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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
qa672289
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IBC
Ano
2025
Cargo
PEBTT ( )

Do descarte à transformação

Economia circular pode virar o jogo contra a poluição

plástica

Fabrício Fonseca

 

A poluição plástica é uma das maiores ameaças ambientais globais, com impactos profundos na biodiversidade, na saúde humana e na economia. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a sujeira por meio de plásticos é o segundo maior problema ambiental do planeta, atrás apenas das mudanças climáticas.

 

No Brasil, geramos 3,4 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, mas só uma pequena fração é reciclada de forma efetiva. Isso exige resposta urgente. É neste cenário que a economia circular se apresenta como estratégia fundamentald,e para transformar resíduos em recursos, mitigar danos ambientais e promover um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

 

Diferentemente do modelo linear tradicional – extrair, produzir, consumir e descartar –, a economia circular propõe um ciclo contínuo de aproveitamento dos materiais. No caso do plástico, significa estender sua vida útil por meio da reutilização, reciclagem e reinserção na cadeia produtiva. Mas essa mudança de paradigma vai além do ambiental. Ela representa uma oportunidade de inovação, geração de empregos e inclusão social.

 

Dados recentes de organizações como Oceana e WWF-Brasil indicam que substituir plásticos descartáveisc por alternativas sustentáveis pode evitar milhões de toneladas de resíduos plásticos e reduzir significativamente as emissões de CO₂. Mais que isso, a economia circular tem potencial para impulsionar o crescimento econômico e a geração de renda no país, um casamento entre sustentabilidade e desenvolvimento que não podemos ignorar.a,b

Para ilustrar a urgência e o potencial dessa transformação, vale destacar estudo da Fundação Dom Cabral (FDC) com o Instituto Atmosfera (Atmos). Segundo a pesquisa, o Brasil recicla só cerca de 13% dos resíduos sólidos urbanos, retratando um desperdício gigantesco e uma enorme oportunidade perdida em termos econômicos e sociais. Ampliar essa taxa não só reduziria o impacto ambiental, como poderia gerar centenas de milhares de empregos diretos em setores ligados à coleta e triagem, o que promoveria inclusão social e dignidade para milhares de famílias.

 

Por outro lado, a pesquisa alerta para riscos importantes, como a flexibilização da importação de resíduos sólidos, o chamado “lixo importado”, que ameaça a cadeia nacional de reciclagem e desvaloriza o trabalho das cooperativas. Para avançar, o Brasil precisa de políticas públicas claras e adequadas à realidade do país, incentivos adequados e investimentos em infraestrutura e tecnologia.

 

Apesar dos avanços, os desafios são enormes e anseiam urgentemente por soluções. O Brasil precisa ampliar a coleta seletiva, investir em tecnologias inovadoras e, sobretudo, construir uma cultura de corresponsabilidade. A sociedade deve consumir e descartar de forma consciente, o setor privado precisa garantir a rastreabilidade dos resíduos e o poder público tem o papel fundamental de criar marcos legais consistentes e efetivos. [...]

Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/

opiniao/2025/06/do-descarte-a-transformacao.shtml. Acesso em: 03 jul. 2025.

Leia o Texto 1 para responder à questão.

 

Assinale a alternativa que analisa corretamente o excerto.

  1. AEm “[...] um casamento entre sustentabilidade e desenvolvimento que não podemos ignorar [...]”, a função do termo destacado é introduzir uma oração subordinada substantiva.
  2. BEm “[...] um casamento entre sustentabilidade e desenvolvimento que não podemos ignorar [...]”, “que” é um pronome relativo que retoma o termo “desenvolvimento”.
  3. CEm “Dados recentes de organizações como Oceana e WWF-Brasil indicam que substituir plásticos descartáveis [...]”, “que” é um pronome interrogativo.
  4. D“Em “[...] a economia circular se apresenta como estratégia fundamental [...]”, “se” indica que o sujeito da oração é indeterminado.
  5. EEm “[...] a economia circular se apresenta como estratégia fundamental [...]”, o pronome “se” pode estar proclítico ou enclítico ao verbo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Em “[...] um casamento entre sustentabilidade e desenvolvimento que não podemos ignorar [...]”, “que” é um pronome relativo que retoma o termo “desenvolvimento”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise sintática do "que" e do "se" no texto

Gabarito: letra B. No trecho "um casamento entre sustentabilidade e desenvolvimento que não podemos ignorar", o "que" é pronome relativo e retoma o termo "desenvolvimento" — não "casamento" nem "sustentabilidade". A prova está na própria estrutura: o pronome relativo substitui um antecedente e introduz uma oração adjetiva restritiva, e aqui o antecedente imediato é "desenvolvimento".

