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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa671746
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Viamão
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Gargalos da educação: o impacto das desigualdades

 

Por Patrícia Giuffrida

 

Muitas crianças enfrentam obstáculos silenciosos e profundos desde o início de sua trajetória escolar, quando começam a aprender a ler e escrever. As dificuldades socioeconômicas, combinadas ao acesso limitado à cultura escrita e à ausência de estímulos no ambiente familiar, comprometem o desenvolvimento da linguagem e da consciência fonológica — competências fundamentais para a alfabetização. A sala de aula, sozinha, não dá conta de reparar esse abismo.

 

As dificuldades socioeconômicas figuram como um dos principais obstáculos a uma alfabetização eficaz . Mais do que a simples falta de dinheiro, elas se expressam em múltiplas dimensões – desde o acesso limitado à cultura escrita até a sobrecarga das famílias e da própria rede pública de ensino. “Quanto menor o poder aquisitivo da família, maior a tendência de a criança frequentar escolas com menos recursos, estar em turmas lotadas, ter falta de professores e pouco apoio individualizado”, considera Mirlene Barcelos Teles, professora do 3º ano do Ensino Fundamental em Lagoa Santa (MG).

 

Esse cenário se agrava quando consideramos as condições em que muitas crianças ingressam na vida escolar. “Os alunos chegam à escola sem acesso a materiais básicos, não têm um ambiente adequado em suas casas para estudar, possuem poucas interações em seu ambiente familiar, e às vezes, sentem até fome”, complementa Janete Rodrigues Cardone, alfabetizadora, mestre em Educação com foco em Literatura Antirracista e especialista em Alfabetização e em Psicopedagogia e Neuroaprendizagem.

 

A professora Julia Farias, pós-graduada em Alfabetização, em Psicopedagogia e em Ensino de Libras, reforça como esses fatores se acumulam ao longo do tempo. Ela explica que a desigualdade atua de forma “espiralada e duradoura”, afetando tanto os estudantes quanto os professores. “Quantos relatos já escutei de crianças que ‘seguem carreira solo’ em casa, pois não têm incentivo algum à leitura e à escrita, e não têm ajuda de familiares com as lições de casa”, relata. Julia também chama atenção para o abismo entre redes públicas e privadas e para a sobrecarga de educadores que acumulam turnos, comprometendo seu tempo de planejamento e formação continuada.

 

Um dos aspectos mais críticos dessa desigualdade é justamente o acesso à cultura escrita, que começa muito antes de a criança iniciar sua vida escolar. “Em contextos mais vulneráveis, as crianças têm menos contato com livros e menos oportunidades de ouvir histórias, conversar com adultos que leem ou escrevem e ver seus familiares lendo”, aponta Maria José Nóbrega, mestre em Filologia e Língua Portuguesa. Com isso, o ponto de partida do processo de alfabetização se torna extremamente desigual e muito desafiador para as escolas. “Isso não significa que [esses alunos] sejam menos capazes, mas sim que têm menos oportunidades de desenvolver as competências necessárias antes mesmo de entrarem na escola”, salienta.

 

Apesar do cenário complexo, educadores apontam caminhos possíveis a partir da atuação da escola e das equipes pedagógicas. Essas estratégias envolvem desde ações cotidianas em sala até a articulação com políticas públicas e o fortalecimento dos vínculos com a comunidade.

 

(Disponível em: novaescola.org.br/conteudo/22319/gargalos-da-alfabetizacao-desigualdades

-e-formacao-docente – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:

 

I. A capacidade de reconhecer os sons que compõem a fala pode ser impactada negativamente por situações de vulnerabilidade socioeconômica.

 

II. A falta de dinheiro para a alimentação adequada é o principal fator considerado no texto em relação aos efeitos das dificuldades socioeconômicas na alfabetização.

 

III. Tendo em vista que o acesso à cultura escrita se dá somente na fase escolar, o processo de alfabetização será comprometido para aqueles que não dispuserem de uma boa biblioteca na escola.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas I e III.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Apenas I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gargalos da educação: interpretando as assertivas sobre desigualdade e alfabetização

Gabarito: letra A (Apenas I). A assertiva I está correta porque o texto afirma que as dificuldades socioeconômicas comprometem o desenvolvimento da consciência fonológica — que é exatamente a capacidade de reconhecer os sons da fala. As assertivas II e III estão incorretas: a II extrapola ao eleger a falta de dinheiro para alimentação como o principal fator, quando o texto apenas cita a fome como um dos sintomas; a III contradiz o texto ao afirmar que o acesso à cultura escrita se dá somente na fase escolar, quando o texto diz que ele começa antes da vida escolar. Como se lê no 1º parágrafo: "As dificuldades socioeconômicas, combinadas ao acesso limitado à cultura escrita e à ausência de estímulos no ambiente familiar, comprometem o desenvolvimento da linguagem e da consciência fonológica — competências fundamentais para a alfabetização."

O comando: o que a questão pede

O enunciado pede que você analise as assertivas e marque quais estão corretas. Isso é uma tarefa de compreensão e interpretação: você precisa verificar se cada afirmação está ancorada no texto (compreensão) ou se é uma inferência legítima (interpretação). A armadilha clássica aqui é a extrapolação — a banca oferece afirmações que parecem plausíveis, mas que acrescentam informações que o texto não sustenta. O método é: para cada assertiva, pergunte "onde o texto autoriza isto?" — se a resposta for "em lugar nenhum", a assertiva está errada.

