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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa671834
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UENF
Ano
2025
Cargo
TPNM ( )

Texto 1

 

Linguagem simples avança para reduzir jargões e

juridiquês no setor público

 

Projeto que tramita no Senado prevê comunicação

mais simples na administração pública em todos os

níveis da federação

 

por Luany Galdeano

 

O uso da linguagem simples avança no setor público como forma de criar uma comunicação mais compreensível para cidadãos, sem jargões e excesso de formalidade. O objetivo, com isso, é facilitar o uso de serviços e tornar a burocracia mais acessível.

 

No último dia 30, o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples avançou no Senado, depois de aprovado pela Comissão de Comunicação e Direito Digital. O texto prevê que a comunicação de entidades públicas em todos os níveis da federação seja simplificada e detalha as técnicas para cumprir esse objetivo: uso de frases curtas e na ordem direta, expor apenas uma ideia por parágrafo e adotar palavras mais conhecidas pelo público. O projeto segue para análise da Comissão de Transparência e Governança.

 

Em Minas Gerais, a Secretaria de Planejamento organiza a semana de linguagem simples, para incentivar a adoção da técnica em órgãos do estado - Ascom/Seplag-MG. Antes do PL, o tema já vinha ganhando espaço em iniciativas de alguns órgãos públicos. No ano passado, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) instituiu o selo da linguagem simples para reconhecer segmentos do Judiciário que têm avançado na implementação da prática.

 

No Tribunal de Justiça do Ceará, por exemplo, varas de execução penal adotaram a linguagem simples para que presos em regimes aberto e semiaberto entendam melhor as condições de suas penas e, assim, evitem o retorno ao encarceramento.

 

“A linguagem simples não é coloquial. Muita gente confunde isso e acha que está empobrecendo a língua portuguesa”, diz Luana Faria, coordenadora-geral do Labora Gov (Laboratório de Gestão Inovadora), vinculado ao Ministério da Gestão. “Aprendemos que escrever difícil é bonito, mas não é. É uma forma de criar barreiras de acesso aos serviços, o que afeta até o exercício da cidadania.”

 

A prática não é nova. Começou na década de 1940, nos governos da Inglaterra e dos Estados Unidos, para melhorar a comunicação com o cidadão. Com o tempo, foi institucionalizada e se expandiu para outros países. Hoje, está presente em iniciativas de governos como México, Peru e Canadá.

 

No Executivo federal, o Labora trabalha com órgãos para implementar essa técnica. De acordo com Luana, muitas entidades pedem ajuda ao laboratório depois de receber um alto número de reclamações, quando usuários enfrentam dificuldade para entender o passo a passo de acesso a um serviço. “Acontece de culpabilizarem o cidadão, dizerem que ele não está entendendo o site ou que não leu o manual. Mas, se muitas pessoas estão errando, a culpa não é delas. É nossa”, diz.

 

Materiais que usam a linguagem simples estão tanto em serviços, como no gov.br, quanto em postagens nas redes sociais. No caso dos serviços, todos devem ser testados com o público-alvo antes de irem ao ar, segundo Luana.

 

A mesma técnica é aplicada na prefeitura de São Paulo, de acordo com Mar Alves, que atuou no programa de linguagem simples da cidade e hoje é consultora nessa área.

 

Antes de adaptar algum material, é preciso identificar o público-alvo para entender qual a forma mais adequada de se comunicar. Isso vai definir o que será mudado e como, segundo a consultora.

 

Se o público-alvo têm alto índice de analfabetismo ou dificuldade para ler e entender textos, por exemplo, o conteúdo deve ser feito usando mais recursos visuais, como fotos e ilustrações. A linguagem simples também precisa ser acompanhada da acessibilidade, como leitores de tela, no caso dos serviços online. “É importante fazer essa testagem, pegar o texto e falar com essa pessoa para olhar o documento e me dizer se ela realmente consegue entender”, afirma Mar.

