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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2025

PortuguêsCrase
Código
qa671692
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF Sertão PE
Ano
2025
Cargo
Ass ( )

Descobertas em uma flanada pela maior festa literária do Brasil

 

Por Gilberto Porcidonio

 

Paraty é uma cachaça. Tudo é literatura, arte, happening, mesa, música, resenha. Mas para curtir pelo menos 1% dos mais de 1.256.791 eventos que ocorrem simultaneamente durante a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) é preciso andar. E muito. Por isso, me distanciei um pouco dos ratos de biblioteca comovidos com os livros ostentação de uma certa ex-BBB, dobrei a meta do pace e, em prol deste inestimado diário, perambulei errante pela cidade histórica. Afinal, é errante que se aprende.

 

Quarta-feira, 30 de julho

 

13h – Cheguei(I) de véspera e presenciei a cidade histórica ainda se aprumando para o evento.(I)

 

Tapumes, caixas, marteladas e ferragens para todo lado.

 

17h – A maré encheu e, ilhado(II) na parte mais alta da calçada, precisei molhar o pé numa corrente d’água(II) que beirava os 12 °C. O jeito para ficar menos irritado com a meia molhada fazendo glosh glosh glosh dentro do tênis foi emular a banda Eddie (tomar banho de cana quando a maré encher…). Bem, não foi pra tanto. Rolou apenas um negroni.

 

18h30 – Mal cheguei nas festas e já me confundiram com algum artista negro. Isso é irritante.

 

Tem gente que não pode ver um negro aleatório que já confunde com algum negro famoso aleatório. Mas há tempos eu parei de me estressar com isso. Decidi que serei todos os artistas negros que acharem que eu sou. Por enquanto, sou o Jonathan Azevedo.

 

19h – Torci para que a água das minhas meias não estivesse contaminada. Ouço ao longe o Arnaldo Antunes se apresentando na praça principal. Ele não cantou “O pulso” (Peste bubônica, câncer, pneumonia/ Raiva, rubéola, tuberculose, anemia…). Achei bom agouro.

 

Quinta-feira, 31 de julho

 

9h30 – Chego ao Centro Histórico e logo de cara vejo poetas por todos os lados. Todos os lados. É curioso como não existe discussão sobre qual é o limite da poesia. A poesia é incancelável.

 

A poesia resiste a todas as intempéries,(III) oscilações econômicas, taxações e ameaças de uma Terceira Guerra Mundial. Não há Lei Magnitsky que acabe com a poesia. A única coisa capaz de acabar com a poesia, de dilacerar a poesia mesmo, é ela própria.

 

13h – Me perguntaram se eu era o Tony Garrido. Eu era.

 

14h – Gosto muito dos aspirantes a escritor. Eles são muito mais preocupados com a própria imagem do que os escritores estabelecidos. Pode notar. É a gênese de uma persona que se quer ser. E isso resvala até no andar. Na Flip, o aspirante a escritor anda como se as pedras fossem as teclas de uma máquina de escrever.

 

18h – Depois de alguns dias de água tomando as calçadas, esse deu uma trégua. Tenho plena certeza de que, além de tudo o que já foi dito e escrito, Gonçalves também tem o poder de controlar as marés.

 

21h – Passei por um grupo de maracatu de maioria branca. Gostei da inclusão social.

 

23h30 – Depois de uma noite de festas homéricas (de Homer Simpson mesmo, no quesito bebida) e que terminou com um mega after na Praia do Pontal, posso afirmar com convicção, ao contrário do que nós, pobres millennials, temos propagado por aí: os jovens, senhoras e senhores, continuam jovens.

 

0h30 – Retornei à pousada e vi no contador de passos do celular que eu dei mais de 15 mil passos. Isso é o dobro da meta diária que hoje é considerada saudável. Comemorei com um refrigerante.

 

(Disponível em: www.piaui.folha.uol.com.br/valter-hugo-mae-inventou-o-paratynder/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto abaixo:

   

Analise as assertivas sobre o uso do acento indicativo de crase, considerando as normas da gramática normativa e trechos adaptados do texto:

 

I. No trecho “Cheguei à cidade histórica ainda se aprumando para o evento”, a crase ocorre porque há a fusão da preposição “a” (exigida pelo verbo “chegar” quando indica destino) com o artigo definido feminino singular “a” que determina o substantivo “cidade”.

 

II. Em “A maré encheu e, ilhado, precisei molhar o pé à corrente d’água”, o emprego da crase ocorre porque o substantivo “corrente” está determinado pelo artigo definido feminino “a” e o verbo “molhar” é regido por “a”, que, no contexto, indica movimento em direção a um local.

