Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FUNDATEC 2025

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
qa671776
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Lajeado (RS)
Ano
2025
Cargo
Ag Adm Sau (Pref Lajeado)

As grávidas têm desejos alimentares de exceção.

 

Por Fabrício Carpinejar 

 

As grávidas têm desejos alimentares de exceção.

 

Existe uma explicação científica: os hormônios da gravidez, como estrogênio e progesterona, alteram a percepção do sabor e do aroma dos alimentos, levando a mudanças súbitas nas preferências tradicionais. A gestante também precisa de mais nutrientes para sustentar o crescimento do feto, o que pode acarretar fantasias detalhistas por determinados componentes. Por exemplo, a carência de ferro é capaz de causar fissura por uma churrascaria.

 

Só que nem a ciência justifica certas combinações que as pessoas costumam adotar em seu cotidiano de lanchinhos e refeições.

 

É quase inconcebível alguém querer completar chocotone com fatias cruas de presunto.

 

Não tem fundo racional, mas emocional. O paladar é um magneto de lembranças confortáveis. Por alguma sensação de segurança, você retoma uma mistura que já fez na infância, na casa dos avós ou em tempos de geladeira vazia.

 

Procura o que tranquiliza, reprimindo o medo e a ansiedade. É uma saciedade espiritual, acima de tudo.

 

O inusitado também surge pelas sobras. A invenção nasce da escassez,(II) juntando o que está ao alcance: o doce com o salgado, a sobremesa com o prato principal, num afã(III) do apetite em queimar etapas. Assim, casamentos atípicos atravessam gerações, como goiabada com queijo — quem teve essa ideia no período colonial de Minas Gerais possivelmente sofreu preconceito na época.

 

O que é intragável(I) para uns é tradicional para outros. Cuscuz com leite no Nordeste, purê no cachorro-quente em São Paulo, pastel com caldo de cana nas feiras do interior paulista e nossa salada de batata com espeto corrido já são carteiras de identidade regionais.

 

Há ainda os arranjos extravagantes internacionais: a melancia com queijo feta na Grécia; o chocolate com bacon, o picles com manteiga de amendoim ou as fritas com milk-shake nos Estados Unidos.

 

A banana talvez seja a campeã das intercorrências invasivas, a maior penetra da festa das mutações. Tem gente que come banana com feijão, com catchup, no pão com queijo coalho.

 

A maionese não perde em participações e duetos insólitos, cobrindo bolo doce ou gelatina salgada.

 

Essa emulsão inocente de ovos e óleo é contumaz em seu crime de invasão: entra no miojo como se fosse molho branco, na salsicha como se fosse mostarda, no sushi como se fosse cream cheese, na salada de frutas como se fosse chantilly. Isso quando não soterra uma pizza inteira como se fosse catupiry. É um dublê de molhos e coberturas.

 

Não dá para julgar nem condenar o comportamento de quem embaralha produtos. Não é pecado, não é cafonice, não é falta de noção.

 

Guarde a sua careta, os seus pruridos, o seu beiço de nojo.

 

A ousadia é irmã gêmea da tentativa.

 

Se olhar no âmago de seus hábitos, encontrará uma alquimia um tanto improvável. Ou pela cultura do lugar a que pertence, ou por uma criatividade que virou receita particular.

 

Em segredo, sem ninguém por perto, sem câmeras, longe das redes sociais, na intimidade mais primitiva, somos sempre estranhos.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2025/06/em-segredo-

somos-sempre-estranhos – texto adaptado especialmente para esta prova).

Em relação ao texto-base, analise as assertivas abaixo:

 

I. A palavra “intragável” pode ser corretamente substituída, sem prejuízo de sentido, por “insuportável”.

 

II. A palavra “escassez”, usada no texto para justificar a origem de certas combinações alimentares, é antônima de “fartura”.

 

III. As palavras “afã” e “afim” são homônimas.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas III.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sinonímia, Antonímia e Homonímia no texto — Gabarito: letra C.