O comando da questão

A banca pede que você analise corretamente o excerto — ou seja, que identifique a função sintática e o valor morfológico das palavras destacadas ("que" e "se") dentro do contexto. Isso é gramática aplicada ao texto: não basta saber a teoria, é preciso aplicá-la ao trecho específico. Cada alternativa traz uma afirmação sobre um termo; a correta é a única que descreve com precisão o que ocorre no texto.

O texto e o ponto decisivo

No 4º parágrafo, o autor escreve:

"Mais que isso, a economia circular tem potencial para impulsionar o crescimento econômico e a geração de renda no país, um casamento entre sustentabilidade e desenvolvimento que não podemos ignorar."

A oração "que não podemos ignorar" está encaixada após "desenvolvimento", e o pronome "que" retoma exatamente esse substantivo. Veja a estrutura: "um casamento entre sustentabilidade e desenvolvimento" — o núcleo é "casamento", mas o adjunto adnominal "entre sustentabilidade e desenvolvimento" termina em "desenvolvimento". O pronome relativo "que" substitui o termo imediatamente anterior, que é "desenvolvimento".

A técnica que decide

Para identificar o antecedente de um pronome relativo, pergunte: o que o "que" substitui? No trecho, "que não podemos ignorar" significa "não podemos ignorar o desenvolvimento" — e não "não podemos ignorar o casamento" (embora, em sentido amplo, o casamento também seja ignorável, a estrutura sintática aponta para o termo mais próximo). A oração introduzida é adjetiva restritiva, pois restringe o sentido de "desenvolvimento": não qualquer desenvolvimento, mas aquele que não podemos ignorar.

"Que" no texto
  • 1"que não podemos ignorar"
    • Pronome relativo
    • Retoma "desenvolvimento"
    • Oração adjetiva restritiva
  • 2"indicam que substituir..."
    • Conjunção integrante
    • Oração substantiva objetiva direta
  • 3"Se" no texto
    • "se apresenta"
      • Partícula apassivadora
      • Sujeito: "a economia circular"
      • Próclise obrigatória (após pronome relativo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o "que" introduz uma oração subordinada substantiva. Isso está errado: o "que" é pronome relativo e introduz oração adjetiva (restritiva). Oração subordinada substantiva exerce função de sujeito, objeto, complemento etc., e seria introduzida por conjunção integrante (ex.: "espero que você venha"). Aqui, a oração "que não podemos ignorar" funciona como adjunto adnominal do substantivo "desenvolvimento", característica de oração adjetiva.

Alternativa B — ✅ Correta

Como demonstrado, o "que" é pronome relativo e retoma "desenvolvimento". A oração "que não podemos ignorar" é adjetiva restritiva, pois especifica qual desenvolvimento. A alternativa está correta e é o gabarito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que, em "Dados recentes de organizações como Oceana e WWF-Brasil indicam que substituir plásticos descartáveis [...]", o "que" é pronome interrogativo. Isso é falso: o "que" aí é conjunção integrante, pois introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta ("indicam que..." = indicam isso). Pronome interrogativo aparece em perguntas diretas ou indiretas (ex.: "que você quer?"). Não há interrogação no trecho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que, em "a economia circular se apresenta como estratégia fundamental", o "se" indica sujeito indeterminado. Errado: o "se" é partícula apassivadora (ou pronome apassivador), pois o verbo "apresentar" está na voz passiva sintética: "a economia circular se apresenta" = "a economia circular é apresentada". O sujeito é "a economia circular" (paciente). Sujeito indeterminado ocorre com "se" + verbo intransitivo/transitivo indireto (ex.: "precisa-se de ajuda").

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o pronome "se" pode estar proclítico ou enclítico ao verbo. Isso é verdadeiro em termos gerais, mas não se aplica ao trecho: no texto, o "se" está em posição proclítica (antes do verbo: "se apresenta"), e a próclise é obrigatória porque há um pronome relativo antes ("que se apresenta"). A alternativa sugere que ambas as posições são possíveis no contexto, o que é falso — a colocação é fixa pela regra da próclise.

Conclusão

A única alternativa inteiramente correta é a B. As demais ou classificam errado o "que" (A e C), ou erram o valor do "se" (D), ou ignoram a obrigatoriedade da próclise (E).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o antecedente do pronome relativo: muitos candidatos pensam que "que" retoma "casamento" (núcleo do sintagma), mas o antecedente é o termo imediatamente anterior, "desenvolvimento".

PEGA ESSA DICA!

Para achar o antecedente do pronome relativo, substitua o "que" pelo termo suspeito e veja se a frase faz sentido: "não podemos ignorar o desenvolvimento" ✓; "não podemos ignorar o casamento" também faria, mas o termo mais próximo é o correto.

Gabarito: letra B

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