Questão de Português — Elementos da Comunicação e Funções da Linguagem — Quadrix 2025
Português›Elementos da Comunicação e Funções da Linguagem
Código
qa672134
Banca
Quadrix
Órgão
CRM ES
Ano
2025
Cargo
Ag Adm ( )
Saúde
(Rita Lee)
Me cansei de lero‑lero
Dá licença, mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor
Mas ninguém sai de cima, nesse chove não molha
Eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim
Como vai? Tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar, não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva e cheia de graça
Talvez ainda faça um monte de gente feliz
Texto para a questão Com base na leitura do texto, assinale a opção que apresenta o comentário correto sobre ele.
AO texto admite forte apelo prescritivo ao explorar a função conativa da linguagem, indicando ações a serem realizadas para a obtenção de melhoras na saúde do indivíduo. Ademais, a linguagem figurada esboça o viés poético da canção.
BA obra é redigida em linguagem coloquial. Fato evidenciado pelo emprego de colocação pronominal cotidiana e expressões rotineiras. Além da função poética da linguagem, apresenta função emotiva, revelando alguns estados do eu lírico.
CO rigor gramatical dos versos revela o apuro linguístico e formal do texto e o coloca em posição literária superior em relação às composições de apelo popular. Cabe apontar que essa escrita mais rebuscada se compromete com o requinte do idioma.
DAs rimas, a ambiguidade de termos como “viva” e “gente”, bem como as indagações presentes no decorrer do texto conferem valor de interlocução entre o eu lírico e leitor. Assim, a canção admite maior proximidade e sucesso entre os seus ouvintes.
EA sequência de conjunções presente no 9º verso explicita o forte apelo metalinguístico que permeia a música como um todo, evidenciando o seu caráter artístico e irreverente. Desse modo, reforça‑se a ideia de oposição existente entre saúde e problemas.
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GabaritoB — A obra é redigida em linguagem coloquial. Fato evidenciado pelo emprego de colocação pronominal cotidiana e expressões rotineiras. Além da função poética da linguagem, apresenta função emotiva, revelando alguns estados do eu lírico.
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Funções da Linguagem e Linguagem Coloquial na Canção "Saúde"
Gabarito: letra B. A alternativa correta identifica com precisão o registro coloquial da canção, evidenciado por marcas como a colocação pronominal cotidiana e expressões rotineiras, e reconhece a coexistência das funções poética e emotiva, esta última revelada pelos estados de espírito do eu lírico. A passagem que ancora essa leitura é o verso "Me cansei de lero-lero", que já inaugura o tom informal, e a estrofe "Eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim", que expõe a subjetividade e a decisão pessoal do eu lírico.
O comando da questão pede que se assinale o comentário correto sobre o texto, ou seja, uma análise que seja fiel ao que a canção efetivamente apresenta, sem acrescentar informações externas ou distorcer o que está escrito. Trata-se de uma questão de compreensão e interpretação, na qual é preciso avaliar cada afirmação à luz do texto-base, verificando se ela encontra respaldo nos versos ou se extrapola, restringe ou contradiz o conteúdo.
O texto é a letra da canção "Saúde", de Rita Lee, um poema lírico que expressa o cansaço do eu lírico com conversas vazias ("lero-lero") e opiniões alheias, e sua decisão de priorizar o próprio bem-estar ("vou é cuidar mais de mim"). O movimento argumentativo central é a afirmação de uma escolha pessoal em detrimento de discursos externos, o que confere à canção um forte caráter subjetivo e emotivo. A linguagem é marcadamente coloquial, com expressões como "sair do sério", "chove não molha" e a sequência de conjunções "Apesar, contudo, todavia, mas, porém", que, embora eruditas, são usadas de forma irônica e irreverente, reforçando o tom de desabafo.
A técnica para resolver a questão é confrontar cada alternativa com o texto, identificando se a afirmação é uma paráfrase fiel (correta), uma extrapolação (acrescenta o que não está lá), uma restrição (limita o alcance do que foi dito), uma contradição (inverte o sentido) ou uma fuga ao tema (aborda assunto não tratado). A alternativa B é a única que se sustenta integralmente, pois aponta características verificáveis no texto: a coloquialidade, a função poética (pela construção artística da mensagem) e a função emotiva (pela expressão dos sentimentos do eu lírico).