 

III. Na frase “A poesia resiste a todas as intempéries”, o uso da crase é facultativo, pois o pronome indefinido “todas” admite ou dispensa a presença do artigo definido.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Apenas I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: obrigatória, facultativa e a pegadinha do pronome indefinido

Gabarito: letra A (apenas I). A assertiva I está correta porque explica com precisão o mecanismo da crase em “Cheguei à cidade histórica”: o verbo “chegar” exige a preposição a (quem chega, chega a algum lugar) e o substantivo feminino “cidade” admite o artigo definido a — fusão a + a = à. As assertivas II e III estão incorretas: a II erra ao afirmar que “molhar” rege “a” com ideia de movimento (na verdade, “molhar” é transitivo direto e a crase ali é facultativa, pois “corrente d’água” está em sentido indeterminado); a III erra ao dizer que a crase é facultativa diante de “todas” — na verdade, é proibida, pois o pronome indefinido repele o artigo. A banca testa exatamente a distinção entre os casos obrigatórios, facultativos e proibidos da crase.

O comando: o que a questão pede

A questão pede que você analise três assertivas sobre o uso do acento grave, considerando a gramática normativa e trechos adaptados do texto. Não é uma questão de interpretação de texto — é uma questão de gramática aplicada: você precisa saber a regra da crase e aplicá-la a cada frase. O comando “Quais estão corretas?” indica que você deve julgar cada item individualmente e depois marcar a combinação correta.

O texto: o que importa para a questão

O texto-base é uma crônica sobre a Flip, mas a questão não depende do conteúdo dele — ela usa apenas trechos adaptados para testar a regra da crase. O que importa é a estrutura sintática de cada frase: quem rege o quê, se há artigo, se há preposição. Por isso, a leitura deve ser gramatical, não semântica.

A técnica: como decidir cada assertiva

A crase é a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” (ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos/relativos). Para saber se há crase, faça o teste do artigo: troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer “ao”, há crase; se aparecer apenas “o”, não há. Exemplo: “Cheguei à cidade” → “Cheguei ao centro” (apareceu “ao”, logo há crase). Esse teste resolve a maioria dos casos.

No caso da assertiva III, o teste é diferente: diante de pronomes indefinidos (como “todas”, “algumas”, “nenhuma”), o artigo é rejeitado — por isso a crase é proibida. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato acha que “todas” admite artigo, mas não admite.

Assertiva

Análise da crase

Veredito

I

“Cheguei à cidade”: verbo “chegar” exige preposição a + artigo a de “cidade” → fusão a+a = à (obrigatória).

Correta

II

“Molhar o pé à corrente”: verbo “molhar” é transitivo direto (não rege “a”); crase é facultativa (sentido indeterminado), não por regência com movimento.

Incorreta

III

“Resiste a todas as intempéries”: pronome indefinido “todas” repele artigo → crase proibida, não facultativa.

Incorreta

Crase
  • 1Obrigatória
    • a + a (preposição + artigo)
    • Ex.: Cheguei à cidade
  • 2Facultativa
    • Antes de pronome possessivo
    • Antes de nome próprio feminino
  • 3Proibida
    • Antes de palavra masculina
    • Antes de pronome indefinido
    • Antes de verbo no infinitivo
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A assertiva I está correta. O trecho adaptado “Cheguei à cidade histórica” apresenta crase porque:

  • O verbo “chegar” exige a preposição a (quem chega, chega a algum lugar);

  • O substantivo feminino “cidade” admite o artigo definido a;

  • Há fusão a + a = à.

Isso está perfeitamente explicado na assertiva. A alternativa A é o gabarito porque é a única que contém apenas o item I.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A assertiva II está incorreta. No trecho “precisei molhar o pé à corrente d’água”, o verbo “molhar” é transitivo direto — não exige preposição. A crase ali é facultativa, pois “corrente d’água” está em sentido indeterminado (não é uma corrente específica). A assertiva erra ao afirmar que “molhar” é regido por “a” com ideia de movimento — isso é falso. A alternativa B está incorreta porque contém apenas o item II.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A assertiva III está incorreta. Na frase “A poesia resiste a todas as intempéries”, o pronome indefinido “todas” repele o artigo — por isso a crase é proibida, não facultativa. A assertiva erra ao afirmar que o uso é facultativo. A alternativa C está incorreta porque contém apenas o item III.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D contém os itens I e II. Como o item II está incorreto (o verbo “molhar” não rege “a” com ideia de movimento), a alternativa D está incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E contém os itens I, II e III. Como os itens II e III estão incorretos, a alternativa E está incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre crase obrigatória (item I), facultativa (item II, mas com justificativa errada) e proibida (item III). O candidato que não domina a regra do pronome indefinido marca a alternativa E.

PEGA ESSA DICA!

Faça o teste do artigo (troque a palavra feminina por masculina) para identificar a crase obrigatória. Para os casos de pronome indefinido, lembre-se: repelem artigo, logo crase proibida.

Conclusão: apenas o item I está correto. Gabarito: letra A.

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