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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2025

PortuguêsCrase
Código
qa671781
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Lajeado (RS)
Ano
2025
Cargo
Ana Sis (Pref Lajeado)

A pontualidade sagrada do teatro

 

Por Fabrício Carpinejar

 

Como podemos definir se um país é civilizado?

 

Pela pontualidade, pelo rigor dos horários, por honrar os compromissos assumidos.

 

O ator Antonio Fagundes, 76 anos, está sendo processado por não admitir que retardatários entrem em sua peça. Não importa que sejam meros minutos: as portas se fecham.

 

Ele tem razão. Está coberto de razão. Não é intolerância de sua parte, mas respeito com a platéia e com a qualidade da performance.

 

Se você se atrasa alguns segundos para uma prova de concurso, não entra. Se você se atrasa alguns segundos para um embarque no aeroporto, também não entra. E não há como apelar ..... Justiça por seus direitos. É uma questão de igualdade com quem compareceu na hora.

 

Por que para o teatro teria que ser diferente?

 

Não é como uma sessão de cinema, que possibilita maior flexibilidade, pois nela não há atores em cena — consiste em uma projeção. Os atrasados incomodam o público já acomodado ao procurar seus assentos no escuro, mas não tiram a concentração do elenco. É dos males o menor.

 

O teatro exige atenção máxima, numa interação ao vivo, única, irrepetível, que depende do silêncio e da ordem para dar sequência ..... trama. Na maioria das vezes, os atores sequer usam microfone, exercitam a empostação da voz. Um barulho, uma conversa paralela, a luz da tela do celular realmente perturbam.

 

Fagundes é alvo de uma nova ação judicial (somando nove, até agora), protocolada em março no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), por ter impedido a entrada de um casal que não levou ao pé da letra o horário da peça Dois de Nós, no Teatro da PUC-SP. O par reclamante pede uma indenização de R$ 20 mil por danos morais e cerca de R$ 500 por danos materiais, alegando que a recusa foi “arbitrária e abusiva”

 

Todo mundo sabe que não se deve chegar atrasado ao teatro. Existem três sinais para anunciar a abertura da apresentação, conhecidos como “pancadas de Molière”, para que ninguém perca o início.

 

O primeiro, com um toque longo, acontece dez minutos antes; o segundo, com dois toques longos, é dado cinco minutos antes; o terceiro, com três toques longos, prenuncia a abertura das cortinas.

 

Mas parece que ainda se acredita no jeitinho brasileiro, na exceção, na concessão de privilégios, fazendo-se ouvidos moucos para a campainha.

 

É a mentalidade arraigada em nosso comportamento de furar a fila, de não ser como os outros, de desdenhar da noção coletiva de paridade.

 

E isso que o próprio ator, calejado na produção de eventos, já recorre ..... redundância, a exemplo dos cartazes de “proibido fumar” no avião.

 

A advertência consta no ingresso e nos materiais de divulgação online da peça. Aliás, quem compra o ingresso precisa concordar com um termo informando que não será permitida a entrada após o início do espetáculo — justamente para evitar brechas de contestação no Código de Defesa do Consumidor.

 

Mesmo com tamanha cautela, estresses são recorrentes, sobrecarregando a Justiça com demandas corriqueiras e nada imprescindíveis.

 

Nem as evidências por escrito sensibilizam os espectadores mais renitentes.

 

É uma pena que a exatidão e a assiduidade não sejam aplicadas espontaneamente. É uma lástima que o bom senso não prevaleça, que sigamos com a cultura da imprecisão.

 

Veja como andamos falhando com a educação. Fagundes, com mais de 40 novelas e 50 filmes nas costas, um catatau de prêmios (quatro Prêmios APCA, dois Prêmios Molière, dois Prêmios Qualidade Brasil, dois Troféus Imprensa) no lombo, está lutando pelo óbvio.

 

Não merecia passar por esse perrengue quem já mostrou seu valor encantando nossos olhos com atuações límpidas, oralidade impoluta e personagens inesquecíveis.

 

Que presente estamos oferecendo ..... ele, que completa seis décadas de carreira no ano que vem.

 

Não deixa de ser constrangedora a forma como tratamos nossos melhores artistas.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2025/06/a-pontualidade-

sagrada-do-teatro-cmbr07d5x000r019s55xujglc – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego indicativo da crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas no texto.

  1. Aà – a – à – a
  2. Ba – à – à – à
  3. Cà – à – a – à
  4. Dà – à – à – a
  5. Ea – a – a – à
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — à – à – à – a

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: preposição + artigo/pronome — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. A sequência correta é à – à – à – a. A crase é a fusão da preposição "a" (exigida pela regência) com o artigo feminino "a" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos/relativos. Nas três primeiras lacunas, há essa fusão; na última, o "a" é apenas preposição, sem artigo, pois antecede pronome pessoal. A passagem que ancora a resposta está no trecho: "E isso que o próprio ator, calejado na produção de eventos, já recorre ..... redundância" — quem recorre, recorre a algo; "redundância" é palavra feminina, então à redundância.

Desenvolvimento

1. O comando

A questão pede que você preencha as lacunas com o emprego correto e respectivo da crase. Isso é uma tarefa de gramática aplicada ao texto: não basta decorar regras isoladas — é preciso analisar a regência do verbo/nome que antecede cada lacuna e verificar se o termo seguinte admite artigo feminino. O comando "considerando o emprego indicativo da crase" já sinaliza que a banca quer que você distinga quando há crase (preposição + artigo/pronome) de quando não há (apenas preposição, ou ausência de preposição).

