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Questão de Português — Crase — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsCrase
Código
qa672296
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IBC
Ano
2025
Cargo
PEBTT ( )

De mover carros para mover água: o próximo

século do desenho urbano

 

Assim como fizemos para acomodar os automóveis,

podemos redesenhar as cidades para lidar de forma mais inteligente com a chuva

 

Pedro Henrique de Christo e Alexandros Washburn

 

Nos últimos cem anos, desenhamos nossas cidades para mover carros. Alargamos ruas, construímos estradas e remodelamos bairros para acomodar automóveis. Por qualquer medida, nós conseguimos. A cidade moderna é otimizada para veículos, comumente ao custo das pessoas que vivem nela. Entretanto, os próximos cem anos devem focar algo muito mais urgente: mover água.

 

A crise climática está remodelando nossas cidades, trazendo tempestades mais intensas, aumento do nível do mar e ondas de calor. A volatilidade hidroclimática tem levado ao aumento de enchentes relâmpagos, secas prolongadas e incêndios, a chamada "chicotada climática". Porto Alegre passou por uma das piores secas do mundo em 2023 e, em seguida, por enchentes devastadoras em 2024. [...]

 

No Brasil, a frequência de eventos climáticos extremos vem subindo dramaticamente. Entre 2014 e 2023, grandes enchentes aumentaram de 182 para 314 e secas de 92 para 406 se comparadas à década anterior. São Paulo exemplifica essa tendência com sua seca severa de 2014-15 seguida por enchentes relâmpagos que se intensificaram no último verão. Estas são todas crises d’água, o elemento mais fundamental para a cidade e sua população. [...]

 

Ainda assim, nossa infraestrutura urbana se mantém presa numa mentalidade do século 20, tratando a água como uma inconveniência – em vez de uma força fundamental que deve ser gerida com o mesmo nível de planejamento e investimento que o automóvel já demandou.

 

A tarefa não é fácil, mas não é mais difícil do que nós realizamos no último século. A transformação das cidades para os carros requisitou feitos de engenharia massivos: rodovias elevadas, túneis subterrâneos, estruturas vastas de estacionamento, monitoramento do tráfego da malha urbana e um sistema de comando e controle – o semáforo. Se fizemos tudo isso, podemos redesenhar nossos territórios urbanos para lidar inteligentemente com a água.

 

Em vez de ruas desenhadas para carros, precisamos de vias e superfícies que absorvam, canalizem e armazenem água. Em vez de vastos espaços de asfalto impermeável, precisamos de parques grandes e pequenos. É o que chamamos de infraestrutura verde: biovales, pavimentos permeáveis e espaços públicos alagáveis acoplados a sistemas de dados para controlá-los. Não podemos tratar a chuva como um incômodo, mas sim aproveitá-la para reúso como uma parte integral do que chamamos de urbanismo climático. [...]

 

Essa mudança não só nos protegerá de desastres climáticos: também fará nossas cidades mais habitáveis. Ruas desenhadas para água tendem a ser mais frescas, verdes e amigáveis ao pedestre. Vizinhanças desenhadas ao redor do fluxo natural da água podem reduzir ilhas de calor, melhorar a qualidade do ar e criar novos espaços públicos.

 

A cidade centrada no carro é congestionada e barulhenta; a cidade centrada na água será resiliente e agradável. Passamos um século remodelando nossas cidades para os automóveis. Agora, precisamos do mesmo nível de ambição e urgência para remodelá-las para a água. Nosso futuro depende disso.

Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao

/2025/06/de-mover-carros-para-mover-agua-o-proximo-seculo-do-desenho-urbano.shtml. Acesso em: 03 jul. 2025.

Leia o Texto 2 para responder à questão.

 

Assinale a alternativa correta em relação ao uso do acento indicativo de crase em “Entre 2014 e 2023, grandes enchentes aumentaram de 182 para 314 e secas de 92 para 406 se comparadas à década anterior.”.

  1. AO uso do acento é facultativo, visto que não há um artigo definido determinando a palavra “década”.
  2. BO uso do acento é facultativo, visto que “comparadas” é uma palavra que não exige a presença da preposição “a”.
  3. CO acento indica a junção da preposição “para” + o artigo “a”.
  4. DUma reescrita gramaticalmente correta para o excerto é “[...] se comparadas à décadas anteriores.”.
  5. EUma reescrita gramaticalmente correta para o excerto é “[...] se comparadas a anos anteriores.”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Uma reescrita gramaticalmente correta para o excerto é “[...] se comparadas a anos anteriores.”.

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Crase: análise do acento em "comparadas à década anterior"

Gabarito: letra E. A alternativa E está correta porque propõe uma reescrita gramaticalmente válida: em "se comparadas a anos anteriores", a palavra "anos" é masculina e plural, portanto não admite o artigo feminino "a", ficando apenas a preposição "a" exigida pela regência de "comparadas" (quem compara, compara uma coisa a outra). A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a"; como "anos" é masculino, não há artigo para fundir, logo não há crase — exatamente o que a alternativa E afirma.

