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Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2025

PortuguêsConjunção
Código
qa671750
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Viamão
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Gargalos da educação: o impacto das desigualdades

 

Por Patrícia Giuffrida

 

Muitas crianças enfrentam obstáculos silenciosos e profundos desde o início de sua trajetória escolar, quando começam a aprender a ler e escrever. As dificuldades socioeconômicas, combinadas ao acesso limitado à cultura escrita e à ausência de estímulos no ambiente familiar, comprometem o desenvolvimento da linguagem e da consciência fonológica — competências fundamentais para a alfabetização. A sala de aula, sozinha, não dá conta de reparar esse abismo.

 

As dificuldades socioeconômicas figuram como um dos principais obstáculos a uma alfabetização eficaz . Mais do que a simples falta de dinheiro, elas se expressam em múltiplas dimensões – desde o acesso limitado à cultura escrita até a sobrecarga das famílias e da própria rede pública de ensino. “Quanto menor o poder aquisitivo da família, maior a tendência de a criança frequentar escolas com menos recursos, estar em turmas lotadas, ter falta de professores e pouco apoio individualizado”, considera Mirlene Barcelos Teles, professora do 3º ano do Ensino Fundamental em Lagoa Santa (MG).

 

Esse cenário se agrava quando consideramos as condições em que muitas crianças ingressam na vida escolar. “Os alunos chegam à escola sem acesso a materiais básicos, não têm um ambiente adequado em suas casas para estudar, possuem poucas interações em seu ambiente familiar, e às vezes, sentem até fome”, complementa Janete Rodrigues Cardone, alfabetizadora, mestre em Educação com foco em Literatura Antirracista e especialista em Alfabetização e em Psicopedagogia e Neuroaprendizagem.

 

A professora Julia Farias, pós-graduada em Alfabetização, em Psicopedagogia e em Ensino de Libras, reforça como esses fatores se acumulam ao longo do tempo. Ela explica que a desigualdade atua de forma “espiralada e duradoura”, afetando tanto os estudantes quanto os professores. “Quantos relatos já escutei de crianças que ‘seguem carreira solo’ em casa, pois não têm incentivo algum à leitura e à escrita, e não têm ajuda de familiares com as lições de casa”, relata. Julia também chama atenção para o abismo entre redes públicas e privadas e para a sobrecarga de educadores que acumulam turnos, comprometendo seu tempo de planejamento e formação continuada.

 

Um dos aspectos mais críticos dessa desigualdade é justamente o acesso à cultura escrita, que começa muito antes de a criança iniciar sua vida escolar. “Em contextos mais vulneráveis, as crianças têm menos contato com livros e menos oportunidades de ouvir histórias, conversar com adultos que leem ou escrevem e ver seus familiares lendo”, aponta Maria José Nóbrega, mestre em Filologia e Língua Portuguesa. Com isso, o ponto de partida do processo de alfabetização se torna extremamente desigual e muito desafiador para as escolas. “Isso não significa que [esses alunos] sejam menos capazes, mas sim que têm menos oportunidades de desenvolver as competências necessárias antes mesmo de entrarem na escola”, salienta.

 

Apesar do cenário complexo, educadores apontam caminhos possíveis a partir da atuação da escola e das equipes pedagógicas. Essas estratégias envolvem desde ações cotidianas em sala até a articulação com políticas públicas e o fortalecimento dos vínculos com a comunidade.

 

(Disponível em: novaescola.org.br/conteudo/22319/gargalos-da-alfabetizacao-desigualdades

-e-formacao-docente – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica a relação de sentido estabelecida pelo emprego dos termos sublinhados no trecho a seguir, retirado do texto-base:

 

Quanto menor o poder aquisitivo da família, maior a tendência de a criança frequentar escolas com menos recursos”.


  1. ACausa.
  2. BProporção.
  3. COposição.
  4. DConsequência.
  5. ECondição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Proporção.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação de proporção na correlação "quanto menor... maior"

Gabarito: letra B. A relação de sentido estabelecida pelos termos sublinhados é de proporção, pois a estrutura correlativa "quanto menor... maior" expressa uma variação proporcional entre dois fatos: à medida que o poder aquisitivo diminui, aumenta a tendência de a criança frequentar escolas com menos recursos. Essa é a marca típica das conjunções proporcionais, como se vê no trecho do texto-base.