Funções da linguagem: Emotiva (Centrada no emissor, Estados do eu lírico); Poética (Centrada na mensagem, Construção artística); Conativa (Centrada no receptor, Apelo/ordem); Metalinguística (Centrada no código, Fala da própria linguagem); Fática (Centrada no canal, Testa a comunicação); Referencial (Centrada no contexto, Informa objetivamente)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa extrapola o texto ao afirmar que há um "forte apelo prescritivo" e que a função conativa indica "ações a serem realizadas para a obtenção de melhoras na saúde do indivíduo". A canção não prescreve ações ao leitor; o eu lírico fala de sua própria decisão: "Eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim". Não há imperativos dirigidos ao interlocutor, nem um conselho ou ordem. A função predominante é a emotiva, centrada no eu, e não a conativa, centrada no receptor. A menção à "linguagem figurada" e ao "viés poético" é correta, mas o núcleo da afirmação sobre o apelo prescritivo é falso.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta e é uma paráfrase fiel do texto. A linguagem coloquial é evidente em expressões como "Me cansei de lero-lero", "Dá licença, mas eu vou sair do sério" e "nesse chove não molha". A colocação pronominal cotidiana é marcada pela próclise em "Me cansei", que, embora seja a forma padrão em muitos contextos, aqui reflete a naturalidade da fala. A função poética está presente na construção artística da mensagem, com rimas e ritmo, e a função emotiva é revelada pelos estados do eu lírico, como o cansaço ("Me cansei"), a determinação ("Eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim") e a esperança ("Talvez ainda faça um monte de gente feliz").
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa contradiz o texto ao afirmar que há "rigor gramatical" e "escrita mais rebuscada". A canção é deliberadamente coloquial e informal, como se vê em "Me cansei de lero-lero" e "nesse chove não molha". A sequência de conjunções "Apesar, contudo, todavia, mas, porém" é uma exceção irônica, não a regra do texto. Além disso, a afirmação de que o texto está em "posição literária superior" é um juízo de valor que não está no texto e não pode ser inferido. A banca tenta fazer o candidato acreditar que o uso de conjunções eruditas eleva o texto, mas o contexto é de ironia e irreverência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa extrapola e tangencia o texto. Embora haja rimas e a palavra "viva" possa ter duplo sentido (estar viva / ser vivaz), a afirmação de que há "indagações" é falsa — o texto não contém perguntas. Além disso, a conclusão de que a canção "admite maior proximidade e sucesso entre os seus ouvintes" é uma extrapolação que não encontra respaldo no texto. O texto não discute o sucesso da canção nem a relação com o ouvinte; ele expressa a subjetividade do eu lírico. A ambiguidade de "gente" também é forçada, pois no contexto "um monte de gente" tem sentido claro de "pessoas".
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa contradiz e extrapola o texto. A sequência de conjunções "Apesar, contudo, todavia, mas, porém" não explicita "forte apelo metalinguístico". A função metalinguística ocorre quando o texto fala do próprio código, o que não acontece aqui. As conjunções são usadas para criar um efeito de sentido de oposição e ironia, mas não há reflexão sobre a linguagem em si. A afirmação de que há "oposição entre saúde e problemas" também é uma extrapolação: o texto fala de cansaço com opiniões e da decisão de cuidar de si, mas não estabelece uma oposição direta entre saúde e problemas. A alternativa tenta atribuir ao texto um caráter metalinguístico que ele não possui.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação e a troca de conceito. As alternativas A, D e E atribuem ao texto funções da linguagem (conativa, metalinguística) e elementos (indagações, oposição saúde/problemas) que não estão presentes, seduzindo o candidato que decora as definições sem aplicá-las ao texto. A alternativa C tenta impor um juízo de valor sobre o "rigor gramatical" que o texto desmente.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar a função da linguagem predominante, pergunte: "o texto está centrado no emissor (emotiva), no receptor (conativa), na mensagem (poética), no código (metalinguística), no canal (fática) ou no contexto (referencial)?". Na canção, o centro é o eu lírico e seus sentimentos, logo a função emotiva é a base, com a poética atuando na forma.
Gabarito: letra B. A alternativa correta é a única que descreve com precisão o que o texto apresenta: linguagem coloquial, função poética e função emotiva, sem extrapolar, restringir ou contradizer o conteúdo da canção.