Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — Quadrix 2025
Português›Tipologia e Gênero Textual
Código
qa672119
Banca
Quadrix
Órgão
CRM ES
Ano
2025
Cargo
Adv ( )
Nova lei do luto parental passa a vigorar em agosto de 2025
Casos recentes vividos pela cantora Lexa e pela apresentadora Tati Machado deram visibilidade a esse tema tão delicado: o luto parental. A realidade é que várias famílias brasileiras já enfrentaram essa dor sem o acolhimento adequado, em meio a estruturas hospitalares despreparadas para tratar tamanha fragilidade emocional. Mas esse contexto está prestes a mudar, pois entrará em vigor a Lei do Luto Parental (Lei nº 15.139/2025), a qual estabelece uma política nacional de atendimento digno e humanizado a pais e mães que passam por esse difícil momento.
A partir de agosto de 2025, a Lei nº 15.139/25 garantirá maior acolhimento, dignidade e respeito às famílias acometidas pela dor da perda gestacional, fetal ou neonatal.
Principais pontos da nova lei
Acomodação separada para mães enlutadas: as maternidades deverão garantir um espaço físico separado para as mães que perderam seus bebês, evitando o contato com outras puérperas e recém‑nascidos. O objetivo é minimizar o sofrimento emocional e proporcionar um ambiente mais acolhedor e respeitoso.
Direito ao momento de despedida: o hospital providenciará local apropriado e um tempo suficiente para se despedir do bebê, com a presença de pessoas previamente autorizadas pelos pais.
Registro simbólico do bebê: os pais poderão registrar simbolicamente o nome escolhido para o bebê natimorto, além de solicitar itens como impressões digitais e plantares, fotos e outros elementos que preservem a memória da criança.
Acompanhante no parto, mesmo em caso de perda: a presença de um acompanhante durante o parto será garantida, inclusive nos casos de natimorto ou quando a perda for identificada no momento do parto.
Encaminhamento para apoio psicológico pós‑alta: os profissionais de saúde encaminharão a família para acompanhamento psicológico contínuo, preferencialmente realizado em domicílio ou na unidade de saúde mais próxima da residência.
Investigação da causa da perda: a equipe médica realizará, sempre que possível, exames para investigar a causa da perda gestacional, fetal ou neonatal.
Apoio nos trâmites de sepultamento ou cremação: a assistência social dos hospitais prestará apoio às famílias nos procedimentos relacionados ao sepultamento ou cremação do bebê, considerando as crenças e necessidades da família.
Internet: <juridico.ai> (com adaptações).
Texto para a questão No trecho intitulado “Principais pontos da nova lei”, além da divulgação de informações (função referencial da linguagem), percebe‑se um viés que busca indicar ações que precisam ser realizadas a partir da nova norma (função conativa da linguagem). Nesse contexto, esse aspecto secundário admite caráter
Ainjuntivo, pois indica o que deve ser feito conforme a nova lei.
Bdescritivo, uma vez que caracteriza cada ponto debatido.
Cnarrativo, porque relata as ações dentro de um espaço‑tempo.
Ddissertativo, porquanto defende a tese do direito ao luto parental.
Edepreciativo, já que critica, sutilmente, as práticas anteriores à lei.
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GabaritoA — injuntivo, pois indica o que deve ser feito conforme a nova lei.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tipologia Textual: Injunção na Lei do Luto Parental
Gabarito: letra A. O trecho "Principais pontos da nova lei" apresenta, além da função referencial (informar), um viés injuntivo, pois indica ações que devem ser realizadas conforme a nova norma. A passagem que ancora essa leitura é a que afirma que "as maternidades deverão garantir um espaço físico separado", usando o verbo "dever" no futuro do presente, típico de textos prescritivos.
O Comando da Questão
O enunciado já entrega a chave de leitura: ele afirma que o trecho tem função referencial (divulgar informações) e um viés secundário de função conativa (buscar orientar ações). A pergunta é: que caráter tipológico esse aspecto secundário assume? Ou seja, a banca quer que você identifique o tipo textual predominante nesse viés de orientação — não o gênero, não a função da linguagem, mas a tipologia (injuntivo, descritivo, narrativo, dissertativo, depreciativo).
O Texto e a Técnica
O texto é uma notícia sobre a Lei nº 15.139/2025. No trecho "Principais pontos da nova lei", o autor lista obrigações que a norma impõe. Veja os verbos: "deverão garantir", "providenciará", "poderão registrar", "será garantida", "encaminharão", "realizará", "prestará". Esses verbos, no futuro do presente, expressam determinação, obrigação, prescrição — exatamente o que caracteriza o texto injuntivo (ou instrucional/prescritivo).
