”, “nascer”, “morrer”). O verbo “ficar”, no trecho, não indica ação; indica estado. Por isso, não é intransitivo, e sim verbo de ligação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre verbo intransitivo e verbo de ligação. Ambos não pedem objeto, mas o intransitivo indica ação (ex.: “dormi”), enquanto o de ligação indica estado e vem acompanhado de predicativo do sujeito. No trecho, “tristes, desapontados, frustrados” são predicativos — a prova de que o verbo é de ligação.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar verbo de ligação, troque-o por “estar” ou “permanecer”. Se a frase continuar com sentido, é verbo de ligação: “Estamos tristes, desapontados, frustrados” — funciona. Agora tente com um verbo de ação: “Dormimos tristes” — o sentido muda completamente.

Conclusão: a transitividade verbal é analisada no contexto da frase. O verbo “ficar”, ao ligar o sujeito a um predicativo que expressa estado, é verbo de ligação. As demais alternativas falham por classificar o verbo como transitivo ou intransitivo, ignorando a função de elo que ele exerce na oração.

Gabarito: letra D.

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