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Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — Quadrix 2025

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
qa672219
Banca
Quadrix
Órgão
CAU MA
Ano
2025
Cargo
Ana Com ( )

A arquitetura hostil, como se convencionou chamar, é um conjunto de dispositivos construtivos que têm como objetivo impedir a permanência de pessoas, especialmente daquelas em situação de rua, em bancos de praças, espaços residuais em fachadas e demais áreas livres do espaço público. Uma ideia ultrapassada, pautada na especulação imobiliária, onde se acredita que a remoção dessas pessoas valoriza o entorno e, consequentemente, aumenta o valor dos imóveis da região, a chamada gentrificação.

 

Se a base da arquitetura é o abrigo e o ofício do Arquiteto e Urbanista é justamente propor espaços de bem‑estar e acolhimento, impedir o uso de espaços públicos é, definitivamente, uma antiarquitetura. Essa prática está presente em diversas cidades mundo afora, com a instalação de cacos de vidro, pedras, barreiras, peças pontiagudas e outros elementos que hostilizam o usuário e reforçam a mensagem de que “esse lugar não é para você”. No Brasil, esse debate ganhou força apenas nos últimos anos.

 

Além de não resolver a complexa questão das pessoas em situação de rua, a arquitetura hostil influencia na relação do indivíduo com o espaço público e impede que seus equipamentos sejam plenamente utilizados, afinal, uma simples atividade como se sentar em um banco para descansar e desfrutar da sombra de uma árvore é prejudicada pela inserção desses elementos. Sem a liberdade de utilizar os espaços públicos, todos nós perdemos. Nossas cidades tornam‑se mais frias, agressivas e excludentes. Nossas praças e calçadas são apenas locais de passagem.

 

Carol Bernardo e Tamires de Alcântara. A quem pertencem nossas cidades? Internet: <blog.archtrends.com> (com adaptações).

Texto para o item     Considerando‑se os aspectos gramaticais do texto, julgue o item a seguir.   No primeiro parágrafo do primeiro período, a oração “como se convencionou chamar” tem o papel de comparar situações.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oração subordinada adverbial: valor de 'como se convencionou chamar'

Gabarito: E (Errado). A oração “como se convencionou chamar” não tem papel de comparar situações; ela expressa conformidade, ou seja, indica que a expressão “arquitetura hostil” é usada conforme uma convenção estabelecida. A banca tenta induzir o candidato a confundir o valor semântico da conjunção “como”, que pode ser comparativa ou conformativa, mas aqui o contexto revela claramente a segunda.

O comando da questão

O enunciado pede que se julgue uma afirmação sobre a função sintático-semântica de uma oração dentro do texto. Não se trata de interpretação global, mas de análise gramatical contextualizada: é preciso identificar qual circunstância a oração “como se convencionou chamar” acrescenta à oração principal. A banca afirma que ela compara situações — e é exatamente isso que precisamos testar.

O texto e a oração em foco

No primeiro parágrafo, lemos:

“A arquitetura hostil, como se convencionou chamar, é um conjunto de dispositivos construtivos...”

A oração intercalada “como se convencionou chamar” está entre vírgulas e funciona como oração subordinada adverbial conformativa. Ela indica que a denominação “arquitetura hostil” é usada de acordo com uma convenção, ou seja, conforme se convencionou chamar. Não há dois elementos sendo comparados (ex.: “tão hostil como uma cerca”); há apenas uma referência a um modo de nomear.

A técnica que decide

Para distinguir comparativa de conformativa, pergunte: há dois termos sendo comparados?

  • Comparativa: “Ela é mais alta do que eu.” → compara duas alturas.

  • Conformativa: “Fiz o trabalho conforme pediram.” → indica acordo com um padrão.

No trecho, “como se convencionou chamar” equivale a “conforme se convencionou chamar” ou “segundo se convencionou chamar”. Não há gradação, nem dois elementos em paralelo. Portanto, a oração é conformativa, não comparativa.

Análise da alternativa

Oração com "como"
  • 1Comparativa
    • Compara dois elementos
    • Ex.: "fez como eu"
  • 2Conformativa
    • Indica acordo com padrão
    • Ex.: "fez como eu pedi"
    • Equivale a "conforme"
    • Caso do item: "como se convencionou chamar"
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa de que a oração “tem o papel de comparar situações” é falsa. O texto não estabelece comparação alguma; apenas registra que a expressão “arquitetura hostil” é usada conforme uma convenção. A banca explora a polissemia da conjunção “como”, que pode ser comparativa (“fez como eu”) ou conformativa (“fez como eu pedi”). Aqui, o verbo “chamar” e a voz passiva pronominal (“se convencionou”) apontam para conformidade, não para comparação.

Alternativa E — ✅ Correta

A oração não compara situações; ela expressa conformidade. O gabarito é E (Errado), pois a afirmação do item é incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na confusão entre os valores de “como”. Lembre-se: comparativa exige dois elementos comparados; conformativa indica acordo com um padrão. Aqui, “como se convencionou chamar” = “conforme se convencionou chamar”.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar orações com “como”, substitua mentalmente por “conforme” (conformativa) ou por “do mesmo modo que” (comparativa). Se a substituição por “conforme” fizer sentido, é conformativa.

Conclusão: a oração “como se convencionou chamar” é subordinada adverbial conformativa, não comparativa. Portanto, o item está errado.

Gabarito: letra E.

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