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Questão de Português — Vocábulo "Que" — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
qa671840
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UENF
Ano
2025
Cargo
TPNM ( )

Texto 1

 

Linguagem simples avança para reduzir jargões e

juridiquês no setor público

 

Projeto que tramita no Senado prevê comunicação

mais simples na administração pública em todos os

níveis da federação

 

por Luany Galdeano

 

O uso da linguagem simples avança no setor público como forma de criar uma comunicação mais compreensível para cidadãos, sem jargões e excesso de formalidade. O objetivo, com isso, é facilitar o uso de serviços e tornar a burocracia mais acessível.

 

No último dia 30, o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples avançou no Senado, depois de aprovado pela Comissão de Comunicação e Direito Digital. O texto prevê que a comunicação de entidades públicas em todos os níveis da federação seja simplificada e detalha as técnicas para cumprir esse objetivo: uso de frases curtas e na ordem direta, expor apenas uma ideia por parágrafo e adotar palavras mais conhecidas pelo público. O projeto segue para análise da Comissão de Transparência e Governança.

 

Em Minas Gerais, a Secretaria de Planejamento organiza a semana de linguagem simples, para incentivar a adoção da técnica em órgãos do estado - Ascom/Seplag-MG. Antes do PL, o tema já vinha ganhando espaço em iniciativas de alguns órgãos públicos. No ano passado, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) instituiu o selo da linguagem simples para reconhecer segmentos do Judiciário que têm avançado na implementação da prática.

 

No Tribunal de Justiça do Ceará, por exemplo, varas de execução penal adotaram a linguagem simples para que presos em regimes aberto e semiaberto entendam melhor as condições de suas penas e, assim, evitem o retorno ao encarceramento.

 

“A linguagem simples não é coloquial. Muita gente confunde isso e acha que está empobrecendo a língua portuguesa”, diz Luana Faria, coordenadora-geral do Labora Gov (Laboratório de Gestão Inovadora), vinculado ao Ministério da Gestão. “Aprendemos que escrever difícil é bonito, mas não é. É uma forma de criar barreiras de acesso aos serviços, o que afeta até o exercício da cidadania.”

 

A prática não é nova. Começou na década de 1940, nos governos da Inglaterra e dos Estados Unidos, para melhorar a comunicação com o cidadão. Com o tempo, foi institucionalizada e se expandiu para outros países. Hoje, está presente em iniciativas de governos como México, Peru e Canadá.

 

No Executivo federal, o Labora trabalha com órgãos para implementar essa técnica. De acordo com Luana, muitas entidades pedem ajuda ao laboratório depois de receber um alto número de reclamações, quando usuários enfrentam dificuldade para entender o passo a passo de acesso a um serviço. “Acontece de culpabilizarem o cidadão, dizerem que ele não está entendendo o site ou que não leu o manual. Mas, se muitas pessoas estão errando, a culpa não é delas. É nossa”, diz.

 

Materiais que usam a linguagem simples estão tanto em serviços, como no gov.br, quanto em postagens nas redes sociais. No caso dos serviços, todos devem ser testados com o público-alvo antes de irem ao ar, segundo Luana.

 

A mesma técnica é aplicada na prefeitura de São Paulo, de acordo com Mar Alves, que atuou no programa de linguagem simples da cidade e hoje é consultora nessa área.

 

Antes de adaptar algum material, é preciso identificar o público-alvo para entender qual a forma mais adequada de se comunicar. Isso vai definir o que será mudado e como, segundo a consultora.

 

Se o público-alvo têm alto índice de analfabetismo ou dificuldade para ler e entender textos, por exemplo, o conteúdo deve ser feito usando mais recursos visuais, como fotos e ilustrações. A linguagem simples também precisa ser acompanhada da acessibilidade, como leitores de tela, no caso dos serviços online. “É importante fazer essa testagem, pegar o texto e falar com essa pessoa para olhar o documento e me dizer se ela realmente consegue entender”, afirma Mar.

 

Em São Paulo, ela diz que um dos maiores desafios era no atendimento do Cras (Centro de Referência de Assistência Social). O órgão recebia muitos usuários com dificuldade para entender como preencher formulários. A partir dessa demanda, a equipe da prefeitura se reuniu com os profissionais do Cras, deu orientações e fez mudanças para tornar o documento mais compreensível.

 

Em Minas Gerais, o Laboratório de Inovação em Governo, vinculado à Secretaria de Planejamento, tem atuado para adaptar sites, serviços e documentos.

