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Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — FUNDATEC 2025

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
qa671698
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF Sertão PE
Ano
2025
Cargo
Ass ( )

Descobertas em uma flanada pela maior festa literária do Brasil

 

Por Gilberto Porcidonio

 

Paraty é uma cachaça. Tudo é literatura, arte, happening, mesa, música, resenha. Mas para curtir pelo menos 1% dos mais de 1.256.791 eventos que ocorrem simultaneamente durante a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) é preciso andar. E muito. Por isso, me distanciei um pouco dos ratos de biblioteca comovidos com os livros ostentação de uma certa ex-BBB, dobrei a meta do pace e, em prol deste inestimado diário, perambulei errante pela cidade histórica. Afinal, é errante que se aprende.

 

Quarta-feira, 30 de julho

 

13h – Cheguei de véspera e presenciei a cidade histórica ainda se aprumando para o evento.

 

Tapumes, caixas, marteladas e ferragens para todo lado.

 

17h – A maré encheu e, ilhado na parte mais alta da calçada, precisei molhar o pé numa corrente d’água que beirava os 12 °C. O jeito para ficar menos irritado com a meia molhada fazendo glosh glosh glosh dentro do tênis foi emular a banda Eddie (tomar banho de cana quando a maré encher…). Bem, não foi pra tanto. Rolou apenas um negroni.

 

18h30 – Mal cheguei nas festas e já me confundiram com algum artista negro. Isso é irritante.

 

Tem gente que não pode ver um negro aleatório que já confunde com algum negro famoso aleatório. Mas há tempos eu parei de me estressar com isso. Decidi que serei todos os artistas negros que acharem que eu sou. Por enquanto, sou o Jonathan Azevedo.

 

19h – Torci para que a água das minhas meias não estivesse contaminada. Ouço ao longe o Arnaldo Antunes se apresentando na praça principal. Ele não cantou “O pulso” (Peste bubônica, câncer, pneumonia/ Raiva, rubéola, tuberculose, anemia…). Achei bom agouro.

 

Quinta-feira, 31 de julho

 

9h30 – Chego ao Centro Histórico e logo de cara vejo poetas por todos os lados. Todos os lados. É curioso como não existe discussão sobre qual é o limite da poesia. A poesia é incancelável.

 

A poesia resiste a todas as intempéries, oscilações econômicas, taxações e ameaças de uma Terceira Guerra Mundial. Não há Lei Magnitsky que acabe com a poesia. A única coisa capaz de acabar com a poesia, de dilacerar a poesia mesmo, é ela própria.

 

13h – Me perguntaram se eu era o Tony Garrido. Eu era.

 

14h – Gosto muito dos aspirantes a escritor. Eles são muito mais preocupados com a própria imagem do que os escritores estabelecidos. Pode notar. É a gênese de uma persona que se quer ser. E isso resvala até no andar. Na Flip, o aspirante a escritor anda como se as pedras fossem as teclas de uma máquina de escrever.

 

18h – Depois de alguns dias de água tomando as calçadas, esse deu uma trégua. Tenho plena certeza de que, além de tudo o que já foi dito e escrito, Gonçalves também tem o poder de controlar as marés.

 

21h – Passei por um grupo de maracatu de maioria branca. Gostei da inclusão social.

 

23h30 – Depois de uma noite de festas homéricas (de Homer Simpson mesmo, no quesito bebida) e que terminou com um mega after na Praia do Pontal, posso afirmar com convicção, ao contrário do que nós, pobres millennials, temos propagado por aí: os jovens, senhoras e senhores, continuam jovens.

 

0h30 – Retornei à pousada e vi no contador de passos do celular que eu dei mais de 15 mil passos. Isso é o dobro da meta diária que hoje é considerada saudável. Comemorei com um refrigerante.

 

(Disponível em: www.piaui.folha.uol.com.br/valter-hugo-mae-inventou-o-paratynder/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto abaixo:

   

No trecho “Depois de uma noite de festas homéricas (de Homer Simpson mesmo, no quesito bebida) e que terminou com um mega after na Praia do Pontal, posso afirmar com convicção, ao contrário do que nós, pobres millennials, temos propagado por aí: os jovens, senhoras e senhores, continuam jovens”, o narrador utiliza diferentes recursos expressivos.

 

Sobre o tema, assinale a alternativa correta.

  1. AA inserção de expressões como “mega after” e “pobres millennials” representa marcas de linguagem técnica e formal, típicas da comunicação acadêmica.
  2. BO uso de referências culturais, como “Homer Simpson”, aproxima o narrador do leitor e constrói um tom informal.
  3. CA presença de termos em inglês compromete a clareza comunicativa, sendo inadequada em qualquer gênero textual que vise relatar experiências pessoais.
  4. DA linguagem utilizada no trecho representa exclusivamente a norma-padrão.
  5. EO trecho utiliza uma variedade popular da língua, aproximando o narrador de regionalismos típicos de Paraty.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O uso de referências culturais, como “Homer Simpson”, aproxima o narrador do leitor e constrói um tom informal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Recursos expressivos e informalidade no trecho — Gabarito: letra B.

