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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FUNDATEC 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
qa671763
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Viamão
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Gargalos da educação: o impacto das desigualdades

 

Por Patrícia Giuffrida

 

Muitas crianças enfrentam obstáculos silenciosos e profundos desde o início de sua trajetória escolar, quando começam a aprender a ler e escrever. As dificuldades socioeconômicas, combinadas ao acesso limitado à cultura escrita e à ausência de estímulos no ambiente familiar, comprometem o desenvolvimento da linguagem e da consciência fonológica — competências fundamentais para a alfabetização. A sala de aula, sozinha, não dá conta de reparar esse abismo.

 

As dificuldades socioeconômicas figuram como um dos principais obstáculos a uma alfabetização eficaz . Mais do que a simples falta de dinheiro, elas se expressam em múltiplas dimensões – desde o acesso limitado à cultura escrita até a sobrecarga das famílias e da própria rede pública de ensino. “Quanto menor o poder aquisitivo da família, maior a tendência de a criança frequentar escolas com menos recursos, estar em turmas lotadas, ter falta de professores e pouco apoio individualizado”, considera Mirlene Barcelos Teles, professora do 3º ano do Ensino Fundamental em Lagoa Santa (MG).

 

Esse cenário se agrava quando consideramos as condições em que muitas crianças ingressam na vida escolar. “Os alunos chegam à escola sem acesso a materiais básicos, não têm um ambiente adequado em suas casas para estudar, possuem poucas interações em seu ambiente familiar, e às vezes, sentem até fome”, complementa Janete Rodrigues Cardone, alfabetizadora, mestre em Educação com foco em Literatura Antirracista e especialista em Alfabetização e em Psicopedagogia e Neuroaprendizagem.

 

A professora Julia Farias, pós-graduada em Alfabetização, em Psicopedagogia e em Ensino de Libras, reforça como esses fatores se acumulam ao longo do tempo. Ela explica que a desigualdade atua de forma “espiralada e duradoura”, afetando tanto os estudantes quanto os professores. “Quantos relatos já escutei de crianças que ‘seguem carreira solo’ em casa, pois não têm incentivo algum à leitura e à escrita, e não têm ajuda de familiares com as lições de casa”, relata. Julia também chama atenção para o abismo entre redes públicas e privadas e para a sobrecarga de educadores que acumulam turnos, comprometendo seu tempo de planejamento e formação continuada.

 

Um dos aspectos mais críticos dessa desigualdade é justamente o acesso à cultura escrita, que começa muito antes de a criança iniciar sua vida escolar. “Em contextos mais vulneráveis, as crianças têm menos contato com livros e menos oportunidades de ouvir histórias, conversar com adultos que leem ou escrevem e ver seus familiares lendo”, aponta Maria José Nóbrega, mestre em Filologia e Língua Portuguesa. Com isso, o ponto de partida do processo de alfabetização se torna extremamente desigual e muito desafiador para as escolas. “Isso não significa que [esses alunos] sejam menos capazes, mas sim que têm menos oportunidades de desenvolver as competências necessárias antes mesmo de entrarem na escola”, salienta.

 

Apesar do cenário complexo, educadores apontam caminhos possíveis a partir da atuação da escola e das equipes pedagógicas. Essas estratégias envolvem desde ações cotidianas em sala até a articulação com políticas públicas e o fortalecimento dos vínculos com a comunidade.

 

(Disponível em: novaescola.org.br/conteudo/22319/gargalos-da-alfabetizacao-desigualdades

-e-formacao-docente – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o trecho a seguir, retirado do texto-base, assinale a alternativa que indica quantas outras alterações seriam obrigatoriamente necessárias caso a palavra “alunos” fosse substituída por sua forma singular:

 

“Isso não significa que [esses alunos] sejam menos capazes, mas sim que têm menos oportunidades

de desenvolver as competências necessárias antes mesmo de entrarem na escola”.


  1. A3.
  2. B4.
  3. C5.
  4. D6.
  5. E7.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — 5.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Resolução

Gabarito: letra C — a conta chega a 5 alterações — alternativa C.

A ideia por trás

Concordância é a harmonia que as palavras de uma frase mantêm entre si: o verbo se ajusta ao sujeito (concordância verbal) e o adjetivo, o pronome e o artigo se ajustam ao substantivo a que se referem (concordância nominal). Quando o núcleo do sujeito muda de número, tudo o que depende dele — verbos, pronomes, adjetivos — precisa mudar junto, ou a frase fica gramaticalmente errada.

A regra é simples: cada palavra variável que se liga ao sujeito deve concordar com ele em número (singular/plural) e pessoa. Se o sujeito vira singular, o verbo vai para a 3ª pessoa do singular, o pronome demonstrativo que o acompanha vira singular e o adjetivo que o caracteriza também. Palavras que não se referem ao sujeito — como advérbios ("menos") ou adjetivos ligados a outros substantivos ("necessárias" ligado a "competências") — permanecem como estão.

Esta questão pede exatamente isso: substituir "alunos" por "aluno" e contar quantas outras palavras do trecho são obrigadas a mudar por concordância. É uma contagem de termos flexionáveis ligados ao sujeito.

O que a questão dá

  • trecho: "Isso não significa que [esses alunos] sejam menos capazes, mas sim que têm menos oportunidades de desenvolver as competências necessárias antes mesmo de entrarem na escola"

  • palavra a substituir: "alunos" por "aluno"

O que queremos: quantas outras palavras do trecho precisam mudar obrigatoriamente para manter a concordância

Passo 1 — Sublinhar o sujeito e seus dependentes

Para saber o que muda, primeiro precisamos identificar o núcleo do sujeito e todas as palavras que concordam com ele. No trecho, o sujeito é "esses alunos" — o pronome "esses" acompanha o substantivo, e os verbos "sejam", "têm" e "entrarem" e o adjetivo "capazes" se referem a esse sujeito.

NÃO CAIA NESSA!

Esquecer o pronome "esses" — ele também concorda com o substantivo e precisa virar "esse".

Passo 2 — Listar as palavras que mudam com o singular

Agora que sabemos quais termos dependem do sujeito, vamos um a um: "esses" vira "esse", "sejam" vira "seja", "capazes" vira "capaz", "têm" vira "tem" e "entrarem" vira "entrar". São cinco palavras que precisam ser flexionadas no singular.

5 palavras: esses, sejam, capazes, têm, entrarem

NÃO CAIA NESSA!

Contar apenas os verbos (sejam, têm, entrarem) e o adjetivo (capazes), esquecendo o pronome "esses" — dá 4.

Passo 3 — Verificar as palavras que NÃO mudam

Para ter certeza da contagem, precisamos conferir o que fica igual: "menos" é advérbio invariável; "oportunidades", "competências" e "necessárias" se referem a outros substantivos, não ao sujeito; "desenvolver" é infinitivo impessoal; "Isso" e "significa" são da oração principal. Nenhuma dessas muda.

0 mudanças entre as demais palavras

NÃO CAIA NESSA!

Incluir "menos" na contagem — ele é invariável, não concorda com o sujeito.

Resposta: 5 alterações — alternativa C

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