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Questão de Português — Crase — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsCrase
Código
qa672284
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IBC
Ano
2025
Cargo
PEBTT ( )

Do descarte à transformação

Economia circular pode virar o jogo contra a poluição

plástica


Fabrício Fonseca


A poluição plástica é uma das maiores ameaças ambientais globais, com impactos profundos na biodiversidade, na saúde humana e na economia. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a sujeira por meio de plásticos é o segundo maior problema ambiental do planeta, atrás apenas das mudanças climáticas.


No Brasil, geramos 3,4 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, mas só uma pequena fração é reciclada de forma efetiva. Isso exige resposta urgente. É neste cenário que a economia circular se apresenta como estratégia fundamental para transformar resíduos em recursos, mitigar danos ambientais e promover um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.


Diferentemente do modelo linear tradicional – extrair, produzir, consumir e descartar –, a economia circular propõe um ciclo contínuo de aproveitamento dos materiais. No caso do plástico, significa estender sua vida útil por meio da reutilização, reciclagem e reinserção na cadeia produtiva. Mas essa mudança de paradigma vai além do ambiental. Ela representa uma oportunidade de inovação, geração de empregos e inclusão social.

 

Dados recentes de organizações como Oceana e WWF-Brasil indicam que substituir plásticos descartáveis por alternativas sustentáveis pode evitar milhões de toneladas de resíduos plásticos e reduzir significativamente as emissões de CO₂. Mais que isso, a economia circular tem potencial para impulsionar o crescimento econômico e a geração de renda no país, um casamento entre sustentabilidade e desenvolvimento que não podemos ignorar.


Para ilustrar a urgência e o potencial dessa transformação, vale destacar estudo da Fundação Dom Cabral (FDC) com o Instituto Atmosfera (Atmos). Segundo a pesquisa, o Brasil recicla só cerca de 13% dos resíduos sólidos urbanos, retratando um desperdício gigantesco e uma enorme oportunidade perdida em termos econômicos e sociais. Ampliar essa taxa não só reduziria o impacto ambiental, como poderia gerar centenas de milhares de empregos diretos em setores ligados à coleta e triagem,b,c o que promoveria inclusão social e dignidade para milhares de famílias.

 

Por outro lado, a pesquisa alerta para riscos importantes, como a flexibilização da importação de resíduos sólidos, o chamado “lixo importado”, que ameaça a cadeia nacional de reciclagem e desvaloriza o trabalho das cooperativas. Para avançar, o Brasil precisa de políticas públicas claras e adequadas à realidade do paísd,e, incentivos adequados e investimentos em infraestrutura e tecnologia.


Apesar dos avanços, os desafios são enormes e anseiam urgentemente por soluções. O Brasil precisa ampliar a coleta seletiva, investir em tecnologias inovadoras e, sobretudo, construir uma cultura de corresponsabilidade. A sociedade deve consumir e descartar de forma consciente, o setor privado precisa garantir a rastreabilidade dos resíduos e o poder público tem o papel fundamental de criar marcos legais consistentes e efetivos. [...]


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/

opiniao/2025/06/do-descarte-a-transformacao.shtml. Acesso em: 03 jul. 2025.

Leia o Texto 1 para responder à questão.

 

Em relação ao uso do sinal indicativo de crase, assinale a alternativa correta.

  1. AEm “Do descarte à transformação”, se a palavra destacada fosse substituída por “reutilização”, o sinal indicativo de crase seria proibido.
  2. BEm “[...] setores ligados à coleta e triagem [...]”, o sinal indicativo de crase indica que se trata da junção da preposição “para” com o artigo “a”.
  3. CEm “[...] setores ligados à coleta e triagem [...]”, o sinal indicativo de crase pode ser omitido sem que isso gere problemas gramaticais ao excerto.
  4. DEm “[...] políticas públicas claras e adequadas à realidade do país [...]”, se a expressão destacada fosse substituída por “país”, o termo “à” deveria ser substituído por “ào”.
  5. EEm “[...] políticas públicas claras e adequadas à realidade do país [...]”, o sinal indicativo de crase é empregado porque “adequadas” é uma palavra flexionada no gênero feminino.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Em “Do descarte à transformação”, se a palavra destacada fosse substituída por “reutilização”, o sinal indicativo de crase seria proibido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: análise das ocorrências no texto

Gabarito: letra A. A alternativa correta afirma que, em “Do descarte à transformação”, se a palavra “transformação” fosse substituída por “reutilização”, o sinal indicativo de crase seria proibido. Isso está correto porque “reutilização” é um substantivo feminino que não admite artigo definido feminino — dizemos “a reutilização” apenas em contextos específicos, mas aqui, após a preposição “a” exigida pela regência de “do descarte a...”, não haveria a fusão preposição + artigo, pois o termo “reutilização” não viria precedido de artigo. A crase é a fusão da preposição “a” com o artigo “a” (ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos); sem o artigo, não há crase.