 

Em São Paulo, ela diz que um dos maiores desafios era no atendimento do Cras (Centro de Referência de Assistência Social). O órgão recebia muitos usuários com dificuldade para entender como preencher formulários. A partir dessa demanda, a equipe da prefeitura se reuniu com os profissionais do Cras, deu orientações e fez mudanças para tornar o documento mais compreensível.

 

Em Minas Gerais, o Laboratório de Inovação em Governo, vinculado à Secretaria de Planejamento, tem atuado para adaptar sites, serviços e documentos.

 

Hoje, a pasta trabalha para simplificar a linguagem de documentos que vão desde editais até cartilhas de vigilância sanitária, além de auxiliar outros órgãos estaduais a melhorar o uso de sites e aplicativos.

 

Ana Flávia Morais, subsecretária de Inovação e Gestão Estratégica da pasta, diz que um dos desafios é contornar a resistência de burocratas para mudar a comunicação. “As pessoas que têm um contato direto com o cidadão são mais facilmente convencidas da importância de adaptarem a forma de se comunicar. Já as que trabalham com esses documentos mais burocráticos, têm muito receio por causa da validade jurídica.”

 

No Ceará, o apoio aos órgãos na adaptação da linguagem simples é feito pelo Íris Lab (Laboratório de Inovação e Dados).

 

Neste ano, foi lançado o edital Mulheres Rurais, voltado a negócios feitos por mulheres que moram na zona rural. Em uma pesquisa de satisfação, o governo identificou que, para 91% das candidatas, o edital era de fácil entendimento. Além disso, 95% disseram que a linguagem simples incentivou a inscrição.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/11/

linguagem-simples-avanca-para-reduzir-jargoes-e-juridiques-no-

setor-publico.shtml. Acesso em: 19 mai. 2025.

No que se refere ao Texto 1 e ao seu contexto, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).

 

I. O texto tem como objetivo informar o leitor sobre a tramitação de um projeto de lei no Senado e, ao mesmo tempo, apresentar exemplos de sua aplicação prática em órgãos públicos brasileiros.

 

II. Trata-se de um texto dissertativo- argumentativo, no qual a autora defende a substituição da norma-padrão por registros populares, ou seja, a variação linguística, com o objetivo de democratizar o acesso à linguagem escrita.

 

III. Ao apresentar trechos de falas como a de Luana Faria e casos como o do edital “Mulheres Rurais”, o texto utiliza estratégias de exemplificação e depoimento como forma de reforçar o valor prático da proposta de linguagem simples.

  1. AApenas I e III.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas I.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Apenas I e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Linguagem simples: objetivo informativo e estratégias de exemplificação

Gabarito: letra A (apenas I e III). A assertiva II é a única falsa: ela afirma que o texto defende a "substituição da norma-padrão por registros populares", mas o texto faz exatamente o contrário — a coordenadora Luana Faria diz que "a linguagem simples não é coloquial" e que não se trata de "empobrecendo a língua portuguesa". O texto é majoritariamente informativo/expositivo (notícia), não dissertativo-argumentativo, e não defende variação linguística, e sim clareza dentro da norma culta.

O comando pede que você analise as assertivas e marque a alternativa com a(s) correta(s). Isso é uma questão de compreensão (o que o texto afirma) e de tipologia textual (qual a intenção predominante). A técnica é: para cada assertiva, pergunte "o texto autoriza isto?" e confronte com a passagem exata. A assertiva I é uma paráfrase fiel do 1º e 2º parágrafos; a III é confirmada pelos exemplos do CNJ, do TJ-CE e do edital Mulheres Rurais; a II extrapola e contradiz o texto ao inventar uma defesa de "registros populares" que não existe.

