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Questão de Português — Crase — Quadrix 2025

PortuguêsCrase
Código
qa672130
Banca
Quadrix
Órgão
CRM ES
Ano
2025
Cargo
Ag Adm ( )

Saúde é democracia

 

“Saúde é democracia” é uma expressão que decorre da ideia de que “Democracia é saúde”, defendida pelo sanitarista Sergio Arouca em seu discurso de abertura na 8ª Conferência Nacional de Saúde (8ª CNS), realizada em 1986. Naquele momento, em pleno processo de redemocratização do Brasil, discutia‑se um novo paradigma do conceito ampliado de saúde que se materializa, apesar de todas as resistências políticas e econômicas, na criação do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Em sua fala, Arouca explicou essa mudança de paradigma, a partir de sua interpretação do conceito de saúde proposto pela Organização Mundial de Saúde, afirmando que saúde não é simplesmente ausência de doença: “é um bem‑estar social que pode significar que as pessoas tenham mais alguma coisa do que somente não estar enfermos: que tenham direito à casa segura, ao trabalho, ao salário condigno, à água, à vestimenta, à educação, às informações sobre como dominar o mundo e transformá‑lo. Que tenham direito ao meio ambiente que não lhes seja agressivo, e que, pelo contrário, permita uma vida digna e decente. Direito a um sistema político que respeite a livre opinião, a livre possibilidade de organização e autodeterminação de um povo, e que não esteja todo tempo submetido ao medo da violência, da violência derivada da miséria, e que resulta no roubo. Que não esteja também submetido ao medo da violência de um governo contra o seu próprio povo, para que sejam mantidos interesses que não são do povo”.

 

Essa definição de saúde está diretamente relacionada ao conceito de democracia, não sendo possível melhorar a saúde das pessoas se não melhorar em paralelo a qualidade geral de vida, o que, por sua vez, também não é possível enquanto persistir um modelo econômico concentrador de renda e excludente e um modelo político autoritário.

 

Diante do cenário recente de ameaças à democracia brasileira, a direitos sociais estabelecidos pela Constituição Federal de 1988 e a outras conquistas da população, o site PenseSUS relembra as expressões “Saúde é democracia” e “Democracia é saúde”, ressaltando que, do mesmo modo que um processo democrático foi fundamental para implantar o SUS, a resistência a partir do movimento sanitário que lhe deu base e sustentabilidade se faz ainda mais necessária, em defesa da democracia em nosso país.

 

Internet: <pensesus.fiocruz.br> (com adaptações).

Texto para a questão     Considerando o excerto “que tenham direito à casa segura, ao trabalho, ao salário condigno, à água, à vestimenta, à educação, às informações sobre como dominar o mundo e transformá‑lo.”, assinale a opção que apresenta a explicação correta para as ocorrências de crase.
  1. AO verbo “dominar” requer complementação direta, tornando facultativa a presença da preposição “a”, deixando opcional o emprego do emprego da crase.
  2. BA forma verbal “tenham” requer complementação de objeto indireto, antecedido pela preposição “a”, promotora da pluralização do termo “informações”.
  3. CO substantivo “vestimenta”, pela norma‑padrão, é considerado masculino, não devendo, portanto, ser antecedido de acento indicativo de crase.
  4. DO termo “direito” liga‑se ao seu complemento por meio da preposição “a”, que se aglutina ao artigo feminino antecedente dos termos “casa”, “água”, “vestimenta”, “educação” e “informações”.
  5. EToda a frase estabelece a preposição “de” como exigência de introdução de sentido, com reforço estilístico, sendo dispensáveis nos casos de substantivos masculinos.
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GabaritoD — O termo “direito” liga‑se ao seu complemento por meio da preposição “a”, que se aglutina ao artigo feminino antecedente dos termos “casa”, “água”, “vestimenta”, “educação” e “informações”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em "direito à casa segura, ao trabalho, ao salário condigno, à água, à vestimenta, à educação, às informações"

Gabarito: letra D. A crase ocorre porque o substantivo "direito" exige a preposição "a" (quem tem direito, tem direito a algo), e essa preposição se funde com o artigo feminino "a" que antecede os substantivos femininos "casa", "água", "vestimenta", "educação" e "informações". Como se lê no trecho: "que tenham direito à casa segura, ao trabalho, ao salário condigno, à água, à vestimenta, à educação, às informações". A alternativa D é a única que identifica corretamente os dois elementos que se fundem: a preposição exigida pelo nome "direito" + o artigo definido feminino.

A questão cobra crase em contexto, ou seja, não basta decorar regras isoladas — é preciso analisar a regência do termo regente e a presença do artigo diante do termo regido. O comando pede a "explicação correta para as ocorrências de crase", o que exige identificar a causa do fenômeno em cada ocorrência do trecho.