 

Hoje, a pasta trabalha para simplificar a linguagem de documentos que vão desde editais até cartilhas de vigilância sanitária, além de auxiliar outros órgãos estaduais a melhorar o uso de sites e aplicativos.

 

Ana Flávia Morais, subsecretária de Inovação e Gestão Estratégica da pasta, diz que um dos desafios é contornar a resistência de burocratas para mudar a comunicação. “As pessoas que têm um contato direto com o cidadão são mais facilmente convencidas da importância de adaptarem a forma de se comunicar. Já as que trabalham com esses documentos mais burocráticos, têm muito receio por causa da validade jurídica.”

 

No Ceará, o apoio aos órgãos na adaptação da linguagem simples é feito pelo Íris Lab (Laboratório de Inovação e Dados).

 

Neste ano, foi lançado o edital Mulheres Rurais, voltado a negócios feitos por mulheres que moram na zona rural. Em uma pesquisa de satisfação, o governo identificou que, para 91% das candidatas, o edital era de fácil entendimento. Além disso, 95% disseram que a linguagem simples incentivou a inscrição.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/11/

linguagem-simples-avanca-para-reduzir-jargoes-e-juridiques-no-

setor-publico.shtml. Acesso em: 19 mai. 2025.

Com base nos empregos dos termos “que” e “se” no Texto 1, assinale a alternativa INCORRETA quanto à função desses termos na construção do sentido e da coesão textual.

  1. AEm “[...] o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples avançou no Senado [...]”, o termo “que” funciona como pronome relativo, retomando “projeto de lei”.
  2. BEm “Se muitas pessoas estão errando, a culpa não é delas [...]”, o termo “se” expressa uma condição que introduz a justificativa para a afirmação seguinte.
  3. CEm “Aprendemos que escrever difícil é bonito, mas não é.”, o termo “que” funciona como conjunção integrante, introduzindo uma oração subordinada que exerce função de objeto direto do verbo “aprender”.
  4. DEm “É importante fazer essa testagem, pegar o texto e falar com essa pessoa para olhar o documento e me dizer se ela realmente consegue entender [...]”, o termo “se” atua como conjunção integrante, ligando a oração subordinada que completa o sentido do verbo “dizer”.
  5. EEm “[...] o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples [...]”, o termo “que” funciona como conjunção coordenativa aditiva, conectando duas ações com valor de simultaneidade.
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GabaritoE — Em “[...] o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples [...]”, o termo “que” funciona como conjunção coordenativa aditiva, conectando duas ações com valor de simultaneidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções do "que" e do "se": pronome relativo × conjunção integrante

Gabarito: letra E. A alternativa E é a INCORRETA — e é ela a pedida — porque classifica o "que" de "o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples" como conjunção coordenativa aditiva, quando, na verdade, ele é pronome relativo (retoma "projeto de lei" e introduz oração subordinada adjetiva restritiva). A prova está na própria alternativa A, que acerta a classificação, e na possibilidade de substituir o "que" por "o qual": "o projeto de lei o qual estabelece...".

O comando pede a alternativa INCORRETA quanto à função dos termos "que" e "se" na construção do sentido e da coesão. Isso muda tudo: não basta saber a classe gramatical isolada; é preciso verificar o papel que o termo exerce no trecho citado — se retoma um antecedente (pronome relativo), se introduz uma oração que completa o sentido de um verbo (conjunção integrante) ou se estabelece uma relação lógica entre orações (conjunção condicional). A banca mistura as três funções justamente porque "que" e "se" são os vocábulos mais polissêmicos da língua.

A técnica decisiva é o teste de substituição. Para saber se "que" é pronome relativo, troque-o por "o qual/a qual/os quais/as quais": se a troca for possível sem prejuízo de sentido, é pronome relativo. Para saber se "que" ou "se" é conjunção integrante, troque a oração iniciada por eles por ISSO: se a frase continuar fazendo sentido, é conjunção integrante. Para saber se "se" é condicional, troque por "caso": se a relação de condição permanecer, é conjunção condicional. Aplicando esses testes a cada trecho, a única alternativa que falha é a E.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a função do "que" — em vez de pronome relativo (que retoma "projeto de lei"), afirma que é conjunção coordenativa aditiva. É uma troca de termo clássica: o candidato que decora a lista de funções sem aplicar o teste de substituição cai na armadilha.

Termo

Trecho citado

Função real

Teste de substituição

Classificação na alternativa

que (A)

"o projeto de lei que estabelece..."

Pronome relativo (retoma "projeto de lei")

Troca por "o qual" → mantém o sentido

✅ Correta

se (B)

"Se muitas pessoas estão errando..."

