Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — INSTITUTO AOCP 2025
Português›Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa671983
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SEDUC RS
Ano
2025
Cargo
Prof ( )
Lenda da Araucária: árvore sagrada do Sul
Nas terras altas do Sul do Brasil, entre serras e florestas, a araucária é considerada uma árvore sagrada, pois nela reside o espírito dos antigos que protege o povo e a floresta.
Conta-se que, tempos atrás, um grande espírito da natureza desejou presentear os homens com uma árvore que oferecesse alimento e abrigo, além de representar a força da vida e da renovação.
Assim, foi criada a araucária, cuja semente, o pinhão, tornou-se alimento precioso para o povo indígena. A ave gralha-azul, símbolo da região, passou a enterrar os pinhões, garantindo o nascimento das novas árvores e o equilíbrio da floresta.
Desde então, a araucária é celebrada como a guardiã da vida e da memória do povo indígena do Sul, um elo entre a terra, o céu e as gerações futuras.
Adaptado de: Júnia Ferreira Furtado, Povos Indígenas do Sul do Brasil: Culturas, Lendas e Tradições (2009).
Leia o Texto 1 para responder à questão
Texto 1
No trecho “Assim, foi criada a araucária, cuja semente, o pinhão, tornou-se alimento precioso para o povo indígena.”, a palavra destacada contribui para a coesão porque
Aaponta uma consequência opositiva entre a criação da araucária e o povo indígena.
Bindica uma comparação direta entre a árvore “araucária” e sua “semente”.
Cretoma “araucária” e introduz uma relação de posse com “semente”.
Dintroduz uma concessividade sobre a utilidade e a importância do pinhão.
Ecria uma oposição entre a árvore e o seu fruto, o pinhão.
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GabaritoC — retoma “araucária” e introduz uma relação de posse com “semente”.
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Coesão referencial: o pronome relativo "cuja" e a relação de posse
Gabarito: letra C. No trecho “Assim, foi criada a araucária, cuja semente, o pinhão, tornou-se alimento precioso para o povo indígena.”, a palavra destacada contribui para a coesão porque retoma “araucária” e introduz uma relação de posse com “semente”. O pronome relativo “cuja” é um mecanismo de coesão referencial anafórica: ele retoma um termo anterior (araucária) e, ao mesmo tempo, estabelece uma relação de posse entre esse termo e o substantivo que o segue (semente). Como se lê no trecho, a semente pertence à araucária — é a semente da araucária.
O comando da questão pede que se identifique a função coesiva da palavra destacada, ou seja, como ela conecta partes do texto e que relação de sentido estabelece. Isso é uma questão de coesão referencial, que, segundo a gramática, ocorre quando um elemento linguístico (como um pronome) retoma ou antecipa outro termo, evitando repetições e garantindo a continuidade do discurso. No caso, “cuja” é um pronome relativo que exerce dupla função: retoma o antecedente (“araucária”) e liga-o ao termo seguinte (“semente”), indicando posse.
No texto, a araucária é apresentada como uma árvore sagrada, criada para oferecer alimento e abrigo. O trecho em questão detalha essa criação: “Assim, foi criada a araucária, cuja semente, o pinhão, tornou-se alimento precioso para o povo indígena.” A relação estabelecida por “cuja” é de posse: a semente é da araucária. Essa relação é essencial para a progressão textual, pois conecta a árvore ao seu fruto e, em seguida, ao papel do pinhão como alimento.
A técnica para resolver é simples: identifique o pronome relativo, localize seu antecedente (o termo que ele retoma) e verifique a relação semântica que ele estabelece com o termo seguinte. No caso de “cuja”, a relação é sempre de posse ou pertencimento. As demais alternativas falham porque atribuem a “cuja” relações que ele não expressa: oposição, comparação, concessão ou contraste.
Pronome relativo "cuja": Função coesiva (Retoma antecedente ("araucária"), Relação de posse com o termo seguinte ("semente")); Classe gramatical (Pronome relativo (não é conjunção)); O que NÃO expressa (Oposição, Comparação, Concessão, Consequência)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que “cuja” aponta uma consequência opositiva entre a criação da araucária e o povo indígena. Isso é um erro de troca de conceito: “cuja” não é uma conjunção que expressa oposição ou consequência. Ele é um pronome relativo que estabelece posse. Além disso, não há relação de oposição entre a criação da árvore e o povo indígena — pelo contrário, o texto diz que a árvore foi criada para beneficiar os homens, e o pinhão tornou-se alimento para o povo indígena. A alternativa contradiz o texto ao sugerir uma relação de oposição onde há uma relação de benefício.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que “cuja” indica uma comparação direta entre a árvore “araucária” e sua “semente”. Isso é um erro de troca de conceito: “cuja” não estabelece comparação. Ele estabelece posse. A relação entre a araucária e a semente não é de semelhança ou comparação, mas de pertencimento: a semente é da araucária. A alternativa extrapola ao introduzir uma ideia de comparação que não está no texto nem na função do pronome.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que “cuja” retoma “araucária” e introduz uma relação de posse com “semente”. Isso está correto. O pronome relativo “cuja” retoma o antecedente “araucária” e estabelece que a “semente” pertence a ela. Essa é a função típica do pronome “cujo”: indicar posse ou pertencimento entre o antecedente e o termo que o segue. No trecho, a semente é da araucária, e essa relação é essencial para a coesão do texto, pois conecta a árvore ao seu fruto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que “cuja” introduz uma concessividade sobre a utilidade e a importância do pinhão. Isso é um erro de troca de conceito: “cuja” não é uma conjunção concessiva. Concessividade é expressa por conectivos como “embora”, “ainda que”, “mesmo que”. O pronome relativo “cuja” não expressa concessão, mas posse. A alternativa extrapola ao atribuir a “cuja” uma função que ele não possui.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que “cuja” cria uma oposição entre a árvore e o seu fruto, o pinhão. Isso é um erro de troca de conceito: “cuja” não expressa oposição. Ele expressa posse. Além disso, o texto não estabelece nenhuma oposição entre a araucária e o pinhão; pelo contrário, o pinhão é apresentado como um benefício da árvore. A alternativa contradiz o texto ao sugerir uma relação de oposição onde há uma relação de complementaridade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre pronome relativo e conjunção. “Cuja” é pronome relativo e indica posse; as alternativas tentam fazê-lo parecer uma conjunção que expressa oposição, comparação ou concessão. Identifique a classe da palavra e sua função no contexto.
PEGA ESSA DICA!
Ao encontrar “cujo”, “cuja”, “cujos”, “cujas”, pergunte: “de quem é?”. A resposta será o antecedente. Essa pergunta revela a relação de posse e resolve a questão.