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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
qa671838
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UENF
Ano
2025
Cargo
TPNM ( )

Texto 1

 

Linguagem simples avança para reduzir jargões e

juridiquês no setor público

 

Projeto que tramita no Senado prevê comunicação

mais simples na administração pública em todos os

níveis da federação

 

por Luany Galdeano

 

O uso da linguagem simples avança no setor público como forma de criar uma comunicação mais compreensível para cidadãos, sem jargões e excesso de formalidade. O objetivo, com isso, é facilitar o uso de serviços e tornar a burocracia mais acessível.

 

No último dia 30, o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples avançou no Senado, depois de aprovado pela Comissão de Comunicação e Direito Digital. O texto prevê que a comunicação de entidades públicas em todos os níveis da federação seja simplificada e detalha as técnicas para cumprir esse objetivo: uso de frases curtas e na ordem direta, expor apenas uma ideia por parágrafo e adotar palavras mais conhecidas pelo público. O projeto segue para análise da Comissão de Transparência e Governança.

 

Em Minas Gerais, a Secretaria de Planejamento organiza a semana de linguagem simples, para incentivar a adoção da técnica em órgãos do estado - Ascom/Seplag-MG. Antes do PL, o tema já vinha ganhando espaço em iniciativas de alguns órgãos públicos. No ano passado, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) instituiu o selo da linguagem simples para reconhecer segmentos do Judiciário que têm avançado na implementação da prática.

 

No Tribunal de Justiça do Ceará, por exemplo, varas de execução penal adotaram a linguagem simples para que presos em regimes aberto e semiaberto entendam melhor as condições de suas penas e, assim, evitem o retorno ao encarceramento.

 

“A linguagem simples não é coloquial. Muita gente confunde isso e acha que está empobrecendo a língua portuguesa”, diz Luana Faria, coordenadora-geral do Labora Gov (Laboratório de Gestão Inovadora), vinculado ao Ministério da Gestão. “Aprendemos que escrever difícil é bonito, mas não é. É uma forma de criar barreiras de acesso aos serviços, o que afeta até o exercício da cidadania.”

 

A prática não é nova. Começou na década de 1940, nos governos da Inglaterra e dos Estados Unidos, para melhorar a comunicação com o cidadão. Com o tempo, foi institucionalizada e se expandiu para outros países. Hoje, está presente em iniciativas de governos como México, Peru e Canadá.

 

No Executivo federal, o Labora trabalha com órgãos para implementar essa técnica. De acordo com Luana, muitas entidades pedem ajuda ao laboratório depois de receber um alto número de reclamações, quando usuários enfrentam dificuldade para entender o passo a passo de acesso a um serviço. “Acontece de culpabilizarem o cidadão, dizerem que ele não está entendendo o site ou que não leu o manual. Mas, se muitas pessoas estão errando, a culpa não é delas. É nossa”, diz.

 

Materiais que usam a linguagem simples estão tanto em serviços, como no gov.br, quanto em postagens nas redes sociais. No caso dos serviços, todos devem ser testados com o público-alvo antes de irem ao ar, segundo Luana.

 

A mesma técnica é aplicada na prefeitura de São Paulo, de acordo com Mar Alves, que atuou no programa de linguagem simples da cidade e hoje é consultora nessa área.

 

Antes de adaptar algum material, é preciso identificar o público-alvo para entender qual a forma mais adequada de se comunicar. Isso vai definir o que será mudado e como, segundo a consultora.

 

Se o público-alvo têm alto índice de analfabetismo ou dificuldade para ler e entender textos, por exemplo, o conteúdo deve ser feito usando mais recursos visuais, como fotos e ilustrações. A linguagem simples também precisa ser acompanhada da acessibilidade, como leitores de tela, no caso dos serviços online. “É importante fazer essa testagem, pegar o texto e falar com essa pessoa para olhar o documento e me dizer se ela realmente consegue entender”, afirma Mar.

 

Em São Paulo, ela diz que um dos maiores desafios era no atendimento do Cras (Centro de Referência de Assistência Social). O órgão recebia muitos usuários com dificuldade para entender como preencher formulários. A partir dessa demanda, a equipe da prefeitura se reuniu com os profissionais do Cras, deu orientações e fez mudanças para tornar o documento mais compreensível.

 

Em Minas Gerais, o Laboratório de Inovação em Governo, vinculado à Secretaria de Planejamento, tem atuado para adaptar sites, serviços e documentos.

 

Hoje, a pasta trabalha para simplificar a linguagem de documentos que vão desde editais até cartilhas de vigilância sanitária, além de auxiliar outros órgãos estaduais a melhorar o uso de sites e aplicativos.

 

Ana Flávia Morais, subsecretária de Inovação e Gestão Estratégica da pasta, diz que um dos desafios é contornar a resistência de burocratas para mudar a comunicação. “As pessoas que têm um contato direto com o cidadão são mais facilmente convencidas da importância de adaptarem a forma de se comunicar. Já as que trabalham com esses documentos mais burocráticos, têm muito receio por causa da validade jurídica.”

 

No Ceará, o apoio aos órgãos na adaptação da linguagem simples é feito pelo Íris Lab (Laboratório de Inovação e Dados).

 

Neste ano, foi lançado o edital Mulheres Rurais, voltado a negócios feitos por mulheres que moram na zona rural. Em uma pesquisa de satisfação, o governo identificou que, para 91% das candidatas, o edital era de fácil entendimento. Além disso, 95% disseram que a linguagem simples incentivou a inscrição.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/11/

linguagem-simples-avanca-para-reduzir-jargoes-e-juridiques-no-

setor-publico.shtml. Acesso em: 19 mai. 2025.