"Quanto menor o poder aquisitivo da família, maior a tendência de a criança frequentar escolas com menos recursos"

A correlação "quanto... mais/menos" (aqui, "quanto menor... maior") é o recurso linguístico que estabelece a proporcionalidade: os dois eventos variam de forma paralela e simultânea. Não há relação de causa e efeito direta, nem de oposição, consequência ou condição — a ideia é de correlação proporcional.

O comando e o que ele pede

O enunciado pede que se identifique a relação de sentido estabelecida pelos termos sublinhados. Isso é uma questão de semântica das conjunções/locuções conjuntivas: não se trata de classificar sintaticamente a oração, mas de reconhecer o valor lógico que o conectivo (ou a correlação) imprime à relação entre as ideias. A banca quer que o candidato perceba que "quanto menor... maior" não é causa, nem consequência, mas proporção.

A técnica que decide

A chave está em reconhecer a correlação proporcional. As conjunções proporcionais clássicas são: à medida que, ao passo que, à proporção que, quanto mais... mais, quanto menos... menos, quanto maior... maior, quanto menor... menor. Todas expressam a ideia de que dois fatos variam de forma simultânea e proporcional.

No trecho, a estrutura "quanto menor o poder aquisitivo, maior a tendência" indica que a diminuição de um fator está diretamente ligada ao aumento do outro, numa relação de proporcionalidade inversa. Isso é diferente de causa (que estabelece um nexo de produção de efeito), de consequência (que é o resultado de uma causa), de oposição (que contrapõe ideias) e de condição (que estabelece uma hipótese).

Análise das alternativas

Conjunções proporcionais
  • 1Marcas típicas
    • Quanto mais... mais
    • Quanto menos... menos
    • Quanto maior... maior
    • Quanto menor... menor
    • À medida que
    • Ao passo que
  • 2Sentido
    • Variação simultânea
    • Variação proporcional
  • 3Confusões comuns
    • Causa (produz efeito)
    • Consequência (resultado)
    • Oposição (contrapõe)
    • Condição (hipótese)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Causa. A relação de causa exige que um fato produza o outro (ex.: "porque", "já que", "visto que"). No trecho, não há essa relação de produção: a menor renda não causa diretamente a maior tendência; há uma correlação proporcional entre as duas variáveis. A alternativa confunde proporção com causa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Proporção. A correlação "quanto menor... maior" é a marca típica das conjunções proporcionais, que expressam variação simultânea e proporcional entre dois fatos. O texto afirma que, à medida que o poder aquisitivo diminui, aumenta a tendência de a criança frequentar escolas com menos recursos. É exatamente a ideia de proporcionalidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Oposição. A oposição (ou adversidade) é marcada por conectivos como "mas", "porém", "contudo", "entretanto", que contrapõem ideias. No trecho, não há contraposição entre os dois fatos; há uma relação de variação proporcional. A alternativa troca o sentido de proporção por oposição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Consequência. A consequência é o efeito de uma causa (ex.: "tão... que", "de modo que"). No trecho, a maior tendência não é apresentada como consequência da menor renda, mas como um fato que varia proporcionalmente a ela. A alternativa confunde proporção com consequência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Condição. A condição é marcada por "se", "caso", "desde que", "contanto que", e expressa uma hipótese necessária para a ocorrência de outro fato. No trecho, não há hipótese; há uma relação de proporcionalidade entre dois fatos que se correlacionam. A alternativa troca proporção por condição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre proporção e causa/consequência. A estrutura "quanto menor... maior" é a marca registrada das proporcionais — não confunda com relação causal.

PEGA ESSA DICA!

Memorize as correlações proporcionais: "quanto mais... mais", "quanto menos... menos", "quanto maior... maior", "quanto menor... menor", "à medida que", "ao passo que". Quando aparecerem, a relação é de proporção.

Gabarito: letra B.

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