O comando da questão

O enunciado pede que você assinale a alternativa correta em relação ao uso do acento indicativo de crase no trecho "se comparadas à década anterior". Isso significa que a questão é de gramática aplicada ao texto: você precisa analisar a ocorrência da crase no trecho e identificar qual afirmação sobre ela (ou sobre uma reescrita) está correta. Não se trata de interpretação de sentido, mas de aplicação da regra de crase a um caso concreto.

O texto e o trecho em análise

O texto-base trata da necessidade de redesenhar as cidades para lidar com a água, em vez de apenas com carros. No trecho citado, o autor compara números de enchentes e secas entre décadas: "Entre 2014 e 2023, grandes enchentes aumentaram de 182 para 314 e secas de 92 para 406 se comparadas à década anterior."

A crase em "à década" ocorre porque:

  1. O verbo "comparar" (na forma "comparadas") exige a preposição "a" — quem compara, compara uma coisa a outra.

  2. A palavra "década" é um substantivo feminino que admite o artigo definido "a".

  3. Há a fusão da preposição "a" com o artigo "a": a + a = à.

A regra da crase: quando ocorre e quando não ocorre

A crase é a fusão de duas vogais idênticas, representada na escrita pelo acento grave (à). Para que ocorra, é necessário que haja simultaneamente uma preposição "a" (exigida por um verbo ou nome) e um artigo feminino "a" (ou o "a" inicial de pronomes demonstrativos como "aquele", "aquela", "aquilo").

Quando NÃO ocorre crase:

  • Antes de palavras masculinas (não há artigo feminino para fundir).

  • Antes de verbos (não há artigo).

  • Antes de pronomes de tratamento (exceto senhora, senhorita, madame, dona).

  • Antes de palavras femininas em sentido genérico, sem artigo definido.

No caso da alternativa E, "anos" é masculino, então não há artigo feminino "a" para fundir com a preposição — logo, apenas a preposição "a" permanece, sem acento grave.

Análise das alternativas

1Ocorre (a + a)
Preposição "a" (regência)
Artigo feminino "a"
2Não ocorre
Antes de palavra masculina
Antes de verbo
Antes de pronome de tratamento
Sentido genérico (sem artigo)
3Teste da substituição
Troca por palavra masculina
Aparece "ao" → há crase
Aparece só "a" → sem crase
Crase
LEVELsoulevel.com.br
Crase: Ocorre (a + a) (Preposição "a" (regência), Artigo feminino "a"); Não ocorre (Antes de palavra masculina, Antes de verbo, Antes de pronome de tratamento, Sentido genérico (sem artigo)); Teste da substituição (Troca por palavra masculina, Aparece "ao" → há crase, Aparece só "a" → sem crase)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o uso do acento é facultativo porque não há artigo definido determinando "década". Isso é falso: há artigo definido "a" determinando "década" (a década anterior). A crase é obrigatória nesse caso, pois há preposição + artigo. A alternativa contradiz o texto e a regra gramatical.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o uso do acento é facultativo porque "comparadas" não exige a preposição "a". Isso é falso: o verbo "comparar" exige a preposição "a" (quem compara, compara uma coisa a outra). A alternativa contradiz a regência do verbo e, portanto, está incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o acento indica a junção da preposição "para" + o artigo "a". Isso é falso: a crase em "à década" é a fusão da preposição "a" (exigida por "comparadas") com o artigo "a" (que determina "década"). A preposição "para" não está envolvida. A alternativa troca o termo — confunde a preposição correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa propõe a reescrita "se comparadas à décadas anteriores". Isso é gramaticalmente incorreto: "décadas" está no plural, então o artigo deveria ser "as" (às décadas), não "à" (singular). A forma correta seria "às décadas anteriores". A alternativa erra na concordância entre o artigo e o substantivo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa propõe a reescrita "se comparadas a anos anteriores". Isso é gramaticalmente correto: "anos" é masculino e plural, portanto não admite o artigo feminino "a". Fica apenas a preposição "a" exigida por "comparadas", sem crase. A alternativa está totalmente correta.

PEGA ESSA DICA!

Para verificar se há crase, substitua a palavra feminina por uma masculina. Se na masculina aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "a", não há. Ex.: "comparadas ao ano anterior" (com "ao") → "comparadas à década anterior" (com crase). Mas "comparadas a anos anteriores" (sem "ao") → sem crase.

Conclusão: A única alternativa que apresenta uma reescrita gramaticalmente correta é a letra E, pois "anos" é masculino e não admite artigo feminino, eliminando a crase. As demais alternativas ou contradizem a regra, ou erram na concordância, ou confundem a preposição.

Gabarito: letra E

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