O comando da questão

A questão pede que se assinale a alternativa correta sobre o uso do sinal indicativo de crase. Isso significa que devemos analisar cada afirmação e verificar se ela está de acordo com as regras de crase aplicadas aos trechos do texto. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicação de regra gramatical a ocorrências específicas. O comando é direto: qual afirmação está correta?

A regra da crase

Crase é a fusão de duas vogais idênticas: a preposição “a” + o artigo definido feminino “a” (ou o “a” inicial dos pronomes demonstrativos “aquele”, “aquela”, “aquilo”, e do relativo “a qual”). Na escrita, essa fusão é indicada pelo acento grave (à). Para que haja crase, são necessários dois requisitos simultâneos:

  1. Um termo anterior que exija a preposição “a” (verbo, nome ou expressão com regência que peça “a”).

  2. Um termo posterior feminino que admita o artigo “a” (substantivo feminino determinado).

Se um desses requisitos faltar, não há crase. Por exemplo:

  • “Vou a + a escola” → “Vou à escola” (verbo “ir” exige “a”; “escola” admite artigo “a”).

  • “Vou a Brasília” → sem crase, pois “Brasília” não admite artigo (não dizemos “a Brasília” com artigo).

Análise das alternativas

Crase (preposição "a" + artigo "a")
  • 1Requisitos
    • Termo anterior exige preposição "a"
    • Termo posterior feminino admite artigo "a"
  • 2Teste da substituição
    • Trocar por termo masculino
    • Aparece "ao" → há crase
    • Não aparece → sem crase
  • 3Casos analisados
    • "à transformação" → crase (preposição + artigo)
    • "a reutilização" → [-] sem crase (não admite artigo)
    • "à coleta" → crase obrigatória
    • "ao país" → sem "ào" (forma inexistente)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação está correta. Em “Do descarte à transformação”, temos a preposição “a” (exigida pela regência de “do descarte a...”) + o artigo “a” que antecede “transformação”. Se substituíssemos “transformação” por “reutilização”, teríamos “Do descarte a reutilização”. A palavra “reutilização” é um substantivo feminino, mas, nesse contexto, não vem precedida de artigo definido — ela é usada de forma genérica, indeterminada. Sem o artigo, não há fusão, logo, não há crase. O sinal indicativo de crase seria, portanto, proibido.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se há crase, substitua o termo feminino por um masculino. Se aparecer “ao”, há crase; se aparecer apenas “ao” sem crase (como “ao” = a + o), confirme. Ex.: “Do descarte ao reaproveitamento” (com “ao”) — mas “reutilização” não admite artigo, então seria “Do descarte a reutilização”, sem crase.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação está errada. Em “[...] setores ligados à coleta e triagem [...]”, a crase indica a fusão da preposição “a” (exigida por “ligados a”) com o artigo “a” que antecede “coleta”. Não se trata da junção da preposição “para” com o artigo “a”. A preposição correta é “a”, não “para”. A alternativa troca o termo que rege a preposição, cometendo um erro de regência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação está errada. Em “[...] setores ligados à coleta e triagem [...]”, a crase é obrigatória, pois há a preposição “a” (exigida por “ligados a”) + o artigo “a” (que antecede “coleta”). Omitir o acento grave geraria um erro gramatical, pois a frase ficaria “ligados a coleta”, sem a devida fusão. A alternativa contradiz a regra de crase obrigatória.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmação está errada. Em “[...] políticas públicas claras e adequadas à realidade do país [...]”, se substituíssemos “realidade do país” por “país”, teríamos “adequadas ao país”. A forma correta é “ao”, e não “ào” — que não existe na língua portuguesa. A alternativa inventa uma forma inexistente e ainda erra a regência: “adequadas a” + “o país” = “adequadas ao país”.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação está errada. Em “[...] políticas públicas claras e adequadas à realidade do país [...]”, a crase é empregada porque “adequadas” exige a preposição “a” (adequadas a algo) e “realidade” admite o artigo “a”. Não é porque “adequadas” é uma palavra flexionada no gênero feminino — a flexão de gênero não é o motivo da crase. O que importa é a regência do termo anterior e a presença do artigo no termo posterior. A alternativa confunde o motivo da crase.

Conclusão

A única alternativa correta é a letra A. As demais cometem erros de regência, de conceito ou de forma. Para acertar questões de crase, lembre-se sempre: crase = preposição “a” + artigo “a”. Teste com a substituição por termo masculino e verifique se há a fusão.

Gabarito: letra A

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