Questão de Português — Figuras de Linguagem — Quadrix 2025
Português›Figuras de Linguagem
Código
qa672127
Banca
Quadrix
Órgão
CRM ES
Ano
2025
Cargo
Adv ( )
No túmulo dum menino
Um anjo dorme aqui; na aurora apenas,
Disse adeus ao brilhar das açucenas’
Sem ter da vida alevantado o véu
– Rosa tocada do cruel granizo –
Cedo finou‑se e no infantil sorriso
Passou do berço pra brincar no céu!
Casimiro de Abreu
Texto para a questão No texto, as metáforas empregadas
Ahiperbolizam o sofrimento de gestantes de natimortos.
Bgeneralizam o padecimento de diferentes famílias.
Cpersonificam a dor materna individual e intransferível.
Dabordam, de maneira eufemística, a morte de uma criança.
Eilustram, de modo denotativo, o luto vivido por puérperas.
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GabaritoD — abordam, de maneira eufemística, a morte de uma criança.
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Metáforas no poema "No túmulo dum menino"
Gabarito: letra D. As metáforas do poema de Casimiro de Abreu abordam, de maneira eufemística, a morte de uma criança. A passagem que decide é o verso "Passou do berço pra brincar no céu!", que substitui a ideia dura de "morreu" pela imagem suave de uma criança que foi brincar no céu — exatamente o mecanismo do eufemismo: atenuar uma realidade desagradável.
O comando pede que se identifique o efeito de sentido produzido pelas metáforas do texto. Não se trata de uma questão de compreensão literal, mas de interpretação dos recursos expressivos: é preciso reconhecer que "anjo", "rosa tocada do cruel granizo" e "brincar no céu" são imagens figuradas que suavizam o tema da morte infantil. A banca não pergunta o que o poema diz, mas como ele diz — e esse "como" é o traço eufemístico.
O poema é uma epitáfio (texto para túmulo). O eu lírico fala de uma criança que morreu cedo, mas nunca usa a palavra "morrer". Em vez disso, constrói uma cadeia de metáforas: "Um anjo dorme aqui" (dormir = morrer), "Rosa tocada do cruel granizo" (a criança é uma rosa que o granizo — a morte — destruiu), "Passou do berço pra brincar no céu" (morreu e foi para o céu). Todas essas imagens substituem a realidade brutal da morte por representações delicadas e consoladoras. É isso que caracteriza o eufemismo: empregar uma expressão mais suave para comunicar algo desagradável.
A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se o texto autoriza a afirmação. A alternativa correta é a única que descreve com precisão o que as metáforas fazem no poema — sem acrescentar informações de fora (como "gestantes", "puérperas" ou "famílias") e sem inverter o sentido (como "denotativo", que é o oposto do que ocorre).
Metáforas do poema
1Efeito de sentido
Eufemismo (suaviza a morte)
"Um anjo dorme aqui"
"Passou do berço pra brincar no céu"
"Rosa tocada do cruel granizo"
2Erros das demais
Extrapolação (gestantes, puérperas, famílias)
Personificação (não há)
Denotativo (é conotativo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto fala da morte de uma criança, mas não menciona gestantes nem natimortos. A palavra "menino" no título e a imagem do "berço" indicam uma criança que já nasceu e viveu um pouco ("na aurora apenas", "sem ter da vida alevantado o véu"). Atribuir ao poema a ideia de "sofrimento de gestantes de natimortos" é acrescentar informação que não está no texto — é uma extrapolação que usa conhecimento de mundo (luto materno) para preencher uma lacuna que o poema não abre.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação e generalização. O poema fala de uma criança, não de "diferentes famílias". O eu lírico se refere a um túmulo específico ("No túmulo dum menino"), a uma história individual. A alternativa generaliza o padecimento para várias famílias, o que o texto não autoriza. Não há nenhuma passagem que sugira pluralidade de casos — o poema é um epitáfio singular.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: troca de figura de linguagem. A alternativa afirma que as metáforas "personificam a dor materna". Há dois problemas: (1) o texto não menciona a mãe nem a "dor materna" — isso é uma inferência externa; (2) as metáforas do poema não personificam nada. Personificação (prosopopeia) é atribuir características humanas a seres inanimados ou abstratos. No poema, o que ocorre é o oposto: a criança é comparada a um anjo e a uma rosa (coisas não humanas). Não há "dor" personificada em lugar algum.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão o efeito das metáforas. O poema aborda a morte de uma criança (fato central) de maneira eufemística, ou seja, usando expressões suaves para atenuar a realidade dura. Veja as passagens que provam:
"Um anjo dorme aqui" — "dormir" é eufemismo clássico para "morrer".
"Passou do berço pra brincar no céu!" — a morte é substituída pela imagem lúdica de "brincar no céu".
"Rosa tocada do cruel granizo" — a morte é metaforizada como um granizo que atinge uma rosa.
Todas essas metáforas suavizam a ideia de morte, transformando-a em algo sereno (dormir, brincar no céu) ou belo (rosa). É exatamente a definição de eufemismo: "empregar uma expressão mais suave para comunicar algo desagradável". A alternativa acerta ao dizer que as metáforas "abordam, de maneira eufemística, a morte de uma criança".
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto (inversão de sentido). A alternativa afirma que as metáforas ilustram "de modo denotativo" o luto. Isso é um erro conceitual grave: metáfora é, por definição, uma figura de linguagem conotativa (sentido figurado). O modo denotativo é o sentido literal, sem figuras. O poema inteiro é construído sobre imagens figuradas (anjo, rosa, granizo, brincar no céu) — não há nada de denotativo. Além disso, "puérperas" (mulheres no pós-parto) é um termo que não aparece no texto e que remete a um contexto médico que o poema não aborda.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura conceitos para confundir: (1) usa termos de fora do texto ("gestantes", "puérperas", "famílias") para tentar fazer o candidato "contextualizar" o poema; (2) inverte o sentido com "denotativo", quando o poema é todo conotativo. A alternativa D é a única que se limita ao que o texto realmente faz.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de figuras de linguagem, grife as imagens do texto (anjo, rosa, granizo, brincar no céu) e pergunte: "que efeito elas produzem?" Se suavizam uma realidade dura, é eufemismo; se exageram, é hipérbole; se dão vida a coisas, é personificação. O efeito é a chave.