O comando e o texto

O enunciado pede para "analisar as assertivas" — ou seja, cada item deve ser julgado verdadeiro ou falso frente ao texto. Não é uma questão de inferência profunda: a maioria das respostas está explícita. O texto é uma notícia (gênero informativo) sobre a tramitação de um PL no Senado e a aplicação da linguagem simples em órgãos públicos. A tese não é uma opinião da autora defendendo algo, mas a constatação de que a prática "avança no setor público".

A técnica que decide

A armadilha central está na assertiva II. Ela mistura dois erros clássicos do catálogo:

  1. Contradizer o texto: o texto afirma que "a linguagem simples não é coloquial" e que não se trata de "empobrecendo a língua portuguesa". A assertiva diz o oposto: que o texto defende "registros populares" e "variação linguística".

  2. Extrapolar: o texto não defende a substituição da norma-padrão; ele defende clareza e acessibilidade dentro da norma culta. A assertiva inventa uma tese que não está no texto.

"A linguagem simples não é coloquial. Muita gente confunde isso e acha que está empobrecendo a língua portuguesa"

Essa passagem é a prova definitiva: a autora (via depoimento de Luana Faria) nega que linguagem simples seja coloquial ou empobrecimento. A assertiva II afirma exatamente o que o texto nega.

1O que é
Clareza e acessibilidade
Dentro da norma culta
2O que NÃO é
Não é coloquial
Não empobrece a língua
3Estratégias do texto
Informativo (notícia)
Exemplos (TJ-CE, edital)
Depoimentos (Luana Faria)
Linguagem simples
LEVELsoulevel.com.br
Linguagem simples: O que é (Clareza e acessibilidade, Dentro da norma culta); O que NÃO é (Não é coloquial, Não empobrece a língua); Estratégias do texto (Informativo (notícia), Exemplos (TJ-CE, edital), Depoimentos (Luana Faria))

Assertiva I — ✅ Correta

A assertiva I diz que o texto informa sobre a tramitação de um PL no Senado e apresenta exemplos de aplicação prática. Isso é uma paráfrase fiel do texto:

"No último dia 30, o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples avançou no Senado"

E os exemplos práticos estão espalhados pelo texto: o CNJ, o TJ do Ceará, o Labora Gov, a prefeitura de São Paulo, o edital Mulheres Rurais. A assertiva I é correta.

Assertiva II — ❌ Incorreta

A assertiva II comete dois erros graves:

  1. Tipologia: classifica o texto como "dissertativo-argumentativo", mas o texto é uma notícia (informativo/expositivo). A autora não defende uma tese com argumentos; ela relata fatos e depoimentos.

  2. Conteúdo: afirma que o texto defende "substituição da norma-padrão por registros populares". O texto nega isso explicitamente:

"A linguagem simples não é coloquial. Muita gente confunde isso e acha que está empobrecendo a língua portuguesa"

A assertiva contradiz o texto e extrapola ao inventar uma defesa de variação linguística. Incorreta.

Assertiva III — ✅ Correta

A assertiva III afirma que o texto usa exemplos e depoimentos para reforçar o valor prático da proposta. Isso é verdadeiro e facilmente comprovável:

"No Tribunal de Justiça do Ceará, por exemplo, varas de execução penal adotaram a linguagem simples para que presos em regimes aberto e semiaberto entendam melhor as condições de suas penas"

E o depoimento de Luana Faria:

"Aprendemos que escrever difícil é bonito, mas não é. É uma forma de criar barreiras de acesso aos serviços"

Além do caso do edital Mulheres Rurais, com dados de satisfação (91% acharam fácil, 95% foram incentivadas). A assertiva III é correta.

Conclusão

A única assertiva falsa é a II, que contradiz o texto ao afirmar que ele defende "registros populares" e "variação linguística" — quando o texto diz exatamente o oposto. Portanto, estão corretas apenas I e III.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de assertivas, grife as palavras absolutas e as teses fortes. "Substituição da norma-padrão" é uma tese forte que exigiria uma defesa explícita no texto — se o texto nega, a assertiva é falsa.

Gabarito: letra A

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