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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
qa671843
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UENF
Ano
2025
Cargo
TPNM ( )

Texto 1

 

Linguagem simples avança para reduzir jargões e

juridiquês no setor público

 

Projeto que tramita no Senado prevê comunicação

mais simples na administração pública em todos os

níveis da federação

 

por Luany Galdeano

 

O uso da linguagem simples avança no setor público como forma de criar uma comunicação mais compreensível para cidadãos, sem jargões e excesso de formalidade. O objetivo, com isso, é facilitar o uso de serviços e tornar a burocracia mais acessível.

 

No último dia 30, o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples avançou no Senado, depois de aprovado pela Comissão de Comunicação e Direito Digital. O texto prevê que a comunicação de entidades públicas em todos os níveis da federação seja simplificada e detalha as técnicas para cumprir esse objetivo: uso de frases curtas e na ordem direta, expor apenas uma ideia por parágrafo e adotar palavras mais conhecidas pelo público. O projeto segue para análise da Comissão de Transparência e Governança.

 

Em Minas Gerais, a Secretaria de Planejamento organiza a semana de linguagem simples, para incentivar a adoção da técnica em órgãos do estado - Ascom/Seplag-MG. Antes do PL, o tema já vinha ganhando espaço em iniciativas de alguns órgãos públicos. No ano passado, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) instituiu o selo da linguagem simples para reconhecer segmentos do Judiciário que têm avançado na implementação da prática.

 

No Tribunal de Justiça do Ceará, por exemplo, varas de execução penal adotaram a linguagem simples para que presos em regimes aberto e semiaberto entendam melhor as condições de suas penas e, assim, evitem o retorno ao encarceramento.

 

“A linguagem simples não é coloquial. Muita gente confunde isso e acha que está empobrecendo a língua portuguesa”, diz Luana Faria, coordenadora-geral do Labora Gov (Laboratório de Gestão Inovadora), vinculado ao Ministério da Gestão. “Aprendemos que escrever difícil é bonito, mas não é. É uma forma de criar barreiras de acesso aos serviços, o que afeta até o exercício da cidadania.”

 

A prática não é nova. Começou na década de 1940, nos governos da Inglaterra e dos Estados Unidos, para melhorar a comunicação com o cidadão. Com o tempo, foi institucionalizada e se expandiu para outros países. Hoje, está presente em iniciativas de governos como México, Peru e Canadá.

 

No Executivo federal, o Labora trabalha com órgãos para implementar essa técnica. De acordo com Luana, muitas entidades pedem ajuda ao laboratório depois de receber um alto número de reclamações, quando usuários enfrentam dificuldade para entender o passo a passo de acesso a um serviço. “Acontece de culpabilizarem o cidadão, dizerem que ele não está entendendo o site ou que não leu o manual. Mas, se muitas pessoas estão errando, a culpa não é delas. É nossa”, diz.

 

Materiais que usam a linguagem simples estão tanto em serviços, como no gov.br, quanto em postagens nas redes sociais. No caso dos serviços, todos devem ser testados com o público-alvo antes de irem ao ar, segundo Luana.

 

A mesma técnica é aplicada na prefeitura de São Paulo, de acordo com Mar Alves, que atuou no programa de linguagem simples da cidade e hoje é consultora nessa área.

 

Antes de adaptar algum material, é preciso identificar o público-alvo para entender qual a forma mais adequada de se comunicar. Isso vai definir o que será mudado e como, segundo a consultora.

 

Se o público-alvo têm alto índice de analfabetismo ou dificuldade para ler e entender textos, por exemplo, o conteúdo deve ser feito usando mais recursos visuais, como fotos e ilustrações. A linguagem simples também precisa ser acompanhada da acessibilidade, como leitores de tela, no caso dos serviços online. “É importante fazer essa testagem, pegar o texto e falar com essa pessoa para olhar o documento e me dizer se ela realmente consegue entender”, afirma Mar.

 

Em São Paulo, ela diz que um dos maiores desafios era no atendimento do Cras (Centro de Referência de Assistência Social). O órgão recebia muitos usuários com dificuldade para entender como preencher formulários. A partir dessa demanda, a equipe da prefeitura se reuniu com os profissionais do Cras, deu orientações e fez mudanças para tornar o documento mais compreensível.