Conjunção subordinativa condicional

Troca por "caso" → mantém a condição

✅ Correta

que (C)

"Aprendemos que escrever difícil é bonito..."

Conjunção integrante (objetiva direta)

Troca por "ISSO" → "Aprendemos ISSO"

✅ Correta

se (D)

"me dizer se ela realmente consegue entender"

Conjunção integrante (objetiva direta)

Troca por "ISSO" → "me dizer ISSO"

✅ Correta

que (E)

"o projeto de lei que estabelece..."

Pronome relativo (NÃO é conjunção coordenativa)

Troca por "o qual" → mantém o sentido

❌ Incorreta (gabarito)

1Pronome relativo
Troca por "o qual"
Retoma antecedente
Ex.: "projeto de lei que..."
2Conjunção integrante
Troca por "ISSO"
Completa o verbo
Ex.: "dizer se...", "aprendemos que..."
3Conjunção condicional
Troca por "caso"
Ex.: "Se muitas pessoas..."
4Conjunção coordenativa
Liga orações independentes
Ex.: "e" (não é o caso)
"Que" e "se" (funções)
LEVELsoulevel.com.br
"Que" e "se" (funções): Pronome relativo (Troca por "o qual", Retoma antecedente, Ex.: "projeto de lei que..."); Conjunção integrante (Troca por "ISSO", Completa o verbo, Ex.: "dizer se...", "aprendemos que..."); Conjunção condicional (Troca por "caso", Ex.: "Se muitas pessoas..."); Conjunção coordenativa (Liga orações independentes, Ex.: "e" (não é o caso))

Alternativa A — ✅ Correta

"[...] o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples avançou no Senado [...]"

O "que" retoma "projeto de lei" e introduz a oração adjetiva restritiva "que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples". A prova: substitua por "o qual" — "o projeto de lei o qual estabelece..." — e o sentido se mantém. É pronome relativo, exatamente como afirma a alternativa. Correta.

Alternativa B — ✅ Correta

"Se muitas pessoas estão errando, a culpa não é delas [...]"

O "se" introduz uma condição (hipótese) para a afirmação seguinte: "se muitas pessoas estão errando" é a condição sob a qual "a culpa não é delas". Troque por "caso": "Caso muitas pessoas estejam errando, a culpa não é delas" — a relação condicional permanece. É conjunção subordinativa condicional, e a alternativa acerta ao dizer que expressa condição que introduz a justificativa. Correta.

Alternativa C — ✅ Correta

"Aprendemos que escrever difícil é bonito, mas não é."

O "que" introduz a oração "escrever difícil é bonito", que completa o sentido do verbo "aprendemos" (aprendemos o quê? — isso). Troque por ISSO: "Aprendemos ISSO" — a frase continua íntegra. É conjunção integrante introduzindo oração subordinada substantiva objetiva direta (função de objeto direto do verbo "aprender"). A alternativa está correta em tudo. Correta.

Alternativa D — ✅ Correta

"[...] e me dizer se ela realmente consegue entender [...]"

O "se" introduz a oração "ela realmente consegue entender", que completa o sentido do verbo "dizer" (dizer o quê? — isso). Troque por ISSO: "me dizer ISSO" — a frase permanece íntegra. É conjunção integrante introduzindo oração subordinada substantiva objetiva direta. A alternativa acerta ao classificar como conjunção integrante que liga a oração subordinada que completa o sentido do verbo "dizer". Correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

"[...] o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples [...]"

A alternativa afirma que o "que" é conjunção coordenativa aditiva, conectando duas ações com valor de simultaneidade. Isso é falso por três motivos: (1) o "que" retoma "projeto de lei" — é pronome relativo, não conjunção; (2) a oração que ele introduz é subordinada adjetiva restritiva, não coordenada; (3) não há duas ações simultâneas — há um substantivo ("projeto de lei") sendo especificado pela oração relativa. A prova é a substituição por "o qual": "o projeto de lei o qual estabelece...". Conjunção coordenativa aditiva seria "e" (ex.: "o projeto avançou e foi aprovado"), que liga orações independentes — não é o caso. Incorreta — e, como a banca pediu a INCORRETA, é o gabarito.

Conclusão: a questão ensina o método dos testes de substituição — "o qual" para pronome relativo, "ISSO" para conjunção integrante, "caso" para condicional. A alternativa E erra porque classifica o "que" relativo como conjunção coordenativa, um erro que o teste de substituição desmonta na hora. Gabarito: letra E.

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