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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — FUNDATEC 2025

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa671784
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Lajeado (RS)
Ano
2025
Cargo
Ana Sis (Pref Lajeado)

A pontualidade sagrada do teatro

 

Por Fabrício Carpinejar

 

Como podemos definir se um país é civilizado?

 

Pela pontualidade, pelo rigor dos horários, por honrar os compromissos assumidos.

 

O ator Antonio Fagundes, 76 anos, está sendo processado por não admitir que retardatários entrem em sua peça. Não importa que sejam meros minutos: as portas se fecham.

 

Ele tem razão. Está coberto de razão. Não é intolerância de sua parte, mas respeito com a platéia e com a qualidade da performance.

 

Se você se atrasa alguns segundos para uma prova de concurso, não entra. Se você se atrasa alguns segundos para um embarque no aeroporto, também não entra. E não há como apelar à Justiça por seus direitos. É uma questão de igualdade com quem compareceu na hora.

 

Por que para o teatro teria que ser diferente?

 

Não é como uma sessão de cinema, que possibilita maior flexibilidade, pois nela não há atores em cena — consiste em uma projeção. Os atrasados incomodam o público já acomodado ao procurar seus assentos no escuro, mas não tiram a concentração do elenco. É dos males o menor.

 

O teatro exige atenção máxima, numa interação ao vivo, única, irrepetível, que depende do silêncio e da ordem para dar sequência à trama. Na maioria das vezes, os atores sequer usam microfone, exercitam a empostação da voz. Um barulho, uma conversa paralela, a luz da tela do celular realmente perturbam.

 

Fagundes é alvo de uma nova ação judicial (somando nove, até agora), protocolada em março no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), por ter impedido a entrada de um casal que não levou ao pé da letra o horário da peça Dois de Nós, no Teatro da PUC-SP. O par reclamante pede uma indenização de R$ 20 mil por danos morais e cerca de R$ 500 por danos materiais, alegando que a recusa foi “arbitrária e abusiva”

 

Todo mundo sabe que não se deve chegar atrasado ao teatro. Existem três sinais para anunciar a abertura da apresentação, conhecidos como “pancadas de Molière”, para que ninguém perca o início.

 

O primeiro, com um toque longo, acontece dez minutos antes; o segundo, com dois toques longos, é dado cinco minutos antes; o terceiro, com três toques longos, prenuncia a abertura das cortinas.

 

Mas parece que ainda se acredita no jeitinho brasileiro, na exceção, na concessão de privilégios, fazendo-se ouvidos moucos para a campainha.

 

É a mentalidade arraigada em nosso comportamento de furar a fila, de não ser como os outros, de desdenhar da noção coletiva de paridade.

 

E isso que o próprio ator, calejado na produção de eventos, já recorre à redundância, a exemplo dos cartazes de “proibido fumar” no avião.

 

A advertência consta no ingresso e nos materiais de divulgação online da peça. Aliás, quem compra o ingresso precisa concordar com um termo informando que não será permitida a entrada após o início do espetáculo — justamente para evitar brechas de contestação no Código de Defesa do Consumidor.

 

Mesmo com tamanha cautela, estresses são recorrentes, sobrecarregando a Justiça com demandas corriqueiras e nada imprescindíveis.

 

Nem as evidências por escrito sensibilizam os espectadores mais renitentes.

 

É uma pena que a exatidão e a assiduidade não sejam aplicadas espontaneamente. É uma lástima que o bom senso não prevaleça, que sigamos com a cultura da imprecisão.

 

Veja como andamos falhando com a educação. Fagundes, com mais de 40 novelas e 50 filmes nas costas, um catatau de prêmios (quatro Prêmios APCA, dois Prêmios Molière, dois Prêmios Qualidade Brasil, dois Troféus Imprensa) no lombo, está lutando pelo óbvio.

 

Não merecia passar por esse perrengue quem já mostrou seu valor encantando nossos olhos com atuações límpidas, oralidade impoluta e personagens inesquecíveis.

 

Que presente estamos oferecendo a ele, que completa seis décadas de carreira no ano que vem.

 

Não deixa de ser constrangedora a forma como tratamos nossos melhores artistas.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2025/06/a-pontualidade-

sagrada-do-teatro-cmbr07d5x000r019s55xujglc – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego correto dos sinais de pontuação, os dois-pontos destacados no texto são empregados para

  1. Aindicar um resultado.
  2. Banunciar uma oração apositiva.
  3. Capresentar enumerações.
  4. Danunciar a fala de alguém.
  5. Eindicar uma citação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — indicar um resultado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso dos dois-pontos — Gabarito: letra A.