 

Em Minas Gerais, o Laboratório de Inovação em Governo, vinculado à Secretaria de Planejamento, tem atuado para adaptar sites, serviços e documentos.

 

Hoje, a pasta trabalha para simplificar a linguagem de documentos que vão desde editais até cartilhas de vigilância sanitária, além de auxiliar outros órgãos estaduais a melhorar o uso de sites e aplicativos.

 

Ana Flávia Morais, subsecretária de Inovação e Gestão Estratégica da pasta, diz que um dos desafios é contornar a resistência de burocratas para mudar a comunicação. “As pessoas que têm um contato direto com o cidadão são mais facilmente convencidas da importância de adaptarem a forma de se comunicar. Já as que trabalham com esses documentos mais burocráticos, têm muito receio por causa da validade jurídica.”

 

No Ceará, o apoio aos órgãos na adaptação da linguagem simples é feito pelo Íris Lab (Laboratório de Inovação e Dados).

 

Neste ano, foi lançado o edital Mulheres Rurais, voltado a negócios feitos por mulheres que moram na zona rural. Em uma pesquisa de satisfação, o governo identificou que, para 91% das candidatas, o edital era de fácil entendimento. Além disso, 95% disseram que a linguagem simples incentivou a inscrição.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/11/

linguagem-simples-avanca-para-reduzir-jargoes-e-juridiques-no-

setor-publico.shtml. Acesso em: 19 mai. 2025.

O domínio da norma-padrão da língua portuguesa contribui para a construção de textos claros, coesos e bem estruturados. Sobre o assunto e com base no Texto 1, assinale a alternativa correta.

  1. AEm “Projeto que tramita no Senado prevê comunicação mais simples na administração pública em todos os níveis da federação”, há desvio da norma-padrão quanto ao emprego do acento circunflexo em “prevê”, uma vez que, por se tratar da terceira pessoa do singular do modo indicativo, essa forma verbal não deve ser acentuada.
  2. BEm “Mas, se muitas pessoas estão errando, a culpa não é delas. É nossa [...]”, há desvio da norma-padrão quanto à concordância verbal, uma vez que o recomendado seria “São nossa”, e não “É nossa”, para estabelecer concordância adequada com o sujeito correspondente.
  3. CNo trecho “No ano passado, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) instituiu o selo da linguagem simples para reconhecer segmentos do Judiciário que têm avançado na implementação da prática.”, observa-se um desvio da norma-padrão quanto ao emprego do acento circunflexo no verbo “têm”, uma vez que, por se tratar da terceira pessoa do plural do presente do indicativo, o termo não deveria ser acentuado.
  4. DEm “Se o público-alvo têm alto índice de analfabetismo ou dificuldade para ler e entender textos [...]”, é possível identificar um desvio da norma-padrão no que se refere à concordância verbal, uma vez que o recomendado seria “Se o público-alvo tem”, sem acento circunflexo no verbo “tem”, para estabelecer concordância adequada com o sujeito correspondente.
  5. EEm “[...] as pessoas que têm um contato direto com o cidadão são mais facilmente convencidas da importância de adaptarem a forma de se comunicar.”, é possível identificar um desvio da norma-padrão devido à ausência do sinal grave indicativo de crase no artigo “a” que precede o termo “forma”.
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GabaritoD — Em “Se o público-alvo têm alto índice de analfabetismo ou dificuldade para ler e entender textos [...]”, é possível identificar um desvio da norma-padrão no que se refere à concordância verbal, uma vez que o recomendado seria “Se o público-alvo tem”, sem acento circunflexo no verbo “tem”, para estabelecer concordância adequada com o sujeito correspondente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal e acento diferencial: o caso de "tem" e "têm"

Gabarito: letra D. A alternativa D identifica corretamente um desvio de concordância verbal no trecho "Se o público-alvo têm alto índice de analfabetismo...": o sujeito "público-alvo" está no singular, portanto o verbo "ter" deve flexionar na 3ª pessoa do singular — "tem", sem acento circunflexo. O acento em "têm" marca o plural (eles têm), e usá-lo com sujeito singular é erro de concordância. As demais alternativas ou negam acentos corretos, ou propõem concordâncias equivocadas, ou apontam problemas inexistentes.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique, com base no Texto 1, a alternativa correta sobre o domínio da norma-padrão. Isso significa que cada afirmação deve ser testada contra o que está escrito no texto e contra as regras gramaticais. Não se trata de interpretar o conteúdo, mas de analisar a forma — concordância e acentuação — nos trechos citados.

