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Questão de Português — Sujeito — Quadrix 2025

PortuguêsSujeito
Código
qa672276
Banca
Quadrix
Órgão
CAU MA
Ano
2025
Cargo
Ass TI ( )

O nome atribuído às línguas não é uma definição aleatória. As línguas precisam ser nomeadas para poder existir. Línguas são batizadas a partir do momento histórico em que é necessário afirmar sua posição ou conferir identidade aos seus falantes. Assim, a língua dos portugueses chamamos português. Além disso, territórios etnicamente diversos podem apresentar línguas que se relacionam com as populações ali pertencentes. Desse modo, à língua falada no País de Gales dá‑se o nome de galês, e a língua mais falada no sudeste da China chamamos cantonês.

 

Parece simples, mas nem tanto. Há diferentes modelos de povoação linguística, que representam a complexidade dos modelos de povoação humana. Mas o que todas as línguas naturais conhecidas compartilham é justamente o fato de servirem à comunicação de seus falantes e terem, por isso, um nome. No que se refere ao Brasil, a língua majoritariamente utilizada em seu vasto território é a que se costumou chamar português. Usar o português no Brasil é fruto de uma herança de colonização e dominação de Portugal, país cuja língua tem esse mesmo nome.

 

O português falado no Brasil e o utilizado em Portugal não compartilham as mesmas características. Diferenciam‑se em relação ao vocabulário, à maneira de falar e de entoar as frases, à posição das palavras na frase e assim por diante. Convém questionar, portanto, no que se refere à nomenclatura, se seria necessário modificar o nome pelo qual a língua falada no Brasil é chamada. Há quem continue se referindo a ela tão somente como “português”. Outros propõem o uso consciente de “português brasileiro”, com nome e sobrenome. Já alguns poucos assumiram uma postura mais diferente de chamar “brasileiro” a língua utilizada no Brasil.

 

Chamar apenas “português”, na perspectiva histórica da língua, é um anacronismo. Não corresponde aos fatos históricos. Desconsidera as noções de desenvolvimento independente e contínuo que a língua portuguesa teve no Brasil, especialmente após o século XIX. Chamar apenas de “brasileiro” também evidencia anacronismo. Desconsidera toda a herança linguística trazida para o Brasil, que é inegavelmente portuguesa. O nome “português brasileiro” representa ruptura e continuidade. É um nome apropriado não apenas nos contextos de pesquisa acadêmica, mas uma importante ferramenta para que os falantes se reconheçam diante de sua língua.

 

OLIVEIRA JUNIOR, R. Português ou brasileiro – qual é o nome da nossa língua? Revista Roseta, v. 5. n. 1, 2022. Abralin, 2022. Internet: <roseta.org.br> (com adaptações).

Texto para o item.     Considerando os aspectos linguísticos do texto, julgue os item seguinte.   A oração “Chamar apenas de ‘brasileiro’” funciona como complemento da forma verbal “evidencia”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Análise sintática da oração "Chamar apenas de 'brasileiro'"

Gabarito: ERRADO. A oração "Chamar apenas de 'brasileiro'" não funciona como complemento da forma verbal "evidencia". Na verdade, ela exerce a função de sujeito do verbo "evidencia". A banca tenta confundir o candidato ao inverter a função sintática: o que é sujeito é apresentado como complemento.

No trecho do texto, temos:

"Chamar apenas de 'brasileiro' também evidencia anacronismo."

Aqui, a oração "Chamar apenas de 'brasileiro'" é o sujeito da oração, pois é ela que pratica a ação de "evidenciar". O verbo "evidenciar" é transitivo direto e exige um complemento (objeto direto), que, no caso, é o termo "anacronismo". Portanto, a estrutura sintática é: Sujeito (Chamar apenas de 'brasileiro') + Verbo Transitivo Direto (evidencia) + Objeto Direto (anacronismo).

Desenvolvimento: entendendo a função sintática

Para resolver esta questão, é fundamental dominar a análise sintática de orações com verbos no infinitivo. Quando um verbo no infinitivo inicia uma oração, essa oração pode exercer diversas funções sintáticas, como sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, etc. A função é determinada pela relação que ela estabelece com o verbo principal da frase.

1. O comando da questão: O item pede que o candidato julgue se a oração "Chamar apenas de 'brasileiro'" funciona como complemento do verbo "evidencia". Isso exige uma análise sintática precisa, identificando a função de cada termo na oração.

2. A técnica de análise: Para identificar a função sintática de uma oração, devemos:

  • Localizar o verbo principal: No trecho, o verbo principal é "evidencia".

  • Perguntar ao verbo: "Quem evidencia?" ou "O que evidencia?" A resposta a essa pergunta nos dá o sujeito.

  • Verificar a transitividade: O verbo "evidenciar" é transitivo direto, ou seja, exige um complemento sem preposição (objeto direto).

Aplicando a técnica:

  • Quem evidencia anacronismo? A resposta é "Chamar apenas de 'brasileiro'". Portanto, essa oração é o sujeito.

  • O que a oração sujeito evidencia? Ela evidencia "anacronismo". Portanto, "anacronismo" é o objeto direto.

3. A armadilha da banca: A banca explora a confusão entre sujeito e complemento verbal. O candidato desatento pode pensar que, por ser uma oração que completa o sentido do verbo, ela seja um complemento. No entanto, a função de complemento (objeto direto/indireto) é exercida por quem sofre a ação ou recebe o complemento, não por quem a pratica. A oração "Chamar apenas de 'brasileiro'" pratica a ação de evidenciar, logo, é o sujeito.

4. Comparação com outras funções:

Função

Pergunta que responde

Exemplo no texto

Sujeito

Quem pratica a ação?

"Chamar apenas de 'brasileiro'" (evidencia)

Objeto Direto

O que é evidenciado?

"anacronismo"

5. Conclusão: A oração "Chamar apenas de 'brasileiro'" é o sujeito do verbo "evidencia", e não seu complemento. O complemento (objeto direto) é o termo "anacronismo". Portanto, a afirmação do item está errada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a função sintática: apresenta o sujeito como se fosse complemento verbal. A dica é sempre perguntar ao verbo "quem?" para achar o sujeito e "o quê?" para achar o objeto direto.

PEGA ESSA DICA!

Em orações com verbo no infinitivo, identifique primeiro o verbo principal da frase e faça as perguntas a ele. Isso evita a confusão entre sujeito e complemento.

Gabarito: ERRADO

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