Gabarito: letra A. Os dois-pontos destacados no texto são empregados para indicar um resultado, ou seja, para introduzir a consequência lógica do que foi afirmado antes. A passagem que prova isso é: "Se você se atrasa alguns segundos para uma prova de concurso, não entra. Se você se atrasa alguns segundos para um embarque no aeroporto, também não entra. E não há como apelar à Justiça por seus direitos: é uma questão de igualdade com quem compareceu na hora." — o trecho após os dois-pontos explica o porquê da impossibilidade de apelar, funcionando como um esclarecimento que decorre da afirmação anterior.

O comando pede que se identifique a função dos dois-pontos no texto, não apenas a regra geral decorada. A banca não quer que você diga "dois-pontos anunciam enumeração" — quer que você observe o uso específico no trecho e reconheça a relação semântica que ele estabelece. Isso é típico de questão de pontuação em contexto: a regra é o ponto de partida, mas a resposta mora no efeito de sentido produzido no texto.

O texto defende a pontualidade como critério de civilidade e usa o caso do ator Antonio Fagundes como exemplo. No parágrafo central, o autor compara o atraso no teatro com o atraso em provas de concurso e embarques aéreos, afirmando que nesses casos "não há como apelar à Justiça por seus direitos". Os dois-pontos aparecem exatamente aí, introduzindo a justificativa dessa afirmação: "é uma questão de igualdade com quem compareceu na hora". Essa justificativa é a consequência lógica — o resultado — da regra de pontualidade que o autor acabou de descrever.

A técnica para resolver: localize o trecho com dois-pontos e pergunte: o que vem depois explica, enumera, cita, anuncia fala ou apresenta resultado? No caso, o que vem depois é a razão pela qual não se pode apelar — é um esclarecimento que decorre do que foi dito, ou seja, um resultado. As demais funções (enumeração, citação, fala, aposto) não se aplicam ao trecho, pois não há lista, nem discurso direto, nem termo explicativo entre vírgulas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as funções dos dois-pontos. Muitos candidatos marcam "enumeração" ou "citação" por associação automática, sem verificar o que o trecho realmente faz. Aqui, o que segue os dois-pontos é uma explicação/resultado, não uma lista.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar dois-pontos, sempre leia o que vem antes e depois e classifique a relação: se o depois explica o antes, é esclarecimento; se lista itens, é enumeração; se reproduz fala, é discurso direto. A função é determinada pelo contexto, não pela regra isolada.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque os dois-pontos no trecho "E não há como apelar à Justiça por seus direitos: é uma questão de igualdade com quem compareceu na hora" introduzem a consequência — o resultado — da impossibilidade de apelar. O que vem depois dos dois-pontos é a justificativa que decorre logicamente do que foi afirmado: se não se pode apelar, é porque há uma questão de igualdade. Essa relação de causa-consequência é exatamente o que a alternativa descreve.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque os dois-pontos não anunciam uma oração apositiva. Uma oração apositiva é um termo que explica ou especifica outro, geralmente isolado por vírgulas ou travessões, como em "O desafio era a rotina: estudar todo dia". No trecho do texto, o que segue os dois-pontos não é um aposto — é uma oração que explica o motivo da afirmação anterior, funcionando como esclarecimento/resultado, não como aposto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque os dois-pontos não apresentam enumerações. Uma enumeração seria uma lista de itens, como "Eis as cores da bandeira: verde, amarelo, azul e branco". No trecho do texto, o que segue os dois-pontos é uma única oração explicativa, não uma lista de elementos. A banca oferece essa alternativa para testar se o candidato confunde a função de esclarecimento com a de enumeração.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque os dois-pontos não anunciam a fala de alguém. Para anunciar fala, seria necessário um discurso direto, como "A menina gritou: - Saia daqui!". No trecho do texto, não há diálogo nem fala de personagem — há apenas a explicação do autor sobre a impossibilidade de apelar à Justiça. A alternativa confunde a função de introduzir fala com a de introduzir esclarecimento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa está incorreta porque os dois-pontos não indicam uma citação. Uma citação seria a reprodução literal de palavras de outra pessoa, como "Dizia o sábio: 'Conhece-te a ti mesmo'". No trecho do texto, o que segue os dois-pontos é uma afirmação do próprio autor, não a transcrição de uma fala alheia. A alternativa testa se o candidato confunde citação com explicação.

Conclusão: a questão cobra a função contextual dos dois-pontos, não a regra decorada. A resposta correta é a letra A, pois o trecho após os dois-pontos apresenta a consequência lógica — o resultado — da impossibilidade de apelar à Justiça. As demais alternativas descrevem funções que não se aplicam ao trecho, como enumeração, citação, fala ou aposto.

Gabarito: letra A.

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