O texto e o ponto gramatical

O Texto 1 discute a linguagem simples no setor público. Entre os trechos citados nas alternativas, dois envolvem o verbo "ter":

  • "No ano passado, o CNJ ... instituiu o selo ... que têm avançado" (plural, correto);

  • "Se o público-alvo têm alto índice de analfabetismo" (singular, incorreto).

A regra central é a concordância verbal: o verbo deve concordar em número e pessoa com o sujeito. O verbo "ter", na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo, é "tem" (sem acento); na 3ª pessoa do plural, é "têm" (com acento circunflexo, que marca o plural). Esse acento é chamado diferencial, pois distingue singular de plural em verbos como ter, vir, ler, ver.

A técnica que decide

Para resolver, siga dois passos:

  1. Identifique o sujeito de cada verbo destacado.

  2. Verifique se o verbo está na mesma pessoa e número do sujeito.

No trecho da alternativa D, o sujeito é "o público-alvo" (singular). O verbo "têm" está no plural. Logo, há desvio de concordância. A forma correta é "tem".

PEGA ESSA DICA!

Desconfie de "têm" quando o sujeito for singular. O acento circunflexo em "têm" só é correto se o sujeito for plural (eles/elas).

Análise das alternativas

1Singular (tem)
Sem acento
Sujeito: ele/ela
2Plural (têm)
Com acento circunflexo
Sujeito: eles/elas
3Acento diferencial
Distingue singular de plural
Também em: vir, ler, ver
Verbo "ter" no presente
LEVELsoulevel.com.br
Verbo "ter" no presente: Singular (tem) (Sem acento, Sujeito: ele/ela); Plural (têm) (Com acento circunflexo, Sujeito: eles/elas); Acento diferencial (Distingue singular de plural, Também em: vir, ler, ver)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação diz que "prevê" não deveria ser acentuado. Isso é falso. "Prevê" é a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo "prever", e recebe acento circunflexo por ser uma oxítona terminada em "ê" (assim como "vê", "lê", "crê"). O acento é obrigatório. A alternativa contradiz a regra de acentuação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação propõe "São nossa" no lugar de "É nossa". Isso está errado. No trecho, o sujeito de "é" é o pronome demonstrativo "a" (subentendido: "a culpa"), que está no singular. A concordância correta é "É nossa". A alternativa propõe uma concordância equivocada, pois o sujeito é singular.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação diz que "têm" não deveria ser acentuado. Isso é falso. No trecho, o sujeito é "segmentos do Judiciário" (plural), então o verbo "ter" deve estar no plural: "têm". O acento é obrigatório. A alternativa contradiz a regra de acentuação diferencial.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa identifica corretamente o desvio de concordância. No trecho "Se o público-alvo têm alto índice de analfabetismo", o sujeito "público-alvo" é singular, mas o verbo "têm" está no plural. A forma correta é "tem", sem acento. A alternativa está correta e é a única que aponta um erro real.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação diz que falta crase em "a forma". Isso é falso. No trecho "adaptarem a forma de se comunicar", o "a" é apenas artigo definido feminino singular, sem preposição. Não há crase, pois não há fusão de preposição "a" com artigo "a". A alternativa aponta um problema inexistente.

Conclusão

A única alternativa que identifica corretamente um desvio de norma-padrão é a letra D. As demais ou negam acentos corretos, ou propõem concordâncias equivocadas, ou apontam problemas inexistentes. Lembre-se: o acento diferencial em "tem/têm" é uma pegadinha clássica — verifique sempre o número do sujeito.

Gabarito: letra D

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