No excerto, a estrutura é de complemento nominal: o substantivo "direito" rege a preposição "a", e os termos seguintes funcionam como seu complemento. Vejamos:

"que tenham direito à casa segura, ao trabalho, ao salário condigno, à água, à vestimenta, à educação, às informações sobre como dominar o mundo e transformá‑lo."

  • "à casa segura" = preposição a (exigida por "direito") + artigo a (que determina "casa") = à.

  • "ao trabalho" = preposição a + artigo masculino o = ao (não há crase, pois o artigo é masculino).

  • "ao salário condigno" = idem: preposição a + artigo o = ao.

  • "à água" = preposição a + artigo a = à.

  • "à vestimenta" = preposição a + artigo a = à.

  • "à educação" = preposição a + artigo a = à.

  • "às informações" = preposição a + artigo as = às.

A regra que decide é: crase = preposição "a" + artigo feminino "a(s)". Para saber se há crase, basta trocar o termo feminino por um masculino equivalente: se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "a", não há. No trecho, "direito ao trabalho" e "direito ao salário" confirmam que a preposição está presente; logo, diante de femininos, ocorre a fusão.

A armadilha central da banca é fazer o candidato confundir a regência do verbo "ter" (que é transitivo direto, sem preposição) com a regência do substantivo "direito" (que exige preposição). O verbo "tenham" não rege preposição — quem tem, tem algo —, mas o nome "direito" sim. É essa distinção que separa a alternativa correta das demais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a regência do verbo "ter" (VTD, sem preposição) e a do substantivo "direito" (que exige a preposição "a"). A alternativa B, por exemplo, atribui ao verbo "tenham" a exigência de objeto indireto, o que é falso — a preposição vem do nome "direito", não do verbo.

Crase no trecho
  • 1Mecanismo
    • "direito" exige preposição "a"
    • + artigo feminino "a(s)"
    • = fusão (à/às)
  • 2Ocorrências
    • à casa segura
    • à água
    • à vestimenta
    • à educação
    • às informações
  • 3Sem crase (artigo masculino)
    • ao trabalho
    • ao salário condigno
  • 4Pegadinha
    • Verbo "ter" é VTD (sem preposição)
    • Preposição vem do nome "direito"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o verbo "dominar" requer complementação direta, tornando facultativa a preposição "a" e opcional a crase. Há dois erros: primeiro, o verbo "dominar" é, de fato, transitivo direto (domina-se algo), mas isso não tem relação com a crase em "às informações" — a crase ocorre porque "informações" é complemento de "direito", não de "dominar". Segundo, a crase em "às informações" é obrigatória, não facultativa, pois há preposição + artigo. A alternativa extrapola ao misturar regências diferentes e contradiz o texto ao chamar de facultativo o que é obrigatório.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a forma verbal "tenham" requer complementação de objeto indireto, antecedido pela preposição "a", promotora da pluralização do termo "informações". O verbo "ter" é transitivo direto — quem tem, tem algo —, não exige preposição. A preposição "a" que aparece no trecho é exigida pelo substantivo "direito", não pelo verbo. Além disso, a preposição não "pluraliza" nada: quem pluraliza "informações" é o artigo "as". A alternativa contradiz o texto ao atribuir ao verbo uma regência que ele não tem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o substantivo "vestimenta" é masculino pela norma-padrão, o que é falso: "vestimenta" é substantivo feminino (a vestimenta). Por ser feminino e admitir artigo, ocorre a crase: "direito à vestimenta". A alternativa contradiz o texto e a realidade da língua — não há qualquer base para classificar "vestimenta" como masculino.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa identifica corretamente o mecanismo: o termo "direito" liga-se ao seu complemento por meio da preposição "a", que se aglutina ao artigo feminino antecedente dos termos "casa", "água", "vestimenta", "educação" e "informações". É exatamente o que ocorre no trecho: "direito à casa segura, ... à água, à vestimenta, à educação, às informações". A explicação está inteiramente ancorada no texto e na regra de formação da crase (preposição + artigo).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que toda a frase estabelece a preposição "de" como exigência, o que é falso — a preposição exigida é "a", não "de". Além disso, diz que a crase é dispensável em substantivos masculinos, o que é uma obviedade (não há crase antes de masculinos), mas não explica as ocorrências do trecho, que são todas diante de femininos. A alternativa contradiz o texto ao trocar a preposição "a" por "de" e tangencia o tema ao falar de masculinos sem relação com o excerto.

Conclusão: a crase no trecho ocorre pela fusão da preposição "a" (exigida pelo substantivo "direito") com o artigo feminino "a(s)" que antecede os substantivos femininos. A alternativa D é a única que descreve com precisão esse mecanismo. Para questões de crase, o método é: identifique o termo regente (verbo ou nome), verifique se ele exige a preposição "a" e, em seguida, confirme se o termo regido é feminino e admite artigo. Se sim, há crase.

Gabarito: letra D

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