Considerando a significação e a função das palavras e expressões na construção do sentido do Texto 1, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).

 

I. Em “O objetivo, com isso, é facilitar o uso de serviços e tornar a burocracia mais acessível.”, o termo “acessível” poderia ser substituído pelo vocábulo “ininteligível”, sem quaisquer alterações de sentido, uma vez que ambos expressam a intenção de promover uma comunicação mais clara entre o Estado e a população.

 

II. Em “É uma forma de criar barreiras de acesso aos serviços, o que afeta até o exercício da cidadania.”, a expressão “criar barreiras” contrapõe-se semanticamente à ideia de inclusão, reforçando a crítica à linguagem técnica que dificulta a compreensão dos serviços públicos.

 

III. Em “[...] depois de receber um alto número de reclamações, quando usuários enfrentam dificuldade para entender o passo a passo de acesso a um serviço.”, a substituição do vocábulo “reclamações” por “queixas” preserva o sentido geral da ideia.

  1. AApenas II.
  2. BApenas III.
  3. CApenas I e III.
  4. DApenas II e III.
  5. E I, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Significação de vocábulos e expressões no Texto 1

Gabarito: letra D. Apenas as assertivas II e III estão corretas. A assertiva I é falsa porque "acessível" e "ininteligível" são antônimos, não sinônimos: a primeira expressa a ideia de algo que se pode compreender ou alcançar, enquanto a segunda significa exatamente o oposto — algo que não se consegue entender. O próprio texto, ao defender a linguagem simples, afirma que o objetivo é "tornar a burocracia mais acessível", ou seja, mais compreensível, o que invalida a substituição proposta.

O comando da questão

O enunciado pede que se analise a significação e a função de palavras e expressões no contexto do Texto 1. Isso significa que não basta conhecer o sentido literal dos vocábulos; é preciso verificar se a substituição ou a interpretação proposta preserva o sentido que a palavra assume naquele trecho específico. A questão mistura dois tipos de cobrança: sinonímia/antonímia contextual (assertivas I e III) e interpretação de expressão com valor semântico (assertiva II).

O texto e o movimento argumentativo

O Texto 1 defende a adoção da linguagem simples no setor público como forma de tornar a comunicação mais compreensível para o cidadão. A tese central é que a linguagem técnica e cheia de jargões cria barreiras de acesso aos serviços públicos. Essa ideia aparece explicitamente na fala de Luana Faria: "É uma forma de criar barreiras de acesso aos serviços, o que afeta até o exercício da cidadania." É exatamente essa passagem que sustenta a assertiva II.

A técnica que decide

Para cada assertiva, o método é o mesmo: testar a substituição ou a interpretação proposta contra o sentido que o texto constrói. Pergunte: "o texto autoriza essa leitura?" ou "a troca de palavra preserva o sentido original?".

  • Assertiva I: "acessível" significa "que se pode acessar, compreender"; "ininteligível" significa "que não se pode entender". São antônimos. A substituição inverteria completamente o sentido da frase, que defende justamente o oposto: tornar a burocracia compreensível.

  • Assertiva II: "criar barreiras" é o oposto de "incluir". A expressão, no contexto, critica a linguagem técnica que dificulta o acesso. A assertiva está correta ao identificar essa oposição semântica.

  • Assertiva III: "reclamações" e "queixas" são sinônimos nesse contexto. Ambas expressam a insatisfação do usuário. A substituição preserva o sentido.

Significação de vocábulos
  • 1Sinonímia
    • Reclamações = queixas (III)
  • 2Antonímia
    • Acessível ≠ ininteligível (I)
  • 3Oposição semântica
    • Criar barreiras × inclusão (II)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que apenas a assertiva II é correta. A assertiva III também é correta, pois "reclamações" e "queixas" são sinônimos contextuais. A alternativa restringe o conjunto de assertivas corretas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que apenas a assertiva III é correta. A assertiva II também é correta, pois "criar barreiras" se opõe semanticamente à inclusão, como o texto demonstra. A alternativa restringe o conjunto de assertivas corretas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que as assertivas I e III são corretas. A assertiva I é falsa, pois "acessível" e "ininteligível" são antônimos. A alternativa contradiz o sentido do texto ao aceitar uma substituição que inverteria a ideia defendida.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

As assertivas II e III estão corretas. A II identifica corretamente a oposição semântica de "criar barreiras" em relação à inclusão, como se lê no trecho:

"É uma forma de criar barreiras de acesso aos serviços, o que afeta até o exercício da cidadania."

A III está correta porque "reclamações" e "queixas" são sinônimos nesse contexto, preservando o sentido da frase. A assertiva I é falsa, pois "acessível" e "ininteligível" são antônimos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que todas as assertivas são corretas. A assertiva I é falsa, pois a substituição de "acessível" por "ininteligível" alteraria completamente o sentido, já que são palavras de sentido oposto. A alternativa contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca um vocábulo por seu antônimo (acessível × ininteligível) e afirma que não há alteração de sentido. A armadilha está em confiar na aparência de que ambas as palavras se relacionam à comunicação, sem perceber que uma expressa o que se entende e a outra o que não se entende.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar substituições, pergunte-se: "a palavra trocada é sinônima ou antônima no contexto?". Se for antônima, a substituição sempre altera o sentido. Desconfie de assertivas que afirmam que palavras de sentido oposto podem ser trocadas sem prejuízo.

Gabarito: letra D. A questão ensina que a significação de uma palavra é determinada pelo contexto: o que parece equivalente pode ser exatamente o oposto. Sempre confira se a substituição preserva ou inverte a ideia defendida pelo texto.

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