"as maternidades deverão garantir um espaço físico separado para as mães que perderam seus bebês"
O verbo "deverão" é a marca linguística da injunção: ele impõe uma conduta. O texto não está apenas descrevendo o que a lei diz (função referencial); ele está prescrevendo o que deve ser feito (função conativa). É esse segundo viés que a questão pede para classificar.
A Regra que Decide
A tipologia textual se define pela intenção comunicativa predominante:
Tipo
Intenção
Marcas linguísticas
Injuntivo
Instruir, prescrever, orientar
Verbos no imperativo, infinitivo, ou modais de dever/obrigação ("dever", "ter de")
Descritivo
Caracterizar, pormenorizar
Adjetivos, verbos de estado (ser, estar, parecer)
Narrativo
Contar uma história
Verbos de ação no pretérito, personagens, enredo
Dissertativo
Defender uma tese, convencer
Conectivos argumentativos, 1ª ou 3ª pessoa, opinião
No trecho, o viés secundário é claramente injuntivo: ele não caracteriza (descritivo), não conta (narrativo), não defende uma tese (dissertativo) e não critica (depreciativo). Ele prescreve condutas.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o aspecto secundário é injuntivo, pois indica o que deve ser feito conforme a nova lei. Isso está perfeitamente ancorado no texto. O trecho "Principais pontos da nova lei" é uma lista de obrigações que a norma impõe: "as maternidades deverão garantir", "o hospital providenciará", "os profissionais de saúde encaminharão". O verbo "dever" no futuro do presente é a marca típica da injunção, que prescreve ações. A alternativa acerta ao conectar a tipologia à função conativa (orientar o leitor sobre o que fazer).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa diz que o trecho é descritivo, uma vez que caracteriza cada ponto debatido. O erro está em trocar a intenção: o texto não está apenas caracterizando os pontos da lei; ele está prescrevendo o que deve ser feito. A descrição seria o viés predominante se o texto se limitasse a dizer "a lei prevê acomodação separada", sem o verbo "deverão garantir". Mas o uso de verbos no futuro do presente com valor de obrigação ("deverão", "providenciará") desloca o texto para a injunção. A alternativa restringe o alcance do trecho, ignorando o viés conativo que o enunciado já apontou.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o trecho é narrativo, porque relata as ações dentro de um espaço-tempo. O erro é contradizer a natureza do texto: não há enredo, personagens ou progressão temporal típica de uma narração. O texto não conta uma história; ele lista obrigações. A presença de verbos no futuro do presente ("deverão", "providenciará") não indica narração, mas prescrição. A alternativa extrapola ao tentar encaixar o trecho em uma tipologia que não lhe corresponde.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa diz que o trecho é dissertativo, porquanto defende a tese do direito ao luto parental. O erro é acrescentar opinião: o texto não defende uma tese, não argumenta, não tenta convencer o leitor de um ponto de vista. Ele apenas informa e prescreve o que a lei estabelece. A dissertação exigiria uma linha argumentativa, com tese e argumentos. O trecho "Principais pontos da nova lei" é uma enumeração de obrigações, não uma defesa. A alternativa tangencia o tema ao confundir o assunto (luto parental) com a tipologia (injunção).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o trecho é depreciativo, já que critica, sutilmente, as práticas anteriores à lei. O erro é contradizer o texto: em nenhum momento o autor critica práticas anteriores. O texto é neutro e informativo, limitando-se a apresentar os pontos da nova lei. A palavra "depreciativo" (que expressa desprezo ou crítica) não encontra qualquer apoio no trecho. A alternativa extrapola ao inventar uma intenção crítica que não existe.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato confundir a função da linguagem (referencial × conativa) com a tipologia textual (injuntivo × descritivo). O enunciado já diz que há um viés conativo; a questão é apenas classificar esse viés. A pegadinha está em escolher "descritivo" (B), que parece plausível porque o texto lista informações, mas ignora o verbo "deverão", que é a marca da injunção.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o texto injuntivo, procure verbos no imperativo, no infinitivo ou modais de obrigação ("dever", "ter de", "precisar"). No trecho, "deverão garantir" é a pista decisiva. Se o texto diz o que deve ser feito, é injunção.
Gabarito: letra A.
A questão ensina que tipologia textual se define pela intenção, não pela forma. O trecho "Principais pontos da nova lei" tem função referencial (informar) e um viés conativo (orientar), que se materializa como injunção — o texto prescreve o que deve ser feito. As demais alternativas falham ao trocar a intenção (descritivo), inventar uma narrativa (narrativo), defender uma tese (dissertativo) ou criticar (depreciativo).