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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa671848
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UENF
Ano
2025
Cargo
TPNM ( )

Texto 1

 

Linguagem simples avança para reduzir jargões e

juridiquês no setor público

 

Projeto que tramita no Senado prevê comunicação

mais simples na administração pública em todos os

níveis da federação

 

por Luany Galdeano

 

O uso da linguagem simples avança no setor público como forma de criar uma comunicação mais compreensível para cidadãos, sem jargões e excesso de formalidade. O objetivo, com isso, é facilitar o uso de serviços e tornar a burocracia mais acessível.

 

No último dia 30, o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Linguagem Simples avançou no Senado, depois de aprovado pela Comissão de Comunicação e Direito Digital. O texto prevê que a comunicação de entidades públicas em todos os níveis da federação seja simplificada e detalha as técnicas para cumprir esse objetivo: uso de frases curtas e na ordem direta, expor apenas uma ideia por parágrafo e adotar palavras mais conhecidas pelo público. O projeto segue para análise da Comissão de Transparência e Governança.

 

Em Minas Gerais, a Secretaria de Planejamento organiza a semana de linguagem simples, para incentivar a adoção da técnica em órgãos do estado - Ascom/Seplag-MG. Antes do PL, o tema já vinha ganhando espaço em iniciativas de alguns órgãos públicos. No ano passado, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) instituiu o selo da linguagem simples para reconhecer segmentos do Judiciário que têm avançado na implementação da prática.

 

No Tribunal de Justiça do Ceará, por exemplo, varas de execução penal adotaram a linguagem simples para que presos em regimes aberto e semiaberto entendam melhor as condições de suas penas e, assim, evitem o retorno ao encarceramento.

 

“A linguagem simples não é coloquial. Muita gente confunde isso e acha que está empobrecendo a língua portuguesa”, diz Luana Faria, coordenadora-geral do Labora Gov (Laboratório de Gestão Inovadora), vinculado ao Ministério da Gestão. “Aprendemos que escrever difícil é bonito, mas não é. É uma forma de criar barreiras de acesso aos serviços, o que afeta até o exercício da cidadania.”

 

A prática não é nova. Começou na década de 1940, nos governos da Inglaterra e dos Estados Unidos, para melhorar a comunicação com o cidadão. Com o tempo, foi institucionalizada e se expandiu para outros países. Hoje, está presente em iniciativas de governos como México, Peru e Canadá.

 

No Executivo federal, o Labora trabalha com órgãos para implementar essa técnica. De acordo com Luana, muitas entidades pedem ajuda ao laboratório depois de receber um alto número de reclamações, quando usuários enfrentam dificuldade para entender o passo a passo de acesso a um serviço. “Acontece de culpabilizarem o cidadão, dizerem que ele não está entendendo o site ou que não leu o manual. Mas, se muitas pessoas estão errando, a culpa não é delas. É nossa”, diz.

 

Materiais que usam a linguagem simples estão tanto em serviços, como no gov.br, quanto em postagens nas redes sociais. No caso dos serviços, todos devem ser testados com o público-alvo antes de irem ao ar, segundo Luana.

 

A mesma técnica é aplicada na prefeitura de São Paulo, de acordo com Mar Alves, que atuou no programa de linguagem simples da cidade e hoje é consultora nessa área.

 

Antes de adaptar algum material, é preciso identificar o público-alvo para entender qual a forma mais adequada de se comunicar. Isso vai definir o que será mudado e como, segundo a consultora.

 

Se o público-alvo têm alto índice de analfabetismo ou dificuldade para ler e entender textos, por exemplo, o conteúdo deve ser feito usando mais recursos visuais, como fotos e ilustrações. A linguagem simples também precisa ser acompanhada da acessibilidade, como leitores de tela, no caso dos serviços online. “É importante fazer essa testagem, pegar o texto e falar com essa pessoa para olhar o documento e me dizer se ela realmente consegue entender”, afirma Mar.

 

Em São Paulo, ela diz que um dos maiores desafios era no atendimento do Cras (Centro de Referência de Assistência Social). O órgão recebia muitos usuários com dificuldade para entender como preencher formulários. A partir dessa demanda, a equipe da prefeitura se reuniu com os profissionais do Cras, deu orientações e fez mudanças para tornar o documento mais compreensível.