Gabarito: letra C. As assertivas I e II estão corretas, e a III está incorreta. A palavra “intragável” pode ser substituída por “insuportável” sem prejuízo de sentido, pois ambas expressam a ideia de algo difícil de aceitar ou tolerar. “Escassez” é antônima de “fartura”, pois uma indica falta e a outra, abundância. Já “afã” (substantivo, esforço, ânsia) e “afim” (adjetivo, semelhante) não são homônimas, pois têm grafias e pronúncias diferentes, além de classes gramaticais distintas.

A questão exige análise semântica de palavras retiradas do texto, testando três relações: sinonímia (I), antonímia (II) e homonímia (III). O comando pede para julgar cada assertiva como verdadeira ou falsa, e a resposta correta é a combinação das verdadeiras. Vamos analisar cada uma com cuidado, ancorando no texto e na gramática.

O texto discute combinações alimentares inusitadas, defendendo que não devemos julgar quem as adota. As palavras destacadas aparecem em contextos específicos: “intragável” refere-se a algo que alguns consideram impossível de comer; “escassez” explica a origem de certas invenções culinárias; e “afã” descreve a ânsia do apetite. A banca testa se o candidato conhece o sentido dessas palavras e suas relações semânticas.

A técnica para resolver é dominar as definições:

  • Sinônimos: palavras com significado equivalente ou muito próximo.

  • Antônimos: palavras com significados opostos.

  • Homônimos: palavras com a mesma pronúncia e/ou grafia, mas significados diferentes (ex.: “sessão”, “cessão”, “seção”).

A pegadinha da questão está em III, que confunde homônimos com parônimos (palavras parecidas na grafia/pronúncia, mas com significados diferentes, como “afim” e “afim”). Vamos ver cada item.

1Sinonímia
Intragável = insuportável
2Antonímia
Escassez ≠ fartura
3Homonímia
Afã ≠ afim (são parônimas)
Relações semânticas
LEVELsoulevel.com.br
Relações semânticas: Sinonímia (Intragável = insuportável); Antonímia (Escassez ≠ fartura); Homonímia (Afã ≠ afim (são parônimas))

Item I — ✅ Correto

A assertiva afirma que “intragável” pode ser substituída por “insuportável” sem prejuízo de sentido. No texto, lemos:

“O que é intragável para uns é tradicional para outros.”

Aqui, “intragável” significa “que não se pode comer”, mas, no contexto, ganha o sentido figurado de “inaceitável”, “insuportável” para o paladar de alguns. A substituição por “insuportável” mantém o sentido de algo que causa repulsa ou que é difícil de tolerar. Portanto, a troca é válida, e o item está correto.

Item II — ✅ Correto

A assertiva afirma que “escassez” é antônima de “fartura”. No texto, lemos:

“A invenção nasce da escassez, juntando o que está ao alcance.”

“Escassez” significa falta, carência, pouca quantidade. Seu antônimo direto é “fartura”, que significa abundância, grande quantidade. A relação de oposição é clara e correta. Portanto, o item está correto.

Item III — ❌ Incorreto

A assertiva afirma que “afã” e “afim” são homônimas. No texto, lemos:

“num afã do apetite em queimar etapas.”

“Afã” é um substantivo que significa esforço, ânsia, empenho. “Afim” é um adjetivo que significa semelhante, que tem afinidade. As duas palavras têm grafias e pronúncias diferentes (afã / a.fim), portanto não são homônimas. Elas são parônimas, ou seja, parecidas na forma, mas com sentidos distintos. A banca explora exatamente essa confusão. Portanto, o item está incorreto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o conceito de homônimos por parônimos. “Afã” e “afim” são parônimas (parecidas), não homônimas (iguais na forma).

Conclusão: Os itens I e II estão corretos, e o item III está incorreto. Portanto, a alternativa que reúne os itens corretos é a letra C.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar homônimos de parônimos, pergunte: as palavras têm a mesma pronúncia/grafia? Se sim, são homônimas. Se apenas se parecem, são parônimas. Ex.: “sessão/cessão” (homônimas), “afim/afim” (parônimas).

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qa671776