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Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — FUNDATEC 2025

PortuguêsSinônimos e Antônimos
Código
qa671786
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Lajeado (RS)
Ano
2025
Cargo
Ana Sis (Pref Lajeado)

A pontualidade sagrada do teatro

 

Por Fabrício Carpinejar

 

Como podemos definir se um país é civilizado?

 

Pela pontualidade, pelo rigor dos horários, por honrar os compromissos assumidos.

 

O ator Antonio Fagundes, 76 anos, está sendo processado por não admitir que retardatários entrem em sua peça. Não importa que sejam meros minutos: as portas se fecham.

 

Ele tem razão. Está coberto de razão. Não é intolerância de sua parte, mas respeito com a platéia e com a qualidade da performance.

 

Se você se atrasa alguns segundos para uma prova de concurso, não entra. Se você se atrasa alguns segundos para um embarque no aeroporto, também não entra. E não há como apelar à Justiça por seus direitos. É uma questão de igualdade com quem compareceu na hora.

 

Por que para o teatro teria que ser diferente?

 

Não é como uma sessão de cinema, que possibilita maior flexibilidade, pois nela não há atores em cena — consiste em uma projeção. Os atrasados incomodam o público já acomodado ao procurar seus assentos no escuro, mas não tiram a concentração do elenco. É dos males o menor.

 

O teatro exige atenção máxima, numa interação ao vivo, única, irrepetível, que depende do silêncio e da ordem para dar sequência à trama. Na maioria das vezes, os atores sequer usam microfone, exercitam a empostação da voz. Um barulho, uma conversa paralela, a luz da tela do celular realmente perturbam.

 

Fagundes é alvo de uma nova ação judicial (somando nove, até agora), protocolada em março no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), por ter impedido a entrada de um casal que não levou ao pé da letra o horário da peça Dois de Nós, no Teatro da PUC-SP. O par reclamante pede uma indenização de R$ 20 mil por danos morais e cerca de R$ 500 por danos materiais, alegando que a recusa foi “arbitrária e abusiva”

 

Todo mundo sabe que não se deve chegar atrasado ao teatro. Existem três sinais para anunciar a abertura da apresentação, conhecidos como “pancadas de Molière”, para que ninguém perca o início.

 

O primeiro, com um toque longo, acontece dez minutos antes; o segundo, com dois toques longos, é dado cinco minutos antes; o terceiro, com três toques longos, prenuncia a abertura das cortinas.

 

Mas parece que ainda se acredita no jeitinho brasileiro, na exceção, na concessão de privilégios, fazendo-se ouvidos moucos para a campainha.

 

É a mentalidade arraigada em nosso comportamento de furar a fila, de não ser como os outros, de desdenhar da noção coletiva de paridade.

 

E isso que o próprio ator, calejado na produção de eventos, já recorre à redundância, a exemplo dos cartazes de “proibido fumar” no avião.

 

A advertência consta no ingresso e nos materiais de divulgação online da peça. Aliás, quem compra o ingresso precisa concordar com um termo informando que não será permitida a entrada após o início do espetáculo — justamente para evitar brechas de contestação no Código de Defesa do Consumidor.

 

Mesmo com tamanha cautela, estresses são recorrentes, sobrecarregando a Justiça com demandas corriqueiras e nada imprescindíveis.

 

Nem as evidências por escrito sensibilizam os espectadores mais renitentes.

 

É uma pena que a exatidão e a assiduidade não sejam aplicadas espontaneamente. É uma lástima que o bom senso não prevaleça, que sigamos com a cultura da imprecisão.

 

Veja como andamos falhando com a educação. Fagundes, com mais de 40 novelas e 50 filmes nas costas, um catatau de prêmios (quatro Prêmios APCA, dois Prêmios Molière, dois Prêmios Qualidade Brasil, dois Troféus Imprensa) no lombo, está lutando pelo óbvio.

 

Não merecia passar por esse perrengue quem já mostrou seu valor encantando nossos olhos com atuações límpidas, oralidade impoluta e personagens inesquecíveis.

 

Que presente estamos oferecendo a ele, que completa seis décadas de carreira no ano que vem.