 

Em Minas Gerais, o Laboratório de Inovação em Governo, vinculado à Secretaria de Planejamento, tem atuado para adaptar sites, serviços e documentos.

 

Hoje, a pasta trabalha para simplificar a linguagem de documentos que vão desde editais até cartilhas de vigilância sanitária, além de auxiliar outros órgãos estaduais a melhorar o uso de sites e aplicativos.

 

Ana Flávia Morais, subsecretária de Inovação e Gestão Estratégica da pasta, diz que um dos desafios é contornar a resistência de burocratas para mudar a comunicação. “As pessoas que têm um contato direto com o cidadão são mais facilmente convencidas da importância de adaptarem a forma de se comunicar. Já as que trabalham com esses documentos mais burocráticos, têm muito receio por causa da validade jurídica.”

 

No Ceará, o apoio aos órgãos na adaptação da linguagem simples é feito pelo Íris Lab (Laboratório de Inovação e Dados).

 

Neste ano, foi lançado o edital Mulheres Rurais, voltado a negócios feitos por mulheres que moram na zona rural. Em uma pesquisa de satisfação, o governo identificou que, para 91% das candidatas, o edital era de fácil entendimento. Além disso, 95% disseram que a linguagem simples incentivou a inscrição.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/11/

linguagem-simples-avanca-para-reduzir-jargoes-e-juridiques-no-

setor-publico.shtml. Acesso em: 19 mai. 2025.

Texto 2

 

Imagem associada para resolução da questão

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS (TJDFT). Seja mais simples – Tirinhas da campanha TJDFT+Simples. Disponível em: https://auroralab.tjdft.jus.br/seja-mais-simples-tirinhas. Acesso em: 12 mai. 2025.

 

No que tange aos Textos 1 e 2, que abordam o tema da linguagem simples na comunicação pública, assinale a alternativa correta.

  1. AO Texto 1 recorre à linguagem visual e à concisão verbal para ilustrar seu objetivo comunicativo, enquanto o Texto 2 pertence ao gênero jornalístico, de caráter expositivo-argumentativo, sendo publicado em veículo da grande imprensa.
  2. BAmbos os textos propõem o abandono da norma-padrão como meio de democratizar o acesso à linguagem, valorizando a informalidade como estratégia central de comunicação no serviço público.
  3. CO Texto 1 é dirigido prioritariamente a servidores públicos e técnicos da administração, com o objetivo de instruir sobre estratégias de simplificação da linguagem, enquanto o Texto 2 busca informar o cidadão comum, leitor da imprensa, por meio de reflexões e relatos institucionais.
  4. DA abordagem de ambos os textos se fundamenta no emprego de termos técnicos e jargões administrativos, a fim de manter a precisão das informações e evitar ambiguidades na comunicação.
  5. EEnquanto o Texto 1 discute, em linhas gerais, a importância da adoção da linguagem simples em órgãos públicos, com base em relatos, iniciativas e políticas em andamento, o Texto 2 apresenta uma estratégia prática de como tornar uma instrução mais direta e acessível.
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GabaritoE — Enquanto o Texto 1 discute, em linhas gerais, a importância da adoção da linguagem simples em órgãos públicos, com base em relatos, iniciativas e políticas em andamento, o Texto 2 apresenta uma estratégia prática de como tornar uma instrução mais direta e acessível.

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Comparação entre os Textos 1 e 2: objetivo e características

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que descreve corretamente o que cada texto faz: o Texto 1 é uma reportagem jornalística que discute, em linhas gerais, a importância da linguagem simples em órgãos públicos, com base em relatos, iniciativas e políticas; o Texto 2 é uma tirinha que apresenta uma estratégia prática de como tornar uma instrução mais direta e acessível. Essa distinção está ancorada no próprio texto: o Texto 1 é uma reportagem da Folha de S.Paulo, com título, subtítulo e desenvolvimento expositivo-argumentativo, enquanto o Texto 2 é uma tirinha da campanha TJDFT+Simples, que usa linguagem visual e concisa para ilustrar a aplicação prática da linguagem simples.

O comando da questão

O enunciado pede para assinalar a alternativa correta sobre os Textos 1 e 2, que abordam o tema da linguagem simples na comunicação pública. Isso exige uma compreensão global de cada texto: identificar o gênero, o objetivo comunicativo e as características principais. Não se trata de uma inferência complexa, mas de uma leitura atenta para comparar as informações apresentadas.

