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Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — FUNDATEC 2025

PortuguêsTermos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
qa671762
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Viamão
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Gargalos da educação: o impacto das desigualdades

 

Por Patrícia Giuffrida

 

Muitas crianças enfrentam obstáculos silenciosos e profundos desde o início de sua trajetória escolar, quando começam a aprender a ler e escrever. As dificuldades socioeconômicas, combinadas ao acesso limitado à cultura escrita e à ausência de estímulos no ambiente familiar, comprometem o desenvolvimento da linguagem e da consciência fonológica — competências fundamentais para a alfabetização. A sala de aula, sozinha, não dá conta de reparar esse abismo.

 

As dificuldades socioeconômicas figuram como um dos principais obstáculos a uma alfabetização eficaz . Mais do que a simples falta de dinheiro, elas se expressam em múltiplas dimensões – desde o acesso limitado à cultura escrita até a sobrecarga das famílias e da própria rede pública de ensino. “Quanto menor o poder aquisitivo da família, maior a tendência de a criança frequentar escolas com menos recursos, estar em turmas lotadas, ter falta de professores e pouco apoio individualizado”, considera Mirlene Barcelos Teles, professora do 3º ano do Ensino Fundamental em Lagoa Santa (MG).

 

Esse cenário se agrava quando consideramos as condições em que muitas crianças ingressam na vida escolar. “Os alunos chegam à escola sem acesso a materiais básicos, não têm um ambiente adequado em suas casas para estudar, possuem poucas interações em seu ambiente familiar, e às vezes, sentem até fome”, complementa Janete Rodrigues Cardone, alfabetizadora, mestre em Educação com foco em Literatura Antirracista e especialista em Alfabetização e em Psicopedagogia e Neuroaprendizagem.

 

A professora Julia Farias, pós-graduada em Alfabetização, em Psicopedagogia e em Ensino de Libras, reforça como esses fatores se acumulam ao longo do tempo. Ela explica que a desigualdade atua de forma “espiralada e duradoura”, afetando tanto os estudantes quanto os professores. “Quantos relatos já escutei de crianças que ‘seguem carreira solo’ em casa, pois não têm incentivo algum à leitura e à escrita, e não têm ajuda de familiares com as lições de casa”, relata. Julia também chama atenção para o abismo entre redes públicas e privadas e para a sobrecarga de educadores que acumulam turnos, comprometendo seu tempo de planejamento e formação continuada.

 

Um dos aspectos mais críticos dessa desigualdade é justamente o acesso à cultura escrita, que começa muito antes de a criança iniciar sua vida escolar. “Em contextos mais vulneráveis, as crianças têm menos contato com livros e menos oportunidades de ouvir histórias, conversar com adultos que leem ou escrevem e ver seus familiares lendo”, aponta Maria José Nóbrega, mestre em Filologia e Língua Portuguesa. Com isso, o ponto de partida do processo de alfabetização se torna extremamente desigual e muito desafiador para as escolas. “Isso não significa que [esses alunos] sejam menos capazes, mas sim que têm menos oportunidades de desenvolver as competências necessárias antes mesmo de entrarem na escola”, salienta.

 

Apesar do cenário complexo, educadores apontam caminhos possíveis a partir da atuação da escola e das equipes pedagógicas. Essas estratégias envolvem desde ações cotidianas em sala até a articulação com políticas públicas e o fortalecimento dos vínculos com a comunidade.

 

(Disponível em: novaescola.org.br/conteudo/22319/gargalos-da-alfabetizacao-desigualdades

-e-formacao-docente – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise o trecho a seguir, retirado do texto-base:

 

“Ela explica que a desigualdade atua de forma ‘espiralada e duradoura’, afetando tanto os estudantes quanto os professores”.

 

Com relação ao trecho a seguir, analise as perguntas a seguir:

 

• Qual o sujeito da forma verbal “explica”?

 

• Qual a função sintática da oração iniciada por “que a desigualdade...”?

 

• Qual a função sintática dos artigos definidos em “a desigualdade”, “os estudantes” e “os professores”?

 

Assinale a alternativa que indica, correta e respectivamente, as respostas para as perguntas acima.

  1. A“a desigualdade” – objeto direto – adjunto adverbial.
  2. B“Ela” – objeto direto – adjunto adnominal.
  3. C“Ela” – adjunto adnominal – adjunto adverbial.
  4. D“a desigualdade” – adjunto adnominal – adjunto adverbial.
  5. E“Ela” – adjunto adnominal – adjunto adnominal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — “Ela” – objeto direto – adjunto adnominal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções sintáticas no trecho: sujeito, objeto direto e adjunto adnominal

Gabarito: letra B. No trecho “Ela explica que a desigualdade atua de forma ‘espiralada e duradoura’...”, o sujeito de “explica” é “Ela” (pronome pessoal reto que retoma “Julia Farias”); a oração “que a desigualdade atua...” exerce função de objeto direto (complemento do verbo transitivo direto “explica”); e os artigos “a”, “os” e “os” em “a desigualdade”, “os estudantes” e “os professores” são adjuntos adnominais, pois determinam os substantivos a que se referem. A alternativa B é a única que acerta as três classificações.

