A arquitetura hostil, como se convencionou chamar, é um conjunto de dispositivos construtivos que têm como objetivo impedir a permanência de pessoas, especialmente daquelas em situação de rua, em bancos de praças, espaços residuais em fachadas e demais áreas livres do espaço público. Uma ideia ultrapassada, pautada na especulação imobiliária, onde se acredita que a remoção dessas pessoas valoriza o entorno e, consequentemente, aumenta o valor dos imóveis da região, a chamada gentrificação.
Se a base da arquitetura é o abrigo e o ofício do Arquiteto e Urbanista é justamente propor espaços de bem‑estar e acolhimento, impedir o uso de espaços públicos é, definitivamente, uma antiarquitetura. Essa prática está presente em diversas cidades mundo afora, com a instalação de cacos de vidro, pedras, barreiras, peças pontiagudas e outros elementos que hostilizam o usuário e reforçam a mensagem de que “esse lugar não é para você”. No Brasil, esse debate ganhou força apenas nos últimos anos.
Além de não resolver a complexa questão das pessoas em situação de rua, a arquitetura hostil influencia na relação do indivíduo com o espaço público e impede que seus equipamentos sejam plenamente utilizados, afinal, uma simples atividade como se sentar em um banco para descansar e desfrutar da sombra de uma árvore é prejudicada pela inserção desses elementos. Sem a liberdade de utilizar os espaços públicos, todos nós perdemos. Nossas cidades tornam‑se mais frias, agressivas e excludentes. Nossas praças e calçadas são apenas locais de passagem.
Carol Bernardo e Tamires de Alcântara. A quem pertencem nossas cidades? Internet: <blog.archtrends.com> (com adaptações).
Texto para o item Considerando‑se os aspectos gramaticais do texto, julgue o item a seguir. O emprego da vírgula que ocorre após a palavra “públicos” (segundo período do terceiro parágrafo) é opcional.
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EErrado
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GabaritoE — Errado
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Uso da vírgula: caso obrigatório após adjunto adverbial deslocado
Gabarito: E (Errado). A vírgula após a palavra “públicos” no segundo período do terceiro parágrafo é obrigatória, não opcional, pois isola um adjunto adverbial deslocado (“Sem a liberdade de utilizar os espaços públicos”) que foi anteposto à oração principal. A regra é clara: quando o adjunto adverbial vem deslocado (no início ou no meio da frase), a vírgula é exigida pela norma culta — não se trata de escolha estilística do autor.
“Sem a liberdade de utilizar os espaços públicos, todos nós perdemos.”
O trecho transcrito mostra a estrutura exata: o adjunto adverbial de condição (“Sem a liberdade...”) foi anteposto ao sujeito e verbo (“todos nós perdemos”). Por estar deslocado de sua posição natural (o final da oração), a vírgula que o separa é obrigatória. Retirá-la produziria um período sem a pausa exigida pela sintaxe, comprometendo a clareza e a correção gramatical.
O comando da questão
O enunciado pede um julgamento sobre aspectos gramaticais — especificamente, se o emprego da vírgula é opcional. Isso muda completamente a abordagem: não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a regra de pontuação ao trecho. A palavra-chave é “opcional”: a banca quer saber se o autor poderia ter escrito o período sem a vírgula sem cometer erro. A resposta é não.
A regra que decide a questão
A vírgula é obrigatória para separar adjuntos adverbiais deslocados — ou seja, quando o adjunto adverbial (que indica tempo, lugar, modo, condição, etc.) é retirado de sua posição natural (geralmente o final da oração) e colocado no início ou no meio. Essa é uma das regras mais cobradas em concursos, e a banca adora testá-la com a palavra “opcional”.
Por que é obrigatória? Porque o deslocamento quebra a ordem direta da frase (sujeito + verbo + complemento + adjunto). A vírgula sinaliza essa quebra, evitando ambiguidade e facilitando a leitura. Sem ela, o período fica confuso e gramaticalmente incorreto.
Quando é facultativa? A vírgula é facultativa apenas quando o adjunto adverbial é curto (até duas ou três palavras) e está deslocado. Exemplo: “Ontem fui ao cinema” — a vírgula após “Ontem” é opcional. Mas quando o adjunto é longo (como no caso do texto), a vírgula é obrigatória, independentemente da posição.
Aplicação ao texto
No trecho, o adjunto adverbial é “Sem a liberdade de utilizar os espaços públicos” — uma locução longa, com vários termos. Ele está deslocado para o início do período, antes do sujeito “todos nós”. Por isso, a vírgula é obrigatória. A banca tentou fazer o candidato acreditar que seria facultativa, mas a extensão do adjunto e o deslocamento tornam a vírgula indispensável.
Vírgula após adjunto adverbial deslocado
1Obrigatória
Adjunto longo (vários termos)
Deslocado do final da oração
2Facultativa
Adjunto curto (até 2-3 palavras)
Ex.: "Ontem fui ao cinema"
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Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmativa diz que o emprego da vírgula é opcional. Isso está errado porque, como vimos, a vírgula é obrigatória para separar o adjunto adverbial deslocado e longo. A banca confundiu o candidato ao usar a palavra “opcional”, que só se aplicaria a adjuntos curtos. Aqui, a retirada da vírgula geraria um período sem a pausa necessária, comprometendo a correção gramatical.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está errada (por isso o gabarito é E, pois a questão pede para julgar se a vírgula é opcional — e ela não é). A vírgula é obrigatória nesse contexto, como demonstrado. Portanto, a afirmação de que é opcional é falsa.
PEGA ESSA DICA!
Sempre que a banca perguntar se a vírgula é “opcional”, desconfie. Verifique se há um adjunto adverbial deslocado e longo — se houver, a vírgula é obrigatória. Se o adjunto for curto (ex.: “ontem”, “agora”), aí sim pode ser facultativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre casos facultativos e obrigatórios. O adjunto “Sem a liberdade de utilizar os espaços públicos” é longo e deslocado, o que torna a vírgula obrigatória. Não caia na armadilha de achar que toda vírgula após adjunto é opcional.
Conclusão: A vírgula após “públicos” é obrigatória, pois separa um adjunto adverbial deslocado e extenso. Portanto, a afirmação de que é opcional está errada. Gabarito: letra E.