Análise dos textos

O Texto 1 é uma reportagem jornalística, publicada em um veículo de grande imprensa (Folha de S.Paulo), com o título "Linguagem simples avança para reduzir jargões e juridiquês no setor público". Ele apresenta dados, relatos de especialistas e exemplos de iniciativas em diferentes órgãos (CNJ, TJCE, prefeituras, etc.), com o objetivo de informar o leitor sobre o avanço da linguagem simples no setor público. O texto é predominantemente expositivo-argumentativo, pois expõe fatos e também defende a importância da prática.

O Texto 2 é uma tirinha da campanha TJDFT+Simples, que utiliza linguagem visual (desenhos) e concisão verbal para demonstrar, na prática, como simplificar uma comunicação. O objetivo é ilustrar uma situação cotidiana em que a linguagem simples facilita o entendimento, funcionando como um exemplo concreto da técnica.

A técnica para resolver

Para acertar, é preciso comparar as características de cada texto e verificar se a alternativa descreve corretamente essas características. A banca costuma inverter as funções, atribuir ao Texto 1 o que é do Texto 2 e vice-versa, ou inserir opiniões que não estão nos textos. Por isso, é fundamental ancorar cada afirmação em passagens específicas.

Análise das alternativas

Texto 1
  • 1Gênero: reportagem jornalística
  • 2Objetivo: informar sobre avanço da linguagem simples
  • 3Base: relatos, iniciativas e políticas
  • 4Público: leitor em geral
  • 5Texto 2
    • Gênero: tirinha (campanha TJDFT+Simples)
    • Objetivo: ilustrar aplicação prática
    • Recurso: linguagem visual e concisa
    • Público: cidadão comum
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A inverte as características dos textos. Ela afirma que o Texto 1 recorre à linguagem visual e à concisão verbal, mas isso é característica do Texto 2 (a tirinha). O Texto 1 é uma reportagem jornalística, com texto verbal extenso, e não se utiliza de linguagem visual. Além disso, afirma que o Texto 2 pertence ao gênero jornalístico, o que é falso: é uma tirinha, um gênero de história em quadrinhos, não jornalístico. Erro: troca de características entre os textos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que ambos os textos propõem o abandono da norma-padrão e valorizam a informalidade. Isso contradiz o Texto 1, que cita a coordenadora Luana Faria: "A linguagem simples não é coloquial. Muita gente confunde isso e acha que está empobrecendo a língua portuguesa". Ou seja, o texto defende que a linguagem simples não é coloquial e não abandona a norma-padrão. Erro: contradiz o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o Texto 1 é dirigido prioritariamente a servidores públicos e técnicos, com o objetivo de instruir. No entanto, o Texto 1 é uma reportagem jornalística, publicada em um veículo de grande imprensa, dirigida ao público em geral, com o objetivo de informar sobre o tema. Não há indícios de que seja um manual de instrução para servidores. Erro: extrapolação e inversão do público-alvo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que ambos os textos se fundamentam no emprego de termos técnicos e jargões administrativos. Isso é exatamente o oposto do que os textos defendem: eles criticam o uso de jargões e juridiquês e defendem a simplificação da linguagem. O Texto 1, por exemplo, menciona que a linguagem simples visa "reduzir jargões e juridiquês". Erro: contradiz o texto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E descreve corretamente os dois textos. O Texto 1 "discute, em linhas gerais, a importância da adoção da linguagem simples em órgãos públicos, com base em relatos, iniciativas e políticas em andamento" — isso é exatamente o que a reportagem faz, ao apresentar o projeto de lei, as iniciativas do CNJ, do TJCE, de Minas Gerais, São Paulo, etc. O Texto 2 "apresenta uma estratégia prática de como tornar uma instrução mais direta e acessível" — a tirinha ilustra, de forma visual e concisa, como simplificar uma comunicação. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto.

Conclusão

A questão exige comparar os dois textos e identificar o objetivo de cada um. A alternativa E é a única que não inverte, contradiz ou extrapola as informações. Ao resolver questões desse tipo, pergunte-se: "o texto autoriza essa afirmação?" Se a resposta for não, elimine a alternativa.

Gabarito: letra E

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