2. O texto

O texto de Fabrício Carpinejar defende a pontualidade no teatro, usando o caso do ator Antonio Fagundes como exemplo. O autor argumenta que a rigidez com horários é sinal de civilidade e respeito. As lacunas aparecem em trechos que exigem análise de regência e crase. Vamos localizar cada uma:

  • 1ª lacuna: "E não há como apelar ..... Justiça por seus direitos." — quem apela, apela a algo; "Justiça" é palavra feminina, então à Justiça.

  • 2ª lacuna: "O teatro exige atenção máxima, numa interação ao vivo, única, irrepetível, que depende do silêncio e da ordem para dar sequência ..... trama." — quem dá sequência, dá sequência a algo; "trama" é palavra feminina, então à trama.

  • 3ª lacuna: "E isso que o próprio ator, calejado na produção de eventos, já recorre ..... redundância" — quem recorre, recorre a algo; "redundância" é palavra feminina, então à redundância.

  • 4ª lacuna: "Que presente estamos oferecendo ..... ele, que completa seis décadas de carreira no ano que vem." — quem oferece, oferece algo a alguém; "ele" é pronome pessoal masculino, que não admite artigo feminino, então a ele (sem crase).

3. A técnica/regra que decide

A crase é a fusão de duas vogais idênticas: a preposição "a" + o artigo feminino "a" (ou o "a" de pronomes demonstrativos/relativos). Para saber se há crase, faça o teste: troque a palavra feminina por uma masculina. Se na masculina aparecer "ao", na feminina haverá crase; se aparecer apenas "o", não haverá. Exemplo:

  • "recorre à redundância" → "recorre ao exagero" (aparece "ao", então há crase).

  • "oferecer a ele" → "oferecer a ele" (não há artigo, então não há crase).

A pegadinha da banca está na 4ª lacuna: muitos candidatos marcam "à" por acharem que "oferecer" exige preposição e que "ele" é feminino. Mas "ele" é pronome pessoal masculino, que não admite artigo feminino, então a crase é proibida. A banca explora a confusão entre preposição (que existe) e artigo (que não existe antes de pronome pessoal).

4. O gancho

Teste cada alternativa perguntando: há preposição "a" exigida pela regência? e o termo seguinte admite artigo feminino? Se as duas respostas forem "sim", há crase; se uma for "não", não há. Essa é a regra de ouro que separa as alternativas.

1Teste da troca
Palavra masculina → "ao" = há crase
Palavra masculina → "o" = sem crase
2Casos com crase
Verbo/nome exige "a" + termo feminino
Ex.: apelar à Justiça
Ex.: dar sequência à trama
Ex.: recorrer à redundância
3Casos sem crase
Antes de pronome pessoal
Ex.: oferecer a ele
Crase (preposição "a" + artigo "a")
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Crase (preposição "a" + artigo "a"): Teste da troca (Palavra masculina → "ao" = há crase, Palavra masculina → "o" = sem crase); Casos com crase (Verbo/nome exige "a" + termo feminino, Ex.: apelar à Justiça, Ex.: dar sequência à trama, Ex.: recorrer à redundância); Casos sem crase (Antes de pronome pessoal, Ex.: oferecer a ele)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência à – a – à – a erra na 2ª lacuna: "dar sequência ..... trama" exige crase (à trama), pois "sequência" pede preposição "a" e "trama" é feminina. A alternativa coloca "a" sem crase, o que está incorreto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência a – à – à – à erra na 1ª lacuna: "apelar ..... Justiça" exige crase (à Justiça), pois "apelar" pede preposição "a" e "Justiça" é feminina. A alternativa coloca "a" sem crase, o que está incorreto. Além disso, erra na 4ª lacuna: "oferecer ..... ele" não admite crase (a ele), pois "ele" é pronome pessoal masculino.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência à – à – a – à erra na 3ª lacuna: "recorre ..... redundância" exige crase (à redundância), pois "recorrer" pede preposição "a" e "redundância" é feminina. A alternativa coloca "a" sem crase, o que está incorreto. Além disso, erra na 4ª lacuna: "oferecer ..... ele" não admite crase (a ele), pois "ele" é pronome pessoal masculino.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência à – à – à – a está correta. As três primeiras lacunas exigem crase (preposição "a" + artigo feminino), e a última não admite crase (preposição "a" + pronome pessoal masculino). A passagem que ancora a resposta está no trecho: "E isso que o próprio ator, calejado na produção de eventos, já recorre ..... redundância" — quem recorre, recorre a algo; "redundância" é palavra feminina, então à redundância.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência a – a – a – à erra nas três primeiras lacunas: todas exigem crase (à Justiça, à trama, à redundância), pois há preposição "a" + artigo feminino. A alternativa coloca "a" sem crase, o que está incorreto. Além disso, erra na 4ª lacuna: "oferecer ..... ele" não admite crase (a ele), pois "ele" é pronome pessoal masculino.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre preposição (que existe) e artigo (que não existe antes de pronome pessoal). Na 4ª lacuna, muitos marcam "à" por acharem que "oferecer" exige preposição e que "ele" é feminino. Mas "ele" é pronome pessoal masculino, que não admite artigo feminino, então a crase é proibida.

PEGA ESSA DICA!

Faça o teste da troca por palavra masculina. Se na masculina aparecer "ao", na feminina haverá crase; se aparecer apenas "o", não haverá. Exemplo: "recorre à redundância" → "recorre ao exagero" (aparece "ao", então há crase).

Gabarito: letra D.

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