Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa671641
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF Sertão PE
Ano
2025
Cargo
PEBTT ( )
Segundo Guedes (2021), “Macunaíma: o herói sem nenhum caráter”, de Mário de Andrade, articula mitos, lendas e elementos da miscigenação cultural e étnica para refletir e questionar a construção da identidade nacional brasileira no Modernismo. O autor destaca que a obra, ao apresentar um protagonista cuja identidade se molda a diferentes contextos culturais e linguísticos, propõe uma visão complexa e não homogênea do caráter nacional. Com base nessa perspectiva, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A obra incorpora mitos e lendas como estratégia de valorização e ressignificação de matrizes culturais indígenas, africanas e europeias.
( ) A figura de “herói sem nenhum caráter” simboliza uma identidade nacional fixa, que preserva traços culturais imutáveis ao longo da narrativa.
( ) O texto modernista recorre a recursos de hibridização linguística, mesclando registro populares e eruditos como forma de representar a diversidade brasileira.
( ) Guedes (2021) interpreta Macunaíma como um questionamento crítico da ideia de um caráter nacional único, desafiando visões simplistas sobre o povo brasileiro.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
AV – F – V – V.
BV – V – F – V.
CF – F – V – F.
DV – F – F – V.
EF – V – V – F.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — V – F – V – V.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Macunaíma e a identidade nacional — Gabarito: letra A.
A sequência correta é V – F – V – V (letra A). A questão pede que você julgue quatro afirmações sobre a interpretação de Macunaíma proposta por Guedes (2021). A única falsa é a segunda, que afirma que o herói simboliza uma identidade nacional fixa — exatamente o oposto do que o texto sustenta, pois ele diz que a identidade do protagonista se molda a diferentes contextos e que a obra propõe uma visão não homogênea do caráter nacional.
O comando é de compreensão: as assertivas devem ser confrontadas com o que o texto-base afirma, sem inferências livres. A banca não pede opinião sua sobre o livro, mas a verificação de cada item contra as ideias expressas no enunciado. A técnica é simples: leia cada assertiva e pergunte "o texto diz isso?" — se sim, V; se não, F.
O texto-base é claro ao apresentar a tese de Guedes: a obra articula mitos, lendas e elementos da miscigenação cultural e étnica para refletir e questionar a construção da identidade nacional brasileira. O protagonista tem identidade moldada a diferentes contextos culturais e linguísticos, o que gera uma visão complexa e não homogênea do caráter nacional. Toda a questão gira em torno desse eixo: a obra é plural, dinâmica e crítica — nunca fixa ou homogênea.
A armadilha central está na segunda assertiva: ela troca o sentido de "herói sem nenhum caráter". No texto, essa expressão indica ausência de um caráter fixo — o herói não tem uma essência imutável, mas se adapta. A banca inverte isso ao dizer que ele simboliza uma identidade fixa e imutável. Essa é a clássica pegadinha de troca de vocábulo: a assertiva usa palavras do texto ("herói sem nenhum caráter") mas atribui a elas o sentido oposto.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de V/F, grife os termos absolutos ("fixa", "imutável", "sempre", "nunca") e confronte com o texto. Se o texto fala em "não homogênea", qualquer assertiva que diga "fixa" ou "única" está errada.
Macunaíma (Guedes, 2021)
1Tese central
Articula mitos, lendas e miscigenação
Reflete e questiona a identidade nacional
Visão complexa e não homogênea
2Protagonista
Identidade moldada a contextos
Sem caráter fixo (dinâmico)
3Assertivas
Incorpora mitos e matrizes culturais
Identidade fixa e imutável
Hibridização linguística (popular/erudito)
Questiona caráter nacional único
LEVEL · soulevel.com.br
Assertiva 1 — ✅ Verdadeira
A assertiva afirma que a obra incorpora mitos e lendas como estratégia de valorização e ressignificação de matrizes culturais indígenas, africanas e europeias. O texto-base diz exatamente isso: a obra articula mitos, lendas e elementos da miscigenação cultural e étnica. A palavra "articula" significa justamente incorporar e combinar. Além disso, o texto fala em "miscigenação cultural e étnica", o que abrange as matrizes indígenas, africanas e europeias. Portanto, a assertiva é uma paráfrase fiel do texto.
Assertiva 2 — ❌ Falsa
A assertiva afirma que o "herói sem nenhum caráter" simboliza uma identidade nacional fixa, que preserva traços culturais imutáveis. Isso contradiz o texto. O texto diz que a identidade do protagonista se molda a diferentes contextos culturais e linguísticos e que a obra propõe uma visão complexa e não homogênea do caráter nacional. Se a identidade se molda, ela não é fixa; se a visão é não homogênea, não há traços imutáveis. A assertiva inverte o sentido: o texto fala em dinamismo e pluralidade, a assertiva fala em fixidez e imutabilidade. Erro de contradição com o texto.
Assertiva 3 — ✅ Verdadeira
A assertiva afirma que o texto modernista recorre a recursos de hibridização linguística, mesclando registros populares e eruditos para representar a diversidade brasileira. O texto-base menciona que o protagonista tem identidade moldada a diferentes contextos culturais e linguísticos. Essa diversidade linguística é uma característica marcante de Macunaíma, que mistura linguagem popular, erudita e regional. Embora o texto-base não detalhe os recursos, a assertiva é uma inferência legítima a partir da menção a "contextos linguísticos" e à "diversidade brasileira". A banca considera essa assertiva verdadeira, e ela está alinhada com a proposta modernista de valorização da língua popular.
Assertiva 4 — ✅ Verdadeira
A assertiva afirma que Guedes (2021) interpreta Macunaíma como um questionamento crítico da ideia de um caráter nacional único, desafiando visões simplistas. O texto-base diz que a obra reflete e questiona a construção da identidade nacional brasileira e propõe uma visão complexa e não homogênea. Questionar a ideia de um caráter único é exatamente o que o texto afirma. A assertiva é uma paráfrase do trecho: "questionar a construção da identidade nacional" equivale a "questionar a ideia de um caráter nacional único". Portanto, verdadeira.
Conclusão: a sequência correta é V – F – V – V, correspondente à letra A. A única assertiva falsa é a segunda, que inverte o sentido do texto ao falar em identidade fixa. As demais são verdadeiras porque estão ancoradas no texto-base. Lembre-se: em questões de compreensão, a resposta mora no texto — não acrescente ideias de fora, mas também não ignore o que está implícito.