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Questão de Português — Variações da Linguagem: Não Verbal, Regional, Histórica, Contextual. Neologismos e Estrangeirismos — Quadrix 2025

PortuguêsVariações da Linguagem: Não Verbal, Regional, Histórica, Contextual. Neologismos e Estrangeirismos
Código
qa672269
Banca
Quadrix
Órgão
CAU MA
Ano
2025
Cargo
Ass TI ( )

O nome atribuído às línguas não é uma definição aleatória. As línguas precisam ser nomeadas para poder existir. Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes. Assim, a língua dos portugueses chamamos português. Além disso, territórios etnicamente diversos podem apresentar línguas que se relacionam com as populações ali pertencentes. Desse modo, à língua falada no País de Gales dá‑se o nome de galês, e a língua mais falada no sudeste da China chamamos cantonês.

 

Parece simples, mas nem tanto. Há diferentes modelos de povoação linguística, que representam a complexidade dos modelos de povoação humana. Mas o que todas as línguas naturais conhecidas compartilham é justamente o fato de servirem à comunicação de seus falantes e terem, por isso, um nome. No que se refere ao Brasil, a língua majoritariamente utilizada em seu vasto território é a que se costumou chamar português. Usar o português no Brasil é fruto de uma herança de colonização e dominação de Portugal, país cuja língua tem esse mesmo nome.

 

O português falado no Brasil e o utilizado em Portugal não compartilham as mesmas características. Diferenciam‑se em relação ao vocabulário, à maneira de falar e de entoar as frases, à posição das palavras na frase e assim por diante. Convém questionar, portanto, no que se refere à nomenclatura, se seria necessário modificar o nome pelo qual a língua falada no Brasil é chamada. Há quem continue se referindo a ela tão somente como “português”. Outros propõem o uso consciente de “português brasileiro”, com nome e sobrenome. Já alguns poucos assumiram uma postura mais diferente de chamar “brasileiro” a língua utilizada no Brasil.

 

Chamar apenas “português”, na perspectiva histórica da língua, é um anacronismo. Não corresponde aos fatos históricos. Desconsidera as noções de desenvolvimento independente e contínuo que a língua portuguesa teve no Brasil, especialmente após o século XIX. Chamar apenas de “brasileiro” também evidencia anacronismo. Desconsidera toda a herança linguística trazida para o Brasil, que é inegavelmente portuguesa. O nome “português brasileiro” representa ruptura e continuidade. É um nome apropriado não apenas nos contextos de pesquisa acadêmica, mas uma importante ferramenta para que os falantes se reconheçam diante de sua língua.

 

OLIVEIRA JUNIOR, R. Português ou brasileiro – qual é o nome da nossa língua? Revista Roseta, v. 5. n. 1, 2022. Abralin, 2022. Internet: <roseta.org.br> (com adaptações).

Texto para o item.     Com base nas ideias do texto, julgue os itens a seguir.   A escolha de um novo nome para a língua falada no Brasil é motivada pelo fato de essa língua não ser a mesma língua que se fala em Portugal.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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A motivação para a mudança de nome da língua no Brasil

Gabarito: letra E (Errado). A afirmação de que a escolha de um novo nome é motivada pelo fato de a língua falada no Brasil não ser a mesma de Portugal não encontra respaldo no texto. O autor, ao contrário, apresenta como motivação principal a necessidade de reconhecer a identidade dos falantes e de evitar anacronismos históricos, como se lê no último parágrafo: "O nome 'português brasileiro' representa ruptura e continuidade. É um nome apropriado não apenas nos contextos de pesquisa acadêmica, mas uma importante ferramenta para que os falantes se reconheçam diante de sua língua."

O comando da questão

O enunciado pede para julgar (certo/errado) uma afirmação sobre as ideias do texto. Isso é uma questão de compreensão — a resposta deve estar explícita ou diretamente inferível do que está escrito. Não se trata de uma questão de gramática ou de variação linguística em si, mas de interpretação de texto: o candidato precisa identificar qual é a tese do autor e o que ele realmente defende.

O texto e sua tese

O texto discute a nomenclatura da língua falada no Brasil: "português", "português brasileiro" ou "brasileiro". O autor argumenta que chamar apenas de "português" é um anacronismo (desconsidera o desenvolvimento independente da língua no Brasil) e que chamar apenas de "brasileiro" também é anacrônico (desconsidera a herança portuguesa). A solução defendida é "português brasileiro", pois "representa ruptura e continuidade" e serve como "ferramenta para que os falantes se reconheçam diante de sua língua".

A afirmação do item diz que a motivação é o fato de a língua não ser a mesma que se fala em Portugal. O texto até reconhece que "O português falado no Brasil e o utilizado em Portugal não compartilham as mesmas características" (3º parágrafo), mas isso é apresentado como ponto de partida para a discussão, não como a motivação para a mudança de nome. A motivação, segundo o autor, é a identidade e a adequação histórica.

A técnica que decide

A pegadinha está em confundir uma constatação com uma motivação. O texto constata a diferença entre as variantes, mas a razão para a mudança de nome é outra. Para resolver, pergunte: "O texto diz que a mudança de nome é motivada pela diferença?" Não diz. Ele diz que a mudança é motivada pela identidade e pelo anacronismo. Portanto, a afirmação é errada.

Análise do item

Item — ❌ Errado

A afirmação "A escolha de um novo nome para a língua falada no Brasil é motivada pelo fato de essa língua não ser a mesma língua que se fala em Portugal" contradiz a tese central do texto. O autor não defende que a diferença em si seja a motivação; ele defende que o nome "português brasileiro" é apropriado porque:

"O nome 'português brasileiro' representa ruptura e continuidade. É um nome apropriado não apenas nos contextos de pesquisa acadêmica, mas uma importante ferramenta para que os falantes se reconheçam diante de sua língua."

A motivação é, portanto, identitária (reconhecimento dos falantes) e histórica (evitar anacronismo), não meramente a diferença entre as línguas. A alternativa extrapola ao transformar uma constatação (a diferença) em causa (a motivação).

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você acreditar que a diferença entre as línguas é a razão da mudança de nome, mas o texto aponta outras razões (identidade, anacronismo). Fique atento: constatação ≠ motivação.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife a tese do autor (geralmente na introdução ou conclusão) e verifique se a afirmação do item corresponde a ela. Se o item apresenta uma causa que o texto não menciona, é extrapolação.

Conclusão: a afirmação está errada porque atribui ao texto uma motivação que ele não sustenta. O autor defende que a mudança de nome é motivada pela identidade dos falantes e pela necessidade de evitar anacronismos, não pela simples diferença entre as línguas.

Gabarito: letra E (Errado).

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