Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa672128
Banca
Quadrix
Órgão
CRM ES
Ano
2025
Cargo
Adv ( )
No túmulo dum menino
Um anjo dorme aqui; na aurora apenas,
Disse adeus ao brilhar das açucenas’
Sem ter da vida alevantado o véu
– Rosa tocada do cruel granizo –
Cedo finou‑se e no infantil sorriso
Passou do berço pra brincar no céu!
Casimiro de Abreu
Texto para a questão Assinale a opção correta a respeito do texto.
AAs imagens de inocência e fragilidade são evidenciadas por expressões como “açucena” e “rosa”.
BO poema é estruturado em linguagem rebuscada, pensada para externar a dificuldade da dor do luto.
COs vocábulos “anjo” e “rosa” referem‑se à criança, configurando o contexto camparesco admitido pelo autor.
DOs termos “aurora” e “granizo” dizem respeito à morte e encerram o viés saudosista do poema.
EPalavras como “cedo” e “aurora” não remetem, necessariamente, à relação de tempo, mas à de causalidade.
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GabaritoA — As imagens de inocência e fragilidade são evidenciadas por expressões como “açucena” e “rosa”.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Interpretação do poema "No túmulo dum menino" – Imagens de inocência e fragilidade
Gabarito: letra A. A alternativa correta é a que identifica as expressões "açucena" e "rosa" como imagens de inocência e fragilidade, pois o poema as utiliza em sentido figurado para caracterizar a criança morta. Como se lê no texto: "Rosa tocada do cruel granizo" – a rosa, símbolo de delicadeza, é atingida pelo granizo (a morte), reforçando a ideia de fragilidade. As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou atribuem relações que ele não estabelece.
O comando pede a opção correta a respeito do texto. Isso significa que devemos buscar uma afirmação que esteja diretamente ancorada no poema, sem acréscimos de informação externa. Trata-se de uma questão de compreensão (localizar e reconhecer o que está expresso), mas com forte apelo à interpretação das imagens poéticas, pois o sentido é conotativo.
O poema de Casimiro de Abreu é uma elegia: lamenta a morte de uma criança. O eu lírico constrói a imagem do menino como um "anjo" que "dorme" no túmulo, e o compara a uma "rosa tocada do cruel granizo". As flores (açucena, rosa) são símbolos clássicos de pureza, beleza e efemeridade – justamente as características que o texto quer evidenciar na criança. A fragilidade está explícita em "Rosa tocada do cruel granizo": a rosa, delicada, é ferida pelo granizo (a morte precoce). A inocência está em "anjo" e no "infantil sorriso".
A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o texto AUTORIZA isto, ou exige acrescentar algo de fora? A correta é a única que se sustenta inteiramente no poema, sem extrapolação. As erradas cometem erros típicos: extrapolam (B, D), trocam o referente (C) ou invertem a relação semântica (E).
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que "as imagens de inocência e fragilidade são evidenciadas por expressões como 'açucena' e 'rosa'". Isso está diretamente ancorado no texto:
"Rosa tocada do cruel granizo – Cedo finou‑se e no infantil sorriso"
A rosa é apresentada como algo delicado que foi "tocado" pelo granizo (a morte), o que evidencia fragilidade. A açucena aparece no verso "Disse adeus ao brilhar das açucenas", e a açucena é tradicionalmente símbolo de pureza e inocência. O poema usa essas flores em sentido conotativo (figurado) para caracterizar a criança: inocente como uma flor, frágil como uma rosa atingida pelo granizo. A alternativa não acrescenta nada de fora – apenas reconhece o que o texto já diz por meio das imagens.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "o poema é estruturado em linguagem rebuscada, pensada para externar a dificuldade da dor do luto". Há dois problemas:
Extrapolação: o texto não diz que a linguagem é "rebuscada" nem que foi "pensada" para externar a dificuldade da dor. O poema é lírico e emotivo, mas a afirmação sobre a intenção do autor ("pensada para") é uma opinião embutida que não está no texto.
Contradição com o tom: o poema, apesar de tratar da morte, tem um tom suave e consolador ("Passou do berço pra brincar no céu"), não de "dificuldade" ou desespero. A ideia de "dificuldade da dor" é uma leitura que o texto não sustenta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "os vocábulos 'anjo' e 'rosa' referem‑se à criança, configurando o contexto camparesco admitido pelo autor". O erro está na segunda parte: "contexto camparesco" é um termo que não aparece no texto e não é uma categoria que o poema admita. O poema é uma elegia (lamento pela morte), não um texto "camparesco" (que remete ao campo, à vida rural). Além disso, a alternativa troca o referente: "anjo" e "rosa" referem-se à criança, sim, mas a expressão "contexto camparesco" é uma extrapolação – o texto não menciona nada sobre campo ou vida rural.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "os termos 'aurora' e 'granizo' dizem respeito à morte e encerram o viés saudosista do poema". O erro está na primeira parte: "aurora" não diz respeito à morte. No texto:
"na aurora apenas, Disse adeus ao brilhar das açucenas"
A aurora (o amanhecer) representa o início da vida, não a morte. A criança morreu "na aurora apenas", ou seja, muito cedo, no começo da vida. Já o granizo ("Rosa tocada do cruel granizo") representa a morte, que atinge a criança. A alternativa contradiz o texto ao atribuir à aurora o sentido de morte, quando ela simboliza o oposto – a vida que mal começou.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "palavras como 'cedo' e 'aurora' não remetem, necessariamente, à relação de tempo, mas à de causalidade". O erro é claro: "cedo" e "aurora" são, sim, palavras de tempo. "Cedo" indica precocidade ("Cedo finou‑se" = morreu cedo, antes do tempo). "Aurora" indica o amanhecer, o início do dia – também tempo. A alternativa inverte a relação semântica: não há causalidade entre essas palavras; elas expressam tempo, não causa. O texto não estabelece nenhuma relação de causa entre "cedo" e "aurora" e a morte – apenas indica quando a criança morreu (na aurora, cedo).
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato confundir o sentido conotativo das imagens (A) com relações que o texto não estabelece (causalidade em E, "camparesco" em C, "rebuscada" em B) ou inverter o sentido de palavras (aurora = morte em D). A correta é a única que reconhece o que o texto realmente faz: usar flores para simbolizar inocência e fragilidade.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de interpretação de poema, grife as imagens (flores, fenômenos naturais) e pergunte: o que elas simbolizam no contexto? A resposta está no sentido figurado, não no literal.
Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a A, que reconhece as imagens de inocência (açucena) e fragilidade (rosa tocada pelo granizo). As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou invertem o sentido do poema.