O comando

A questão pede três análises sintáticas específicas sobre um trecho do texto: o sujeito do verbo “explica”, a função da oração iniciada por “que” e a função dos artigos definidos. É uma questão de gramática aplicada ao texto — não de interpretação de conteúdo, mas de reconhecimento de funções sintáticas dentro da frase. Para resolvê-la, você precisa dominar três conceitos: sujeito, oração subordinada substantiva e adjunto adnominal.

O trecho em foco

“Ela explica que a desigualdade atua de forma ‘espiralada e duradoura’, afetando tanto os estudantes quanto os professores”

Aqui, “Ela” é o sujeito — pronome pessoal reto que retoma “Julia Farias” (citada no parágrafo anterior). O verbo “explica” é transitivo direto: quem explica, explica algo. Esse “algo” é a oração “que a desigualdade atua de forma ‘espiralada e duradoura’”, que funciona como objeto direto — uma oração subordinada substantiva objetiva direta. Já os artigos “a”, “os” e “os” acompanham os substantivos “desigualdade”, “estudantes” e “professores”, determinando-os; por isso, são adjuntos adnominais (termo acessório que caracteriza o substantivo).

A técnica que decide

Para não errar, siga este roteiro:

  1. Sujeito: pergunte “quem explica?” → “Ela”. Nunca confunda com “a desigualdade”, que é o núcleo do objeto direto.

  2. Função da oração: verifique a transitividade do verbo. “Explica” pede complemento sem preposição → objeto direto. A oração “que a desigualdade...” ocupa exatamente esse lugar.

  3. Artigo: artigo é classe gramatical que acompanha o substantivo, exercendo função de adjunto adnominal. Não é adjunto adverbial (que modifica verbo, adjetivo ou advérbio) nem objeto direto (que é termo integrante ligado ao verbo).

Análise das alternativas

Funções sintáticas no trecho
  • 1Sujeito de "explica"
    • "Ela" (pronome reto)
  • 2Oração "que a desigualdade..."
    • Objeto direto (verbo transitivo direto)
  • 3Artigos "a", "os", "os"
    • Adjuntos adnominais (determinam substantivos)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que o sujeito é “a desigualdade” — na verdade, “a desigualdade” é o núcleo do objeto direto (a oração inteira). Também classifica os artigos como adjunto adverbial, o que é impossível: artigo não modifica verbo, adjetivo ou advérbio; ele determina substantivo. Erro: troca de conceitos (sujeito × objeto direto; adjunto adverbial × adjunto adnominal).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Acerta as três respostas: sujeito “Ela”, oração “que a desigualdade...” como objeto direto, e artigos como adjuntos adnominais. É a única alternativa inteiramente correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Acerta o sujeito (“Ela”), mas erra ao classificar a oração como adjunto adnominal — oração não pode ser adjunto adnominal, pois este é termo que acompanha substantivo, e a oração aqui complementa o verbo. Também erra ao chamar os artigos de adjunto adverbial. Erro: troca de conceitos (oração objetiva direta × adjunto adnominal).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra o sujeito (não é “a desigualdade”) e classifica a oração como adjunto adnominal (deveria ser objeto direto). Acerta apenas os artigos como adjunto adnominal, mas isso não salva a alternativa. Erro: troca de conceitos (sujeito × objeto direto; oração × adjunto adnominal).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Acerta o sujeito (“Ela”), mas erra ao classificar a oração como adjunto adnominal e os artigos como adjunto adnominal (na verdade, os artigos são adjuntos adnominais, mas a oração não é). A alternativa E confunde tudo: a oração é objeto direto, não adjunto adnominal. Erro: troca de conceitos (oração × adjunto adnominal).

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura funções de níveis diferentes: sujeito (termo essencial), objeto direto (termo integrante) e adjunto adnominal (termo acessório). A armadilha está em confundir o artigo “a” com pronome ou com parte do sujeito, e em não reconhecer que a oração “que a desigualdade...” é objeto direto do verbo “explica”.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de função sintática, sempre identifique primeiro o verbo e sua transitividade. Depois, pergunte “quem?” (sujeito) e “o quê?” (objeto direto). Termos que acompanham substantivos (artigos, adjetivos, pronomes) são adjuntos adnominais.

Conclusão: a alternativa B é a única que classifica corretamente os três elementos. Lembre-se: artigo é sempre adjunto adnominal quando acompanha substantivo; oração iniciada por “que” após verbo transitivo direto é objeto direto; e o sujeito é o termo que pratica a ação verbal.

Gabarito: letra B

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