O texto: tema, tese e o movimento argumentativo

O texto discute os gargalos da alfabetização causados pelas desigualdades socioeconômicas. A tese central é que as dificuldades econômicas, combinadas à falta de acesso à cultura escrita e de estímulos familiares, comprometem o desenvolvimento da linguagem e da consciência fonológica — competências essenciais para alfabetizar. O texto também destaca que o acesso à cultura escrita começa antes da vida escolar, e que a escola sozinha não consegue reparar esse abismo. A resposta da questão mora nesses dois pontos: a consciência fonológica (item I) e o acesso à cultura escrita (item III).

A técnica que decide: inferência legítima × extrapolação

A linha entre o certo e o errado aqui é a inferência legítima versus a extrapolação. Inferência legítima é quando o texto deixa pistas que obrigam a uma conclusão — por exemplo, se o texto diz que "a criança não tem incentivo à leitura", infere-se que ela tem menos oportunidades de desenvolver a leitura. Extrapolação é quando a alternativa acrescenta uma informação que o texto não traz, mesmo que ela pareça verdadeira no mundo real. A assertiva II é um caso clássico: o texto cita a fome como um dos sintomas, mas não diz que é o principal fator. A assertiva III também extrapola: o texto diz que o acesso à cultura escrita começa antes da escola, então afirmar que ele se dá somente na fase escolar é contradizer o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro (a fome é um problema real) ou com uma meia-verdade (a escola é importante para a alfabetização), mas que não está no texto. Desconfie de palavras absolutas como "somente", "principal", "sempre" — elas quase sempre restringem ou generalizam indevidamente.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "considerando o exposto pelo texto" pede compreensão — a resposta deve estar explícita ou ser uma inferência direta com pista no texto. Se a alternativa exigir conhecimento de mundo para ser verdadeira, ela está errada.

Assertivas sobre o texto
  • 1I. Consciência fonológica
    • Vulnerabilidade socioeconômica impacta
    • Reconhecer sons da fala
  • 2II. Falta de dinheiro p/ alimentação
    • Principal fator (extrapola)
    • Texto cita fome como sintoma
  • 3III. Acesso à cultura escrita
    • Somente na fase escolar (contradiz)
    • Começa antes da vida escolar
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Alternativa A — ✅ Correta (Apenas I)

A assertiva I está correta. O texto afirma que as dificuldades socioeconômicas comprometem o desenvolvimento da consciência fonológica, que é a capacidade de reconhecer os sons da fala. Veja o trecho:

"As dificuldades socioeconômicas, combinadas ao acesso limitado à cultura escrita e à ausência de estímulos no ambiente familiar, comprometem o desenvolvimento da linguagem e da consciência fonológica — competências fundamentais para a alfabetização."

A assertiva I parafraseia exatamente isso: "A capacidade de reconhecer os sons que compõem a fala pode ser impactada negativamente por situações de vulnerabilidade socioeconômica." A expressão "capacidade de reconhecer os sons que compõem a fala" é uma definição de consciência fonológica, e o texto diz que ela é comprometida pelas dificuldades socioeconômicas. Portanto, a assertiva I é correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta (Apenas II)

A assertiva II está incorreta. Ela afirma que "a falta de dinheiro para a alimentação adequada é o principal fator considerado no texto em relação aos efeitos das dificuldades socioeconômicas na alfabetização". O texto não diz isso. Ele cita a fome como um dos sintomas, mas não a elege como principal fator. Veja o trecho:

"Os alunos chegam à escola sem acesso a materiais básicos, não têm um ambiente adequado em suas casas para estudar, possuem poucas interações em seu ambiente familiar, e às vezes, sentem até fome"

A fome aparece como um item de uma lista, precedida de "às vezes" — não como o principal fator. O texto, na verdade, destaca como principais obstáculos o acesso limitado à cultura escrita e a ausência de estímulos no ambiente familiar. A assertiva II extrapola ao transformar um sintoma em causa principal. Portanto, a assertiva II é incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta (Apenas I e II)

A assertiva II está incorreta, como vimos. Portanto, a combinação "I e II" não pode ser o gabarito. A assertiva I é correta, mas a II não. A alternativa C inclui a II, que é falsa, então está incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta (Apenas I e III)

A assertiva III está incorreta. Ela afirma que "o acesso à cultura escrita se dá somente na fase escolar". O texto contradiz isso explicitamente:

"Um dos aspectos mais críticos dessa desigualdade é justamente o acesso à cultura escrita, que começa muito antes de a criança iniciar sua vida escolar."

O texto diz que o acesso à cultura escrita começa antes da vida escolar, não somente nela. A assertiva III restringe indevidamente o alcance do texto, usando a palavra "somente". Portanto, a assertiva III é incorreta, e a combinação "I e III" também é incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta (Apenas II e III)

As assertivas II e III estão incorretas, como demonstrado. A alternativa E inclui ambas, então está incorreta.

Conclusão

A única assertiva correta é a I. A II extrapola ao eleger a fome como principal fator, e a III contradiz o texto ao afirmar que o acesso à cultura escrita se dá somente na escola. Portanto, o gabarito é a letra A.

Gabarito: letra A

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