 

Não deixa de ser constrangedora a forma como tratamos nossos melhores artistas.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2025/06/a-pontualidade-

sagrada-do-teatro-cmbr07d5x000r019s55xujglc – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta uma palavra que possa substituir corretamente o vocábulo “renitentes” sem causar alterações significativas ao sentido do trecho em que ocorre.

  1. AGrosseiros.
  2. BInsensíveis.
  3. CObedientes.
  4. DObstinados.
  5. EPacientes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Obstinados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sinônimos de “renitentes” no contexto — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. A palavra “renitentes” significa obstinados, teimosos, que insistem em uma atitude. No texto, o autor critica os espectadores que, mesmo com avisos claros, insistem em chegar atrasados. A alternativa D é a única que preserva esse sentido de insistência teimosa, como se vê no trecho: “Nem as evidências por escrito sensibilizam os espectadores mais renitentes.”

A questão pede uma substituição vocabular sem alteração significativa de sentido. Isso é uma tarefa de sinonímia contextual: não basta saber o significado isolado da palavra; é preciso verificar qual alternativa mantém o sentido no contexto específico em que ela aparece. O vocábulo “renitentes” qualifica os espectadores que, apesar de todas as advertências (ingresso, termo de concordância, cartazes), insistem em chegar atrasados — ou seja, são obstinados em seu comportamento.

“Nem as evidências por escrito sensibilizam os espectadores mais renitentes.”

Aqui, “renitentes” não tem relação com grosseria, insensibilidade, obediência ou paciência. O sentido é de teimosia, persistência em uma conduta reprovável. O autor já havia dito antes: “Mas parece que ainda se acredita no jeitinho brasileiro, na exceção, na concessão de privilégios, fazendo-se ouvidos moucos para a campainha.” — ou seja, os espectadores insistem em não respeitar o horário.

A técnica para resolver é: substitua mentalmente cada alternativa no trecho e veja se o sentido permanece. A palavra “obstinados” cabe perfeitamente: “os espectadores mais obstinados” = os mais teimosos em chegar atrasados. As demais alternativas ou mudam o sentido (grosseiros, insensíveis) ou o contradizem (obedientes, pacientes).

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Grosseiros” significa mal-educados, rudes. O texto não diz que os espectadores são grosseiros; diz que eles insistem em chegar atrasados. A substituição alteraria o sentido, pois o foco não é a falta de educação, mas a teimosia. Erro: troca de conceito — atribui um traço de caráter que o texto não menciona.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Insensíveis” significa que não se emocionam, indiferentes a sentimentos. O texto não fala de sensibilidade emocional, mas de insistência em um comportamento. Substituir “renitentes” por “insensíveis” mudaria o sentido para uma frieza afetiva que não está em questão. Erro: troca de conceito — desloca o sentido para uma característica emocional ausente no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Obedientes” é o antônimo do que o texto descreve. Os espectadores renitentes desobedecem às regras de pontualidade, ignorando os avisos. Substituir por “obedientes” contradiria o texto, que critica justamente a desobediência. Erro: contradiz o texto — inverte o sentido.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Obstinados” significa teimosos, persistentes, que não desistem de uma atitude. É exatamente o sentido de “renitentes” no contexto: espectadores que, apesar de todas as advertências, insistem em chegar atrasados. A substituição preserva o sentido de insistência teimosa que o autor critica. Como se lê no trecho: “Nem as evidências por escrito sensibilizam os espectadores mais renitentes” — ou seja, os mais obstinados.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Pacientes” significa que espera com calma, tolerante. O texto não fala de paciência; fala de insistência em um comportamento inadequado. Um espectador paciente esperaria o início da peça, mas o renitente insiste em entrar atrasado. A substituição mudaria o sentido para uma virtude que o texto não atribui a eles. Erro: troca de conceito — introduz uma qualidade positiva que não corresponde à crítica do autor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre “renitente” (teimoso, obstinado) e palavras com conotação negativa genérica (grosseiro, insensível) ou positiva (obediente, paciente). A chave é perceber que o texto critica a insistência no atraso, não a grosseria ou a falta de sensibilidade.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de sinonímia, substitua a palavra no trecho e veja se o sentido permanece. Não escolha pelo significado isolado — o contexto é o juiz.

Gabarito: letra D.

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