A alternativa B é a correta porque o trecho citado emprega a referência cultural “Homer Simpson” — personagem de desenho animado conhecido do grande público — para construir um tom informal e aproximar o narrador do leitor. Essa aproximação se dá pelo compartilhamento de um repertório cultural comum, típico da linguagem coloquial. Como se lê no trecho: “Depois de uma noite de festas homéricas (de Homer Simpson mesmo, no quesito bebida)”. A expressão “festas homéricas” já remete à mitologia grega (Homero), mas o narrador a ressignifica com humor ao associá-la a Homer Simpson, personagem famoso por beber cerveja — o que reforça a informalidade e a cumplicidade com o leitor.

O comando pede que se identifique o efeito dos recursos expressivos usados no trecho. Não se trata de classificar a variedade linguística como um todo, mas de perceber o que a escolha de determinadas expressões produz no texto. A banca mistura conceitos de variação linguística (formal/informal, regional/popular) e de efeito de sentido (aproximação, humor, clareza). A chave é perceber que o texto é um relato pessoal em tom de crônica, com marcas claras de coloquialidade: “mega after”, “pobres millennials”, “festas homéricas (de Homer Simpson mesmo)”.

A técnica para resolver é: leia o trecho e pergunte “que efeito cada expressão causa?”. “Homer Simpson” não é um termo técnico nem regional; é uma referência cultural pop que cria identificação imediata com o leitor. Já “mega after” e “pobres millennials” são gírias/estrangeirismos que reforçam o tom descontraído. Nenhuma dessas marcas é formal, técnica ou regional — são marcas de informalidade situacional (diafásica), adequadas ao gênero relato pessoal.

A pegadinha central está em confundir informalidade com regionalismo (alternativa E) e coloquialismo com linguagem técnica (alternativa A). O texto não usa regionalismos de Paraty; usa gírias urbanas e referências pop. Também não é norma-padrão (alternativa D), pois há marcas claras de coloquialidade. E a presença de termos em inglês não compromete a clareza (alternativa C) — pelo contrário, são compreensíveis no contexto e adequados ao gênero.

Recursos expressivos no trecho
  • 1Referência cultural pop ("Homer Simpson")
    • Aproxima narrador e leitor
    • Constrói tom informal
  • 2Estrangeirismos/gírias ("mega after", "millennials")
    • Reforçam tom descontraído
    • Adequados ao relato pessoal
  • 3Variedade linguística
    • Informal/coloquial (diafásica)
    • Não é técnica, nem regional, nem norma-padrão
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que “mega after” e “pobres millennials” são marcas de linguagem técnica e formal, típicas da comunicação acadêmica. Isso contradiz o texto e o conceito de variação linguística. “Mega after” é um estrangeirismo coloquial (festa após o evento principal) e “pobres millennials” é uma expressão irônica e informal. Linguagem técnica e formal é objetiva, impessoal e segue a norma culta — exatamente o oposto do que se vê no trecho. A banca trocou o conceito: confundiu informalidade com formalidade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque a referência a “Homer Simpson” é uma referência cultural pop que aproxima o narrador do leitor e constrói um tom informal. O trecho “festas homéricas (de Homer Simpson mesmo, no quesito bebida)” usa o personagem para explicar, com humor, o sentido de “homéricas” — não as batalhas da Ilíada, mas as bebedeiras do personagem. Essa escolha lexical cria cumplicidade com o leitor, que reconhece a referência e entende o tom de brincadeira. É um recurso expressivo típico da linguagem informal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a presença de termos em inglês compromete a clareza comunicativa e é inadequada em qualquer gênero que vise relatar experiências pessoais. Isso é uma extrapolação e um julgamento de valor que o texto não sustenta. No trecho, “mega after” é perfeitamente compreensível no contexto (festa após o evento) e não prejudica a clareza. Além disso, o gênero relato pessoal admite, sim, estrangeirismos e gírias — a adequação depende da situação comunicativa, não de uma regra absoluta. A alternativa generaliza indevidamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a linguagem do trecho representa exclusivamente a norma-padrão. Isso contradiz o texto: há marcas claras de coloquialidade, como “mega after”, “pobres millennials” e a construção “de Homer Simpson mesmo”. A norma-padrão é caracterizada pelo uso rigoroso da gramática e vocabulário formal; o trecho, ao contrário, é descontraído e próximo da fala. A alternativa restringe o alcance da variedade usada, ignorando as marcas informais evidentes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o trecho utiliza uma variedade popular da língua, aproximando o narrador de regionalismos típicos de Paraty. Há dois erros: primeiro, a variedade usada é informal/coloquial, não necessariamente “popular” no sentido sociolinguístico; segundo, não há regionalismos de Paraty no trecho — “mega after” e “pobres millennials” são gírias urbanas e estrangeirismos, não vocabulário regional. A alternativa tangencia o tema ao citar Paraty, que aparece no texto apenas como cenário, não como fonte de expressões regionais.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar variedade linguística, pergunte: qual é a situação comunicativa? Relato pessoal em tom de crônica pede informalidade; texto acadêmico pede formalidade. E desconfie de alternativas com “exclusivamente”, “qualquer”, “sempre” — elas costumam restringir ou generalizar demais.

Gabarito: letra B.

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